Capitulo 1 O Texto Em Nosso Cotidiano

Capitulo 1 O Texto Em Nosso Cotidiano

(Parte 1 de 2)

Capítulo 1 Professor: Edson

Comunicação e Expressão

Capítulo 1 Professor: Edson

Caro aluno, seja bem-vindo! Vamos dar início às nossas atividades discutindo alguns aspectos interessantes a respeito da presença dos textos em nossa vida.

Você deve estar acostumado a ver e ouvir a palavra “texto”, seja no trabalho, na faculdade, em livros, revistas etc. Então, aí vem a pergunta: você saberia dizer quais são os conceitos, os significados e a importância do “texto” para o seu dia a dia?

Talvez você tenha parado para pensar sobre o assunto e, no momento, surgiram algumas dúvidas:

- Texto é um aglomerado de palavras e frases?

Roupas, caderno, lindo. Fui ontem ao cinema. O cinema do shopping é muito bonito. No shopping tem muitas coisas para se comprar. A compra da nossa casa não deu certo porque o banco não aprovou o financiamento.

- Texto pode ser somente aquilo que escrevemos?

Capítulo 1 Professor: Edson

- Texto é o que a professora ou o professor pede para a gente elaborar na aula de redação?

- Texto é aquilo que a gente lê no jornal, no livro, na internet etc.?

Nós levantamos muitas hipóteses a respeito do que é texto. Será que alguma das perguntas acima seria a sua real definição?

Fiorin (1996, p.16) diz que texto “é um todo organizado de sentido”, ou seja, nós não podemos entender que o texto seja apenas um conjunto de palavras ou frases que se juntam de forma aleatória para constituí-lo, mas, sim, que essas palavras e frases devam estar ligadas entre si para que haja uma continuidade entre elas, a fim de que a sua totalidade forme uma unidade de sentido. Talvez, você esteja dizendo: “mas isso é óbvio!”, entretanto, não é essa a noção de texto que boa parte dos estudantes emprega na prática.

Capítulo 1 Professor: Edson

Na escola, quando o professor ou a professora pede para que seja elaborada uma redação é comum os alunos lhe perguntarem: “com quantas linhas?” ou “em quantas palavras?”. Perguntas desse tipo demonstram mais preocupação em atender às exigências de números de linhas ou palavras, do que construir um texto que faça sentido para quem o lê.

A produção textual, nesse caso, não é concebida como um todo com unidade de sentido, isto é, uma organização de ideias com começo, meio e fim, mas como uma somatória de linhas, um amontoado de palavras sucessivas. Pior é que essa concepção de texto também está presente nas atividades de leitura. Muitas vezes, lemos apenas parte de um texto e achamos que o entendemos em sua completude. É isso o que ocorre quando o professor nos dá um romance para ler e lemos apenas o resumo ou partes de capítulos, imaginando que a leitura parcial seja suficiente para ter sucesso na avaliação. Veja o texto de Ricardo Ramos:

Circuito Fechado

Ricardo Ramos1

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo; pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis.(...)

1 Ricardo Ramos nasceu em Palmeira dos Índios, em 1929, ano em que o pai Graciliano Ramos exercia a função de prefeito. Formado em Direito, destacou-se como homem da propaganda, professor de comunicação, jornalista e escritor em São Paulo. Sua obra literária é extensa: contos, romances e novelas, e representa, com destaque, a prosa contemporânea da literatura brasileira.

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Apesar do texto, em uma primeira leitura não aparentar relação entre as palavras, se você observar atentamente, poderá perceber que se trata do cotidiano de um indivíduo, e é possível perceber sua rotina e até mesmo seu gênero: se é masculino ou feminino. Leia o restante do texto que complementa nossa análise e tente buscar outras informações importantes que o texto passa para o leitor:

(...) Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

Práticas como essas demonstram que precisamos rever o conceito de texto. Observe o texto a seguir:

Capítulo 1 Professor: Edson

Esse texto é uma “tirinha” publicada no jornal Folha de São Paulo, em 1/12/2008. As tirinhas são textos curtos formados por quadrinhos de texto verbal e visual dispostos linearmente na página do jornal. Essa tira, em particular, tem dois quadrinhos. No primeiro, temos um coelho que ao passear num parque é elogiado por duas garotas. Diante desse elogio, ele se sente insatisfeito e não aprecia os adjetivos que lhe são atribuídos. Já no segundo quadro, temos, no mesmo parque, coelhas que também o elogiam, todavia, esses elogios são apreciados pelo coelho.

Se fôssemos analisar esse texto, isolando cada quadro, não entenderíamos o humor que ali se estabelece, isto é, ficaríamos apenas na observação que fizemos acima, sem uma ligação entre um quadro e outro. Para depreendermos a unidade de sentido, devemos observar a relação que se estabelece entre os elementos que constituem a tira.

Além das observações já realizadas, precisamos levar em conta que são meninas – seres humanos – que, no primeiro quadro, estão fazendo o elogio. Elas se utilizam do sufixo diminutivo (–inho) para qualificar o animal. Portanto, a relação que caberia aqui, não passaria de HUMANO x ANIMAL, sendo o animal apenas um “objeto” de manuseio e admiração do humano. Essa é uma relação que não agrada ao coelho. Já no segundo quadro, os elogios são dados por coelhas e elas se utilizam do sufixo aumentativo (-ão) para caracterizar o ser da mesma espécie, enaltecendo sua macheza e virilidade. Portanto, a relação que cabe aqui é COELHO x COELHAS, de cunho sexual, o que traz satisfação ao coelho, pois é esse tipo de relacionamento que o interessa. Diante disso, vemos que o riso só se dá quando comparamos um quadro ao outro. Dessa forma, podemos chegar à seguinte conclusão:

Um texto é um todo organizado de sentido, porque o significado de uma parte depende das outras com que se relaciona de tal forma que combinam entre si, a fim de gerar uma unidade.

