debaixo da pele Uma viagem através do Corpo Humano

debaixo da pele Uma viagem através do Corpo Humano

(Parte 2 de 4)

As diversas variantes do método Doppler, que tem o nome do seu inventor, permitem representar a cores e por sons as oscilações de frequência sonora provocadas pelo fluxo sanguíneo. O sangue que corre em direcção à sonda é representado pela cor vermelha, enquanto que o sangue que se afasta está marcado a azul. Este método permite verificar a velocidade de fluxo do sangue, que por sua vez fornece dados alusivos à presença de constrições de origem patológica ou válvulas defeituosas.

Dado que os ossos reflectem as ondas sonoras da Ecografia, não permitindo, assim, examinar as áreas situadas por trás dos mesmos, a sonda ecográfica só pode alcançar o coração através da penetração de alguns locais entre ou por cima das costelas, que são designados por »janelas«. Por isso, quando o objectivo do diagnóstico o exige, a sonda ecográfica é levada para junto do coração através do esófago, evitando-se assim as interferências causadas pelo esqueleto ou pelos pulmões. Tal como em todos os outros métodos de representação visual, na Ecocardiografia têm-se desenvolvido programas que reproduzem imagens tridimensionais a partir dos dados dos cortes, desta forma oferecendo uma vista geral da área examinada.

Palpitações

No plano longitudinal, o sangue descreve um arco, circulando a partir da aurícula esquerda no canto inferior direito para o ventrículo esquerdo, alcançando de seguida a aorta situada em cima à direita.

Para examinar o fluxo de sangue no ventrículo esquerdo, utiliza-se o método Doppler que reproduz o fluxo através da alternância das cores azul e vermelho.

No plano de corte axial da válvula mitral pode observar-se o movimento regular das válvulas.

Na imagem de corte gerada pela Ressonância Magnética define-se bem a parede espessa do miocárdio esquerdo.

A alta velocidade com que hoje em dia se podem produzir imagens de corte, permite, através da Ressonância Magnética e do TAC, examinar órgãos em movimento, como o coração. As duas técnicas fornecem informações diferentes referentes à condição e ao funcionamento do coração.

Ao reproduzir a anatomia do coração e dos grandes vasos através da Ressonância Magnética, o ângulo é ajustado conforme a posição individual do orgão, o que permite captar imagens de corte exactas do eixo longitudinal e transversal. A nitidez dos contrastes entre os tecidos moles permite observar, particularmente, alterações nas paredes do miocárdio que podem causar, por exemplo, arritmias. Uma outra vantagem da Ressonância Magnética reside na possibilidade de determinar a velocidade do fluxo de sangue, que fornece indícios referentes ao funcionamento regular das válvulas cardíacas, a constrições (estenoses) ou a deficiências de vedação (insuficiências).

Para o diagnóstico de calcificações das artérias coronárias e das válvulas cardíacas, não detectáveis nas imagens da Ressonância Magnética, o TAC Multiplanar fornece imagens de alta definição captadas a grande velocidade e destituídas de movimento. Porém, ao contrário da Ressonância Magnética, esta técnica só permite efectuar cortes perpendiculares ao eixo do corpo.

As duas técnicas possibilitam a produção de imagens tridimensionais que, no caso da Ressonância Magnética, permite estabelecer o volume sistólico, e em casos específicos podem substituir o exame invasivo do catéter cardíaco. As coronárias também são representadas através das duas técnicas, das quais o TAC Multiplanar não só oferece uma localização exacta das mesmas, mas também a detecção de constrições.

Porém, devido à complexidade do equipamento e ao seu elevado custo, estas técnicas, ao contrário da Ecocardiografia e do catéter cardíaco, não constituem parte do equipamento habitual para o diagnóstico do coração.

De todo o coração

A vantagem especial do TAC do coração reside na detecção de calcificações nas coronárias.

A imagem captada por Ressonância Magnética apresenta uma constrição evidente da válvula mitral entre a aurícula esquerda eo ventrículo esquerdo.

