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Os debates sobre a enfermagem têm apontado algumas posições que, embora divergentes quanto às abordagens, são unânimes em reconhecer a necessidade de definir o foco central da enfermagem. Várias dessas posições têm sugerido e proposto o cuidar como a essência (Leininger, 1991), o imperativo ideal e moral (Watson, 1988) e o modo de ser da enfermagem (Roach, 1993). Com base em fatores culturais, epistemológicos e ontológicos essas linhas, nas duas últimas décadas, têm priorizado o cuidar e o cuidado humano na área de enfermagem (1998, p.127, grifo nosso).

Ela aponta ainda que em geral, quando se fala em cuidado, associa-se à idéia de execução de algum procedimento em enfermagem. Cuidados de enfermagem têm sido, por longa data, usados prioritariamente em referência à execução de técnicas e de procedimentos nos pacientes. Via de regra, resultam de uma prescrição médica, relativa a um tratamento, que, por sua vez, está associado a um problema patológico ou enfermidade (ibidem, p.128).

Outras demandas indicadas pelo Paradigma da Promoção da Saúde levaram a que a assistência de Enfermagem fosse repensada, pois as conceituações existentes possuíam características formal e estática, sem contemplar a dinâmica do contexto social de onde e quando se realiza (ABEn/INAMPS, 1987, p.4).

A partir da análise conjunta ABEn/ INAMPS sobre os procedimentos, tarefas e atividades que a Enfermagem realizava, foram apontadas semelhanças, possibilitando a categorização das ações de enfermagem em cinco grandes grupos, conforme sua natureza:

!Ações de natureza propedêutica e terapêutica, com foco na organização da atenção prestada à clientela, através do diagnóstico [de enfermagem] e encaminhamento de situações. Tais atividades caracterizam a necessidade de tempo e continuidade do trabalho de enfermagem.

!Ações de natureza propedêutica e terapêutica complementares ao ato médico e de outros profissionais que apóiam o diagnóstico e acompanhamento do processo e asseguram o tratamento prescrito.

!Ações de natureza complementar de controle de risco, que se dirigem para a redução da probabilidade de agravos à saúde e/ou de suas complicações. São desenvolvidas pelo coletivo dos profissionais de saúde.

!Ações de natureza administrativa, que visam à organização do processo de trabalho coletivo de Enfermagem.

!Ações de natureza pedagógica, que visam à formação profissional, treinamento e educação continuada e estão dirigidas à força de trabalho de Enfermagem e clientela.

Para melhor compreensão deste tema leia:

Enfermagem e o cuidadoEnfermagem e o cuidadoEnfermagem e o cuidadoEnfermagem e o cuidadoEnfermagem e o cuidado: uma relação. In: WALDOW, V R. Cuidado humanoCuidado humanoCuidado humanoCuidado humanoCuidado humano: o resgate necessário. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1998.

!!!!! ALMEIDA, Rocha. Conside-Conside-Conside-Conside-Conside- rações sobre a Enfermagemrações sobre a Enfermagemrações sobre a Enfermagemrações sobre a Enfermagemrações sobre a Enfermagem enquanto Tenquanto Tenquanto Tenquanto Tenquanto Trabalhorabalhorabalhorabalhorabalho. In: ALMEIDA, Rocha (org.). O trabalho de Enfermagemtrabalho de Enfermagemtrabalho de Enfermagemtrabalho de Enfermagemtrabalho de Enfermagem. São Paulo: Cortez, 1997.

Busque outras referências que estejam sendo utilizadas pelas Escolas e Serviços de Enfermagem na sua região.

Nas conversas anteriores sobre o Cuidado e sobre o SUS, assim como nas leituras complementares sugeridas neste núcleo, você relembrou os passos históricos da construção político-institucional detalhada na Lei nº 8.080/90, cujas diretrizes básicas indicam a cobertura populacional universalizada e a integralidade da atenção à saúde.

Desde essa análise, observamos que as ações de Enfermagem vêm se ampliando. As ações de natureza investigativa estão mais presentes, pesquisando interdisciplinarmente a realidade da prática em Saúde e em Enfermagem, construindo teorias de Enfermagem, buscando compreender, criar e recriar a prática, transformando-a. As de natureza político-gerencial representam uma conquista mais recente, já ocupando os enfermeiros o lugar de gestores de órgãos responsáveis pela execução de Políticas Públicas.

Tal caracterização permite o agrupamento da assistência em duas dimensões: uma voltada à essência da assistência, por meio dos serviços diretamente proporcionados à clientela; e outra, voltada ao apoio e à qualificação da assistência prestada, visando à realização das ações assistenciais de forma integral, oportuna e com redução do risco.

