Epidemiologia dasinfecções respiratórias agudasem crianças: panorama regional

Epidemiologia dasinfecções respiratórias agudasem crianças: panorama regional

(Parte 4 de 4)

Epidemiologia das infecções respiratórias agudas em crianças: panorama regional 17 aiepi1.P 3/20/03 2:04 PM Page 17

Entre 1977 e 1978, Delgado e Col. (41)concluíram um estudo com crianças de 2 anos de idade que viviam em várias plantações de café no sul da Guatemala, e que apresentavam manifestações clínicas de infecções respiratórias. Foi examinada a relação entre a doença, as características socioeconômicas e o estado nutricional desta população. Foi avaliado o grau de utilização dos postos de saúde localizados nas plantações que proporcionavam atenção médica para tais infecções. Com base nas consultas feitas ao pessoal dos postos, e por meio de visitas realizadas às casas por uma equipe de promotores de saúde, foram colhidas informações em cada quadra sobre a freqüência e duração da secreção nasal, da tosse, dos estertores, assim como sobre o crescimento físico da criança e suas características socioeconômicas. Também foram observadas as manifestações clínicas em relação aos vários fatores de risco resultantes das peculiaridades socioeconômicas, bem como a disponibilidade de água potável na casa, o grau de alfabetização do chefe da família e o tipo de habitação. Foram encontrados valores negativos notáveis na escala Z para todos os indicadores antropométricos, com retardo significativo no crescimento físico das crianças estudadas. Esse atraso foi maior naquelas que tiveram um ou mais episódios clínicos de IRA do que naquelas que não tiveram nenhum.

Para utilizar a informação epidemiológica no desenvolvimento de estratégias para prevenção e controle das IRA, é preciso levar em conta os seguintes elementos:

•Diagnóstico e tratamento oportunos da tosse e da dificuldade respiratória (freqüência respiratória segundo a idade em meses); • Atenção simplificada;

•Encaminhamento de casos graves para seu tratamento adequado e oportuno;

• Profilaxia;

•Serviço integrado de capacitação e prevenção;

•Aumento do acesso e utilização do serviço de saúde pela população;

•Atenção oportuna e adequada a todas as crianças menores de 5 anos.

É indispensável, além disso, contar com os dados básicos sobre morbidade e mortalidade, bem como definir, hierarquizar e estratificar os fatores de risco em relação a adoecer ou morrer por IRA. Também deve ser dada a maior importância a outros determinantes tais como:

•Características genéticas, moleculares e antigênicas dos agentes causais das IRA; •Virulência, patogenicidade e distribuição da prevalência dos agentes infecciosos e seus diferentes sorotipos;

•Métodos de diagnóstico práticos, sensíveis e específicos para identificação oportuna de genes e antígenos dos agentes etiológicos e para a medição ou previsão da resposta imunológica, humoral e celular das crianças infectadas;

Infecções respiratórias em crianças18 aiepi1.P 3/20/03 2:04 PM Page 18

•Conhecimento das fontes de infecção e dos mecanismos de transmissão; •Validação dos métodos para o estudo clínico e epidemiológico da resposta dos agentes causais no controle do ambiente, do tratamento clínico e da quimioterapia;

•Fatores genéticos de risco e mecanismos imunológicos protetores na população infantil e em crianças de tenra idade;

•Desenvolvimento de agentes imunizantes eficazes contra os agentes infecciosos de maior prevalência nos países da América Latina: o S. pneumoniaee o H. influenzae.

Com o objetivo de combater a mortalidade por IRA e pneumonias, os governos membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) fixaram as seguintes prioridades para o manejo dos casos:

•Definir a etiologia das pneumonias, septicemias e meningites por meio de estudos multicêntricos; •Definir os sinais clínicos e a etiologia das IRA em presença de crianças desnutridas;

•Determinar os melhores sinais clínicos para prognosticar pneumonias severas e a necessidade de encaminhar as crianças de tenra idade;