O modelo tridimensional construido a partir dos cortes deum tomógrafo multiplanar representa, com autenticidade, o coração em toda a sua dimensão, bem como o percurso das coronárias.

A representação da aorta abdominal através da Ressonância Magnética permite uma observação de toda a área a partir de diversos ângulos e sem sobreposições.

O TAC, a Ressonância Magnética e a Ecografia servem-se cada vez mais das novas tecnologias para representar a área examinada em três dimensões. A representação tridimensional é particularmente adequada para o diagnóstico vascular, porque permite a visualização de vários planos e evita as sobreposições que se verificam na representação bidimensional. Através da reprodução em filme de sequências maiores de imagens, a área examinada pode ser observada a partir de qualquer ângulo. Alterações patológicas no sistema dos vasos são captadas em toda a sua dimensão, o que é um factor determinante na preparação de uma eventual intervenção cirúrgica.

Aparelhos de Raios-X e detectores que durante o exame circulam em torno do doente a alta velocidade, captando uma série de imagens, aumentaram consideravelmente o âmbito de possibilidades da Angiografia clássica. Através de um catéter introduzido no vaso, éinjectado um meio de contraste directamente na área a examinar, e as sequências de imagens captadas são posteriormente transformadas em imagens de subtracção. Isto significa que, na reprodução final, se definem os contornos escuros do sistema vascular, enquanto que o resto do organismo é praticamente eliminado da imagem. Através do catéter também podem ser efectuadas intervenções terapêuticas, como por exemplo a dilatação de um vaso constrangido.

Uma outra técnica radiológica que tem sido utilizada no diagnóstico vascular nos últimos dez anos é o TAC Helicoidal. Num curto espaço de tempo, são captadas secções maiores de vasos. O contrastante é injectado na veia, pelo que se dispensa o catéter. Uma técnica especial de processamento de imagens gera um modelo plástico dos vasos sem sobreposições, que roda sobre cada um dos seus três eixos geométricos. Para além de detectar calcificações, a imagem de corte permite também determinar a estrutura das paredes e o diâmetro dos vasos.

Na Ressonância Magnética não são produzidas radiações nem é necessário introduzir um catéter. Por estas razões, esta técnica tem vindo a aumentar em significado nos últimos anos, apesar dos seus custos elevados e do tempo de exposição mais prolongado. Como no TAC, a Ressonância Magnética permite distinguir claramente alterações dasparedes vasculares. A possibilidade de captar rapidamente várias sequências de imagens permite ainda registar a velocidade e o volume do fluxo de sangue nos vasos. No pequeno espaço de tempo em que o doente retém a respiração, pode obter-se uma representação isolada de artérias ou de veias.

Do mesmo sangue

A representação angiográfica das grandes artérias na área da bacia apresenta constrições nítidas que prejudicam a irrigação sanguínea das pernas.

A reprodução da aorta na zona da bacia a partir dos cortes do TAC Helicoidal revela dilatações e calcificações patológicas do vaso.

A Radiografia representa os vasos dos rins, injectados com um meio de contraste através de um catéter introduzido na artéria renal.

Os rins são os órgãos mais irrigados do corpo humano. Com cada batimento do coração, os rins processam cerca de um quinto do sangue arterial; no caso de uma pessoa de 70 quilos de peso, esta quantidade traduz-se em cerca de um litro por minuto, ou seja, 1500 litros por dia. Um rendimento notável, considerando que os dois rins juntos não pesam mais que 300 a 400 gramas.

A tarefa mais importante dos rins é a regulação dos níveis de água e de sais no organismo. Substâncias de alto valor para o organismo, tais como água, glucose, vitaminas, electrólitos e aminoácidos não são excretadas pelo rim; substâncias residuais e supérfluas são filtradas e eliminadas com a urina. Este processo tem lugar num sistema infinitamente complexo, constituido pelos chamados glomérulos, que absorvem, filtram e reencaminham o sangue, e pelos tubos uriníferos que conduzem a urina para a pelve renal, e a partir desta para a uretra. Cerca de um milhão destas unidades encontram-se na zona cortical do rim, que por conseguinte, é a área mais irrigada. Dado que qualquer alteração da pressão arterial iria resultar numa sobrecarga deste sistema, existe um mecanismo próprio, independente da regulação geral da circulação, que assegura a irrigação aproximadamente constante do rim.