Capítulo 1 Professor: Edson

Essa definição será fundamental para analisarmos e elaborarmos textos. Por isso, tenham-na sempre em mente, pois já estamos de certa forma, condicionados a analisarmos os textos de forma fragmentada, não observando todos os elementos que estão ali presentes.

Vejamos se você compreendeu bem o que foi dito até aqui e se já conseguiu direcionar a sua mente para entender que todos os elementos presentes no texto são importantes para a depreensão de sentido e, para isso, vamos analisar mais um exemplo:

Observe a propaganda a seguir retirada do site http://naweb.wordpress.com/. Ela se constitui em três quadros. Faça a leitura mediante as questões abaixo.

a) Se você observar apenas o primeiro quadro, abaixo, qual o sentido que você depreende? b) Agora, observe o segundo quadro. Ele corresponde ao sentido que você obteve do primeiro?

Capítulo 1 Professor: Edson c) Vamos ao terceiro quadro. Ele é uma confirmação da leitura que você fez do primeiro e segundo quadros ou somente quando você observou o terceiro quadro é que houve um entendimento da propaganda?

Nesse momento, observe abaixo a propaganda toda.

Edson Baeta

Podemos perceber que a propaganda é um alerta acerca do consumo de bebida alcoólica e do ato de dirigir, ou seja, os dois “não devem andar juntos”, pois o álcool prejudica a atenção dos motoristas e aumenta a ocorrência de acidentes. Essa leitura só é possível pela visualização e depreensão de sentido dos três quadros juntos. Por isso, falamos que o texto é uma unidade de sentido e para obter essa unidade é necessário observar e pensar em todos os aspectos que nele estão envolvidos.

Capítulo 1 Professor: Edson

Mas, talvez você deva estar se perguntando: “A propaganda acima ou mesmo a tirinha é um texto? Mas elas são compostas por poucas palavras.!!!!!”

Eis, então, a resposta: ELAS SÃO TEXTO, pois texto, também, é toda manifestação linguística, paralinguística e imagética que transmite uma mensagem ou um ato de comunicação a fim de obter uma interação com o outro. Por isso, dizemos que existem três tipos de texto: verbal, não verbal e sincrético ou misto (verbal e não verbal). Quando dizemos manifestação linguística falamos de recursos expressos pela palavra (que pode ser oral ou escrita); o paralinguístico é quando usamos gestos, olhares etc.; e o imagético é formado por imagens ou figuras.

Cotidianamente as pessoas se deparam com uma grande variedade de palavras e imagens que apresentam características diferentes e que são elaboradas com objetivos bem distintos. Veremos a seguir produções que relacionam elementos expressivos verbais, não verbais e mistos.

Texto verbal

Existem várias formas de comunicação. Quando o homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita, dizemos que ele está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a língua. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando lemos ou quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação mais presente em nosso cotidiano. Mediante a língua falada ou escrita, expomos aos outros as nossas idéias e pensamentos, comunicando-nos por meio desse código verbal imprescindível em nossas vidas. Portanto, a linguagem verbal é aquela que tem as palavras como recurso expressivo, como exemplo: textos orais ou escritos, em prosa ou em verso. Leia o texto:

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Resenha de filme: Crepúsculo Luma Jatobá 18/01/2009

Baseado nos livros de Stephenie Meyer, Crepúsculo vem às telonas contar a história da jovem Isabella Swan (Kristen Stewart) que ao se mudar para a casa do pai em Forks, Washington, conhece no colégio uma família diferente: os Cullen. Por serem anti-sociais e muito reservados, são os estranhos da escola. Bella logo se apaixona por Edward Cullen (Robert Pattinson) e ele por ela. Seria algo lindo e normal se o rapaz não fosse um vampiro. E é deste meado que se desenvolve a história: o romance proibido, o segredo que não pode ser descoberto e a perseguição dos Cullen, após James (Cam Gigandet), o vampiro sanguinário, descobrir o "namoro" deles.

Agora os Cullen e a jovem Bella estão correndo perigo. A corrida é contra o relógio para acabar com o vampiro antes que o pior aconteça. A história do filme é legal e prende do início ao fim, mas falta uma trilha sonora de peso e abusa quando dão a desculpa de que vampiros não saem ao sol porque brilham como diamantes. O livro está no terceiro volume, Crepúsculo é apenas o primeiro da série que ainda trás Lua nova e Eclipse. Dizem por aí que a nova adaptação de Romeu e Julieta veio pra substituir o bruxinho Harry Potter, será?

(http://centralrocknet.com.br/index.php?news=677)

Observamos que o texto acima é uma resenha, cuja finalidade é descrever o filme Crepúsculo, para que o leitor tenha uma visão da história, a fim de verificar se é interessante assisti-lo. Para isso, o autor utilizou-se da linguagem verbal, pois como vemos, utilizou-se a língua escrita para se comunicar.

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