•Utilizar os medicamentos de primeira linha como cotrimoxazol (CTX, combinação de TMP e SMX) ou penicilina em crianças pequenas, e amoxicilina nos casos de resistência ao primeiro. Nos casos de infecções maláricas concomitantes com IRA, deve-se levar em conta que já existe alta prevalência de resistência do P. falciparumà trimetoprima (TMP) associada às sulfamidas, além de que este medicamento não tem sido eficaz contra o P. vivax;

•Desenvolver uma metodologia aplicável aos resultados de estudos etnográficos relacionados com as IRA;

•Realizar provas entre as mães em relação à interpretação das mensagens sobre a atenção das crianças, tanto no domicílio quanto nas clínicas e centros de saúde e hospitais;

•Comparar o estudo da resistência dos antibióticos às bactérias prevalentes e realizar estudos prospectivos mais amplos;

•Desenvolver uma metodologia para o estudo dos episódios clínicos das IRA e adaptá-la para sua utilização entre as mães em nível domiciliar; •Editar manuais de capacitação para fortalecer o sistema de vigilância epidemiológica das IRA.

1.Graham NM. The epidemiology of acute respiratory infections in children and adults: a global perspective.Epidemiol Rev 1990; 12; P 149-78.

2.Miller DL. Investigaciones y estrategias para el estudio de infecciones respiratorias agudas de la infancia.Bol. Repart. Sanit. Pan-Am; 96(3):205-12, Mar. 1984.

3.Pio A, Leowski J, Luelmo F. Programa de la Organización Mundial de la Salud de infecciones respiratorias agudas en la infancia.Bol. Repart. Sanit. Pan-Am; 96(4):283-95, Abr. 1984

Epidemiologia das infecções respiratórias agudas em crianças: panorama regional 19 aiepi1.P 3/20/03 2:04 PM Page 19

4.Ebekian B, Carballal G, Cerqueiro C, Avila M, Salomon H, Weissenbacher M. Respuesta serológica medida por fijación del complemento en niños con infección respiratoria aguda.Rev. Argent. Microbiol; 2(2):62-7. 1990. Tab.

5.Siqueira M, Ferreira V, Nascimento JP. Respiratory sincicial virus diagnosis: comparison of isolation, immunofluorescence and enzyme immunoassay.Mem. Inst. Oswaldo Cruz; 81(2):225- 32, abr.-jun. 1986. Tab. Ilus.

6.Mir del Junco K, Martín Lopez A, Blanco Pérez A, Morfi Grillo N, Sáenz M. La proteína C reactiva como elemento de diagnóstico etiológico de las infecciones respiratorias agudas en el niño. Rev. Cuba. Pediatr; 54(6):754-6. 1983.

7.Bello Corredor M, Goyenechea Hernández A, Pérez Guevara M, Días R, Olvido E, García Linares O,

Mujica R. Diagnóstico rápido por inmunofluorescencia en niños hospitalizados por infección respiratoria aguda(IRA). Rev. Cuba. Pediatr; 62(5):754-62, Set.-Out. 1990, Ilus.

8.Larrañaga C, Vicente M, Wu E, Carrasco L, Peña A, Onate C, Aguillera L. Adenovirus en niños con infecciones respiratorias agudas bajas. Rev. Chil. Pediatr; 59(5):312-7, set.-out. 1988, Tab.

9.Campos E, Decarlis RMST. Aspectos microbiológicos de bacterias aisladas de pacientes con infecciones pulmonares agudas tratados con tobramicina.Rev. Microbiol; 14(3):176-82. 1983.

10.Lederman W, Riveros A, García J, Vicente M, Mardones P, Carrasco L, Maldonado A, Ulloa T. Etiología de las neumonías agudas en el niño.Bol. Ins. Salud Pública Chile; 27(1/2):49-52, 1987/1988. Tab.

1.Vicente M, Wu E, Carrasco L, Torrijos J, Massu M, Vildoso J, Cantos A, Hancke MT, Slieve S, Alvear A.

Detección viral en infecciones respiratorias agudas en niños hospitalizados: estudio serológico. Enfermedades Respr. Cir. Torac; 4(1):10-4 jan-mar. 1988. Tab. Ilus.

