Capitulo 8 Modos de Argumentar e Persuadir

Capitulo 8 Modos de Argumentar e Persuadir

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Capítulo 8 Professor: Edson

Comunicação e Expressão

Capítulo 8 Professor: Edson

Caro aluno,

Quando falamos sobre a dissertação, vimos que existem dois tipos de textos dissertativos: o expositivo e o argumentativo. Você consegue diferenciá-los? Caso ainda não tenha essa diferença clara em sua mente, volte e dê mais uma olhada no guia de estudo, porque isso será fundamental para darmos continuidade aos nossos trabalhos, uma vez que iremos abordá-los com mais profundidade.

Quando produzimos um texto argumentativo visamos persuadir o nosso ouvinte ou leitor, que é o nosso interlocutor, sobre um determinado assunto, ideia ou opinião, lembra-se? Não necessariamente precisamos fazê-lo pensar como nós, mas precisamos estabelecer argumentos convincentes para que mostremos ao nosso interlocutor que há uma lógica ou uma coerência naquilo que pensamos.

Retomando o conceito, podemos dizer que:

Em muitas situações como discussões na imprensa, nas assembleias ou em conversas cotidianas, a argumentação passa a ser um “bate-papo” e, às vezes, podem ocorrer insultos ou sarcasmos. Tudo isso, é claro, não contribui para uma verdadeira argumentação. Pelo contrário, parece que faltou conhecimento de mundo para que houvesse a defesa o ponto de vista de cada um. Cabe ainda comentar que preconceitos e superstições também não colaboram para a construção de um bom texto argumentativo. Uma argumentação legítima precisa ser construtiva e crítica, sempre baseada em fatos, na ideia de pessoas conceituadas e deve sempre estabelecer uma lógica de pensamento.

Argumentar é, em última análise, convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões em face da evidência das provas e à luz de um raciocínio lógico e consistente.

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Dessa forma, poderemos dizer que os argumentos serão as “provas” baseadas no raciocínio, nos dados, nos acontecimento etc., apresentadas para demonstrar que a ideia que nós pretendemos defender é correta ou pelo menos lógica. Como há diferentes tipos de argumentos, vamos aqui definir os principais, para que, no momento da construção do texto, você possa usá-los adequadamente a fim de ter um texto mais consolidado na sua estrutura argumentativa.

Os tipos de Argumentação

1. Argumento de Autoridade

Muitas vezes, quando queremos comprovar algo, recorremos a alguns autores que já falaram sobre esse assunto e que confirmam aquilo que estamos dizendo. É claro que para isso, devemos buscar autores renomados, autoridades que demonstram domínio do saber numa certa área da atividade humana. Essa autoridade tanto pode ser uma pessoa como uma obra ou instituição. Isso mostra conhecimento de nossa parte e que teremos propriedade em falar sobre esse assunto. Devemos ter em mente que um argumento de autoridade será um bom argumento se a autoridade citada for realmente qualificada em relação ao assunto acerca do qual desejamos provar a conclusão. Exemplo:

Segundo o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) há 90% de probabilidade de o aquecimento global ter uma causa humana, portanto é muito provável que o aquecimento global tenha sido causado pelos seres humanos.

Neste caso, procura-se provar que o aquecimento global, possivelmente, tenha sido causado pela ação humana, recorrendo à autoridade do IPCC. Assim, este argumento será um bom argumento apenas se aceitarmos que o IPCC é uma autoridade qualificada em relação ao problema do aquecimento global do planeta. Da mesma forma, procederíamos com autoridade em afirmar algo se pegássemos dados da Fundação Getúlio Vargas. Poderíamos construir o texto da seguinte forma:

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Segundo a pesquisa da FGV, Alagoas concentra o maior patamar de pobres do País, com um índice de 38,8% da população sobrevivendo na chamada classe E. Em comparação com os dados da Pnad de 2007, também analisados pela FGV, nota-se que a pobreza em Alagoas só cresceu. Em 2007, 37,9% dos alagoanos estavam na classe E. Os percentuais de Alagoas chegam a ser piores que o do Maranhão, onde o índice de pobres caiu em vez de subir. Lá, 3,8% da população se encontra hoje na classe E, enquanto que em 2007 esse índice era de 38,3%. (http://www3.fgv.br/ibrecps/Clippings/lc2053.pdf)

Esse tipo de recurso terá muito peso em nossa argumentação, pois partimos de uma fonte conceituada. Todavia, nem sempre quando citamos alguém renomado, estamos tendo um bom argumento, pois poderemos citar o nome da pessoa ou da instituição apenas como uma fonte de crédito, no entanto, o que se afirma poderá não ser verdadeiro. Por exemplo: alguém poderia elaborar um texto em que procurasse argumentar sobre a importância do conhecimento e em seu texto ele afirmasse: “Conforme disse Sócrates, as pessoas precisam buscar mais conhecimento para se constituírem enquanto seres.”

