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Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação –Curitiba, PR –4 a 7 de setembro de 2009

Do vermelho-sangue ao rosa-choque: o mito do vampiro e suas transformações no imaginário midiático do século XXI 1

Rita Aparecida da Conceição Ribeiro 2

Universidade do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

Resumo

O mito do vampiro esteve presente emtodas as sociedades, independente do nome que a criatura levava. A ideia do sangue como fonte de energia e, consequentemente de juventude, propiciou o desenvolvimento de histórias que tiveram na criação de Drácula de Bram Stoker a sua versão definitiva. Podemos apontar o cinema como o principal responsável pela disseminação do mito do vampiro ao longo do século X nas suas mais variadas formas: desde o monstro devorador sem alma até o novo estereótipo do romantismo do século XXI. O trabalho, parte de uma pesquisa mais ampla sobre mitos urbanos, visa apresentar as transformações do mito do vampiro e o processo de encantamento e identificação do espectador, principalmente os jovens, com o personagem.

Palavras chave: identificação do espectador; vampiros; produção/consumo cultural e mediações.

As narrativas do cinema e posteriormente, da TV baseiam-se, na maioria das vezes, nos mitos criados ao longo da história do homem. Romance, traições, medos afloram em histórias que ao longoda existência de nossa civilização buscam ilustrar e, por vezes, trazer à luz uma compreensão de nosso estar no mundo, uma explicação possível para os mistérios que envolvem nossa existência. A cultura urbana jovem, muitas vezes pauta-se em diversos mitos. O presente trabalho visa discutir a influência de um dos principais mitos urbanos –o vampiro. Fascinante para os jovens por seu poder, sexualidade, força e poder de vida e morte, este constitui um dos grandes mitos do imaginário urbano do início do século XXI.

Os mitos possuem diversas naturezas. Desde os mitos da criação do homem, dos rituais de fecundidade e outros diversos. No entanto, os que mais fascinam e são continuamente recriados pelo imaginário popular são aqueles ligados aos monstros. Os monstros são entidades que povoam nossa imaginação e vão assumindo características distintas de região para região, e quase sempre apresentam traços que revelam similaridades entre as preocupações comuns ao homem, independente da sua localização geográfica. Assim vemos histórias de lobisomens, mortos-vivos e bruxas, entre outros seres sobrenaturais, que assumem denominações diversas, dependendo dos

1 Trabalho apresentado no NP Comunicação e Culturas Urbanas do IX Encontro dos Grupos/Núcleos de Pesquisa em

Comunicação, evento componente do XI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

2 Professora do Programa de Pós-Graduação em Design, email:rita_ribeiro@uol.com.br

Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação –Curitiba, PR –4 a 7 de setembro de 2009 povos que as criam, mas que trazem a tona os medos primários do homem, frente ao desconhecido. Entre estes mitos, um dos que mais poder exerce sobre o imaginário é o dos seres sugadores de sangue, os vampiros. O sangue é considerado a energia vital do homem há milênios. Da mesma forma, as histórias sobre seres que se alimentam dessa energia também existem em vários povos, surgindo, ainda que sem influência externa de outros povos, com características similares e chamados por diversos nomes.

São milenares as lendas de seres que sugam sangue e energia em várias culturas. No ano remoto de 600 a.C. na China, há registros de um demônio chamado giangeshi que bebia sangue; também na Babilônia, Assíria, Egito, Grécia e Roma; o “katakhanoso” e o ”baital”do sânscrito, o “upity” russo, o “upiory”polonês, o “urykolaker”grego. São entidades ou lendas autóctones, isto é, surgiam em cada lugar sem possibilidade de uma interinfluência das mais diversas regiões, pois até no Peru pré-colombiano há registros delas: o “canchus”ou “pumapmicos”, que bebiam sangue de jovens adormecidos, assim como sacerdotes astecas que bebiam sangue para ter a energia do sol. (COSTA, 2009, p.7.).

Assumindo conotações distintas, o mito do vampiro começa a ganhar força com a literatura de horror do final do século XIX . A partir da publicação de Drácula em 1897 pelo irlandês Bram Stoker, o mito do vampiro ganha um caráter universal. As histórias sobre vampiros estão presentes em muitos povos, principalmente do Leste Europeu. Durante séculos eram passadas de pai para filho, gerando lendas e mitos. Na construção de seu personagem, Bram Stoker viajou para a Transilvânia, atual Romênia, em busca de informações a respeito do Conde Vlad Tepes, um personagem histórico da região, que ficou conhecido como O Empalador. Muitas lendas surgiram a partir de sua história, considerado um homem cruel, cuja família dominou a área durante anos.

