debaixo da pele Uma viagem através do Corpo Humano

debaixo da pele Uma viagem através do Corpo Humano

(Parte 4 de 4)

Por fim, a Cintigrafia Hepática fornece informações sobre a permeabilidade dos canais biliares e sobre o funcionamento da vesícula biliar.

Traçando o caminho da bílis

Na Ecografia, a vesícula biliar repleta de líquido apresenta-se como região escura e delimitada.

A partir dos cortes da Ressonância Magnética é possível reproduzir imagens dos canais biliares e da vesícula.

Na Cintigrafia funcional do fígado, as estruturas aclaradas destacadas representam a vesícula e os canais biliares.

fígado vesículabiliar veia porta veia cava inferior

A partir dos cortes do TAC podem produzir-se imagens panorâmicas, que oferecem uma vista geral dos órgãos da cavidade abdominal.

O exame da cavidade abdominal constitui um dos campos de aplicação mais importantes do TAC. Efectuado em complemento à Radiologia clássica, à Ressonância Magnética e à Ecografia, o TAC é utilizado para a detecção e supervisão de alterações morfológicas nesta região. Devido ao facto de o corpo do doente atravessar o aparelho continuamente enquanto o aparelho de Raios-X capta toda a cavidade abdominal num movimento rotativo constante, os focos patológicos são representados não só no corte transversal, mas também na sua extensão tridimensional.

No exame da cavidade abdominal superior, que é efectuado sobretudo no diagnóstico de tumores, são representados todos os órgãos desta área: além do fígado, do pâncreas, dos rins e do baço também se podem examinar vísceras ocas, tais como o estômago e o intestino. Para melhorar a imagem, é injectado um meio de contraste que realça os contornos de cada um dos órgãos. O diagnóstico mais frequente nesta área consiste na detecção de quistos e abcessos no fígado, no baço e nos rins, assim como de tumores ou metástases. Lesões dos órgãos da cavidade abdominal em consequência de traumatismos, frequentemente acompanhadas de rupturas graves e fortes hemorragias internas, podem ser detectadas através do TAC. No diagnóstico do pâncreas e dos canais biliares, geralmente efectuado através da Ecografia e da Endoscopia intestinal (CPRE), o TAC fornece informações adicionais no caso de inflamações e de tumores.

Como acontece também na Radiologia convencional, o TAC do aparelho digestivo requer uma limpeza do intestino e a posterior administração de um meio de contraste rico em bário, que se deposita nas paredes das vísceras ocas. Ao mesmo tempo, o meio de contraste serve para distender o intestino, o que permite a medição do seu diâmetro e espessura da parede. O TAC permite ainda avaliar a extensão de inflamações associadas por vezes a constrições ou dilatações do intestino, assim como a detecção de fístulas na sua parede.

No interior da barriga

O corte do TAC ao nível dos rins representa os órgãos saudáveis desta região.

Na parte inferior da cavidade abdominal destacam-se as pregas do intestino preenchidas com ar e com meio de contraste.

A Radiografia da caixa toráxica reproduz o pulmão como fundo escuro sobre o qual se destacam unicamente os vasos ramificados e a estrutura aclarada do coração.

A Radiografia de toráx constitui um dos mais frequentes exames da Radiologia. Particularmente durante os longos anos da luta contra a tuberculose, a Radiografia dos pulmões era um dos exames efectuados em série.

Geralmente, o doente encontra-se de pé e é efectuada uma Radiografia em postero-anterior e perfil, sob retenção da respiração. Além do pulmão e da pleura, a imagem representa as estruturas ósseas e o coração sob a forma de regiões aclaradas. Os dois lobos pulmonares preenchem a totalidade da cavidade toráxica e apresentam-se como uma área escura, permeável à radiação. Dado que os brônquios e vasos com as suas finas ramificações não apresentam delimitações, o pulmão é seccionado em segmentos que subdividem o órgão de cima para baixo e do exterior para o interior. Os únicos vasos visíveis na Radiografia são aqueles que se ramificam lateralmente a partir dos vasos principais. Estes são tomados como pontos de orientação.

