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A produção do grupo deverá ser encaminhada aos tutores, para a devida apreciação e comentários.

Uma Escola para a Saúde

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Novas práticas no horizonte da Saúde

Chegamos ao momento mais esperado, quando o ponto de partida (sua prática pedagógica) torna-se também o ponto de chegada, só que renovado pela consistente reflexão que você vem realizando.

Esta re-admiração da sua prática deverá gerar, agora, a construção de novas práticas educacionais sistematizadas, que possibilitem a integração do saber-fazer e a construção de identidades mais autônomas, tanto dos profissionais-alunos quanto dos usuários, alvo da assistência promovida.

Para tornar mais claro o desafio, detalharemos a seguir algumas expressões das tendências de reorientação das práticas profissionais, que servirão de horizonte para você planejar novas e significativas práticas pedagógicas na “Escola para a Saúde”.

Tendências de reorientação das práticas profissionais em Saúde

Construídas no cotidiano, em meio aos conflitos e interações, desprovidos de biombos e boxes (Gómez, 1998), as tendências de reorientação das práticas profissionais baseiam-se:

1. Na “desospitalização” das ações de intervenção sobre os adoecimentos, tornando-as mais próximas da comunidade e dos indivíduos, enfatizando as dimensões da Vigilância em Saúde.

Como exemplo, destacam-se algumas atividades multidisplinares e intersetoriais, tais como:

!composição de equipes do PSF ampliadas pela participação de nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, odontólogos e fisioterapeutas;

!co-gestão e/ou gestão de serviços ambulatoriais de perfil policlínico pertencentes ao SUS com as Universidades, respaldando as equipes de Saúde da Família;

!implantação de interconsultas e consultas conjuntas, em ambientes domiciliar e/ou ambulatorial;

!apoio ao indivíduo hospitalizado e à sua família, com acompanhamento pós-alta, gerando relações intersetoriais com a educação, a habitação e a promoção social;

!incorporação do conceito de “supervisão especializada à equipe básica”, significando a contribuição específica de um profissional frente à necessidade de uma dada direcionalidade técnica e não com base no cargo ou hierarquia de chefia (UERJ, 1998).

2. Capacitação de grupos compostos por profissionais de diversas instituições, usuários e comunidades, de tal forma que se tornem sujeitos da formulação, execução e avaliação das ações desenvolvidas, qualificando o controle social e ampliando o poder de determinação sobre as condições que interferem na qualidade de vida.

Para impulsionar essa perspectiva, são desenvolvidas algumas iniciativas como:

!experiências que integram ensino-serviço-comunidade por meio de ações locais que são, simultaneamente, “atividades curriculares” da instituição de ensino e “atividades programáticas” das associações comunitárias;

!participação da comunidade na organização das atividades desenvolvidas pela equipe de Saúde;

!ênfase nas atividades de comunicação e educação em Saúde, visando ao desenvolvimento de habilidades e hábitos saudáveis referenciados nos padrões culturais;

!construção coletiva de instrumentos de investigação dos problemas e suas soluções;

!eventos comunitários de “recreação e recriação da saúde”, mediante a formação de grupos de clientela específica na comunidade, com dinâmicas criativas e participativas.

Diante dessas tendências, evidencia-se que a reorientação das práticas em Saúde na perspectiva da promoção implica a necessidade de se considerarem questões complexas e fundamentais como as apresentadas a seguir:

!a consciência dos agentes do trabalho em relação aos procedimentos concretos da ação, de modo que esta seja, ao mesmo tempo, tecnicamente eficaz e socialmente comprometida e compensadora, reunindo os usuários, trabalhadores e gestores em torno da qualidade pela vida;

Essas tendências já se fazem presentes nos serviços de saúde onde você mora e/ou trabalha? Elas têm sido aproveitadas como espaços de articulação teoria-prática? Como?

Novas práticas no horizonte da Saúde

!o reconhecimento da centralidade dos “recursos humanos em Saúde” como propulsores das transformações, requerendo investimentos sistemáticos, contínuos, quantitativa e qualitativamente suficientes.

A consolidação das atividades e iniciativas citadas requer um conjunto de estratégias de apoio, de modo a promover sua expansão e efetiva implantação do modelo assistencial da Promoção da Saúde, gerando novas práticas profissionais orientadas por esse modelo.

Considerado o novo horizonte, para onde devem ser dirigidos os esforços governamentais, em particular, dos gestores do SUS, das Universidades e das organizações comunitárias?

