debaixo da pele Uma viagem através do Corpo Humano

debaixo da pele Uma viagem através do Corpo Humano

(Parte 3 de 4)

A indicação mais frequente para se efectuar uma Radiografia é a suspeita de uma fractura. Em geral, nestes casos, são tiradas Radiografias em duas incidências, antero-posterior e perfil, o que permite determinar o tipo de fractura e detectar eventuais fragmentos. Se for necessário estabilizar a fractura por meio de parafusos ou placas, a Radiografia permite verificar a sua colocação e acompanhar o processo de consolidação óssea.

Até ao osso

No estado avançado da osteoporose, a perda da massa óssea pode ser um factor contributivo para a fractura de vértebras.

A aparência deformada das articulações dos dedos é uma característica da artrite reumatóide.

A Radiografia revela uma fractura transversal da tíbia.

No perfil do joelho, os músculos e ligamentos assim como as cartilagens articulares das epífises distais do fémur e próximais da tíbia, são representados por áreas escurecidas.

O exame do aparelho locomotor constitui uma das mais importantes áreas de diagnóstico da Ressonância Magnética. A alta contrastação dos tecidos moles e a possibilidade de representar a área examinada em qualquer plano de corte, torna-a indispensável na avaliação das finas estruturas de cartilagens, ligamentos e tendões das articulações. Através da aplicação de diferentes parâmetros nas diversas sequências de imagens, certas regiões podem ser isoladas. Ao contrário do TAC, na Ressonância Magnética o factor essencial não é a densidade do tecido, mas a densidade dos núcleos de hidrogénio e a sua ligação química. Estes factores ajudam a realçar acumulações de líquido e estruturas patológicas. A administração adicional de um meio de contraste permite recolher informações complementares. Por esta razão, a Ressonância Magnética tem vindo a substituir, em muitos casos, a artroscopia diagnóstica, a qual comporta mais riscos para o doente.

Os ossos, as cartilagens, ligamentos e tendões destacam-se nitidamente entre si, mas as áreas restritas em torno das articulações têm estruturas tão delicadas que um leigo dificilmente detecta as alterações patológicas. Entre os diagnósticos mais frequentes figuram lesões discais na coluna vertebral, lesões do menisco ou a ruptura dos ligamentos cruzados no joelho, a luxação do ombro com a lesão da cápsula articular, rupturas dos tendões e edemas, assim como o »cotovelo do tenista«, com os seus focos inflamatórios na área do cotovelo. Além destas doenças, habitualmente de carácter agudo, podem observar-se desgastes progressivos e rupturas parciais da cartilagem, que caracterizam as artroses, assim como edemas inflamatórios em consequência de traumatismos. A Ressonância Magnética permite ainda detectar fracturas condicionadas pela osteoporose, difíceis de diagnosticar através da Radiografia.

Uma vida agitada

Este plano revela a estrutura esquelética do punho, constituída por inúmeros ossos revestidos pelas suas cartilagens articulares mais escuras, bem como as inserções dos músculos dos dedos.

O astrágalo por baixo da tíbia constitui, juntamente com esta, a articulação tíbio-társica, que é sobretudo responsável pela mobilidade dos pés.

O corte axial do ombro representa a articulação envolvida pelo tecido muscular, com a cabeça aclarada do úmero e acavidade glenoideia da omoplata.

Na Cintigrafia de um rapaz de treze anos, definem-se nitidamente as zonas de crescimento, representadas por riscas reluzentes, próximo das zonas articulares.

Uma área importante do diagnóstico da Medicina Nuclear é a reprodução integral do esqueleto, a chamada Cintigrafia óssea. Esta técnica permite reconhecer as mais pequenas alterações na transformação de minerais nos ossos. O radionuclídeo previamente injectado no sistema vascular acumula-se nas regiões que apresentam uma aumentada actividade metabólica, ou seja, onde se observa uma remodelação óssea intensificada. Com a ajuda de uma câmara especial de raios gama que capta a radiação emitida pelo corpo, estas informações são transmitidas para um computador e transformadas numa imagem em gradações de cinzento. Dependendo do modo de representação, as regiões particularmente activas são apresentadas em áreas mais claras ou mais escuras. A vantagem da Cintigrafia sobre todos os outros métodos radiológicos reside na sua capacidade de representar o esqueleto inteiro numa só imagem, permitindo assim detectar anomalias ao longo de todo o corpo. Contudo, na maior parte dos casos, a Cintigrafia é aplicada como método complementar à Radiografia.

