A - Imagem - e-Semelhanca - de - Deus

A - Imagem - e-Semelhanca - de - Deus

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(c) 1984, e Paul Brand e Philip Yancey Título do original - In his image edição publicada pela ZONDERVAN PUBLISHING HOUSE, (Grand Rapids, Michigan, EUA)

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Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional (NVI), ©2001, publicada por Editora Vida, salvo indicação em contrário.

Coordenação editorial: Fabiani Medeiros Edição: Gibson James Revisão: Jefferson Rodrigues Capa: Marcelo Moscheta Diagramação: Efanet Design

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

À imagem e semelhança de Deus: uma analogia entre o corpo humano e o corpo de Cristo / Philip Yancey, Paul Brand;

Yancey, Philip tradução: James Monteiro dos Reis — São Paulo : Editora Vida, 2003.

Título original: In his image ISBN 85-7367-7034

1. Corpo humano - aspectos religiosos - Cristianismo 2. Igreja 3. Jesus Cristo - Corpo místico I. Brand, Paul W.. I. Título. I. Título: Uma analogia entre o corpo humano e o corpo de Cristo.

Índice para catálogo sistemático: 1. Corpo humano e corpo de Cristo : Analogia: Religião: Cristianismo 262.7

Agradecimentos

GILBERT KEITH CHESTERTON1 certa vez dedicou um de seus livros a sua secretária, "sem cuja ajuda este livro teria sido publicado de cabeça para baixo". Nosso editor provavelmente acharia um jeito de publicá-lo corretamente, apesar das condições do nosso manuscrito; mas temos certeza de que o resultado ficaria prejudicado, não fossem as contribuições de algumas pessoas. Os doutores Christopher Fung e Kenneth Phillips revisaram os detalhes médicos, e John Skillen, Tim Stafford e Harold Fickett deram sugestões editoriais imensamente úteis. A digitadora Harriet Long organizou os rascunhos irremediavelmente bagunçados do livro. E nossa editora na Zondervan, Judith Markham, exerceu sua função de forma primorosa, como sempre, ao nos guiar por todo o processo de harmonização. Somos gratos a todos.

1 Escritor inglês (1874-1936). De estilo satírico, atacou o racionalismo, o cientificismo, o imperalismo, os revolucionários etc. É autor de Histórias do padre Brown. (N. do E.)

Sumário

Agradecimentos3
Conteúdo4
Prefácio5

Conteúdo

Imagem8
1 Semelhança8
2 Espelhos1
3 Restauração16

Primeira parte:

Sangue2
4 Poder2
5 Vida27
6 Purificação31
7 Superação35
8 Transfusão42

Segunda parte

Cabeça46
9 Caminhos46
10 A fonte52
1 Confinamento57
12 A saída61
13 A entrada6

Terceira Parte

Espírito71
14 Respiração71
15 Entrosamento7
16 Mediador80
17 Escutando85
18 O motivador90
19 Proteção95
20 Conexão9
21 Adaptações105
2 Dor crônica1
23 Dor de Deus115

Quarta parte 122

Prefácio

A menos que toda a existência seja um meio de revelação, nenhuma revelação em particular será possível.

WlLLIAM TEMPLE

QUANDO AS MARAVILHAS DO CORPO [Fearfully & Wonderfully Made] foi publicado nos Estados

Unidos, em 1980, o dr. Brand e eu, assim como nosso editor, esperávamos os resultados com algum receio. Era um livro difícil de descrever e apresentar e, como existem pouquíssimos livros de analogia, não podíamos prever a reação do público.

Enquanto eu o escrevia, tive a sensação de estar trabalhando ao mesmo tempo em três livros distintos. Eu queria captar a essência da vida do dr. Brand e contar biograficamente algumas de suas notáveis experiências na Índia e na Inglaterra. Além disso, também esperava transmitir uma valorização do corpo humano, apresentando fatos médicos de modo atraente. E é claro que a essência do livro residia em um terceiro tipo de abordagem: um apelo espiritual extraído da analogia, que às vezes exprimia admiração ou glorificação e outras vezes, um desafio profético.