Observe que nessa afirmação está se buscando um argumento de autoridade, todavia, se esse texto for lido por alguém que conhece Sócrates saberá que essa afirmação não é verdadeira e, dessa forma, o texto ficará totalmente desacreditado.

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Além disso, mesmo que Sócrates tivesse dito isso, sabemos, hoje, que esse tipo de afirmação não procede, pois o homem não se constitui um ser somente pelo conhecimento. Assim, essa afirmação irá contra a ordem real, tornando o argumento enfraquecido.

2. Argumentos por comprovação

A sustentação da argumentação se dará a partir de dados, estatísticas, percentuais etc. Esse argumento é diferente ao de autoridade, pois aqui, não se pensa no nome da instituição ou da pessoa em si, mas nas informações que são concedidas. A busca do argumento por comprovação ocorre quando o objetivo é contestar um ponto de vista equivocado. Estatísticas e dados percentuais costumam ser encarados, pelo leitor, como uma comprovação da opinião emitida pelo autor do texto: os números falam por si mesmo (desde que sejam confiáveis, é claro!). Suponhamos que você tenha que elaborar um texto, falando sobre a melhora da qualidade educacional no Brasil. É claro que, sem grandes reflexões, esse tema lhe parecerá um tanto absurdo. No entanto, se você buscar dados do Ministério da Educação, encontrará argumentos que sustentem a sua tese. Como exemplo:

aplicado em países desenvolvidos

Em 2008, o investimento público em Educação foi de 4,7% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), um crescimento de 0,2% em comparação com o ano anterior. Em valores, foi algo em torno de R$ 140 bilhões. É o que revela estudo divulgado ontem pelo Ministério da Educação. A série histórica indica que entre 2000 e 2008 o percentual passou de 3,9% para 4,7%, com alguns períodos de estabilidade e até de queda. O total dos recursos aplicado por um país em Educação proporcionalmente ao PIB é um parâmetro utilizado internacionalmente para aferir os investimentos na área. Em ocasiões anteriores, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu que o país chegue a 6%, média do que é (http://w.anj.org.br/jornaleeducacao/investimento-emeducacao-sobe-mas-ainda-e-insuficiente)

É claro que em consequência desse investimento, pode não ter havido uma melhora significativa, mas você pode afirmar que esses dados trazem uma

Capítulo 8 Professor: Edson perspectiva positiva, pelo menos, sob o ponto de vista do governo. Esse tipo de argumento dá sustentabilidade ao seu texto e torna a sua ideia mais coerente.

3. Argumentos com base no raciocínio lógico

Nesse tipo de argumento, a relação de causa e efeito é o recurso utilizado pelo produtor textual para demonstrar que a conclusão a que ele chegou é necessária, além de coerente, e não um simples fruto de interpretação pessoal e facilmente contestável. Assim, nesse tipo de argumento você forma uma ideia baseada em outros fatores co-relatos. Por exemplo: "A pena de morte, depois de adotada em certos Estados americanos, de nada serviu para diminuição dos índices de criminalidade; em alguns, pelo contrário, foi até registrado um leve aumento, então, baseado nisso, tudo leva a crer que se adotada no Brasil a pena de morte teria resultados semelhantes." Observe que nesse argumento partiu-se de uma premissa para chegar a uma conclusão. No entanto, Platão e Fiorin (1996, p.289) dizem que este tipo de argumento pode apresentar alguns problemas, dos quais podemos destacar:

a) Fugir do tema - artifício muito utilizado por políticos e advogados para evitar questões que não lhes interessa responder. Por exemplo, quando perguntado a um político sobre as razões de gastar-se tanto dinheiro para a realização de determinada obra e ele começa, então, a falar sobre os benefícios de tal obra e acaba não respondendo a questão formulada. b) Tautologia (demonstrar uma tese, repetindo-a com palavras diferentes) - acontece quando se utiliza a própria afirmação como causa dela mesma. Exemplo: o fumo faz mal à saúde porque prejudica o organismo (prejudicar o organismo é o mesmo que fazer mal à saúde). c) Tomar como causa, explicação, razão de ser um fato, que, na verdade, não é causa dele - O que veio depois de um fato não é necessariamente efeito do que aconteceu antes dele. Como exemplo, se um indivíduo passar por baixo de uma escada e, em seguida, tropeçar em um buraco e cair, ele não poderá dizer que a causa da queda tenha sido ele passar por baixo da escada, pois isso não tem valor científico.

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Tome muito cuidado ao utilizar esse tipo de argumento, para que você não se contradiga.

