Sbpc coleta de sangue

Sbpc coleta de sangue

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Durante o processo de estocagem, os constituintes do sangue podem sofrer alterações que incluem adsorção no vidro ou tubo plástico, desnaturação da proteína, bem como atividades metabólicas celulares que continuam a ocorrer. Mesmo amostras congeladas são passíveis de alterações em certos constituintes metabólicos ou celulares. Congelar e descongelar amostras é, particularmente, uma condição importante a ser considerada. Assim, amostras de plasma ou soro congeladas e descongeladas têm rupturas de algumas estruturas moleculares, sobretudo as moléculas de grandes proteínas. Congelamentos lentos também causam a degradação de alguns componentes.

Com relação ao envio de amostras entre laboratórios, vale lembrar a existência de regras e diretrizes da terceirização, definidas nas leis federais 6.019, de 3 de janeiro de 1974, e 7.102, de 20 de julho de 1983.

Outro ponto importante é a logística de transporte do material biológico objetivando que as amostras se mantenham viáveis até o momento do processo analítico. Esse transporte deve seguir as recomendações da Organização das Nações Unidas – ONU, documento “Transporte de Substâncias Infecciosas”, em sua 13ª revisão, publicada em 2004. No Brasil, o transporte de substâncias infecciosas é considerado como transporte de produtos perigosos, desde que se enquadrem na Portaria nº 204, de 20 de maio de 1997, do Ministério dos Transportes, e que corresponde à 7ª Edição das Recomendações da Organização Mundial de Saúde–OMS, editadas em 1991 e revisadas em 2004.

3.3Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica

Uma vez coletada e identificada adequadamente, a amostra deverá ser encaminhada para o setor de processamento, que poderá estar na mesma estrutura física onde foi realizada a coleta, ou afastado a distâncias variadas.

Há diversas maneiras de transportar amostras entre unidades de um mesmo laboratório, entre unidades diferentes na mesma cidade ou até mesmo para o exterior. Em geral, o tempo de transporte é curto quando o laboratório está próximo e não apresenta grandes dificuldades, desde que as amostras sejam acondicionadas em maletas que ofereçam garantias de biossegurança no transporte.

O processamento inicial da amostra inclui etapas que vão desde a coleta até a realização do exame, compreendendo em três fases distintas: pré-centrifugação, centrifugação e póscentrifugação. Quando os exames não forem realizados logo após a coleta, as amostras devem ser processadas até o ponto em que possam aguardar as dosagens, em condições para que não haja interferência significativa em seus constituintes.

O tempo entre a coleta e centrifugação do sangue não deve exceder uma hora; amostras colhidas com anticoagulante, nas quais o exame será realizado em sangue total, devem ser mantidas refrigeradas até o procedimento, em temperatura de 2 a 8o C. Plasma, soro e sangue total podem ser usados para a realização de alguns exames, embora os constituintes estejam distribuídos em concentrações diferentes entre estas matrizes. Assim, resultados no sangue total são diferentes daqueles obtidos no plasma ou soro, em função da distribuição de água nas hemácias; um determinado volume de plasma ou de soro contém 93% de água, enquanto o mesmo volume de sangue total possui apenas 81% de água.

Qual o volume máximo recomendado de sangue a ser coletado numa punção venosa?

Recomenda-se que cada laboratório estabeleça critérios visando coletar o mínimo de sangue necessário para a execução dos parâmetros solicitados pelo médico. As metodologias mais recentes exigem volumes cada vez menores de amostra.

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Já no dorso da mão, o arco venoso dorsal é o mais recomendado por ser mais calibroso, porém a veia dorsal do metacarpo também poderá ser puncionada.

Áreas a evitar:

•Áreas com terapia ou hidratação intravenosa de qualquer espécie. •Locais com cicatrizes de queimadura.

•Membro superior próximo ao local onde foi realizada mastectomia, cateterismo ou qualquer outro procedimento cirúrgico.

•Áreas com hematomas.

Nas situações em que o paciente necessita de coletas venosas repetidas, qual o número de punções que se poderia realizar no mesmo ponto?

