Trypanosoma cruzi (Chagas, 1909)

Trypanosoma cruzi (Chagas, 1909)

Trypanosoma cruzi (Chagas,1909)

Alguma coisa poderia ter sido feita? Qual o ensinamento que fica desse episódio?

  • Provavelmente não. Trata-se de um evento raro, para o qual fica difícil estabelecer medidas de controle, salvo normas gerais de higiene de alimentos.

  • O ensinamento, ou ensinamentos, são que as doenças infecciosas se apresentam de diferentes formas e que devemos manter em alerta permanente os serviços de vigilância.

Introdução

  • Protozoário flagelado,agente etiológico de uma infecção generalizada essencialmente crônica Mal de Chagas, doença de Chagas,tripanossomíase americana

  • Milhões de pessoas estão infectadas em todo a América Latina, sendo que grande parte dos casos está localizada no Brasil, principalmente nas regiões Nordeste, Sudeste (norte de Minas)e Sul.

  • Evolução crônica, debilitante, que determina no homem quadros clínicos com características e conseqüências muito variadas.

  • As más condições das moradias,favorecem a nidificação dos hemípteros triatomíneos,vulgarmente  “barbeiros” ,"procotó", "chupança", "percevejo-do-mato", "gaudércio.

  • Triatoma infestans

  • Histórico Descoberta por Carlos Chagas médico mineiro 14 de abril de 1909 Berenice 2 anos,considerada o 1º caso clínico humano.

  • Berenice morreu aos 75 anos com 73 de infecçãorepresentou a forma indeterminada da doença (maioria dos infectados)

Morfologia

  • As principais formas do Trypanosoma cruzi são:

  •      Amastigota – fase intracelular, sem organelas de locomoção, com pouco citoplasma e núcleo grande. O cinetoplasto fica ao lado do núcleo e é um pouco menor que ele. Está presente na fase crônica da doença

  • Epimastigota – é a forma encontrada no tubo digestivo do vetor, não é infectante para os vertebrados. Tem forma fusiforme e apresenta o cinetoplasto junto ao núcleo. Possui flagelo e membrana ondulante

  • Tripomastigota – fase extracelular, que circula no sangue. Apresenta flagelo e membrana ondulante em toda a extensão lateral do parasito. O cinetoplasto se localiza na extremidade posterior do parasito. Esse estágio evolutivo está presente na fase aguda da doença, constituindo a forma infectante para os vertebrados. 

Transmissão

  • Habitualmente transmitido ao homem pelas fezes do inseto hematófago tripomastigota metacíclica.

  • A transmissão pode ser feita também pela transfusão sangüínea, placenta e pelo aleitamento materno.

  • Caldo de Cana2005 em Santa Catarina

  • Açaí2007 36 infectadas e uma morte no Pará

Biologia do Parasito

  • Ciclo: Heteroxênico

  • Hospedeiro Vertebrado: epimastigota não se desenvolve

  • Hospedeiro Invertebrado: epimastigota em todo o intestino e tripomastigota presentes no reto.

O Vetor

  • Vivendo nas frestas das casas de barro ou pau-a-pique, sapé, casas velhas, paiós, colchões, camas, telhados, etc., escondem-se durante o dia e à noite saem para sugar o sangue dos moradores, picando geralmente no rosto das pessoas, daí o nome popular de "barbeiro".

  • Dentro do intestino do inseto, são encontradas as três formas do parasita anteriormente descritas, sendo que, na porção terminal do tubo digestivo, estão as formas infectantes denominadas tripomastigotas metacíclicas.

Ciclo evolutivo

  • Quando alimentam-se do sangue de pessoas ou animais infectados, os triatomíneos podem ingerir os tripomastigotas.

  • Os tripomastigotas são convertidos em epimastigotas no tubo digestivo do triatomíneo.

  • Os epimastigotas se reproduzem por divisão binária e, quando chegam à porção terminal do intestino (reto) do triatomíneo, voltam à forma tripomastigota.