4. Argumento baseado no senso comum

Senso comum é um saber que nasce da experiência quotidiana, da vida que os homens levam em sociedade. Ele descreve as crenças e proposições que aparecem como normais, sem dependerem de uma investigação detalhada para alcançar verdades mais profundas como as científicas.

Por exemplo: quando alguém reclama de dores no fígado, esta pessoa pode fazer um chá de boldo, que já era usada pelas avós de nossas avós, sem, no entanto, conhecer o princípio ativo (substância química responsável pela cura) das folhas e seu efeito nas doenças hepáticas.

Em alguns casos, basear-se no senso comum também pode ser uma estratégia argumentativa bem sucedida. Proposições do tipo “não se faz um grande país sem investimentos em educação”, “a destruição do meio ambiente causará sérios problemas às gerações futuras” são tidas pela sociedade como verdadeiras. Por outro lado, deve-se tomar muito cuidado com opiniões sem validade científica, preconceituosas, tais como: “Deus é brasileiro”, “todo político é corrupto”, “Na primeira vez o mundo acabou em água; na próxima, acabará em fogo”, “o amor é a solução para todos os problemas”. Esses argumentos são equivocados e enfraquecem a sua argumentação, pois serão facilmente contestados.

Esse tipo de recurso é o que predomina num texto argumentativo e isso acaba por torná-lo muito fraco, argumentativamente falando, pois estamos apenas reproduzindo o que a sociedade diz, sem ter uma visão crítica do fato analisado.

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5. Argumento baseado na Competência Linguística

Em muitas situações de comunicação, devemos usar a língua de forma culta, pois o modo de dizer dará confiabilidade ao que se diz. Como exemplo, se um professor não é capaz de usar a norma culta, achamos que ele não está preparado para ministrar aulas, além disso, seu discurso passa a ser desacreditado. Todavia, utilizar um vocabulário adequado à situação comunicativa também poderá dar credibilidade às informações. Observemos o texto abaixo extraído de um vídeo exibido na Casa de Detenção de São Paulo, para ensinar aos detentos formas de prevenção contra a Aids:

Plínio Marcos: Aqui é bandido. Atenção, malandrage! Eu num vô pedir nada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença.

Quem pegá essa praga está ralado de verde e amarelo, de primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num tem dotô que dê jeito, nem reza brava, nem choro, nem vela, nem ai, Jesus. Pegou Aids, foi pro brejo! Agora sente o aroma da perpétua: Aids pega pelo esperma e pelo sangue, entendeu? pelo esperma e pelo sangue! (Pausa)

Eu num tô te dando esse alô pra te assombrá, então se toca! Não é porque tu ta na tranca que virou anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cara ruim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém pode valê pra ninguém nesse negócio de aids. Então, já viu: transá, só de acordo com o parceiro, e de camisinha! ( Pausa) (http://w.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno07-14.html)

Esse texto dá informação sobre o vírus da Aids para detentos. Para que sua comunicação fosse eficaz e sua linguagem fosse persuasiva, o ator Plínio Marcos apresenta-se como sendo um deles, por isso ele utiliza uma linguagem a que eles

Capítulo 8 Professor: Edson estão mais habituados e que não é considerada norma culta. Nesse caso, a transgressão gramatical tem um valor muito mais argumentativo do que a estrutura considerada culta. Isso ocorreu, também, com a propaganda da Caixa Econômica Federal com o slogan “Vem pra caixa você também. Vem!”. Você está lembrado desse exemplo, que tratamos no guia sobre dissertação? Conforme já dissemos, segundo a norma culta o verbo deveria ser “Venha”, no entanto houve essa estratégia argumentativa para aproximar mais a Instituição Caixa Federal e interlocutor.

Refutação de argumento, falácia e sofismas

Precisamos ter muito cuidado com as palavras. Não podemos ser ingênuos e aceitarmos tudo o que ouvimos ou lemos. Precisamos ter habilidade para lidar com discursos, com textos e principalmente com argumentos que nos são apresentados no dia-a-dia. Para que isso ocorra, precisamos obter critérios para aceitar ou rejeitar enunciados. Dessa forma teremos um posicionamento crítico e saberemos no colocar mediante afirmações que poderão evasivas, astutas e enganosas.

Por exemplo, leia os enunciados a seguir. Qual seria a sua postura diante deles? Quais você aceitaria e quais rejeitaria? Quais argumentos você teria para contestálos? Tente.

a) Existe vida em outro planeta, pois nunca provaram o contrário. b) Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição.

Dessa forma, podemos dizer que comunicar não é apenas informar algo, mas também levar o outro a pensar e a crer que aquilo que pensamos tem coerência, por isso, a estratégia argumentativa é fundamental. A persuasão é o ato de levar o outro a acreditar no que foi dito.

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