Livro Prevencao Desastres Naturais

Livro Prevencao Desastres Naturais

(Parte 1 de 6)

Curitiba – PR 1ª Edição

Capa Davis Anderson Moreno

Ilustrações Davis Anderson Moreno

1ª edição 1ª impressão - 2006

Kobiyama, Masato

Prevenção de desastres naturais: conceitos básicos / Masato

Kobiyama, Magaly Mendonça, Davis Anderson Moreno, Isabela Pena Viana de Oliveira Marcelino, Emerson Vieira Marcelino, Edson Fossatti Gonçalves, Letícia Luiza Penteado Brazetti, Roberto Fabris Goerl, Gustavo Souto Fontes Molleri, Frederico de Moraes Rudorff – Curitiba: Ed. Organic Trading , 2006. 109p. : il., tabs.

Inclui bibliografia ISBN – 85-87755-03-X

1. Prevenção. 2. Desastres Naturais.

Reservado todos os direitos de reprodução total ou parcial pela Editora Organic Trading

Impresso no Brasil 2006

Masato Kobiyama Prof. Dr. do Depto. de Engenharia Sanitária e Ambiental Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e-mail: kobiyama@ens.ufsc.br

Magaly Mendonça Profa. Dra. do Depto. de Geociências Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e-mail: magaly@cfh.ufsc.br

Davis Anderson Moreno Bacharel em Geografia – UFSC email:davisamoreno@yahoo.com.br

Isabela P. V. de Oliveira Marcelino Doutoranda em Geografia Instituto de Geociências – IG/UNICAMP e-mail: isabelam@ige.unicamp.br

Emerson V. Marcelino Doutorando em Geografia Instituto de Geociências – IG/UNICAMP e-mail: emersonm@ige.unicamp.br

Edson F. Gonçalves Geógrafo Msc em. Eng. Ambiental – UFSC e-mail: edson@orbtec.com.br

Leticia Luiza Penteado Brazetti Bacharel em Geografia – UFSC Licenciatura em Geografia – UFSC e-mail: leticialuiza@yahoo.com.br

Roberto Fabris Goerl Secretário. Executivo – IPEDEN Bacharel em Geografia – UFSC e-mail: roberto.goerl@gmail.com

Gustavo S. Fontes Molleri Bacharel em Geografia – UFSC email: gustavo.molleri@gmail.com

Frederico de Moraes Rudorff Diretor Presidente e Pesquisador – IPEDEN Msc. em Geografia – UFSC e-mail: rudorff@ipeden.org iv

À Profª. Maria Lúcia de Paula Herrmann, ao Prof. Joel Robert Georges Marcel

Pellerin do Departamento de Geociências da UFSC e a Msc. Silvia M. Saito, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFSC, pela discussão geral sobre desastres naturais.

Ao Prof. Dr. Eduardo Mario Mendiondo – SHS/EESC/USP, pela contribuição da Apresentação do livro.

Ao Sr. Pedro F. Caballero, doutorando do Programa de Pós-Graduação em

Engenharia Hidráulica e Saneamento da USP/São Carlos, pela leitura e sugestões a presente obra.

Ao Núcleo do Meio Ambiente da Associação do Comércio e Indústria de Rio

Negrinho – ACIRNE, ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSC, ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da UFSC, a Fundação e Ensino e Engenharia de Santa Catarina – FEESC/UFSC e a Tractebel Energia, pelo apoio financeiro para a publicação desta obra.

A todas as pessoas que atuam na pesquisa e prevenção de desastres naturais pelos ensinamentos adquiridos ao longo do desenvolvimento deste livro.

APRESENTAÇÃOvii
PREFÁCIOix
1. INTRODUÇÃO01
2. CONCEITOS BÁSICOS07
2.1. DESASTRES07
2.1.1. Definição07
2.1.2. Classificação08
2.1.3. Causas naturais e agravantes antrópicos1
2.2 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS DESASTRES NATURAIS12
2.2.1 Magnitude12
2.2.2. Evolução13
2.2.3 Irregularidade14
2.3. PERIGO (HAZARD) E RISCO (RISK)17
2.3.1. Definição17
2.4. CLIMA E TEMPO19
2.4.1. Dinâmica atmosférica e sistemas produtores de tempo20
2.4.2. Chuva23
2.4.3. Tipos de chuvas e suas formações24
2.4.4. Fenômeno ENOS – El Niño e La Niña26

