Planejamento das atividades decontrole das ira no contextoda atenção integral da criança

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Dado que o principal objetivo da comunicação é o incentivo da consulta precoce ao profissional de saúde, é fundamental que este pessoal esteja proporcionando efetivamente MPC, isto é, que tenha sido capacitado, que disponha de medicamentos necessários e que seja periodicamente supervisado.

A comunicação pode se realizar basicamente de duas maneiras diferentes: de forma focalizada e de forma massiva. No início das atividades de controle, é conveniente que a comunicação seja focalizada sobre os grupos de população que tenham acesso a profissionais de saúde que proporcionam MPC, já que desta forma se evitará gerar demanda de assistência em locais em que a capacitação não tenha sido realizada, ou não se dispõe de medicamentos para o tratamento, ou o pessoal não tenha sido supervisado. Nesta etapa se poderá por ênfase na educação das mães e outros responsáveis do cuidado das crianças durante a consulta, ou nas salas de espera de hospitais, centros e postos de saúde que já proporcionam tratamento padrão, ou em estabelecimentos educativos ou de outro tipo na área de influência destes serviços de saúde.

A comunicação massiva, em contraste, deve ser reservada para aquelas situações em que se tenha conseguido uma grande cobertura de aplicação das estratégias de controle, para não correr o risco de que as mensagens educativas que incentivem a consulta precoce sejam recebidas por pessoas as quais não tenham sido proporcionados acesso ao MPC.

Implantadas desta maneira, a comunicação e educação para a saúde darão uma adequada resposta àquelas situações em que as mães e famílias não consultam os serviços de saúde ou o fazem de forma tardia e que, em geral, desembocam em uma elevada proporção de mortes domiciliares. Nestes casos, será necessário melhorar o nível de percepção de sinais de alarme das mães e assegurá-las o acesso a serviços de saúde que proporcionam efetivamente MPC.

Para a comunicação e educação para a saúde é muito importante o desenvolvimento de materiais e metodologias adequadas às características culturais

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Infecções respiratórias em crianças426 do lugar. O procedimento mais adequado consiste em desenvolver materiais locais sobre a base das principais mensagens educativas contidas na estratégia de MPC.

Em algumas regiões ou áreas em que existam grupos de população específicos, as mensagens podem requerer adaptações de tipo lingüístico, cultural ou etnográfico. Em muitos casos, têm sido elaboradas guias para a execução de estudos específicos que permitam as adaptações que tenha que realizar.

d.5) Monitoramento das atividades e resultados

Para garantir o êxito das atividades planejadas é muito importante verificar de maneira contínua se estas estão sendo cumpridas de maneira prevista. Por sua vez, e dado que as atividades estão destinadas ao alcance dos objetivos de controle, somente se poderá garantir seu cumprimento controlando periodicamente os avanços que se realizaram em relação com o problema.

Esta atividade de vigilância ou monitoramento tem como finalidade a pronta detecção de qualquer problema, tanto no cumprimento das atividades como no alcance dos objetivos, para permitir o rápido traçado das soluções mais adequadas aos problemas identificados. Desta forma, o monitoramento evita que se invertam esforços e recursos em atividades que não conseguem os resultados esperados.

O monitoramento deve ser realizado de forma periódica (mensal, bimestral), a fim de permitir a pronta detecção dos problemas no cumprimento das atividades. Por sua vez, o monitoramento deve ser realizado seguindo indicadores que reflitam aqueles aspectos que se deseja medir, representados pelas atividades destinadas a aumentar o acesso às estratégias de controle e seu uso por parte da população (capacitação do pessoal de saúde, provisão de suprimentos, supervisão e comunicação), e pelos resultados que se espera alcançar em termos de impacto sobre o problema.

Existem indicadores de monitoramento básicos que se deve levar em conta para o seguimento das atividades e resultados da aplicação das estratégias de controle das IRA, que se baseiam nos registros habitualmente disponíveis nos serviços de saúde dos países em desenvolvimento. Uma lista destes indicadores é apresentada no Anexo 5, incluindo a forma de cálculo e a fonte de informação.

d.6) Avaliação dos resultados obtidos

A avaliação, finalmente, constitui um processo de revisão de atividades e resultados, destinado a estabelecer se foram cumpridas as atividades e se foram alcançados os objetivos propostos inicialmente. Embora os métodos e indicadores da avaliação podem coincidir em muitos casos com os utilizados para o monitoramento, esta última se realiza de maneira mais contínua e inclui indicadores específicos para o seguimento, que podem detectar o andamento das atividades e o avanço diante do alcance dos objetivos.

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A avaliação, por sua vez, inclui uma revisão integral e mais profunda das atividades, que permite avançar na análise da eficácia e eficiência do realizado, para identificar alternativas e estratégias diferentes para o tratamento futuro do problema.

Tal como no monitoramento, a avaliação requer a medição de indicadores que reflitam mudanças na situação do problema. Estes indicadores estão fundamentalmente associados aos objetivos de controle das IRA e se resumem no Anexo 5.