Drácula era de fato um autêntico príncipe da Valáquia do século XV, que foi frequentemente descrito em documentos alemães, bizantinos, eslavos e turcos do seu tempo, e em histórias de horror populares como um governante cruel, egoísta e possivelmente louco. Ele se tornou mais conhecido pela quantidade de sangue que indiscriminadamente derramou, não apenas o sangue dos turcos infiéis –os quais pelos padrões de seu tempo fariam dele um herói –mas pelo de alemães, romenos, húngaros e outros cristãos. Sua mente engenhosa concebeu todas as espécies de torturas físicas e mentais, e sua maneira favorita de matar fez com que se tornasse conhecido pelo nome de “o Empalador”. (MCNALLY & FLORESCU, 1995, p.18).

O horror do personagem real pode ter sido um impulsionador na constituição de um mito que sobrevive na literatura, em filmes, seriados televisivos. O mito do vampiro, a partirda publicação de Stoker, vem gerando uma série de outras histórias, algumas seguindo fielmente a história de Drácula, outras gerando novos personagens, mas

Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação –Curitiba, PR –4 a 7 de setembro de 2009 sempre com uma raiz comum ao seu ancestral mais famoso. O personagem de Stoker congrega, ao mesmo tempo, uma atmosfera de fascínio e horror. Nosso trabalho tem como premissa investigar como o mito do vampiro foi, ao longo do século X e já no decorrer do século XXI, se transformando de acordo com as demandas do público consumidor dos produtos midiáticos. Partimos da premissa do processo de identificação do espectador com os personagens produzidos pela mídia, investigando o fascínio que tal personagem vem exercendo ao longo dos anos, até chegar ao novo estereótipo do vampiro apresentado em recentes produções como as séries Blood Ties, True Blood e na quadrilogia iniciada por Crepúsculo de Stephenie Meyer.

O horror sai dos livros e povoa as telas do cinema

O surgimento do gênero de horror na literatura foi se constituindo ao longo do século XVIII e teve seu auge no século XIX com a publicação de Frankenstein de Mary Shelley em 1816, O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson em 1886 e, finalmente de Drácula, de Stoker em1897. A época do surgimento do romance de Bram Stoker foi propícia, pois é também um período em que o ocultismo, na contramão da difusão do pensamento científico, se dissemina na Europa.

O ocultismo parecia votado a um definhamento irremediável aos olhos do observador racionalista do século XIX. De fato, hoje vemos que ele constitui um caldo de cultura. A partir de 1848, na Inglaterra, alguns anos mais tarde na França, a tão velha crença nos fantasmas renasceu, já não nas zonas rurais atrasadas, mas nas próprias casas da cidade –e estendeu-se rapidamente. (MORIN, 1999, p.115.).

Mesmo com todos os avanços científicos da época, o temor à morte, sempre inevitável, não podia ser descartado pela ciência, enquanto a promessa de vida eterna preconizada pela igreja tampouco se mostrava uma alternativa confiável. É na ficção, ou nas promessas do ocultismo, que o desejo da vida eterna e da ressurreição encontram seus maiores difusores.

Assim, deixando delado os recantos sombrios do interior, o gênero de horror difunde suas histórias nas cidades. O cenário urbano, pleno de becos escuros e vielas, é tão propenso a fantasmas e outros monstros quanto o foram as matas e os desertos em outros tempos. O gênero de horror, rapidamente difundiu-se com sucesso e, na transição para a cultura de massas representada pelo cinema, se revela como um dos grandes gêneros do cinema do século X. Stephen King, um dos maiores escritores de ficção na área do terror, aponta possíveis causas para o fascínio que o gênero de horror exerce:

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O horror nos atrai porque ele diz, de uma forma simbólica, coisas que teríamos medo de falar de boca cheia, aos quatro ventos; ele nos dá a chance de exercitar (veja bem: exercitar, e não exorcizar) emoções que a sociedade nos exige manter sob controle. O filme de horror é um convite para entregar-se a um comportamento delinqüente, anti-social –cometer atos de violência gratuita, ter condescendência com nossos sonhos pueris de poder, nos render aos nossos medos mais covardes. Talvez, mais que qualquer outra coisa, as histórias ou filmes de horror dizem que não tem problema nos juntarmos à escória, nos tornarmos seres completamente tribais, matar o forasteiro. (KING,2007, p.38.).

O desejo de rebelar-se, de exercer a violência sem controle, de liberar as pulsões estão na base da maioria das histórias de horror. O fascínio que ele exerce sobre os adolescentes e jovens pode se explicado, em parte, pela sensação de poder, de estar em pé de igualdade com seus inimigos e poder vencê-los ao final da disputa. Isso pode ser percebido com clareza na natureza dos videogames, povoados por monstros, sangue, sensualidade e violência.