SUMÁRIO 2.4.5. O futuro climático do Brasil: enfoque especial para Santa Catarina..27

3. PREVENÇÃO DE DESASTRES NATURAIS31
3.1. ZONEAMENTO32
3.2. SISTEMA DE ALERTA35
3.3. MONITORAMENTO E MODELAGEM37
3.4. GERENCIAMENTO DE DESASTRES NATURAIS (GDN)38
4. DESASTRES NATURAIS E MEDIDAS PREVENTIVAS45
4.1. INUNDAÇÃO45
4.1.1. Conceito45
4.1.2 Medidas Preventivas49
4.2. ESCORREGAMENTO52
4.2.1. Conceito52
4.2.2 Medidas Preventivas56
4.3. GRANIZO58
4.3.1 Conceito58
4.3.2 Medidas Preventivas59
4.4. VENDAVAL60
4.4.1 Conceito60

4.4.2 Medidas Preventivas ........................................................................... 65

4.5. TORNADO67
4.5.1 Conceito67
4.5.2 Medidas Preventivas70
4.6. FURACÃO72
4.6.1 Conceito72
4.6.2 Medidas Preventivas76
4.7. RESSACA76
4.7.1 Conceito76
4.7.2 Medidas Preventivas78
4.8. ESTIAGEM80
4.8.1 Conceito80
4.8.2 Medidas Preventivas82
4.9. GEADA82
4.9.1 Conceito82
4.9.2 Medidas Preventivas83
5. MEDIÇÃO DE CHUVA89
5.1. IMPORTÂNCIA DA MEDIÇÃO DA CHUVA89
5.2. CARACTERÍSTICAS DA CHUVA90
5.3. COMO MEDIR A CHUVA?93
CONSIDERAÇÕES FINAIS97
ANEXOS103

vi POSFÁCIO..............................................................................................109

vii tualmente na escala mundial, cada R$ 1 investido em prevenção equivale, em média, entre R$ 25 e 30 de obras de reconstrução pósevento. Os desastres têm magnitudes amplas e variadas, fundamentalmente pela falta de alocação de recursos e pela escassez de textos que orientem para a fase de prevenção. Isso é um fato, que preocupa órgãos nacionais e internacionais e que prega por visar formação, treinamento e preparação pré-evento.

As páginas do texto "Prevenção de desastres naturais: conceitos básicos" mostram conceitos e aplicações para diferentes casos na prevenção de desastres, com ênfase em recursos hídricos. O texto pode ser abordado de diferentes opções. Primeiro, como atualização em uma área de interesse global e impactos regionais, pouco discutida em textos acadêmicos. Segundo, o livro detalha conceitos já conhecidos e incorpora novos elementos para gerir um novo patamar de conhecimento na área. Terceiro, as suas páginas permitem de forma fácil incorporar a didática na transferência dos conhecimentos.

No texto, a introdução e os conceitos básicos conformam o ponto de partida para uma viagem generosa em termos de trabalhos na área e no estado da arte, nacional e internacional. As partes subseqüentes, de prevenção de desastres naturais e medidas preventivas, trabalham a fundo esses conceitos de maneira de adaptá-los para eventos hidrológicos de interesse e com amplitude: vendavais, tornados, furações, geadas, granizos, secas, ressacas do mar, deslizamentos de encostas e inundações, estão no cardápio do livro. À parte de medidas de chuva incorpora as questões simples para uma visão participativa da prevenção. As considerações finais incluem processos e levantamentos, na versão científica e aplicada dos temas. O texto mostra de forma ordenada e equilibrada os princípios e as ações necessárias para contribuir com a prevenção e mitigação. As principais beneficiadas do livro são, sem dúvida, as políticas públicas que recebem definições adequadas, estratégias viáveis e as logísticas para as fases de prevenção de desastres.

Considero "Prevenção de desastres naturais: conceitos básicos" uma publicação apropriada para estudantes, pesquisadores, docentes e tomadores de decisão de vários níveis, e que pode ser apreciada em salas de aulas do ensino primário e secundário. Este tipo de publicação, através das experiências de seus viii autores, contribui para que a economia de escala almejada e supracitada, entre prevenção e reconstrução, seja possível e fique ao alcance de muitos. A contribuição ampla traz inclusão social e desenvolvimento do capital humano.