Levadas em conta a eficácia das estratégias de controle e a capacidade dos países para levar adiante o processo de implantação, têm sido propostos, a nível da Região das Américas, metas e submetas que irão alcançar os países no marco dos compromissos internacionais assumidos para o melhoramento da saúde da mãe e da criança. Estas metas de alcance nacional estão destinadas a serem adaptadas às distintas realidades de cada país e devem servir de orientação para os responsáveis nacionais do controle das IRA durante o processo de implantação gradual das estratégias de controle (10).

As metas e submetas nacionais, por sua vez, podem ser utilizadas no interior dos países, tanto no nível estatal como provincial e departamental, podendo ser de utilidade inclusive no nível local. As metas e submetas propostas para o ano 2000 são apresentadas a seguir.

1. Metas relacionadas com a capacitação

•Capacitar 100% dos encarregados ou coordenadores nacionais de IRA e suas divisões administrativas (estados, províncias, departamentos) em organizações, programação e supervisão de atividades de controle das IRA.

•Capacitar o controle efetivo de casos de IRA a 80% ou mais do pessoal de saúde encarregado do tratamento de crianças nas instituições de saúde do primeiro nível de atenção.

•Assegurar o funcionamento de pelo menos uma unidade de capacitação para o tratamento da infecção respiratória aguda (UCIRA) por cada unidade federal (estado, departamento, província).

2. Metas relacionadas com o acesso e uso do MPC de IRA:

•Proporcionar, pelo menos a 80% da população, acesso a um serviço de saúde que efetue MPC de IRA (isto inclui pessoal capacitado, suprimentos adequados e supervisão periódica).

•Proporcionar tratamento padrão a 80% dos casos de pneumonia em crianças menores de 5 anos (isto inclui tratamento ambulatorial com antibióticos, transferência e aiepi_1p_part2 3/20/03 2:12 PM Page 427

Infecções respiratórias em crianças428 tratamento em um hospital aos casos que o requeiram).

•Proporcionar educação sobre atendimento no domicílio de crianças com IRA a 100% das mães que consultam os serviços de saúde.

3. Metas relacionadas com o impacto do programa (metas da Cúpula Mundial em Favor da Infância).

•Reduzir a mortalidade por pneumonia de crianças menores de 5 anos em 30% para o ano 2000 em relação aos níveis de 1990.

Para implantar as estratégias de controle das IRA, foi proposta proposto a elaboração de planos operacionais nacionais com uma descrição detalhada dos pontos incluídos no inciso IV, um detalhe das metas e submetas adequadas às características e realidade do país e um calendário de atividades que permita o monitoramento e avaliação por parte das autoridades nacionais. Estes planos operacionais podem ser muito úteis como guia para a implantação das atividades, contribuindo para organizar a tarefa dos responsáveis pelo controle das IRA nos países e no seguimento dos resultados obtidos graças ao esforço realizado.

Os planos operacionais não são somente úteis a nível nacional, como também em nível dos estados, províncias ou departamentos em que se dividem os países, e inclusive para os níveis locais (área, setor, zona). O conteúdo de um plano operacional para o nível local se resume no Anexo 6.

1. OPAS/OMS. Curso de capacitación sobre organización de las acciones de infección respiratorias agudas. PNSP/90-03. Vol. 1 a 5, junho de 1990.

2. Comitê Coordenador Interagencial: OPAS/OMS, UNICEF, USAID. Componente de control de las infecciones respiratorias agudas.IRA. HPM/IRA/91.02.

3. OMS. Infecciones respiratorias agudas. (Panfleto) OMS/IRA/90-17. 4. OPAS/OMS. Quinto informe del programa IRA de la OMS 1990-1992. HPM/IRA/93.1.

5. OPAS/OMS. Informe de la séptima reunión del grupo asesor técnico. Genebra, 9 a 10 de março de 1992. HMP/IRA/92.1.

6. OPAS/OMS. Implantación, moniroreo y seguimiento de las acciones de control de las IRA en el contexto de la atención integral al niño: indicadores seleccionados según las metas de la Cumbre en Favor de la Infancia.HMP/IRA/92.05.

7. OPAS/OMS. Investigaciones operativas para evaluar el impacto de las acciones de control de infecciones respiratorias agudas. HMP/IRA/92.09.

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8. OPAS/OMS. Conclusiones y recomendaciones del Seminario Regional de Coordenadores Nacionales de las Acciones de Control de las IRA. Santa Cruz de la Sierra, fevereiro 1993.

9. OPAS/OMS. Bases técnicas para las recomendaciones de la OPAS/OMS sobre el tratamiento de la neumonia en niños en el primer nivel de atención.HTC, OPAS/OMS. OMS/IRA/91.20, OPAS/HMP/IRA/92.1, Washington D.C. 1992.

10. Benguigui, Yehuda & Cols. Atención a la salud maternoinfantil según las metas de la Cumbre Mundial de la Infancia.OPAS/OMS, Washington D.C. 1996.

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431 VII. ANEXOS aiepi_1p_part2 3/20/03 2:12 PM Page 431

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Anexo 1: Quadro de tratamento padrão de casos de IRA

PERGUNTE: • Que idade tem a criança?

• A criança está tossindo? Desde quando?

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