Em cada capítulo, em quase todas as páginas, esforcei-me por manter esses três tipos de abordagem em harmonia, mas muitas vezes tinha a impressão de que cada um estava crescendo desproporcionalmente; então eu lutava para transformá-los em um. Insisti porque reconhecia que o dr. Brand oferecia uma combinação singular de talentos. Mesmo depois de quarenta anos praticando a medicina, ele ainda conserva um entusiasmo infantil pela grandeza do corpo humano. Em duas décadas de trabalhos missionários na Índia, ele ganhou novas e profundas percepções sobre a verdade cristã. Ao longo do caminho, experimentou situações e contatos com pacientes que foram mais dramáticos e pungentes que qualquer um que eu tenha experimentado.

Este A imagem e semelhança de Deus dá continuidade à abordagem iniciada em As maravilhas do corpo.

Não se trata de uma seqüência no sentido estrito da palavra, pois tínhamos ambos os livros em mente desde o começo. Enquanto aquele enfatizava as células individualmente e seus diferentes papéis no corpo, este se concentra nos vínculos, nas forças que unem e guiam o corpo e no envolvimento do próprio Deus.

Começamos cada seção com uma visão geral de como o corpo humano funciona. Desde que Sófocles2 declarou que o corpo humano é a mais assombrosa de todas as maravilhas do mundo, alguns milhares de anos de descobertas científicas apenas serviram para ressaltar suas palavras. O corpo humano é muito mais maravilhoso do que Sófocles poderia imaginar.

Acreditamos que estudar o corpo humano, empreendimento digno de mérito por si só, produz uma gratificação inesperada. Traz luz a uma metáfora usada por mais de trinta vezes no Novo Testamento: o corpo de Cristo. Os cristãos são comparados a membros individuais de um corpo universal, no qual Jesus Cristo é o cabeça. E claro que não queremos dizer que Deus tenha criado as células do corpo humano com um objetivo espiritual ou que os fatos biológicos espelhem de forma precisa a verdade espiritual. Mas certamente existe uma semelhança entre o corpo humano e o corpo espiritual, semelhança que provém de uma mesma autoria.

Um grande artista pode utilizar vários meios de expressão, mas acharemos em todos os seus trabalhos a mesma temática, estilo, conteúdo e abordagem. Logo, não nos devemos surpreender com o fato de o Artista Supremo ter deixado sua assinatura de várias formas. Se você observar com um telescópio galáxias, estrelas e planetas e depois observar com um poderoso microscópio as minúsculas moléculas, os átomos e os elétrons, notará uma similaridade inconfundível em suas estruturas e padrões. O mesmo Criador projetou ambos os níveis de realidade. Logo, da mesma forma, o mesmo Criador desenhou o corpo humano e então inspirou os autores do Novo Testamento a procurar um modelo de verdade espiritual em sua estrutura. .

A palavra símbolo vem de duas palavras gregas que significam "lançar através". Neste livro, tentamos

2 Poeta trágico grego (Colona, perto de Atenas, entre 496 e 494 a.C-Atenas, 406 a.C.). Autor de Antígona, Edipo rei, Electra, entre outras. (N. do E.) 122 criar uma ponte entre um mundo visível e natural e um mundo invisível e espiritual. Se formos longe demais e abusarmos da simbologia além do tolerável, perdoe-nos. Não temos a intenção de estabelecer nova teologia; em vez disso, esperamos esclarecer a que conhecemos por meio de uma analogia com o corpo humano.

Até o fim do século XVIII, a ciência era vista como uma busca direta por Deus. Quando Copérnico,

Kepler, Galileu e Newton3 fizeram suas descobertas, acreditavam que elas também instruíam a humanidade sobre Deus. Acreditavam que o mundo criado revelava a natureza de Deus; mas já não existem muitas pessoas que abordem a ciência dessa maneira. Esperamos que este livro permaneça como uma exceção. William Blake4 disse bem: "Se as portas da percepção estiverem desobstruídas, tudo parecerá ao homem como é: infinito".

