Linha Guia Hipertenção e Diabetes

Linha Guia Hipertenção e Diabetes

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• Se houver forte suspeita de doença arterial obstrutiva periférica, determinar o índice tornozelo braquial (ITB). (Para o cálculo do ITB, utilizam-se os valores de pressão arterial do braço e tornozelo ITB direito = pressão tornozelo direito / pressão braço direito. ITB esquerdo = pressão tornozelo esquerdo / pressão braço esquerdo. Interpretação normal = acima de 0,9; obstrução leve = 0,71 a 0,90; obstrução moderada = 0,41 a 0,70; obstrução grave = 0,0 a 0,40)

• Avaliação de eventual edema.

• Exame neurológico sumário.

• Exame de fundo de olho: identificar estreitamento anterior, cruzamentos arteriovenosos patológicos, hemorragias, exsudatos e papiledema.

Avaliação laboratorial

Dosagens sangüíneas de potássio, creatinina, glicemia de jejum, colesterol total, HDL – colesterol e triglicérides.

• Pode-se calcular o LDL – colesterol quando a dosagem de triglicérides for abaixo de 400mg/dl pela fórmula:

• LDL-col = col total – (HDL- col + triglicérides) / 5.

Análise de urina, microalbuminúria. Eletrocardiograma convencional.

Avaliação complementar quando há indícios de hipertensão secundária, lesão em órgãos-alvo ou doenças associadas.

Avaliação complementar

• Pacientes hipertensos diabéticos, hipertensos com síndrome metabólica e hipertensos com três ou mais fatores de risco: recomenda-se pesquisa de microalbuminúria – índice albumina/creatinina em amostra isolada de urina (mg de albumina/g de creatinina ou mg de albumina/mmol de creatinina.

Normal < 30 mg/g ou < 2,5 mg/mmol; Microalbuminúria: 30 a 300mg/g ou 2,5 a 25 mg/mmol.

• Pacientes com glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl: recomenda-se determinar a glicemia duas horas após sobrecarga oral de glicose (75g).

• Em hipertensos estágios 1 e 2 sem hipertrofia ventricular esquerda ao ECG, mas com três ou mais fatores de risco, considerar o emprego do ecocardiograma para detecção de hipertrofia ventricular esquerda.

• Em hipertensos com suspeita clínica de insuficiência cardíaca considerar a utilização do ecocardiograma para avaliação da função sistólica e diastólica.

Fonte: V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – SBH/SBC/SBN – 2006

3.1 A HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA

Em serviços de atenção básica à saúde, a prevalência da HAS secundária é inferior a 1% dos casos de hipertensão.

Quadros com início súbito e grave ou em faixas etárias incomuns (antes dos 30 e após os 50 anos de idade), ausência de história familiar, hipertensão de difícil controle e/ou resistente à terapia medicamentosa, picos tensionais graves e freqüentes e hipertensão anteriormente bem controlada com evolução desfavorável e sem causa aparente são sugestivos de causas secundárias de HAS.

Causas

A apnéia do sono se associa de modo independente à elevação da pressão arterial.

Doença renal (nefropatia, doença renovascular, rins policísticos) : “fácies” e biotipo renal, elevação de creatinina sérica, proteinúria acentuada, hematúria, leucocitúria e cilindrúria, sopro em área renal, massa abdominal palpável.

Coarctação de aorta: Diminuição da amplitude ou retardo de pulsos femorais, pressão arterial diminuída em membros inferiores, principalmente em crianças e adolescentes.

Síndrome de Cushing – fácies em lua cheia, obesidade centrípeta, estrias purpúricas, hirsutismo, acne, osteoporose.

Hipertireoidismo: Aumento da tireóide, taquicardia em repouso, fibrilação atrial, labilidade emocional, agitação psicomotora, perda abrupta de peso, tremor de extremidades, pele quente e úmida, fraqueza muscular.

Feocromocitoma: Paroxismos de taquicardia, cefaléia, hipotensão postural, precordialgia, sudorese, palidez cutânea seguida de rubor. Outros sintomas como náuseas e vômitos, estado vertiginoso, temor e sensação de morte iminente e perda de peso podem estar presentes.

Hiperaldosteronismo primário: Diminuição do potássio sérico (sem uso prévio de diuréticos), fraqueza muscular, cefaléia frontal, poliúria, hipotensão postural.

Acromegalia: “Fácies” característica pelo alargamento dos ossos faciais e hiperprognatismo, lábios, orelhas e nariz alargados, macroglossia; dedos “em salsicha”; voz grave e rouca; cefaléia persistente; fraqueza muscular e sudorese aumentada.

Deve-se investigar situações em que ocorra a utilização de alguns medicamentos e drogas que podem causar elevação da pressão arterial como:

Método contraceptivo utilizado – anticoncepcionais.

Terapia de reposição hormonal – estrógenos.

Tratamento de transtornos mentais presentes e seu tratamento – antidepressivos tricíclicos, inibidores da monoamino-oxidase.

Tratamentos medicamentosos para emagrecimento – anorexígenos (fórmulas para emagrecer) e hormônios tireoideanos.

Tratamento de obstrução nasal – vasoconstritores nasais (descongestionantes).

Doenças da tireóide em tratamento – hormônios tireoideanos.

Enxaqueca e cefaléias tratadas com medicamentos em associação aos alcalóides da ergot.

Sintomas gástricos tratados com antiácidos ricos em sódio.

Uso de antiinflamatórios não esteroidais e esteroidais, ciclosporina, eritropoetina, carbonoxolona.

Uso de anfetaminas e cocaína.

Proposta de fluxo para diagnóstico da Hipertensão arterial MEDIDA ANUAL DA PRESSÃO ARTERIAL

Medir PA em 1 ano Medir PA em 6 meses Orientar estilo de vida

Limítrofe/ estágio 1, Estágio 2/3 medir em duas outras ocasiões

Hipertensão secundária Hipertensão primária

Propedêutica apropriada

Classificação de risco

Tratamento e seguimento

3.2 O RISCO CARDIOVASCULAR

A determinação do risco cardiovascular – RCV depende da classificação do estágio da hipertensão assim como da presença de fatores de risco cardiovascular, lesões de órgãos-alvo e condições clínicas associadas.

Diagnosticada a Hipertensão, deve-se investigar os órgãos-alvo para lesões e, portanto, sujeitos a complicações:

• Coração: hipertrofia de ventrículo esquerdo, documentada ao ECG, estando fortemente relacionada com o risco de infarto do miocárdio e morte súbita.

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