Face à tarefa complexa dos rins no metabolismo do corpo humano, uma insuficiência ou, no caso extremo, a falência dos mesmos, tem graves consequências para todo o organismo. No exame do rim e dos uretéres drenadores, a Radiografia dos vasos desempenha uma função importante para o médico, permitindo-lhe determinar o tamanho do rim e detectar eventuais oclusões no sistema vascular, assim como quistos ou tumores. Para este efeito, um catéter fino é introduzido na aorta abdominal e levado até às artérias renais, injectando um meio de contraste neste local. Uma série de Radiografias captadas por segundo permitem observar o fluxo do sangue e revelar eventuais lesões. Através da Angiografia de Subtracção Digital, que consiste na subtracção das imagens captadas antes e depois da injecção do meio de contraste, e que permite a reprodução dos vasos sem sobreposições, a representação e a avaliação da irrigação renal pôde ser melhorada consideravelmente.

Reciclagem

Constrições das artérias renais podem ser reparadas através dacolocação de implantes chamados »Stents«.

Através de um processo de subtracção, os vasos renais podem ser isolados do tecido adjacente.

A Angiografia da mão esquerda permite que os vasos repletos com um meio de contraste se destaquem nitidamente dos ossos.

A Angiografia que pertence à area da Radiologia, especializa-se nodiagnóstico dos vasos sanguíneos. Através deste método, defeitos congénitos assim como alterações de origem patológica podem ser diagnosticados e, em casos pontuais, tratados. Deficiências de irrigação, causadas por constrições, oclusões e tromboses, mas também por dilatações dos vasos (aneurismas), constituem o diagnóstico mais frequente. Dependendo do objectivo do diagnóstico, é representado o sistema de circulação arterial e/ou venoso.

Na Radiografia clássica, os vasos não se destacam do tecido adjacente. Para realçá-los, é necessário injectar a área a examinar com um meio de contraste rico em iodo, que absorve eficazmente os Raios-X. Para este efeito, o médico introduz, na região das virilhas, um catéter fino na artéria femural, conduzindo-o, de seguida, para quase todas as artérias, até às coronárias e às artérias cerebrais. O fluxo de sangue faz com que o meio de contraste seja distribuído rapidamente, pelo que a Radiografia é tirada directamente no acto da injecção.

A Angiografia de Subtracção Digital (ASD), que permite representar os vasos isoladamente do tecido adjacente, veio melhorar ainda mais as possibilidades deste diagnóstico. Esta técnica consiste na captação de duas imagens idênticas antes e depois da ministração do meio de contraste, as quais são posteriormente »subtraídas« entre si. Desta forma, obtém-se uma reprodução isolada dos vasos.

A penetração invasiva do corpo através do catéter, assim como a exposição à radiação representam, sem dúvida, um risco para o doente. Este facto contribuiu para uma utilização mais frequente das técnicas de corte do TAC, da Ressonância Magnética e da Ecografia no diagnóstico vascular. Mas a grande vantagem da Angiografia sobre estes métodos de representação visual reside no facto de o médico poder tomar medidas terapêuticas directamente durante o exame, como também acontece no caso da Endoscopia. Desta forma, ele pode alargar constrições vasculares, desobstruir oclusões e estreitar dilatações através da implantação de próteses.

Mau sangue

A Angiografia de Subtracção Digital permite uma reprodução ainda mais destacada dos vasos sanguíneos sem sobreposições.

Para a representação dos vasos sanguíneos, também se utilizam outros métodos, como por exemplo a Ressonância Magnética.

No plano de corte longitudinal da aorta abdominal, as estruturas irregulares da suaparede representam uma acentuada calcificação.