12.Ceruti E, Días A, Vicente M, Escobar AM, Martínez F, Pinto R, León A, Farías P, Torres G. Etiología de las infecciones respiratorias bajas agudas en lactantes hospitalizados.Rev. Chil. Pediatr; 62(3):155-6, mai-jun. 1991. Tab. Ilus.

13.García C, Zaninovic A. Semiología radiológica en infecciones respiratorias agudas bajas en el lactante y el niño mayor. Pediatr. Dia; 6(1):13-25, mar.-abr. 1990. Ilus.

14.Salas P, Achi R, Mata L, Chavarría JF. Agentes virales y bacterianos en niños hospitalizados con infección respiratoria aguda: brote epidémico. Rev. Med. Hosp. Nac. Niños (Costa Rica); 20(1):25- 34, jun. 1985. Tab.

15.Gonzales Ochoa E, Romero Péres T, López Prats E, Bellos Corredor M. Resultados de los estudios en la vigilancia epidemiológica de las enfermedades respiratorias agudas virales en la escuela "Raquel Pérez". Rev. Cuba. Pediatr; 54(6):740-6. 1983.

16.Martínez R, Maggiolo J, Girardi F, Carreño V, Mascaro J. Frecuencia respiratoria en lactantes y preescolares sanos y con infección respiratoria aguda.Enfermedades Respir. Cir. Torác; 6(3):134-40, jul.-set. 1990. Tab.

17.Guiscafré H, Muñoz O, Gutiérrez G. Normas para el tratamiento de las infecciones respiratorias agudas: propuesta de un esquema con base en el diagnóstico sindromático.Bol. Med. Hosp. Infant. Mex; 4(1):58-64, jan. 1987, Tab. Ilus.

18.OPS/OMS. Las condiciones de salud en las Américas.Publicação Científica, Edição de 1994. Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde. Washington, D.C.

Infecções respiratórias em crianças20 aiepi1.P 3/20/03 2:04 PM Page 20

19.Stein ML, Laranjeiras MS, Esoubdika LCF. Estudo comparativo duplo-cego com o emprego do cloranfenicol mais naproxen sódico suspensão versus cloranfenicol mais placebo no tratamento de infecções agudas de vias aéreas inferiores em crianças.RBM Rev. Bras. Med; 42(5):56-60, maio 1985. Tab.

20.Tavares W, Marins ABL, Ferreira RAX, Pereira ACM, Guimarães MTC. Avaliação terapêutica de midecamicina e da miacamicina em infecções dermatológicas e das vias respiratórias.Folha med; 91(3):247-52, set. 1985. Tab.

21.Priimági L, Kremerman I, Sidorenko L, Subi K, Kasesaku G. Prodigiozan como inductor de interferon para la prevención de infecciones virales respiratorias agudas en los niños.Interferon Biotecnol; 4(1):43-7, jan.-abr. 1987. Tab.

2.Gutiérrez G, Martínez García MC, Guiscafré H, Gómez Carrillo G, Peniche A, Muñoz Hernández O.

Encuesta sobre el uso de antimicrobianas en las infecciones respiratorias agudas en la población rural mexicana.Bol. Méd. Hosp. Infant. Méx; 43(12):761-8, dic. 1986. Tab. Ilus.

23.Carrancho PV. Prevalência das infecções de vias aéreas superiores em crianças previdenciárias atendidas em ambulatório.Clin. Pediatr. (Rio de J.); 12(3):52-54, maio-jun. 1988. Tab.

24.Campuzano de Rolon EA. Neumopatías agudas bacterianas en el niño.An. Fac. Cienc. Med. (Assunção); 17(1/2):79-124, 1985. Tab.

25.Aguilar Avila R, Alvarado Ganoza G, Jiménez Guillén F, Morales Moreno R, Ocampo Rujel C, Sato

Palomino A, Cabreza Paz S. Infección respiratoria aguda (IRA) en niños de la consulta ambulatoria: algunos aspectos epidemiológicos.Diagnóstico (Peru); 20(1):14-7, jul. 1987. Tab.

26.Aguilar Avila R, Alvarado Gonoza G, Morales Moreno R. Infección respiratoria aguda (IRA) en niños: diagnóstico, etiología, tratamiento y mortalidad.Diagnóstico (Peru); 18(3):74-9, set. 1986. Tab.

