Sbpc coleta de sangue

Sbpc coleta de sangue

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•pacientes com acessos venosos difíceis, crianças, pacientes em terapia medicamentosa, quimioterápicos etc. também são beneficiados, pois existem produtos que facilitam tais coletas (escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo em diversos calibres de agulha e tubos para coleta de sangue a vácuo com menores volumes de aspiração). Outro ponto relevante a ser observado é o avanço da tecnologia em equipamentos para diagnóstico e kits com maior especificidade e sensibilidade, que hoje requerem um menor volume de amostra do paciente.

•garantia da qualidade nos resultados dos exames, fator este relevante e primordial em um laboratório.

•segurança do profissional de saúde e do paciente, uma vez que a coleta a vácuo é um sistema fechado de coleta de sangue; ao puncionar a veia do paciente, o sangue flui diretamente para o tubo de coleta a vácuo. Isto proporciona ao flebotomista maior segurança, pois não há necessidade do manuseio da amostra de sangue. Por estes e outros fatores, como a diferença do acesso venoso de um paciente para outro, recomendamos que sejam observados alguns pontos relevantes para uma coleta adequada.

4.4.2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha

A coleta de sangue com seringa e agulha é usada há muitos anos e enraizou-se em algumas áreas de saúde, pois o mesmo produto é usado para infundir medicamentos. É a técnica mais

Seringa e Agulha estéreis

Quais os principais fatores que levam o laboratório a optar pela técnica de coleta de sangue a vácuo?

Facilidade na coleta, segurança do paciente e do profissional de saúde, proporção correta sangue/ aditivo elevando a qualidade da amostra, coletas em pacientes com acessos venosos difíceis, numa única punção pode-se colher vários tubos, qualidade nos resultados dos exames,entre outros.

- 24 - antiga desenvolvida para coleta de sangue venoso. Embora não seja mais o procedimento recomendado pelas normas NCCLS, ainda hoje, em algumas regiões do mundo, este procedimento é bastante utilizado em laboratórios clínicos e hospitais.

A coleta com seringa e agulha é ainda muito usada, seja por sua disponibilidade, uma vez que seringas e agulhas hipodérmicas são materiais essenciais para o funcionamento de uma instituição de saúde, seja pelo menor custo do produto. Porém, poderá trazer impacto em maior escala na qualidade da amostra obtida, bem como nos riscos de acidente com materiais perfurocortantes.

Em função deste sistema de coleta ser aberto, e por existir a etapa de transferência do sangue para os tubos acima ou abaixo da capacidade dos mesmos, que altera a proporção correta de sangue/aditivo, a qualidade da amostra pode ser comprometida pela ocorrência de hemólise, formação de microcoágulos e fibrina, que provocam resultados incompatíveis com o real estado do paciente. Além disso causa um aumento de custo em todo o processo, pois uma amostra comprometida leva o laboratório ao reprocessamento de amostras, causando situações incômodas, como descritos a seguir:

•Novas coletas, ocasionando transtornos na reconvocação ao paciente e para os profissionais do laboratório.

•Gasto de tempo desnecessário para o flebotomista e laboratório.

•Custos desnecessários para os setores administrativos e técnicos do laboratório.

O que significa manter a proporção sangue/anticoagulante?

Para que o sangue fique totalmente anticoagulado dentro do tubo é necessário que se mantenha a proporção correta de anticoagulante correspondente ao volume de sangue colhido do paciente, assim evita-se a formação de microcoágulos e resultados inexatos.

4.5Considerações Importantes sobre Hemólise

Hemólise tem sido definida como a liberação dos constituintes intracelulares para o plasma ou soro, quando ocorre a ruptura das células do sangue; estes componentes podem interferir nos resultados das dosagens de alguns analitos. Ela é geralmente reconhecida pela aparência avermelhada do soro ou plasma, após a centrifugação ou sedimentação, causada pela hemoglobina liberada quando da ruptura dos eritrócitos. Desse modo, a interferência pode ocorrer mesmo em baixas concentrações de hemoglobina liberada (invisíveis a olho nu).

Diferentes graus de hemólise

No entanto, a hemólise nem sempre se refere à ruptura de hemácias; fatores interferentes podem também ser originados da lise de plaquetas e granulócitos, que pode ocorrer, por exemplo, quando o sangue é armazenado em baixa temperatura, mas não em temperatura de congelamento.