PHILIP YANCEY MINHA PARCERIA COM PHILIP YANCEY resultou em dois livros muito diferentes do que eu poderia ter escrito sozinho. Os conceitos originais e a maioria das histórias vieram de minhas experiências como cirurgião e biólogo. Começaram a tomar forma na índia, enquanto eu tentava ajudar meus alunos, futuros médicos, a integrar sua fé cristã aos novos conhecimentos da medicina e enriquecê-la com tais conteúdos. Esses ensinamentos, primeiramente entregues na forma de mensagens, na capela da Christian Medical College [Faculdade Cristã de Medicina], em Vellore, ficaram na gaveta durante anos. Enfim, senti que havia chegado o momento de dividir essas idéias com um público maior, e foi nesse instante que Philip e eu nos reunimos.

Eu tinha esperanças de que Philip usasse suas habilidades de escritor para transformar meu material em algo mais legível do que eu poderia escrever sozinho. Ele fez isso. Mas também fez muito mais. Muito antes de nos conhecermos, Philip já pensava e escrevia acerca da dor, do sofrimento e do impacto dessas experiências nas pessoas e na fé delas. Agora, munido com minhas anotações e gravações de nossas conversas, ele se lançou a uma pesquisa mais detalhada em trabalhos de outros autores, sobre a anatomia do corpo e sobre o funcionamento das células. Quando começou a escrever, era então um especialista em muitos aspectos da biologia e da teologia.

Rapidamente o material se tornou não o "meu" livro, mas o nosso livro. Ele poliu e aprimorou alguns de meus toscos conceitos e contestou outros. Quando os primeiros rascunhos chegaram a minha mesa, percebi que tinha de parar e considerar idéias no campo da biologia e das interpretações da teologia cristã que não tinham de modo algum partido de mim. O material começou a se encaixar como um óbvio aprimoramento do que eu havia inicialmente expressado. Algumas idéias eram absolutamente novas para mim, o que nos levou a novos e mais profundos debates e, portanto, a uma reelaboração. Nós dois crescemos com essa experiência dinâmica e criativa.

Philip insistiu em que, por coerência, os livros fossem escritos em primeira pessoa do singular ("eu") em vez do "nós" de uma autoria conjunta. Por isso, todas as idéias são vistas a partir da minha perspectiva como médico nessa parceria. Porém, incomodou-me o fato de a maioria dos leitores de As maravilhas do corpo que me escreveram ter presumido que todas as idéias eram minhas, e que Philip as havia apenas registrado em um estilo legível. Nada está mais longe da verdade. Algumas composições são minhas, genuínas e sem nenhuma alteração. Outras são correções e novas elaborações dele em relação ao que eu escrevera. Mas algumas são inteiramente oriundas dos estudos e interpretações de Philip. Existem até algumas passagens nas quais invertemos os papéis e eu revisei seus textos.

Neste prefácio, Philip já escreveu sobre a dificuldade de harmonizar três tipos de livros. O processo também incluiu misturar dois autores diferentes. Ainda utilizamos o formato "eu", como se o livro fosse só meu, mas na prática trata-se de uma verdadeira co-autoria. Além disso, nós dois sentíamos cada vez mais que não estávamos sozinhos. Este livro foi escrito para a glória de Deus; e o Espírito Santo, o Deus intermediário, juntou-se ao processo. Que o mesmo Espírito Santo seja seu conselheiro enquanto você ler este livro, para que assim as palavras se tornem vivas e falem com você; não como minha voz ou a de Philip,

3 Inseridos no humanismo dos séculos XIV a XVI, o racionalismo e a preocupação com o homem e com a natureza estimularam a pesquisa científica.

Johannes Kepler, astrônomo alemão (1571-1630) e criador do telescópio, descobriu que as órbitas não eram circulares, mas, sim, elípticas; Nicolau Copérnico, astrônomo polonês (1473-1543), foi responsável pela descrição do sistema heliocêntrico, afirmando que a Terra se move em torno do Sol; Galileu Galilei, físico, matemático e astrônomo italiano (1564-1642), foi responsável pela fundamentação científica da Teoria Heliocêntrica de Copérnico e da sistematização da mecânica como ciência; Isaac Newton, matemático e físico inglês (1642-1727), é o formulador da Lei da Gravidade. (N. do E.)

