Princípios de fisiologia e farmacologia do sistema nervoso

Princípios de fisiologia e farmacologia do sistema nervoso

(Parte 2 de 6)

C3 C2

T4 T5

T6 T7 T8

T10 T11

T12 L1

L3 L4

L5 S1

S3 S4

Nervo oculomotor (NC I)

Nervo facial (NC VII) Nervo glossofaríngeo (NC IX)

Nervo vago (NC X)

Intestino Bexiga

Pâncreas

Vaso sangüíneo periférico

Genitália externa

Gânglio celíaco

Gânglio mesentérico sup.

Glândula supra-renal

Rim

Gânglio mesentérico inferior

Gângliospré-vertebraisGânglios paravertebrais

Tronco simpático

Fibras pré-ganglionares simpáticas

Fibras pós-ganglionares simpáticas Fibras pré-ganglionares parassimpáticas

Fibras pós-ganglionares parassimpáticas

Fig. 7.2 Padrões de inervação simpática e parassimpática. Os neurônios pré-ganglionares simpáticos surgem nos segmentos torácico e lombar da medula espinal. Os neurônios pré-ganglionares simpáticos projetam-se em neurônios pós-ganglionares nos gânglios situados próximo à medula espinal, mais notavelmente os gânglios paravertebrais, e nos gânglios pré-vertebrais localizados próximo à aorta. Em geral, os gânglios parassimpáticos situam-se próximo aos órgãos que inervam. Por conseguinte, os neurônios pré-ganglionares parassimpáticos, que surgem em núcleos do tronco encefálico e segmentos sacrais da medula espinal, são geralmente longos e projetam-se em neurônios pós-ganglionares curtos.

Princípios de Fisiologia e Farmacologia do Sistema Nervoso | 85 os nervos espinais cervicais, são denominados gânglio cervical superior, gânglio cervical médio e gânglio cervical inferior. O gânglio cervical superior inerva a pupila, as glândulas salivares e as glândulas lacrimais, bem como os vasos sangüíneos e as glândulas sudoríparas na cabeça e na face (Fig. 7.2). Os neurônios pós-ganglionares que surgem nos gânglios cervicais médio e inferior, bem como nos gânglios torácicos, inervam o coração e os pulmões. As fibras que surgem dos gânglios paravertebrais remanescentes inervam as glândulas sudoríparas, os músculos pilomotores e os vasos sangüíneos do músculo esquelético e da pele por todo o corpo.

Os neurônios pós-ganglionares que inervam o trato GI até o colo sigmóide, incluindo o fígado e o pâncreas, originam-se dos gânglios localizados anteriormente à aorta, nas origens dos vasos sangüíneos celíaco, mesentérico superior e mesentérico inferior (Fig. 7.2). Por conseguinte, esses gânglios, conhecidos em seu conjunto como gânglios pré-vertebrais, são denominados gânglio celíaco, gânglio mesentérico superior e gânglio mesentérico inferior, respectivamente. Ao contrário dos gânglios paravertebrais, os gânglios pré-vertebrais possuem longas fibras pré-ganglionares e fibras pós-ganglionares curtas.

A medula supra-renal encontra-se no interior das glândulas supra-renais, localizadas na superfície superior dos rins. A medula supra-renal contém células neuroendócrinas pós-sinápticas (Fig. 7.2). Ao contrário dos neurônios pós-ganglionares simpáticos, que sintetizam e liberam norepinefrina, as células neuroendócrinas da medula supra-renal sintetizam primariamente epinefrina (85%) e liberam esse neurotransmissor na corrente sangüínea, em lugar de fazê-lo em sinapses, num órgão-alvo específico (ver Cap. 9).

A atividade do sistema nervoso simpático é modulada por numerosos agentes farmacológicos. Conforme discutido no Cap. 9, o sistema nervoso simpático possui uma distribuição de tipos de receptores adrenérgicos específica de órgãos. Essa expressão específica de receptores para órgãos permite aos fármacos modular seletivamente a atividade simpática. Por exemplo, certos agonistas simpáticos, como o salbutamol, podem dilatar seletivamente os bronquíolos, enquanto determinados antagonistas simpáticos, como o metoprolol, podem diminuir seletivamente a freqüência e a contratilidade cardíacas.

Anatomia do Sistema Nervoso Parassimpático

Quase todos os gânglios parassimpáticos localizam-se nos órgãos que inervam ou em sua proximidade. As fibras pré-ganglionares do sistema nervoso parassimpático originam-se no tronco encefálico ou nos segmentos sacrais da medula espinal; por conseguinte, o sistema parassimpático é também denominado sistema craniossacral (Fig. 7.2). Em alguns casos, os neurônios pré-ganglionares parassimpáticos podem seguir um percurso de quase um metro antes de fazer sinapse com seus alvos pós-ganglionares. As fibras nervosas pré-ganglionares do nervo craniano (NC) I, o nervo oculomotor, surgem de uma região do tronco encefálico, denominada núcleo de Edinger-Westphal, e inervam a pupila, estimulando a sua constrição. A medula oblonga do cérebro contém núcleos para as fibras nervosas parassimpáticas nos NC VII, IX e X. As fibras paras simpáticas no nervo facial (NC VII) estimulam a secreção salivar pelas glândulas submaxilares e sublinguais, bem como a produção de lágrimas pela glândula lacrimal. As fibras pa rassimpáticas do nervo craniano IX, o nervo glossofaríngeo, estimulam a glândula parótida. O nervo craniano X, denominado nervo vago, fornece inervação parassimpática para os principais órgãos do tórax e do abdome, incluindo o coração, a árvore traqueobrônquica, os rins e o sistema GI até o colo proximal. Os nervos parassimpáticos que se originam na região sacral da medula espinal inervam a parte restante do colo, a bexiga e a genitália.

