Farmacologia da reprodução

Farmacologia da reprodução

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Mecanismo — O anastrozol e o letrozol são inibidores competitivos da aromatase, a enzima que catalisa a formação de estrógenos a partir de precursores androgênicos. O exemestano e o formestano são inibidores irreversíveis (covalentes) da aromataseAnastrozol

Letr ozol Exemestano Formestano

Tratamento e prevenção do câncer de mama de estágio inicial, localmente avançado e metastático positivo para receptores de estrógeno

Fraturas osteoporóticas, tromboflebite, hiper colester olemia, sangramento vaginal profuso Edema periférico, exantema, náusea, artralgia, dor óssea, cefaléia, depressão, dispnéia

Hipersensibilidade ao anastrozol, letrozol, exemestano ou formestano

Os inibidores da aromatase são utilizados no tratamento de tumores dependentes de estrógenoOs inibidores da aromatase podem ser mais efetivos do que os antagonistas dos receptores de estrógeno ou os MSRE para o tratamento do câncer de mamaDevido à profunda supressão da ação estrogênica, as mulheres em uso de inibidores da aromatase correm um considerável risco de fraturas osteoporóticas

Mecanismo — Antagonista do estrógeno em alguns tecidos e agonista do estrógeno em outros tecidos. A base da seletividade tecidual pode estar relacionada à expressão tecidual específica de subtipos de recep tores de estrógeno e à capacidade diferencial do complexo ligante–receptor de recrutar co-ativadores e co-repressores da transcrição T amoxifeno

Prevenção do câncer de mamaTratamento paliativo do câncer de mama metastáticoTerapia adjuvante do câncer de mama após excisão primária do tumor (nodulectomia)

Neoplasia maligna do endométrio, acidente vascular cerebral, catarata, embolia pulmonarOndas de calor, menstruação anormal, secreção vaginal

História de trombose venosa profunda ou de embolia pulmonar quando utilizado para prevenção do câncer de mama ou carcinoma ductal in situ ; em pacientes com câncer de mama invasivo, os benefícios do tamoxifeno superam os riscos de doença tromboembólica recorrenteGravidez

Antagonista do receptor de estrógeno no tecido mamário e agonista parcial no endométrio e no ossoComo o tamoxifeno estimula o crescimento endometrial, a sua administração está associada a um aumento de quatro a seis vezes na incidência de câncer endometrialHabitualmente administrado por um período que não deve ultrapassar 5 anos, a fim de minimizar o risco de câncer endometrial iatrogênico

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490 | Capítulo Vinte e Oito

Resumo F armacológ ico Capítulo 2

8 F armacolog ia da Reprodução

Fármaco Aplicações Clínicas

Efeitos Adversos Graves e Comuns

Contra-Indicações

Considerações T erapêuticas

Mecanismo — Antagonista do estrógeno em alguns tecidos e agonista do estrógeno em outros tecidos. A base da seletividade tecidual pode estar relacionada à expressão tecidual específica de subtipos de recep tores de estrógeno e à capacidade diferencial do complexo ligante–receptor de recrutar co-ativadores e co-repressores da transcrição Clomifeno

Infertilidade feminina, devido a distúrbio ovulatório

Tromboembolia

Cistos ovarianos, hipertrofia ovariana, rubor, sintomas vasomotores, desconforto abdominal

GravidezDisfunção não controlada da tireóide ou da supra-renalDoença hepáticaCarcinoma endometrialCistos ovarianosLesão intracraniana or gânica

Antagonista do receptor de estrógeno no hipotálamo e na adeno-hipófise e agonista parcial nos ovários; desinibe a liberação de GnRH, resultando em níveis elevados de LH e de FSH; o aumento do FSH estimula o crescimento folicular, resultando em sinal deflagrador estrogênico, surto de LH e ovulação Ao contrário do FSH exógeno, o uso do clomifeno raramente está associado à síndrome de hiperestimulação ovariana