Na presença de sintomas inespecíficos na área abdominal, a Ecografia ocupa o primeiro lugar entre as técnicas de representação visual. As suas imagens de corte podem ser reproduzidas quase imediatamente, o que permite ao médico observar processos dinâmicos em imagens animadas no monitor, podendo repetir a observação de certas regiões para delimitar o foco patológico e captá-lo a partir de diferentes ângulos. Este método é utilizado principalmente para a observação do fígado e das suas alterações sob a forma de abcessos, quistos e tumores, assim como o depósito aumentado de gordura ou o endurecimento (esteatose hepática) e a sua deterioração progressiva (cirrose). O diagnóstico permite ainda representar a vesícula biliar, os rins e a bexiga, e fragmentar cálculos existentes nestes órgãos através da emissão de ondas de choque de alta frequência (litotrícia).

Para além do diagnóstico dos órgãos, a Ecografia tem como campo de aplicação o diagnóstico de doenças vasculares. A imagem a preto e branco da Ecografia revela, em cortes transversais e longitudinais, as dimensões, a posição e o percurso dos vasos e permite tirar conclusões relativas a alterações patológicas, tais como constrições (estenoses), oclusões (tromboses), dilatações (aneurismas) e calcificações. O método Doppler, que reproduz em imagens coloridas a direcção e a velocidade do fluxo de sangue, oferece ainda a possibilidade de recolher informações sobre a alimentação vascular e a irrigação do tecido. Ofluxo de sangue aumentado é representado por áreas mais claras, o que permite chegar a conclusões adicionais relativas a alterações patológicas dos vasos. Os sinais do ecógrafo podem ser representados de forma visual e acústica, possibilitando um diagnóstico mais completo.

Com o progresso na área do processamento electrónico, alcançaramse novas técnicas de representação visual na Sonografia. Hoje, o médico pode combinar as imagens individuais de forma a obter um campo de visão alargado, o que lhe permite avaliar as estruturas em toda a sua dimensão. Assim, é mais fácil localizar e determinar a extensão de anomalias, colocando-as em contraste com o restante tecido. Aqui, como também no caso dos outros métodos de representação visual, a reprodução tridimensional está a ganhar cada vez mais importância.

A voz do sangue

A irrigação da veia hepática é representada a cores através dométodo Doppler.

O acoplamento de imagens individuais de corte resulta numa imagem panorâmica. Neste caso, é possível observar alterações ao longo de uma maior extensão da aorta abdominal.

A reconstrução tridimensional do baço a partir dos cortes da Ecografia oferece uma representação extensiva deste órgão.

Na Radiografia da mão de uma criança de doze anos, o potencial de crescimento é claramente representado pela gradação mais escura das cartilagens de conjugação.

A Radiografia do esqueleto marca o início da era das técnicas de Imagiologia. O primeiro testemunho da Radiografia do corpo humano foi uma imagem da mão de Bertha Röntgen, captada pelo seu marido, Wilhelm Conrad Röntgen, em 1895, no mesmo ano em que este descobriu os Raios-X. Devido à sua densidade, os ossos resistem mais à penetração dos Raios-X, produzindo assim na Radiografia uma estrutura aclarada bem definida. A imagem revela somente a substância óssea, ou seja, a superfície de alta densidade e a estrutura interior espongiforme. Por serem mais permeáveis, a cartilagem, o periósteo e os ligamentos não se distinguem do tecido adjacente. Nafase de crescimento, as extremidades dos ossos estão revestidas de cartilagem, as chamadas epífises. O diagnóstico pormenorizado destas epífises fornece dados valiosos referentes ao crescimento e à maturidade do osso.

A Radiografia do esqueleto revela alterações da forma e dos contornos do osso, como se verificam no caso de tumefacções ósseas. Permite ainda detectar alterações da densidade óssea, representada por áreas mais escuras ou mais aclaradas. A deterioração da estrutura interior do osso e a consequente diminuição da sua elasticidade, por exemplo no caso de uma osteoporose condicionada pela idade, são caracterizadas pela transparência aumentada das vértebras. Inflamações articulares, casos da artrite, da tuberculose ou de doenças reumáticas, reconhecem-se através da estrutura alterada das cavidades articulares e da deformação crescente dos ossos até mesmo à fractura.

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