No caso do uso desta técnica, o laboratório deve se certificar da utilização de meios que preservem a qualidade final da amostra a ser analisada, bem como de procedimentos que evitem riscos biológicos.

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4.5.1 Boas práticas pré-coleta para prevenção da hemólise

•Evitar usar agulhas de menor calibre; usar este tipo de material somente quando a veia do paciente for fina, ou em casos especiais.

•Evitar colher sangue de área com hematoma ou equimose.

•Em coletas a vácuo, puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima. Perfurar a veia com a agulha em um ângulo oblíquo de inserção de 30 graus ou menos. Este procedimento visa prevenir o choque direto do sangue na parede do tubo, que pode hemolisar a amostra, e também evita o refluxo do sangue do tubo para a veia do paciente.

•Tubos com volume insuficiente ou com excesso de sangue, alteram a proporção correta de sangue/aditivo, podendo levar a hemólise e resultados incorretos.

•Recomenda-se, em coletas de sangue a vácuo, aguardar o sangue parar de fluir para dentro do tubo, antes de trocá-lo por outro, assegurando a devida proporção sangue/ anticoagulante. Observar que, tubos com menor volume de aspiração (pediátricos), têm menor quantidade de vácuo, portanto o sangue flui lentamente para dentro deste tubo.

•Em coletas com seringa e agulha, verificar se a agulha está bem adaptada à seringa para evitar a formação de espuma.

•Não puxar o êmbolo da seringa com muita força.

•Ainda em coletas com seringa, descartar a agulha, passar o sangue deslizando cuidadosamente pela parede do tubo, cuidando para que não haja contaminação do bico da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo contido no tubo.

•Não executar o procedimento de espetar a agulha no tubo, para transferência do sangue da seringa para o tubo, porque pode ocorrer a criação de uma pressão positiva, o que provoca, além da hemólise, o deslocamento da rolha do tubo, levando à quebra da probe de equipamentos na área analítica.

4.5.2 Boas práticas pós-coleta para prevenção da hemólise

•Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes (veja item 4.8.3), não chacoalhar o tubo.

•Não deixar o sangue em contato direto com gelo, quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação.

•Embalar e transportar o material de acordo com a Vigilância Sanitária local, instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do teste diagnóstico a ser analisado.

•Usar, de preferência, um tubo primário e evitar a transferência de um tubo para outro.

•O material coletado não deve ficar exposto a temperaturas muito elevadas ou mesmo exposição direta à luz, para evitar hemólise e/ou degradação.

•Não deixar o sangue armazenado por muito tempo refrigerado, antes de fazer os exames. Verificar as recomendações do fabricante dos insumos para a realização do teste.

•Não centrifugar a amostra de sangue em tubo, para obtenção de soro, antes do término da retração do coágulo, pois a formação do coágulo ainda não está completa, podendo levar à ruptura celular.

•Quando utilizar um tubo primário (com gel separador), a separação do soro deve ser efetuada dentro de, no mínimo, 30 minutos e, no máximo, 2 horas após a coleta, evitando–se, assim, resultados incorretos.

•Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper subitamente a centrifugação dos tubos, esta brusca interrupção pode provocar hemólise.

Boas práticas - lembrete

Tubos com menor volume de aspiração (pediátricos), têm menor quantidade de vácuo, portanto o sangue flui lentamente para dentro dele. No momento da coleta, aguardar que o sangue pare de fluir para dentro do tubo, para retirá-lo da agulha e inserir o segundo tubo.

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4.6Recomendação para os Tempos de Retração do Coágulo

4.7Centrifugação dos Tubos de Coleta

Recomenda-se que as centrífugas do laboratório sejam submetidas periodicamente à manutenção preventiva, com calibração e verificação das condições metrológicas para garantir seu correto funcionamento. Para tubos de coleta a vácuo, recomenda-se o uso de centrífugas balanceadas de ângulo móvel (tipo swing-bucket).

Utilizar sempre caçambas ou cubetas apropriadas. As caçambas e cubetas da centrífuga devem ser do tamanho específico para os tubos usados. Cubetas muito grandes ou muito pequenas podem causar a quebra ou o deslocamento dos tubos, levando à má separação da amostra.

Certificar-se de que os tubos estejam corretamente encaixados na caçamba da centrífuga. Um encaixe incompleto pode fazer com que a tampa de proteção do tubo se desprenda, ou que a parte superior do tubo fique fora da caçamba. Tubos de vidro ou plástico acima da caçamba podem chocar-se com a cabeça da centrífuga e quebrar-se.

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