27.Pimentel RD, Ramírez D, Ventura V, Santana R, Méndez A.Infecciones respiratorias agudas en una población infantil semi-rural.Arch. Domin. Pediatr; 19(1):19-21, 1983.

28.Pimentel RD, Quesada R, Chuan Y, Custodio Guerrero J. Infecciones respiratorias agudas (IRA) en una muestra de niños dominicanos. Rev. Costarric. Cienc. med; 8(3):135-41, set. 1987. Ilus.

29.Ribeiro M, Guedes J da S, Cunha LGT, Santos M dos, Frankiel S, Caleman G., Loureiro MI, Simões O, de Castro PC.Importância das infecções respiratórias agudas (IRA) em crianças no município de São Paulo.Rev. Paul. Pediatr; 3(9):6-16, jan.-fev. 1985. Tab.

30.Vharkin JM, Santos JMM, Dalcomo MO, Penna MLF, Ribeiro SN, Gerhardt Filho G. Estudo de óbitos infantis por infecção respiratória aguda (IRA) por meio de inquérito familiar.J. Pneumol; 16(2):67-70, jun. 1990. Tab.

31.Benguigui Y. Controle das infecções respiratórias agudas em crianças, Pará, Brasil. Bol. Repart. Sanit. Pan-Am;102(1):36-48, jan. 1987. Tab.

32.D'Apremont Ormeño C, Collazo C.Análisis de la mortalidad asociada a infección respiratoria en el

Hospital Roberto del Río en niños mayores de 28 días.Pediatría (Santiago do Chile); 28(1/2):23-6, jan.-jun. 1985. Tab.

3.Mohs E. Infecciones respiratorias agudas en los niños: posibles medidas de control. Bol.. Repart. Sanit. Pan-Am;98(6):528-34, jun. 1985. Ilus.

Epidemiologia das infecções respiratórias agudas em crianças: panorama regional 21 aiepi1.P 3/20/03 2:04 PM Page 21

34.Gonzáles Ochoa E, Armas Pérez L de, Goyenechea Hernández A, Suárez Rodríguez B. Evaluación de los datos sobre la situación epidemiológica de las enfermedades respiratorias agudas en Cuba, durante el año calendario 1983, con referencia a la temporada 1983-1984.Rev. Cuba. Hig. Epidemiol; 23(3):230-6, jul.-set. 1985. Ilus, Tab.

35.Bloch M.El dificil problema de las infecciones respiratorias agudas de los niños. Las grandes dificultades para resolverlo. Rev. Inst. Invest. Med; 10(1):9-19, 1981.

36.Bloch M. Las infecciones respiratorias agudas en los niños.Rev. Inst. Invest. Med; 10(1):25-51, 1981.

37.Danesi A, Azeka E, Campana FJ, Leone C. Infecções respiratórias agudas em crianças em centro de saúde.Pediatria (São Paulo); 7(2/3):127-31, set. 1985. Tab.

38.Botelho C, Guedes LS, Silva MD, Barros MD de. Sintomas respiratórios e tabaquismo passivo em crianças.J. penumol; 13(3):136-43, set. 1987. Tab. Pr: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 800.1020.0/83.

39.Arbeláez MP, Gómez I, Hernández Zapata A. Factores de riesgo para infección respiratoria aguda grave en menores de 5 años.Hospital Infantil, Medellín 1985. Bol. Epidemol. Antioq; 1(2):14-7, abr.-jun. 1986. Tab.

40.Cruz JR, Sibrián R, Osorio V, Cossich C.Estado nutricional de niños preescolares guatemaltecos hospitalizados por infecciones respiratorias agudas.Arch. Latinoam. Nutr; 39(3):251-61, set. 1989. Tab.

41.Delgado HL, León de Ramírez EM, Hurtado E. Infecciones respiratorias agudas en niños menores de dos años en la zona rural de Guatemala.Bol. Repart. Sanit. Pan-Am; 104(5):429-39, maio 1988. Ilus.

Infecções respiratórias em crianças22 aiepi1.P 3/20/03 2:04 PM Page 2

(Parte 4 de 4)

Comentários