Dr. Eduardo Mario Mendiondo

Professor de Hidrologia e Recursos Hídricos Escola de Engenharia de São Carlos Universidade de São Paulo

ix o Brasil, os desastres naturais têm sido tratados de forma segmentada entre os diversos setores da sociedade. Nos últimos anos vem ocorrendo uma intensificação dos prejuízos causados por estes fenômenos devido ao mau planejamento urbano. Ações integradas entre comunidade e universidade são fundamentais para que os efeitos dos desastres naturais sejam minimizados. A universidade deve contribuir na compreensão dos mecanismos dos desastres naturais através do monitoramento, diagnóstico e modelagem. Estas informações devem ser repassadas à sociedade, que, de forma organizada, deve agir para minimizar os danos provocados pelos desastres. Num contexto local, sugere-se a criação de grupos comunitários capacitados para agir antes, durante e depois do evento, auxiliando assim os órgãos municipais de defesa civil.

Nesse contexto, em setembro de 2003, o Grupo de Estudo de Desastres

os escorregamentos

Naturais (GEDN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) iniciou o projeto de extensão universitária intitulado “Plano de Prevenção e Controle de Desastres Naturais nos Municípios do Estado de Santa Catarina Afetados pelas Adversidades Climáticas”, com o auxílio financeiro do Governo Estadual de Santa Catarina através do Departamento Estadual Defesa Civil (DEDC-SC), e com apoio administrativo do Centro Universitário de Estudos e Pesquisa sobre Desastres (CEPED/UFSC). Este projeto teve como objetivo principal subsidiar o desenvolvimento de um plano de prevenção e controle de desastres naturais nos municípios mais afetados pelas adversidades climáticas no Estado de Santa Catarina. Além disso, ele buscou envolver grupos organizados, lideranças comunitárias e pessoas interessadas, especialmente professores e estudantes, na execução e aperfeiçoamento de métodos preventivos, enfatizando as inundações e

Uma das metas deste projeto foi à elaboração de material didático para subsidiar cursos de capacitação de professores da rede pública e membros das Comissões Municipais de Defesa Civil (COMDECs). Assim, foi elaborada uma apostila intitulada “Introdução à Prevenção de Desastres Naturais”. Utilizando esta apostila, o Curso de Capacitação “Introdução à Prevenção de Desastres Naturais” foi realizado, até o momento, em quatro municípios catarinenses (Rio do Sul, Joaçaba, Florianópolis, e Rio Negrinho), tendo como objetivos principais: 1) difundir conteúdos relacionados à educação ambiental e aos desastres naturais para as comunidades localizadas em áreas de risco, salientando a importância da participação da sociedade na minimização dos impactos causados pelos mesmos; 2) promover debates sobre as causas e conseqüências das adversidades climáticas, visando a troca de experiências. Nestes aspectos, o Curso de Capacitação obteve grande sucesso e aceitação pelas comunidades envolvidas.

Entretanto, nós autores, gostaríamos de ressaltar que tem sido um aprendizado continuo, isto é, quanto mais realizamos o curso e passamos a conhecer a realidade e as experiências vivenciadas pelos participantes, mais aprendemos sobre a prevenção dos desastres naturais. Conseqüentemente, tais interações contribuíram significativamente para aperfeiçoar e enriquecer nossa apostila. A presente obra é fruto deste continuo processo de aprendizagem.

Como os autores atuam principalmente no Estado de Santa Catarina, neste trabalho foram tomadas como base de estudo às características dos eventos ocorridos no território catarinense. Entretanto, acredita-se que os desastres aqui tratados apresentam características semelhantes aos ocorridos em todo o Brasil. Portanto, este trabalho pode ser amplamente utilizado para qualquer parte do território brasileiro.

deste livro

Como mencionado acima, a presente obra se desenvolveu a partir de uma apostila didática utilizada para cursos de capacitação sobre prevenção de desastres. Caso você goste deste livro e gostaria de difundir esse conhecimento, entre em contato com um dos autores para realizarmos o curso em seu município. Caso você leitor, tenha alguma sugestão ou crítica, entre em contato conosco. Suas contribuições serão bem-vindas e nos ajudarão no processo de aprimoramento

Ficaremos satisfeitos se esta obra puder de alguma forma, contribuir para a prevenção e mitigação dos desastres naturais no seu município.