Naturalmente, a remodelação óssea nem sempre representa um processo patológico. Em crianças e adolescentes, a Radiografia revela áreas aclaradas ou escurecidas na proximidade das articulações, que representam as chamadas zonas de crescimento. Quando o esqueleto apresenta áreas irregulares aclaradas, indicadoras de uma maior ou menor acumulação do radionuclídeo nos ossos, estas devem ser tomadas como indício para a existência de uma patologia. No diagnóstico de tumores no esqueleto e na propagação de metástases ósseas, é a Cintigrafia que fornece os indícios mais importantes, embora nem sempre seja possível determinar se se tratam de tumefacções benignas ou cancerosas. Neste caso, são necessárias medidas complementares, como por exemplo a biopsia óssea. Durante uma quimioterapia, a Cintigrafia é efectuada para controlar a redução das metástases ou o processo de recuperação do osso afectado. Diagnósticos frequentes, tais como fracturas causadas pela diminuição da substância óssea em idade avançada (osteoporose) ou inflamações das articulações (artrite) e fracturas menores em consequência de lesões sofridas no desporto (fracturas de fadiga), muitas vezes imperceptíveis na Radiografia, podem ser localizadas com a ajuda da Cintigrafia.

Um esqueleto fluorescente

O tumor maligno no joelho de uma rapariga de catorze anos érepresentado por uma área esbranquiçada, provocada pela actividade metabólica aumentada.

A região aclarada no ombro direito de um rapaz com um ano de idade aponta para uma inflamação medular.

Na Endoscopia definem-se nitidamente aspregas características da mucosa do duodeno.

Actualmente, queixas persistentes pouco específicas na região do aparelho digestivo são preferencialmente investigadas com o endoscópio. A Gastroscopia da parte superior do aparelho digestivo e a Colonoscopia da parte inferior, têm vindo a substituir a Radiologia convencional. Em comparação ao exame radiológico, a Endoscopia oferece a grande vantagem da extracção de amostras de tecido durante o exame e a consequente possibilidade do exame aprofundado dos tecidos. Para além disso, ela representa a única técnica que permite uma observação simultânea a cores. É sobretudo a coloração das mucosas que fornece importantes indícios relativamente à constituição e a possíveis alterações da área examinada. O exame permite ainda verificar a origem de hemorragias.

O diagnóstico endoscópico serve-se sobretudo de endoscópios flexíveis, dado que estes, ao serem introduzidos no corpo, se adaptam às circunvoluções naturais das cavidades examinadas, permitindo assim alcançar as regiões mais remotas. A introdução de endoscópios rígidos é limitada, e só é utilizada na cirurgia de invasão mínima. Na Gastroscopia, o endoscópio é introduzido no esófago através da boca, a partir de onde se pode alcançar o estômago e o duodeno. A Colonoscopia é feita a partir do recto e compreende a totalidade do intestino grosso. Uma área do aparelho digestivo que ainda não faz parte do exame endoscópico rotineiro é o intestino delgado, que pode ter um comprimento de 3 a 9 m.

O exame detalhado só começa com o retrair do endoscópio, cuja ponta pode ser inclinada para qualquer lado, permitindo assim uma observação exaustiva da região examinada.

Contudo, é compreensível que a penetração no corpo, não obstante as referidas vantagens do ponto de vista do médico e a eliminação do risco das radiações, não deixa de ser um exame desagradável para o doente. A ministração de calmantes e, em casos pontuais, de uma anestesia local, podem atenuar a ânsia do doente. Para assegurar uma boa visibilidade do intestino em toda a sua extensão, é necessário limpá-lo previamente utilizando um laxante.

A Endoscopia é particularmente imprescindível para o diagnóstico de tumores no esófago, no estômago e no intestino, que figuram entre as doenças mais frequentes do aparelho digestivo. Quando detectados atempadamente, os tumores mais pequenos e superficiais podem ser removidos com a ajuda do endoscópio, inibindo o progresso da doença.

Conhecimentos pr ofundos

Varizes como esta, situada à entrada do esófago, representam um dos diagnósticos mais frequentes da Gastroscopia.

Pólipos como este, situado no interior do estômago, podem frequentemente ser removidos durante o exame endoscópico.

A Gastroscopia do aparelho digestivo capta bem o característico relevo triangular das pregas.

A combinação do exame endoscópico com aEcografia, permite reproduzir o tecido do pâncreas em imagens de corte.

Actualmente, o diagnóstico imagiológico consiste cada vez mais na combinação de diferentes técnicas. A Endoscopia em combinação com a Radiologia e a Ecografia, permitiu alargar substancialmente o âmbito da área examinada e as possibilidades do diagnóstico.

Regiões que durante muito tempo eram inacessíveis, como por exemplo o pâncreas e a vesícula biliar, podem ser acedidas através de endoscópios ou sondas especiais. O endoscópio é complementado por um tubo fino, introduzido a partir do duodeno e inserido no canal biliar ou no pâncreas, permitindo uma observação directa do local. A reprodução visual é feita através de uma Radiografia. Esta técnica tem vindo a melhorar as possibilidades no diagnóstico de pedras na vesícula biliar, inflamações do pâncreas e tumores nestas cavidades do organismo, para além de possibilitar a remoção de cálculos e tumefacções durante o exame, evitando-se assim uma intervenção cirúrgica invasiva.