A atividade do sistema nervoso parassimpático é modulada por numerosos agentes farmacológicos. Por exemplo, o betanecol é um parassimpaticomimético que promove a motilidade do trato GI e do trato urinário.

Os antagonistas da atividade parassimpática incluem a atropina, um fármaco utilizado localmente para dilatar as pupilas ou sistemicamente para aumentar a freqüência cardíaca, e o ipratrópio, um fármaco utilizado para dilatar os bronquíolos. Esses agentes, bem como outros fármacos, são discutidos no Cap. 8.

Nervos Motores e Sensitivos Periféricos

As fibras do sistema nervoso somático inervam diretamente seus alvos, os músculos estriados (Fig. 7.1). Esses neurônios originam-se nos cornos ventrais da medula espinal e saem através das raízes ventrais. Alcançam as raízes dorsais, que transportam fibras nervosas sensitivas, para formar os nervos espinais. Os nervos espinais saem da coluna vertebral através dos foramens intervertebrais e, a seguir, separam-se em nervos periféricos. Os componentes somáticos dos nervos periféricos inervam diretamente os músculos. Os músculos são inervados numa distribuição miotomal, isto é, os neurônios que se originam de determinado nível na raiz ventral da medula espinal (por exemplo, C6) inervam músculos específicos (por exemplo, músculos flexores do antebraço).

Os neurônios sensitivos possuem corpos celulares nos gânglios da raiz dorsal. As terminações dos nervos sensitivos situam-se na pele e nas articulações e penetram na medula espinal através das raízes dorsais. Os neurônios para a sensação de vibração e posição (propriocepção) ascendem através das colunas dorsais da medula espinal e fazem sinapse com neurônios secundários na parte inferior da medula oblonga. Os neurônios sensitivos que transportam as sensações de dor, temperatura e toque fazem sinapse com neurônios secundários no corno posterior da medula espinal. A informação sensorial é codificada numa distribuição dermatomal, isto é, os neurônios que se originam em determinado nível da raiz dorsal da medula espinal (por exemplo, C6) transportam a informação sensitiva correspondente a determinada área da pele (por exemplo, a face lateral do antebraço e da mão).

A atividade do sistema nervoso somático é modulada por diversos agentes farmacológicos. Por exemplo, os antagonistas da atividade da junção neuromuscular, como o pancurônio, são utilizados para induzir paralisia durante a cirurgia. Em contrapartida, os fármacos que aumentam a atividade da junção neuromuscular, como o edrofônio e a neostigmina, são utilizados no diagnóstico e tratamento da miastenia grave, uma doença auto-imune caracterizada por diminuição da estimulação do músculo esquelético na junção neuromuscular. Esses agentes, bem como outros fármacos, são discutidos no Cap. 8.

O SNC é dividido, anatomicamente, em sete divisões principais: os hemisférios cerebrais, o diencéfalo, o cerebelo, o mesencéfalo, a ponte, a medula oblonga e a medula espinal (Fig. 7.3). O mesencéfalo, a ponte e a medula oblonga são, em seu conjunto, conhecidos como tronco encefálico e juntos conectam a medula espinal com o cérebro, o diencéfalo e o cerebelo.

86 | Capítulo Sete

Cérebro

Os hemisférios cerebrais constituem a maior divisão do cérebro humano. Essas estruturas contêm diversas subdivisões, incluindo o córtex cerebral, sua substância branca subjacente e núcleos da base (Fig. 7.4). Os hemisférios cerebrais são divididos em lados esquerdo e direito, conectados pelo corpo caloso. O córtex cerebral é responsável pelas funções de alto nível, incluindo percepção sensorial, planejamento e ordenação das funções motoras, funções cognitivas, como raciocínio abstrato, e linguagem. O córtex é dividido, anatômica e funcionalmente, nos lobos frontal, temporal, parietal e occipital (Fig. 7.4A). O córtex possui sub-regiões com funções específicas. Por exemplo, a estimulação de parte do giro pré-central, situado no lobo frontal, induz a função motora periférica (movimento), e a ablação dessa estrutura inibe o movimento. Do ponto de vista farmacológico, o córtex cerebral constitui um local de ação de numerosos fármacos, algumas vezes como parte de seu mecanismo de ação intencional e, outras vezes, como efeito colateral. Os barbitúricos e os benzodiazepínicos (ver Cap. 1) são hipnóticos e sedativos comumente prescritos que potencializam a ação dos neurotransmissores inibitórios no córtex. Acredita-se também que os anestésicos gerais (ver Cap. 15) possuem efeitos sobre o córtex cerebral.

Hemisfério cerebral:

Córtex cerebral Núcleos da base

Tronco encefálico Medula espinal

CerebeloPonte

Medula oblonga

Mesencéfalo

Cervical

Torácica

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