Nesse sentido, pode-se conceituar Assistência de Enfermagem como um conjunto de ações de naturezas diversas, que se articulam e se complementam entre si, na consecução da finalidade do trabalho de saúde, de forma contínua. (ibidem, p.9)

Procurando ampliar a discussão sobre as ações do auxiliar de enfermagem, vamos destacar a pesquisa de validação do Perfil de Ações do Auxiliar de Enfermagem, promovida pelo PROFAE.

Na proposta preliminar de perfil a ser validado nacionalmente, foram considerados os seguintes critérios:

!diversidade regional do país; !desníveis e diferenças entre capital e interior;

!visões dos vários segmentos profissionais mais diretamente envolvidos com o Auxiliar de Enfermagem, na área da Saúde; e

!tipo, tamanho e complexidade das instituições em que o auxiliar de Enfermagem desenvolve suas ações (MS, 2001).

Baseada nessas premissas, a pesquisa foi realizada em um estado de cada região, com a participação de cerca de 150 profissionais, entre auxiliares de enfermagem, enfermeiros assistenciais e docentes envolvidos na formação de Auxiliares, e gestores de políticas de saúde de diferentes instituições. Foram constituídos, então, três tipos de grupos: um primeiro homogêneo, formado só por auxiliares de enfermagem de diferentes tipos de instituição; um segundo misto, formado por enfermeiros assistenciais e docentes; e outro misto, formado por gestores da área da Saúde e empregadores. Nestes ocorreram discussões em grupo, conduzidas por uma monitora.

O resultado dessa pesquisa encontra-se na Norma para certificação de competências profissionais do auxiliar de enfermagem – PROFAE. Nela estão detalhadas as habilidades, atitudes e conhecimentos a serem mobilizados nas ações, descrevendo as competências esperadas.

As habilidades a serem desenvolvidas estão agrupadas em seis competências:

1.Desenvolver, em equipe, ações de promoção da saúde e prevenção de agravos, visando à melhoria da qualidade de vida da população;

Esta norma encontra-se, em anexo, no Módulo 5Módulo 5Módulo 5Módulo 5Módulo 5. Se você quiser copiá-la, acesse o site w.profae.gov.profae.gov.profae.gov.profae.gov.profae.gov .br.br.br.br.br .

Lembre-se de que essa versão está sendo submetida a um teste-piloto, para as decorrentes adequações.

Qual a natureza das ações de enfermagem predominantes no seu fazer cotidiano?

De que natureza são as ações desenvolvidas pelos profissionais de nível técnico em enfermagem? Por quê?

Ações de que natureza o paradigma da Promoção da Saúde tem estimulado ou pode ajudar a ampliar na área da Enfermagem?

Uma Escola para a Saúde

2.Realizar ações de observação, coleta de dados e registro das informações pertinentes aos cuidados de enfermagem, interagindo com a equipe, com o usuário e com os seus familiares;

3.Realizar procedimentos e técnicas de enfermagem e relacioná-los às suas finalidades, seus efeitos e riscos;

4.Reconhecer situações de urgência e emergência e realizar, prontamente, ações que busquem a preservação da vida;

5Organizar o próprio trabalho, considerando a natureza, as finalidades, os

resultados e os riscos das ações;

6Atuar, em equipe, no desenvolvimento das atividades de planejamento e

avaliação das unidades de saúde.

Já as atitudes elencadas, relacionam-se à solidariedade, civilidade, compartilhamento, responsabilidade e ética.

No presente (2002), o PROFAE, em parceria com a ABEn, está realizando um estudo de levantamento das ações do técnico em Enfermagem. Devemos estar atentos(as) para conhecer o resultado desse trabalho.

Atividade 3

Enfermagem: a que será que se destina ?

O profissional que eu gostaria que cuidasse de mim, existe?

Reúna-se com seus companheiros enfermeiros-docentes da Escola/do

Curso em que você atua e desenvolvam, coletivamente, o que se propõe a seguir:

!A partir da experiência do grupo e dos relatos de alunos, façam um levantamento das ações que o Auxiliar de Enfermagem realiza no contexto da sua cidade ou região.

!Relacionem essas ações às habilidades descritas em cada competência da

Norma para certificação (anexo do Módulo 5), orientando-se pelas seguintes questões: a)Em qual das competências as ações mais se “enquadraram”? b)Alguma competência não foi contemplada? c)Alguma ação ficou sem “enquadramento”?

!Frente aos resultados dessa análise, reflitam a respeito do que eles sinalizam, considerando as bases políticas e pedagógicas discutidas no Módulo 10 em relação a uma formação desejada para os trabalhadores que integram o SUS. Anotem suas observações.

!Acrescentem ao “perfil” do auxiliar de enfermagem aquelas características indispensáveis ao profissional que vocês gostariam que cuidassem de vocês. De que modo a Escola pode ajudar a formá-lo?

Registrem as respostas a essas questões, pois elas deverão ser úteis no planejamento da Atividade de Avaliação do Módulo.

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