O acoplamento do endoscópio a um ecógrafo permite exames sonográficos no interior do corpo. Enquanto que as ondas emitidas pela sonda colocada na superfície da pele têm um alcançe limitado, neste caso, a sonda pode ser introduzida directamente nas cavidades do corpo, fornecendo assim imagens de grande resolução. As informações fornecidas pelo endoscópio referentes à constituição de superfícies são complementadas pela Ecografia. A sonda é conduzida para junto do tecido e as imagens de corte revelam a dimensão da área afectada. Por esta razão, a Ecografia endoscópica é particularmente significativa, na medida em que permite definir detalhadamente a gravidade das afecções.

De forma penetrante

Através do tubo do gastroscópio, o médico introduz uma sonda no colédoco.

Durante o exame endoscópico, o colédoco é injectado com um meio de contraste a partir do duodeno, e depois radiografado.

Esta Radiografia representa o intestino grosso como vasta estrutura transparente.

A representação radiográfica dos intestinos foi, durante muito tempo, uma área importante da Radiologia, precedida somente pela representação do esqueleto e dos pulmões. Ultimamente, porém, esta técnica tem diminuido em significado face à representação endoscópica do intestino com sondas flexíveis e às técnicas de corte da Ecografia, do TAC e da Ressonância Magnética.

Para além das vantagens para o diagnóstico do intestino grosso, com cerca de 1,5m de comprimento, as imagens captadas fascinam pela sua transparência e apresentação completa. Sendo difícil captar esta estrutura tubular do aparelho digestivo através de Radiografia, o intestino é previamente esvaziado e lavado com a ajuda de um laxante ou de um clister, e de seguida é injectado, através de um catéter, um meio de contraste rico em bário (clister opaco). Face ao perigo de perfurar a parede intestinal, esta medida só pode ser executada por um médico especializado. Para distender o intestino, é necessário enchê-lo com ar. O meio de contraste deposita-se nas paredes do intestino que se torna visível através da radiação. Dependendo da posição em que se encontra o doente, o meio de contraste acumula-se em certas regiões do intestino, que na imagem se apresentam como áreas brancas.

Ao contrário do intestino grosso, o intestino delgado, cujo comprimento pode alcançar os 5 m, apresenta-se na Radiografia como uma formação relativamente complexa e interlaçada. Tal como o intestino grosso, ele apresenta inúmeras constrições anelares ao longo da musculatura longitudinal, as quais mantêm a parede intestinal em movimento constante, necessário para o transporte do seu conteúdo.

Sobretudo nas doenças crónicas inflamatórias do intestino grosso, que resultam numa elasticidade reduzida da sua parede e na ocorrência de diarreia misturada com sangue, a Radiografia complementa a Endoscopia no fornecimento de dados sobre a propagação da inflamação e possíveis complicações tais como abcessos, pólipos ou tumores. Também no caso da presença de fístulas, frequentemente diagnosticadas em pessoas de idade avançada com queixas de prisão de ventre, a Radiologia pode fornecer indícios valiosos.

Difícil de digerir

Após a administração de um meio de contraste, define-se o intestino delgado com 4 a 5 metros de comprimento, esuas inúmeras ansas.

Doença de Crohn é a designação para constrições patológicas do intestino que prejudicam gravemente a digestão.

A injecção de um meio de contraste nos canais biliares através de um catéter resulta numa Radiografia nítida da estrutura dos mesmos até às mais pequenas ramificações.

Para definir com maior precisão a causa de uma doença, diversas técnicas são aplicadas em paralelo ou combinadas entre si. Dado que cada um dos métodos tem as suas vantagens e características especiais, o médico dispõe de um largo espectro de possibilidades de diagnóstico.

O diagnóstico da vesícula biliar reune seis métodos diferentes que fornecem uma variedade de informações visuais e permitem esclarecer questões específicas.

Como em muitos outros casos, o diagnóstico ecográfico ocupa o primeiro lugar, devido à ausência de riscos para o doente. Avesícula biliar, sendo uma cavidade escura, preenchida com líquido, destingue-se bem do fígado e do tecido adjacente. Este método permite detectar cálculos na vesícula biliar e revela o aumento da espessura da parede da mesma, assim como dilatações nos canais biliares.

Para a representação da vesícula biliar na Radiografia (Colangiografia), é necessário injectar um meio de contraste nas vias biliares. Existem várias possibilidades de acesso. O catéter necessário para tal pode ser introduzido no colédoco a partir do duodeno, ao mesmo tempo que é efectuado o exame endoscópico da parte superior do aparelho digestivo (CPRE).

Uma outra forma de injectar o meio de contraste é através da punção dos canículos biliares hepáticos sob anestesia local. A Colangiografia permite uma visão geral da vesícula e dos canais biliares, oferecendo boas condições para o diagnóstico da localização e extensão de um foco patológico. Oferecendo o acesso directo, a Endoscopia também permite uma intervenção terapêutica imediata.

A partir dos cortes do TAC e da Ressonância Magnética, podem construir-se representações tridimensionais que revelam o percurso dos canais biliares com possíveis constrições ou dilatações. Este método permite captar também as áreas, que a Radiografia efectuada com meio de contraste não consegue representar devido, por exemplo, a uma oclusão.

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