Ao analisar a trajetória dos monstros no cinema e nas produções da mídia, percebemos que o mito do vampiro hoje, com mais intensidade, se faz presente desde os filmes, histórias em

um fascínio que leva à criação de diversos produtos para um público sedentopor

quadrinhos, RPG, livros e seriados de TV. Entre todos os personagens difundidos pela mitologia midiática o vampiro é o que exerce maior fascínio, principalmente entre o público jovem. Um mito essencialmente urbano, que se acoberta pelas ruas e becos escuros das cidades, o vampiro fascina, pois reúne os ideais de juventude e beleza eternas, do sexo pelo poder de sedução, e dafortuna. Em nossa sociedade, cada vez mais espelhada nos valores do consumo e da busca pela juventude eterna, quem melhor poderia encarnar tal espírito? O vampiro vai, ao longo do século X, deixando de ser o grande vilão e se humanizando, se transformando, aos poucos , no herói das histórias. Para entendermos melhor essa transição, devemos discutir os processos de identificação do espectador com o herói e demonstrar como o personagem do vampiro, ao longo de sua trajetória na literatura, cinema e televisão, assume a personagem de anti-herói, exercendo identificação.

O surgimento do star system e dos heróis no cinema

O surgimento do cinema, e consequentemente, o êxito da indústria cinematográfica, em muito deve-se à constituição do star system, ou sistema de estrelas, que ainda hoje é responsável pelas imensas bilheterias conseguidas por alguns filmes. Edgar Morin explica que o surgimento do star systemdesde o período do cinema mudo, é fundamental para a formação da figura do herói, baseada nos arquétipos mitológicos.

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Em 1919, o conteúdo, a direção e a publicidade dos filmes gravitam ao redor da estrela. O star systemé, desde então, o coração da indústria cinematográfica. (...) Os grandes arquétipos masculinos se ampliam. O herói cômico se impõe no longa-metragem. Ao redor dos heróis da justiça, da aventura, da ousadia, descendentes fílmicos de Teseu, Hércules e Lancelot, cristalizam-se os grandes gêneros épicos. (MORIN, 1989, p.8.)

Desde sua origem, o cinema como um espetáculo de entretenimento, apropria-se dos temas folhetinescos e do melodrama, histórias que povoavam o imaginário popular disseminadas pela história oral, posteriormente pela literatura para, finalmente, ganhar imagens nas telas.

Espetáculo plebeu em sua origem, o cinema se tinha apropriado dos temas do folhetim popular e do melodrama, nos quais se encontram em estado quase fantástico os arquétiposoriginaisdoimaginário: acasos providenciais, a magia do duplo (sósias, gêmeos), aventuras extraordinárias, conflitos edipianos envolvendo padrastos e madrastas, órfãos, segredo de nascimento, inocência ultrajada, mortesacrifício do herói. (MORIN, 1989, p.1.)

O desencanto advindo após a Primeira Guerra Mundial e em decorrência da Grande

Depressão, promove uma mudança no imaginário cinematográfico, que busca uma aproximação maior com os dramas do homem e com seus medos.

Uma vez que as necessidades de assimilação afetiva se dirigem em primeiro lugar aos heróis dos filmes, as estrelas foram o primeiro objeto dessa transformação. Certamente os heróis continuam heróis, isto é, modelos e mediadores. Mas, combinando cada vez mais intimamente, e de forma variada, o excepcional e o habitual, o ideal e o quotidiano, eles passam a oferecer a identificação de pontos de apoio mais e mais realistas. (MORIN, 1989, p.13.)

A figura do herói tende de certa forma a se humanizar, quanto mais situações aproximem suas decisões daquelas que seriam familiares, ou prováveis ao homem comum. À humanização da figura do herói corresponde o amadurecimento do público e a criação do cinema sonoro.

A identificação do homem comum com os personagens dos filmes permite que ele vivencie através do herói seus sonhos mais distantes, viva as aventuras mais audazes, faça conquistas e seja dono de sua liberdade. Situações distantes da vida real da maioria das pessoas, que vivem subjugadas diante de aparelhos feitos para o trabalho, sejam eles máquinas industriais ou computadores sofisticados. Benjamin aponta o processo de identificação do espectador com o filme, como um momento de catarse em que a partir da fruição das imagens o espectador pudesse realizar uma espécie de desagravo diante das máquinas que o oprimem.