Raloxifeno Ver Resumo Farmacológico: Cap. 30

Mecanismo — Inibem competitivamente a ligação do estrógeno ao receptor, bloqueando a ação do estrógeno nos tecidos-alvo Fulvestranto

Tratamento do câncer de mama metastático positivo para receptores de estrógeno em mulheres pós-menopáusicas com progressão da doença após terapia com antiestrogênico

Náusea, astenia, dor, vasodilatação (ondas de calor), cefaléia

Gravidez

Antagonista puro dos receptores de estrógeno, sem atividade agonista; liga-se com alta afinidade ao receptor de estrógeno, impedindo a dimerização do receptor e aumentando a sua degradação; algumas vezes, designado como o primeiro de uma nova classe de infra-reguladores seletivos dos receptores de estrógeno (RSRE)

Mecanismo — Inibem competitivamente a ligação da diidrotestosterona e da testosterona ao receptor

, bloqueando a ação da testost erona e da diidrotestosterona nos tecidos-alvo

Flutamida Câncer de próstata metastáticoHipertrofia prostática benigna

Hepatotoxicidade, distúrbios do sistema hematopoéticoOndas de calor, diarréia, náusea, exantema

Comprometimento hepático grave

A flutamida mostra-se favorável em comparação com a monoterapia com DES e leuprolida no tratamento do câncer de próstataA flutamida é mais efetiva quando associada com castração clínica ou cirúr gica

Espir onolactona

HirsutismoAcne vulgarHipertensãoEdema associado a insuficiência cardíaca, cirrose (com ou sem ascite) ou síndrome nefróticaHipocalemiaAldosteronismo primário

Acidose metabólica hipercalêmica, hemorragia gastrintestinal, agranulocitose, lúpus eritematoso sistêmico, câncer de mama (não estabelecido)Ginecomastia, dispepsia, letargia, menstruação anormal, impotência, exantema

Anúria Hipercalemia Insuficiência renal aguda

Um antagonista do receptor de aldosterona que também possui atividade antagonista significativa em nível do receptor de andrógenoUtilizada como inibidor competitivo da ligação da testosterona e da diidrotestosterona a receptores de andrógeno A drospirenona (derivada da espironolactona) possui efeitos tanto progestacionais quanto antiandrogênicos; é utilizada como progestina em alguns contraceptivos de estrógeno-progestina

Mecanismo — Inibem a ligação da progesterona ao receptor; as diferenças na especificidade tecidual da mifepristona e do asoprisnil devem-se, provavelmente, às suas diferenças na influência da ligação de co-ativadores e co-repressores da transcrição ao complexo do receptor de progesterona Mifepristona (RU-486)

Aborto (até o dia 49 de gravidez)

Prolongamento do tempo de sangramento, infecções bacterianas, sepseNáusea, vômitos, diarréia, cólicas, sangramento vaginal anormal, cefaléia

Insuficiência supra-renal crônicaGravidez ectópicaDistúrbios hemorrágicosTerapia anticoagulantePorfirias hereditáriasDispositivo intra-uterinoMassa dos anexos não-diagnosticada

A mifepristona (RU-486) é um antagonista dos receptores de progesterona que é utilizada para induzir aborto no primeiro trimestreO bloqueio da ação da progesterona resulta em deterioração e morte da decídua, e a falta de nutrientes provenientes da decídua leva o blastocisto à morte e a seu desprendimento do útero

Farmacologia da Reprodução | 491

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A mifepristona é comumente administrada em associação com misoprostol, um análogo da prostaglandina que estimula as contrações uterinas; a co-administração de misoprostol pode causar náusea e vômitos Em concentrações mais altas, a mifepristona também bloqueia o receptor de glicocorticóides, tornando-a potencialmente útil no tratamento de afecções associadas a níveis elevados de glicocorticóides potencialmente fatais, como na síndrome do ACTH ectópico

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