Recomenda-se que o número de punções no mesmo sítio limite-se ao mínimo necessário. Cabe à equipe médica e ao pessoal do laboratório a responsabilidade de racionalizar este tipo de coleta. Sugere-se, nestas situações, a manutenção de uma veia cateterizada (exemplo: uso de escalpe).

4.Procedimento de Coleta de Sangue Venoso

As recomendações adotadas a seguir baseiam-se nas normas da NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards), atualmente denominada CLSI, bem como na experiência dos autores.

O CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute) - é uma instituição sem fins lucrativos, reconhecida mundialmente por promover o desenvolvimento e o uso de padrões e diretrizes dentro da comunidade de clínica médica. A instituição fornece, mundialmente, diretrizes de boas práticas de manufatura de produtos, procedimentos técnicos laboratoriais e médicos que envolvem estes produtos, biossegurança laboratorial e médica, análises laboratoriais, equipamentos para diagnóstico. Por ser ainda usualmente chamada de NCCLS, esta será a abreviação usada neste texto quando fizermos referência às normas desta instituição.

Veia do membro superior

Veia do dorso da mão

4.1Locais de Escolha para Venopunção

A escolha do local de punção representa uma parte vital do diagnóstico. Existem diversos locais que podem ser escolhidos para a venopunção, apontados abaixo nas figuras 3 e 4.

Embora qualquer veia do membro superior que apresente condições para coleta possa ser puncionada, as veias basílica mediana e cefálica são as mais freqüentemente utilizadas. A veia basílica mediana costuma ser a melhor opção, pois a cefálica é mais propensa à formação de hematomas.

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Técnicas para evidenciação da veia:

•Fixação das veias com os dedos nos casos de flacidez.

•Equipamentos ou dispositivos que facilitam a visualização de veias ainda não são de uso rotineiro e são pouco difundidos.

Uso adequado do torniquete:

É importante que se utilize adequadamente o torniquete, evitando-se situações que induzam ao erro diagnóstico (como hemólise, que pode elevar o nível de potássio, hemoconcentração, alterações na dosagem de cálcio, por exemplo), bem como complicações de coleta (hematomas, parestesias). Portanto, recomenda-se:

•Não usar o torniquete continuamente por mais de 1 minuto, já que poderia levar à hemoconcentração e falsos resultados em certos analitos.

•Ao garrotear, pedir ao paciente que feche a mão para evidenciar a veia.

•Não apertar intensamente o torniquete, pois o fluxo arterial não deve ser interrompido. O pulso deve permanecer palpável.

•Não aplicar o procedimento de “bater na veia com dois dedos”, no momento de seleção venosa. Este tipo de procedimento provoca hemólise capilar e portanto, altera o resultado de certos analitos.

•Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia, fazê-lo apenas por um breve momento, pedindo ao paciente para abrir e fechar a mão. Localizar a veia e, em seguida, afrouxar o torniquete. Esperar 2 minutos para usá-lo novamente.

•O torniquete não é recomendado para alguns testes como lactato ou cálcio, para evitar alteração do resultado.

•Aplicar o torniquete cerca de 8 cm acima do local da punção para evitar a contaminação do local.

Posicionamento correto do torniquete

• Fístulas artério-venosas.

•Veias que já sofreram trombose porque são pouco elásticas, podem parecer um cordão e têm paredes endurecidas.

Aplicação do toniquete

7 8 cm

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•Caso o torniquete tenha látex em sua composição, deve-se perguntar ao paciente se ele tem alergia a este componente. Caso o paciente seja alérgico ao látex, não se deve usar este material para o garroteamento.

O laboratório pode questionar o paciente se ele é portador de alguma moléstia que tenha risco de contágio ao coletador?

Do ponto de vista técnico, todo paciente necessita ser considerado como potencial portador de doença, reforçando assim a necessidade dos cuidados universais de proteção.

-Procedimento com o paciente sentado:

Pedir ao paciente que se sente confortavelmente numa cadeira própria para coleta de sangue. Recomenda-se que a cadeira tenha apoio para os braços e evite quedas, caso o paciente venha a perder a consciência. Cadeiras sem braços não fornecem o apoio adequado para o braço, nem protegem pacientes nestes casos.

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