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Representar à luz dos refletores e ao mesmo tempo atender às exigências do microfone é uma prova extremamente rigorosa. Ser aprovado nela significa para o ator conservar sua dignidade humana diante do aparelho. O interesse desse desempenho é imenso. Porque é diante de um aparelho que a esmagadora maioria dos citadinos precisa alienar-se de sua humanidade, nos balcões e nas fábricas, durante o dia de trabalho. À noite, as mesmas massasenchem os cinemas para assistirem a vingança que o intérprete executa em nome delas, na medida em que o ator não somente afirma sua humanidade (ou o que aparece como tal aos olhos dos espectadores), como coloca esse aparelho a serviço do seu próprio triunfo. (BENJAMIN, 1996, p.179.).

O herói representa para o espectador o seu duplo, aquele que está ali para resolver os conflitos que, intimamente, desejamos que sejam transportados de nossa vida para a tela do cinema. Como a figura do duplo descrita por Morin (1997), que é representada pelo processo de projeção-identificação do espectador, ou como o autor afirma, através de “participações afetivas”. O espectador se reconhece nas atitudes e dilemas enfrentados pelo herói, como se fossem seus. O conflito é então o ponto de união entre o espectador e o herói.

Os conflitos devem promover um encontro com as suas angústias, de forma a gerar uma relação de cumplicidade entre herói e espectador. Cumplicidade que não é unilateral, já que o espectador confia que o herói conseguirá vencer no final, o que, na maioria dos filmes e séries, realmente acontece. Doc Comparato (1995) aponta duas qualidades essenciais do conflito: correspondência e motivação. Essas qualidades proporcionam, quando bem utilizadas, uma reação emocional no público, motivada por simpatia ou solidariedade, empatia ou identificação com a figura do herói, ou ainda, por antipatia ou reação, com relação a um inimigo que também se torna seu.

A correspondência do conflito se dá à medida que a motivação é convincente para o espectador. Assim é criado o ponto de identificação, ou seja, o ponto convergente entre o público e a história.

Normalmente existe uma série de pontos de identificação, que só se percebem quando intervém a emoção: no momento em que nos damos conta de que o problema que a personagem enfrenta também poderia ser nosso. Isso faz com que o espectador diga “se eu fosse ele, não faria aquilo”. Todo conflito possui, por mais absurdas que pareçam as premissas, um ponto em comum –de identificação –com a plateia.. (COMPARATO, 1995, p.150.).

O processo de identificação do espectador com as imagens já se desenvolvia nas primeiras exibições do cinematógrafo dos irmãos Lumière. Nascido como um projeto científico, o cinematógrafo logo vai ganhar seu espaço nas feiras, cabarés, em diminutos

Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação –Curitiba, PR –4 a 7 de setembro de 2009 boulevards. É no espaço do homem comum que ele se desenvolve. Nos pequenos redutos, para um público que -em troca de um níquel -por alguns momentos abandona sua condição miserável e se transforma no agente secreto, no super-herói ou no milionário sedutor.

Os heróis, que antes existiam apenas nas narrativas, corporificam-se, assumem feições cada vez mais humanas nas imagens produzidas desde o cinematógrafo. Se nas narrativas a figura do herói exercia grande empatia no leitor, pouco a pouco o processo de identificação do espectador com o personagem vai se intensificando nas imagens do cinema.

Mas, se existe o herói, é necessário seu contraponto: o vilão. E é justamente nessa seara que os monstros surgidos na literatura encontram no cinema seu momento de glória, pois para que exista o herói é necessária a existência do inimigo, que possibilita a realização de seus feitos. BRUNEL (1997, p. 471) apresenta as principais características que delineiam a figura do herói e a de seus principais oponentes. O herói é solar e seu inimigo faz parte de um universo tenebroso. Enquanto o herói possui “olhoscintilantes ou claros, cabeleira irradiante, beleza do rosto, silhueta viril, perfil afilado” seus oponentes apresentam-se com “brilho sombrio no olhar, rosto noturno (vilão mal barbeado, feio, sujo, suspeito), às vezes adiposo”. Desde o primeiro conto publicado sobre vampiros, as suas características já são claras. A descrição abaixo é do conto O Estranho Misterioso, de autor anônimo, publicado na Inglaterra na Revista Odds na Ends, em 1860.

Era um homem de cerca de 40 anos, alto e extremamente magro. Os traços de seu rosto não podiam ser definidos como desinteressantes – havia ali algo de ousado e audacioso -mas a expressão era, no conjunto, qualquer coisa, exceto benevolente. Havia desdém e sarcasmo nos frios olhos cinzentos, cujo olhar, porém, era porvezes tão penetrante que ninguém o suportava por muito tempo. (COSTA, 2009, p.35-36.).

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