Tudo indica que os esforços devam se dirigir no sentido de:

!Oferecer sustentação política e técnica às experiências de formação e de reorganização dos serviços que aproximam os mundos do ensino e do trabalho (articulando teoria e prática de forma interdisciplinar e intersetorial), ousando superar as formações que incentivam o agir isolado, exclusivista e auto-suficiente;

!Desenvolver políticas e programas de qualificação profissional, de educação continuada e de pesquisa que valorizem as experiências concretas de atuação e se debrucem sobre as questões do trabalho em equipe, do aprendizado mútuo, da complementaridade do trabalho pluridisciplinar, do relacionamento com a comunidade, da integralidade etc., em termos técnicos e gerenciais.

!Promover apoio técnico às instâncias estaduais e municipais de saúde na reorientação dos perfis dos profissionais estadualizados ou municipalizados, frente às necessidades e papéis desses níveis de governo, resgatando o seu potencial de realização e participação na construção do SUS;

!Reforçar inequivocamente o processo de descentralização das ações, de forma responsável e competente, priorizando as iniciativas que visem a construir e manter a integralidade das ações e do cliente e a superar as dicotomias usuários x serviços, prevenção x recuperação, planejadores x executores, entre outras;

!Resgatar os meios e os mecanismos de promoção da educação continuada para os trabalhadores de nível técnico, em parceria com as Escolas Técnicas do SUS, Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, Pólos de Capacitação do PSF, Faculdades/Escolas de Enfermagem, de modo a ampliar o acesso aos mecanismos de titulação autorizados pela nova legislação referente à educação profissional (Lei de Diretrizes e Bases e correspondentes decretos e resoluções);

!Promover a participação dos coordenadores e equipes das “novas práticas” em Saúde na discussão/elaboração de projetos políticopedagógicos referentes à educação profissional em nível técnico, contribuindo para a ordenação dos recursos humanos que ainda não obtiveram o reconhecimento da competência desenvolvida nessas experiências (Atendentes, ACS e Cuidadores) e que não poderão ficar à margem da nova LDB e suas implicações sobre as regulações das práticas profissionais.

Finalizando, não podemos esquecer de ampliar espaços para o relato de experiências em andamento. Essa estratégia fortalece e estimula inovações geradoras de conhecimento e avaliação de resultados das “novas práticas” de formação e da assistência em Saúde, segundo o critério da qualidade de vida da população.

Avaliação da competência humana para o cuidar sem riscos

Embora se requeira a consciência crítica para uma avaliação inteiramente humana, mesmo num estado de consciência mítica ou ingênua, a pessoa humana sempre avalia: julga as realidades (as práticas) à luz de critérios

Hoffmann

Em qualquer processo educativo, a avaliação costuma constituir “um bicho de sete cabeças” que amedronta tanto alunos quanto professores.

Se, nas diversas áreas profissionais e nos diferentes níveis de ensino, os mitos e as representações da avaliação da aprendizagem têm sido sempre extremamente problemáticos, na área da saúde, avaliar tem sido uma das ações mais complexas. Isso é compreensível, por um lado, se considerarmos a natureza dessas práticas.

Contraditoriamente à própria essência do ato (ou do conjunto de atos) de avaliação diagnóstica do estado de saúde de um indivíduo ou de uma coletividade, função imprescindível e fundamental de qualquer assistência de saúde a ser instituída, a avaliação educacional usualmente praticada nos processos de formação em Saúde apresenta características eminentemente classificatórias e terminais.

A avaliação médica pressupõe que todo paciente deverá ser tratado, tendo em vista a recuperação ou a melhora do seu estado de saúde. É interessante ressaltar que, mesmo que o paciente seja portador de uma doença incurável, a avaliação diagnóstica médica visa sempre “melhorar” a sua condição de vida, nem que seja para minorar o sofrimento. O mesmo não acontece com os alunos da área da Saúde. Quer seja na formação de médicos, enfermeiros ou auxiliares de enfermagem, a avaliação da sua aprendizagem, na prática, muitas vezes inviabiliza a “recuperação”, devido ao seu caráter extremamente autoritário e “terminal”.

Não estamos defendendo a idéia de que a avaliação da aprendizagem dos profissionais de Saúde seja menos “rígida” ou acurada; ao contrário. A ação de cuidar de vidas humanas requer competências profissionais rigorosamente construídas, segundo critérios científicos, éticos e humanos.

Este texto vem apresentando indícios de transformações possíveis nas práticas profissionais em saúde. Eles são um desafio à sua capacidade de incluir essas inovações nas experiências de aprendizagem. Que estratégias de ensinoaprendizagem você idealizaria a partir desta leitura?

A essa altura da reflexão, provavelmente você deve estar recordando as experiências de avaliação que “sofreu” durante a sua formação de enfermeiro. Elas podem estar retornando como um “filme” à sua memória. Aproveite suas lembranças e reflita sobre os aspectos marcantes de sua vivência a esse respeito.

Novas práticas no horizonte da Saúde

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