Controle das ira nas criançasde 2 meses a 5 anos de idade

Controle das ira nas criançasde 2 meses a 5 anos de idade

(Parte 3 de 3)

Os parâmetros de classificação e as normas terapêuticas propostas pela OPAS/OMS têm sido difundidas amplamente em todos os países. Na maioria dos organismos de atenção à comunidade dispõe-se cartazes que contêm toda a informação com esquemas de decisões de forma condensada e de aplicação muito simples, os quais devem ser consultados e seguidos pela equipe de saúde.

No grupo de pacientes nos quais está indicado o uso de antibióticos, como é o caso da pneumonia, a recomendação é que estes cubram fundamentalmente H. influenzae S. pneumoniae (23). Entre as opções se encontram a penicilina procaína injetável e os antimicrobianos orais como o trimetoprim-sulfametoxazol (TMP-SMX) e a amoxicilina, esta última preferível à ampicilina por sua boa absorção, menor número de doses e de efeitos gastrointestinais. Na maioria dos casos, o SMX-TMP está plenamente indicado dada sua eficácia, seu espectro amplo, a facilidade de administração (somente duas doses ao dia), seu baixo custo e escassos efeitos colaterais.

Para o tratamento da pneumonia propriamente dita, não se recomenda administrar penicilina oral (fenoximetilpenicilina), nem tampouco benzatina, devido aos níveis sangüíneos que alcançam, os quais são pouco eficientes contra H. influenza e ainda contra S. pneumoniae. A eritromicina é pouco ativa contra o H. influenza, razão pela qual não deve ser usada em pneumonia.

Se por seu estado de gravidade a criança tenha ingressado no hospital, deve-se proporcionar ali todas as medidas terapêuticas pertinentes no controle das IRA, individualizadas de acordo com as necessidades de cada caso; estas vão desde oxigenioterapia ou assistência ventilatória se for necessária; desobstrução nasal, nutrição, hidratação se for requerida, até terapia com antibióticos ou administração de fármacos como broncodilatadores e antipiréticos, entre outros.

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Entre os antibióticos a considerar no tratamento da criança hospitalizada, devem estar os que cobrem convenientemente as bactérias mais freqüentes mencionadas, como é o caso da penicilina cristalina. Se a criança estiver muito grave, deve-se considerar adicionalmente o cloranfenicol, por sua grande efetividade contra o H. Influenzae, o S. aureuse alguns microorganismos Gram-negativos. Em algumas oportunidades, é necessária a utilização de outros antibióticos (23-25), tais como a oxacilina, a meticilina, as cefalosporinas ou os aminoglicosídeos do tipo da gentamicina; no entanto, esta conduta será decidida de acordo com as análises das peculiaridades do paciente e a disponibilidade de medicamentos.

A indicação de oxigênio na criança que cursa com pneumonia grave se baseia na necessidade de melhorar a hipoxia secundária ao comprometimento parenquimatoso. As recomendações práticas do Programa de Controle das IRA para a administração de oxigênio, são cianose central, incapacidade de beber, inquietude que melhora com oxigênio, tiragem intensa e em crianças de 2 meses a 5 anos, mais de 70 respirações por minuto (26).

Na atualidade, trabalha-se na produção de vacinas tanto virais (VSR, Parainfluenzae, adenovírus e influenza) como bacterianas (H. influenzaee S. pneumoniae), porém o período de avaliação prévio das primeiras e o custo elevado das segundas têm impedido até o momento sua distribuição massiva.

O protocolo da OMS se concentra em que o pessoal de instituições de primeiro nível e de médicos comunitários identifiquem casos de pneumonia, entre as muitas crianças que consultam por tosses e respiração difícil, para assegurar-se que recebam um antibiótico adequado. Esta estratégia deve estar ao alcance de todas as crianças.

Até o momento não existem medicamentos que melhorem as propriedades reológicas (físico-químicas) do muco, ou o clareamento ciliar, nem a capacidade fagocítica, nem contraataquem especificamente as alterações produzidas por vírus e bactérias. Tampouco se tem demonstrado que os descongestionantes, antitussígenos, expectorantes ou mucolíticos modifiquem positivamente o curso habitual de uma infecção respiratória aguda baixa, nem estão isentos de risco, devido ao qual seu uso deve ser considerado no controle integral das crianças com IRA. O costume, tão arraigado em nossas comunidades, de administrar às crianças com afecções respiratórias agudas toda sorte de óleos e gorduras (de aves ou tubarão), álcool, derivados do petróleo, mentolados, deve ser desencorajada totalmente tanto em forma oral, como em tampões nasais, ou ainda em fricções pelo perigo de aumento da irritação das vias aéreas e sobretudo pela possibilidade de uma broncoaspiração grave.

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