Curso de Bioconstrução

Curso de Bioconstrução

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Catalogação na fonte: Centro de Informação e Documentação-CID Ambiental /MMA

Brasil. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Extrativismo e

Desenvolvimento Rural Sustentável. Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável. Curso de Bioconstrução

Texto elaborado por: Cecília Prompt - Brasília: MMA, 2008. 64 p.; 21 cm.

Contém anexo Bibliografia

I. Título. I. Capacitação. II. Construção.

Ministério do Meio Ambiente

Centro de Informação e Documentação Luiz Eduardo Magalhães - CID Ambiental Esplanada dos Ministérios - Bloco B - Térreo - Brasília/DF - CEP: 70.068-900

Gerente de Capacitação do Proecotur Luiz Fernando Ferreira

Técnicos Colaboradores do Proecotur Bruno Ferreira Farias Liliana Vignoli de Salvo Souza Patrícia Azevedo Ricardo Peng Anny Neves

Apoio do Proecotur Marcos Barbosa

Consutora Responsável Texto, Ilustrações e Editoração Cecília Prompt

Técnico Colaborador da SEDR Emival Sizino dos Santos

Apresentação 05 Introdução 07 Bioconstrução 09 Técnicas de Bioconstrução21

Saneamento Ambiental 47 Notas 56 Referências Bibliográficas 57 Anexo 1 - Projeto Ilha Grande do Paulino - Tutóia/MA59 Anexo 2 - Fotográfias - Curso de Biocontrução63

O Programa de Apoio ao Ecoturismo e à Sustentabilidade Ambiental do Turismo -

PROECOTUR, da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, busca a integração das diversas ações relacionadas ao ecoturismo e do turismo sustentável no âmbito do MMA e do Ministério do Turismo. O objetivo é a construção de uma agenda multilateral que favoreça o adensamento das políticas públicas nas diversas instâncias governamentais, promovendo assim uma gestão compartilhada e a união de esforços para a consolidação de uma Política Nacional para o Turismo Sustentável.

Nesse contexto, desenvolve ações relacionadas à capacitação e disseminação de práticas sustentáveis para o ecoturismo. O objetivo desta iniciativa é fortalecer e desenvolver a capacidade de agentes públicos, privados e comunitários no planejamento e gestão do ecoturismo e na adoção de tecnologias para o manejo sustentável dos recursos naturais a serem utilizadas no desenvolvimento da atividade.

O Curso de Capacitação em Bioconstrução tem por objetivo estimular a adoção de tecnologias de mínimo impacto ambiental nas construções de moradias ou equipamentos turísticos comunitários, por meio de técnicas de arquitetura adequadas ao clima, que valorizem a eficiência energética, o tratamento adequado de resíduos, o uso de recursos matérias-primas locais, aproveitando os conhecimentos e saberes gerados pelas próprias comunidades envolvidas.

Esta publicação reúne material didático adotado para os cursos a serem implementados pelo PROECOTUR na sensibilização e capacitação de atores comunitários que vivem em áreas de interesse ecoturístico. A metodologia adotada envolve aulas teóricas e práticas que incluem o planejamento e a construção de uma edificação para uso residencial, ou de qualquer outro tipo de equipamento turístico comunitário.

Em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, o

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, o Proecotur implementou uma exitosa experiência piloto que permitiu testar e validar conceitos, técnicas e etapas do Curso na área de um projeto de assentamento de reforma agrária, localizada na Ilha Grande do Paulino, em Tutóia, no Estado do Maranhão. Esse curso permitiu transmitir conhecimentos e técnicas em bioconstrução para um grupo de 35 pessoas da comunidade, que, em regime de 2mutirão, construiu uma casa com 86m para uma das famílias envolvidas no projeto de assentamento.

O êxito e a aceitação do projeto na comunidade rural da Ilha Grande do Paulino já mobilizam esforços do Programa para replicação do curso, atendendo outras demandas em várias regiões do país. Dessa forma, esperamos que esta iniciativa contribua com a implementação de políticas públicas socioambientais integradas para a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais, por meio da disseminação de práticas e soluções arquitetônicas de mínimo impacto ambiental para áreas rurais, em especial aquelas com potencial turístico, com a otimização de recursos financeiros, a economia no uso dos recursos naturais, contribuindo com a conservação ambiental e ainda agregando valor aos produtos turísticos destas áreas.

Egon Krakhecke Secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável

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Esta apostila foi criada para os cursos de bioconstrução ministrados pelo

Proecotur. É um manual que descreve uma série de técnicas de construção e tem como objetivo contribuir para a criação de povoados mais saudáveis, autosuficientes e conectados com o ambiente natural. Este material servirá de base para o curso de bioconstrução que dará aos participantes as ferramentas necessárias para a construção de residências e outras edificações que minimizem os impactos ambientais das construções e ofereçam melhorias na qualidade de vida.