A intensidade da transparência do pulmão é um índice crucial no diagnóstico. Quando o pulmão contém mais ar, a permeabilidade em relação aos Raios-X aumenta, e a Radiografia apresenta um tom mais escuro. A redução do ar no pulmão reflecte-se num tom mais aclarado. Estas características permitem tirar conclusões relativas a possíveis alterações patológicas do pulmão. Particularmente no caso de fumadores, um enfisema causado por uma bronquite crónica resulta num aumento do tamanho do pulmão e na lesão do tecido pulmonar, o que por sua vez prejudica a irrigação sanguínea. Na Radiografia, este fenómeno é caracterizado pela diminuição das artérias pulmonares e um aumento geral da transparência do pulmão. Da mesma forma, segmentos de maior densidade apontam para a modificação dos alvéolos, como se verifica por exemplo no caso de edemas com a acumulação de líquido. O aumento da densidade também pode constituir um indício para a tuberculose ou para a existência de micoses. Áreas mais densas e de forte delimitação podem representar calcificações. Na maioria dos casos, porém, estas remetem para a presença de tumores malignos. Quando a complexidade do diagnóstico o exige, a técnica de corte do TAC fornece informações complementares.

A Radiografia geral de todo o tórax exige uma radiação relativamente fraca em comparação com outros exames radiológicos, como por exemplo o Raio-X da coluna lombar. A utilização de chapas de reforço, assim como a representação digital, tem ajudado a diminuir o risco para o doente, melhorando, ao mesmo tempo, a qualidade da imagem.

A plenos pulmões

O foco aclarado no lobo pulmonar direito indicia a presença de um tumor delimitado.

A dilatação dos alvéolos que caracteriza o enfisema pulmonar sobressai na Radiografia devido à maior transparência do tecido.

Com um endoscópio maleável, o fibroscópio, o médico pode penetrar os pulmões até às mais finas ramificações dos brônquios.

A Broncoscopia, ou seja, o exame endoscópico das vias respiratórias, começou a ser utilizada no fim do século passado. Começou pela remoção de corpos estranhos através da introdução de dispositivos rígidos na traqueia. Hoje, o objectivo principal é o diagnóstico do cancro pulmonar que figura entre os tipos de cancro com maior incidência, e que continua a oferecer escassas perspectivas de sobrevivência. Também neste caso, a Broncoscopia tem a vantagem, sobre as técnicas de corte do TAC e da Ressonância Magnética, de permitir a extracção de amostras de tecido durante o exame, para serem posteriormente analizadas. Em geral, são utilizados endoscópios flexíveis com 6 m de diâmetro, que podem ser virados para cima e para baixo, e que, para além do ocular e dos canais ópticos, contêm um canal que permite, por exemplo, a extracção de amostras através de uma pinça. Sob anestesia local, a ponta do endoscópio é introduzida na traqueia e levada para junto dos brônquios.

Para melhor poder diagnosticar a presença de tumores num estado precoce, os quais são difíceis de detectar mesmo durante a observação directa sob luz branca, a Broncoscopia também se serve dos chamados métodos de fluorescência. No local onde se suspeita a patologia, o tecido é iluminado com uma luz de excitação do espectro azul. Sob esta luz, o tecido saudável apresenta um tom esverdeado, enquanto que as regiões lesionadas aparecem em tons vermelho-acastanhados. Uma câmara de alta sensibilidade transforma esta fluorescência natural numa imagem perceptível pelo olho humano. A administração de uma substância fluorescente produz resultados semelhantes.

Uma técnica que possibilita a observação do interior das vias respiratórias assim como dos vasos sanguíneos, é a chamada Endoscopia Virtual. O TAC Helicoidal ao captar 150 a 200 imagens de corte consecutivas da cavidade toráxica, serve como ponto de partida para uma reprodução »à posteriori« do sistema respiratório. Os dados assim colhidos, permitem uma representação tridimensional de todas as estruturas e a exploração do interior de visceras ocas no monitor, como por exemplo das vias respiratórias. Para além de oferecer grandes vantagens na área da formação médica, este método também é útil na preparação de uma intervenção cirúrgica.

De cortar a respiração

Na Endoscopia Virtual, produzida a partir dos cortes do TAC Helicoidal, os tumores definemse nitidamente.

O tecido alterado não é visível no exame endoscópico com luz branca. Sob a luz de estimulação azul, apresenta-se como uma área em tons vermelho-acastanhados.

Nos lobos pulmonares destacam-se as secções dos brônquios preenchidos com ar, representados por regiões circulares escuras, enquanto que os vasos são representados por uma estrutura interligada aclarada.

(Parte 4 de 4)

Comentários