Florianópolis, Outubro de 2006. Os autores

Capítulo 1 INTRODUÇÃO

“Desastres naturais voltam quando os esquecemos” Torahiko Terada

Os fenômenos naturais que causam desastres podem trazer, além de prejuízos, benefícios para as sociedades. Por exemplo, as inundações fornecem grandes quantidades de fertilizantes para os campos agrícolas, e os escorregamentos deixam as terras mais porosas e aráveis. Às vezes, o homem pode até gerar tais fenômenos com o intuito de compreender e se beneficiar dos mesmos. Por exemplo, na região do Grand Canyon nos EUA, foram realizados diversos experimentos visando produzir inundações controladas (USGS, 2003). Os resultados permitem concluir que é necessária uma alteração drástica e dinâmica do regime fluvial para manutenção da saúde do ecossistema fluvial. A inundação retira sedimento antigo e gera uma nova estrutura com sedimentos.

De modo geral, os desastres naturais são determinados a partir da relação entre o homem e a natureza. Em outras palavras, desastres naturais resultam das tentativas humanas em dominar a natureza, que, em sua maioria, acabam derrotadas. Além do que, quando não são aplicadas medidas para a redução dos efeitos dos desastres, a tendência é aumentar a intensidade, a magnitude e a freqüência dos impactos. Assim, grande parte da história da humanidade foi influenciada pela ocorrência de desastres naturais, principalmente os de grande magnitude.

Nas últimas décadas, o número de registro de desastres naturais em várias partes do mundo vem aumentando consideravelmente. Isto se deve, principalmente, ao aumento da população, a ocupação desordenada e ao intenso processo de urbanização e industrialização. Dentre os principais fatores que contribuem para desencadear estes desastres nas áreas urbanas destacam-se a impermeabilização do solo, o adensamento das construções, a conservação de calor e a poluição do ar. Enquanto que nas áreas rurais, destaca-se a compactação dos solos, o assoreamento dos rios, os desmatamentos e as queimadas.

Sendo assim, estes desastres que tanto influenciam as atividades humanas vêm historicamente se intensificando devido ao mau gerenciamento das bacias hidrográficas, especialmente pela falta de planejamento urbano. Além disso, o aquecimento global tem aumentado a freqüência e a intensidade das adversidades climáticas, como precipitações extremas, vendavais, granizos entre outros, o que acarreta no aumento da incidência de desastres naturais.

A Figura 1.1 mostra a distribuição temporal dos desastres naturais do mundo no século X. Pode-se notar claramente o aumento dramático dos desastres naturais a partir da década de 50 e dos prejuízos econômicos a partir da década de 70. Este fato desencadeou a maior iniciativa científica internacional até então desenvolvida para criar estratégias mitigadoras para todo o globo. A US National Academy of Sciences (NAS) apresentou a iniciativa à ONU em dezembro de 1987. Após, a ONU criou junto com a UN Disaster Relief Organization (UNDRO), a Secretaria para a International Decade for Natural Disaster Reduction (IDNDR) em abril de 1989, em Genebra, Suíça (ROSENFELD, 1994). As atividades da IDNDR geraram grande sucesso durante o seu período de execução (1990 - 2000) e alguns resultados foram relatados por Alcántara-Ayala (2002).

Figura 1.1 – Desastres naturais ocorridos no mundo e seus respectivos prejuízos

Fonte: adaptada de Alcántara-Ayala (2002).

Segundo Alcántara-Ayala (2002), a ocorrência dos desastres naturais está ligada não somente à susceptibilidade dos mesmos, devido às características geoambientais, mas também à vulnerabilidade do sistema social sob impacto, isto é, o sistema econômico-social-politico-cultural. Normalmente os países em desenvolvimento não possuem boa infra-estrutura, sofrendo muito mais com os desastres do que os países desenvolvidos, principalmente quando relacionado com o número de vítimas. Vanacker et al. (2003) também mostraram que em países em desenvolvimento, o perigo devido a desastres naturais está aumentando. O aumento da pressão populacional e o desenvolvimento econômico forçam cada vez mais a população, em especial a de baixa renda, a mudar para as áreas de risco, as quais são menos adequadas para agricultura e para o adensamento populacional.

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