  • Esses tripomastigotas, altamente móveis e infectantes, são as formas metacíclicas eliminadas nas fezes do vetor

  • Tanto o macho quanto a fêmea e também os jovens (ninfas) são hematófagos e podem transmitir com as fezes o Trypanossoma cruzi. A picada é indolor ou pouco dolorida, provoca uma coceira local e vermelhidão na pele. A sucção dura, em média, de 10 a 20 minutos. A reação normal da pessoa é coçar o local onde o inseto estava sugando seu sangue, o que provoca a entrada dos parasitas pelo orifício da picada. Se acontecer na região das pálpebras, ocorrerá um inchaço local conhecido como endema bipalpebral ou "sinal de Romaña", ou, ainda, "chagoma".

  • Uma vez na circulação sangüínea, os tripanossomas (tripomastigotas) são levados a vários órgãos tecidos musculares, do tecido nervoso, glandulares e instalam-se principalmente no coração, onde se multiplicam na forma de amastigotas (leishmânias).

  • Na corrente sangüínea, poderá ser absorvida pelo inseto transmissor quando este vier sugar o sangue da pessoa contaminada.

Sintomatologia

  • Na fase aguda: 60 dias

  • febre moderada, hepatomegalia discreta ,inflamação dos gânglios linfáticos, miocardia aguda, meningoencefalite (dores na meninges), etc.

  • É comum a diminuição dos sintomas. As crianças apresentam uma maior taxa de letalidade variando de 2% a 7%.

  • Na fase crônica: Forma indeterminada,cardíaca,digestiva

  • Ocorre o comprometimento do coração e do sistema digestivo.

  • A duração depende de vários fatores, desde idade e estado nutricional do paciente até os intrínsecos dos parasitas.

  • Os sintomas mais importantes são os megas: cardiomegalia (coração grande), o megaesôfago (esôfago grande) e o megacólon (cólon grande).

Imunidade

  • Ao mesmo tempo em que a infecção abrange mais tecidos e a parasitemia aumenta, a resposta imune começa a ser montada com a produção de anticorpos e intensa reatividade celular no sito inicial de inoculação.

  • Caso essa resposta se torne mais intensa o número de parasitos circulantes cai progressivamente até que sejam completamente eliminados da circulação, caracterizando o fim da fase aguda da doença.

  • Com o fim da fase aguda, os protozoários que não foram eliminados pela resposta humoral, podem ainda permanecer viáveis no interior das células infectadas.

  • A partir daí está caracterizada a fase crônica da Doença de Chagas, que pode evoluir para as manifestações características da Doença de Chagas (forma sintomática), tornar-se oligossintomática ou não revelar manifestações evidentes da doença, a não ser a reação sorológica, caracterizando os casos indeterminados, que são os mais freqüentes.

Diagnóstico

  • PARASITOLÓGICO:

  • É feito pela visualização do protozoário pelo exame de sangue a fresco,gota espessa,esfregaço estirado

  • Xenodiagnóstico

  • Hemocultura

  • IMUNOLÓGICO:

  • Sorologia, cultura e, em certas circunstâncias, por PCR, especialmente a imunofluorescência, ELISA e hemaglutinação, são utilizados na fase crônica.

  • BIÓPSIA:

  • Linfonodos, quando houver poliadenite, durante a fase aguda da doença.

PREVENÇÃO

  • A melhoria das condições de moradia,

  • O controle do vetor e de reservatórios (gambás e morcegos)

  • Fiscalização dos bancos de sangue

  • Controle de transmissão congênita

Tratamento

  • Não há tratamento eficaz.

  • O uso de medicações específicas contra as reagudizações, mas ainda não está comprovada a cura medicamentosa da Doença de Chagas.

  • Nifurtimox formas sangüíneas e parcialmente contra as teciduais

  • Benzonidazolapenas contra sangüíneas

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