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Construção de ambientes sustentáveis por meio do uso de materiais de baixo impacto ambiental, adequação da arquitetura ao clima local e tratamento de resíduos.

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Por exemplo: se hoje construímos casas com a madeira de uma mata cortando-a sem o cuidado de conservá-la, quando nossos filhos forem adultos, já não haverá a mata e nem madeira para a construção de suas casas.

É o ambiente que satisfaz as necessidades presentes de moradia, alimentação e energia garantindo que as gerações futuras tenham como satisfazer as mesmas necessidades.

Figura 1: Os recursos que temos em grande quantidade hoje podem não existir mais daqui a alguns anos, se não os utilizarmos de forma sustentável.

bioconstrução

Devemos pensar na sustentabilidade em nível local (cuidado com a terra, manejo sustentável das matas, extração consciente dos recursos) e em nível global. Para colaborar para a construção de um mundo mais sustentável devemos, por exemplo, consumir com cuidado, dando preferência a produtos da região, e optar pelo uso de energias renováveis.

Figuras 3 e 4: Produção local de alimentos e uso de energia solar para a produção de eletricidade: práticas sustentáveis (Fotos: Permacultura Montsant, Espanha).

meio ambiente:

Entendemos por bioconstrução os sistemas construtivos que respeitam o

•Durante a fase de projeto e de construção do edifício (na escolha dos materiais e técnicas de construção adequadas);

•Ao longo do uso do edifício (eficiência energética e tratamento adequado dos resíduos);

Figura 2: Exemplo de bioconstrução: utilização da terra como principal material. O uso da pérgola sombreia a fachada, garantindo um ambiente fresco nos meses de verão (Instituto Morro da Cutia, Montenegro/RS).

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A construção de um ambiente sustentável traz autonomia às comunidades. Uma comunidade com autonomia é aquela que tem a capacidade de satisfazer as suas próprias necessidades sem depender de grupos ou pessoas de fora da comunidade. O domínio das técnicas construtivas e a valorização das técnicas tradicionais são mais um passo rumo a essa autonomia. Autonomia é sinônimo de liberdade para uma comunidade, pois com isso ela não precisa depender de recursos externos ao ambiente onde vive.

Se cuidarmos da natureza, teremos para sempre os recursos necessários para a nossa sobrevivência e a das futuras gerações no local onde vivemos.

Entendemos por resíduo tudo o que “sobra” de algum processo. Por exemplo: lixo de cozinha, lixo seco (plásticos, papéis, latas), nossas fezes e urina, a água que sai da pia ou do chuveiro, restos de construção, etc. Na bioconstrução, a construção de uma casa ou o planejamento de uma comunidade deve ter em conta o tratamento dos resíduos, sem esquecer nenhum item! Como mostra a figura 5, no sanitário seco as fezes viram adubo, que vai nutrir uma plantinha que servirá de alimento e o ciclo continua. É um sistema de CICLO FECHADO, onde não há resíduos.

Figura 5: O sanitário seco trata os dejetos humanos e reaproveita este resíduo. - 1 -

Uma antiga casa de pau-a-pique pode ser reutilizada! Com o barro das paredes podemos fazer tijolos de adobe novinhos em folha. A palha do telhado podemos usar para acelerar processos de compostagem para fazer adubo. A madeira podemos reutilizar em uma nova construção ou para alimentar o forno a lenha. As cinzas do forno a lenha podemos colocar no sanitário seco para fazer composto.

Figura 6: Reaproveitamento de uma antiga casa de taipa de mão. Este processo é possível graças ao uso de materiais naturais na construção. Materiais convencionais não se reintegram à natureza e às vezes sequer podem ser reciclados, gerando resíduos que poluem o meio ambiente.

O LIXO QUE PRODUZIMOS PODE SER MUITO BEM APROVEITADO! O lixo de cozinha e as nossas fezes podem ser compostados e virar adubo. O lixo seco é uma questão muito séria, principalmente nas cidades que não têm sistema de reciclagem. Devemos, primeiramente, consumir o mínimo possível de embalagens e reutilizar ao máximo todo o lixo que geramos. O papel podemos utilizar como matéria seca no sanitário compostável. Com as garrafas de plástico podemos fazer um montão de coisas, como brinquedos, por exemplo. É só usar a criatividade e saber que não devemos jogar o lixo na natureza e nem queimá-lo! A queima do lixo libera gases que fazem mal ao meio ambiente e à saúde das pessoas.

Figura 8: Sanitário seco no IPEC, em Pirenópolis: as fezes viram adubo. Neste foram usadas garrafas de vidro como janelas para iluminar o interior.Figura 7: Móveis feitos de garrafas de refrigerante. Devemos consumir o mínimo de embalagens possível. E, se consumirmos, reaproveitá-las da melhor forma.

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