4 Poeta inglês (1757-1827), autor de Cantos e inocência (1789), marco inicial da literatura romântica. (N. do E.) mas como a voz dos membros do corpo de Cristo, sob o controle do Cabeça. DR. PAUL BRAND

À imagem e semelhança de Deus

Inúmeras são as maravilhas do mundo, mas nenhuma, nenhuma é mais incrível que o corpo do homem.

Para ser naturalista, o homem não pode se dispor a olhar para a natureza diretamente, mas apenas com o canto dos olhos. Ele deve olhar através e além dela.

Primeira parte: Imagem

1 Semelhança

Que obra de arte é o homem! Tão nobre no raciocínio!

Tão diversificado em suas capacidades! Tão preciso e admirável em sua forma e movimento! Na ação é como um anjo; no entendimento, como um deus!

WlLLIAM SHAKESPEARE

O homem não é um balão subindo ao céu nem uma toupeira que apenas escava a terra; mas, sim, algo como uma árvore, cujas raízes são alimentadas pela terra, enquanto seus galhos mais altos parecem crescer quase até as estrelas.

O que é de fato a Terra senão um ninho de cuja beirada estamos todos caindo? EMILY DICKINSON

As CORTINAS OCULTAVAM meu grupo de dez internos e estudantes de medicina, separando-os do resto dos quarenta leitos da enfermaria. Externamente, o Hospital da Faculdade Cristã de Medicina [Christian Medical College Hospital], em Vellore, lembrava uma moderna instalação ocidental, mas por dentro era completamente indiano. Do outro lado de nossa cortina, o ambiente fervilhava: parentes de pacientes trazendo comida caseira e enfermeiras enxotando os abutres que vinham atrás, bem como os corvos e, vez por outra, um macaco.

Entretanto, nós que estávamos do lado de dentro da cortina prestávamos total atenção ao novo jovem colega que apresentava seu diagnóstico. Ele estava semi-ajoelhado, a postura que eu havia ensinado, com a mão quente estendida sob o lençol e repousando no abdome nu da paciente. Enquanto seus dedos procuravam delicadamente sintomas de dor, ele dava continuidade a uma linha de investigação que o levava a ponderar entre a possibilidade de apendicite e uma infecção no ovário.

De repente, algo chamou minha atenção — um leve estremecimento no rosto do médico residente. Seria a sobrancelha se arqueando? Uma vaga lembrança surgiu em minha mente, mas algo que eu não conseguia recordar completamente. Suas perguntas estavam levando-o a uma área delicada, especialmente para a discreta sociedade indiana. Já teria a mulher sido exposta a uma infecção venérea? Os músculos faciais do médico residente se contraíram numa expressão que combinava comiseração, curiosidade e uma cordialidade encantadora, quando ele olhou diretamente para o rosto da paciente e lhe fez as perguntas. Seu próprio semblante persuadiu a mulher a relaxar, resistir ao constrangimento e dizer a verdade.

Nesse momento, minha memória estalou. É claro! A sobrancelha esquerda arqueada para cima com a direita puxada para baixo, o sorriso irônico e envolvente, a cabeça inclinada para um lado, os olhos cintilantes — eram claramente as características de meu antigo cirurgião-chefe em Londres, o professor Robin Pilcher. Puxei o fôlego e soltei uma exclamação. Os estudantes levantaram a cabeça, assustados com minha reação. Não pude evitar: parecia que o residente tinha estudado a fisionomia do professor Pilcher para uma apresentação e agora a tirava de seu repertório para me impressionar.

Respondendo aos olhares de indagação, eu me expliquei: "Essa é a fisionomia de meu antigo chefe! Que coincidência — você tem exatamente a mesma expressão, ainda que nunca tenha ido à Inglaterra, e Pilcher certamente nunca visitou a índia".

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