MonografiaUFPR-2 (1)

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Impactos positivos: Melhoria da qualidade de vida da comunidade local (criação de infra-estrutura, saúde, educação, moradia...); Experiências com os visitantes (culturas e modos de vida diferentes); Utilização da população local como mão-de-obra direta ou indireta.

Impactos negativos: Alienação da comunidade local; Nativos adotam características de vida dos turistas em detrimento dos seus alicerces culturais próprios; Aparecimento de fenômenos de disfunção social na família (desintegração da comunidade); Marginalidade e prostituição; Economia local sensível às conseqüências do turismo.

A atividade turística ocorre num âmbito em que entram em contato pessoas de bagagens culturais e socioeconômicas muito diferentes, pois envolve o deslocamento das pessoas a uma região diferente da sua residência.

Os impactos socioculturais, numa atividade turística, são os resultados das relações sociais mantidas durante a estada dos visitantes, cuja intensidade e duração são afetadas por fatores espaciais e temporais restritos. Descaracterização da cultura do lugar.

Impactos positivos do turismo sobre o meio ambiente. Revalorização do entorno natural: aprovação de medidas de conservação e melhoria da qualidade ambiental. Um entorno bem conservado tem valor real para a atividade turística.

Adoção de medidas para preservar os tesouros da região: criação de parques nacionais, para proteger a fauna e a flora nativa e os espaços de beleza paisagística. Restauração e a preservação dos edifícios e lugares históricos estão estreitamente ligados com a atividade turística.

Maior envolvimento da administração: O turismo tem sido responsável pela introdução de iniciativas de planejamento, com a finalidade de manter e controlar a qualidade ambiental. A expectativa de aumentar visitante contribui para aumentar os esforços para a conservação e o planejamento.

Impactos negativos do turismo sobre o meio ambiente. Isolamento dos moradores locais: além dos impactos estéticos e paisagísticos, esse tipo de desenvolvimento arquitetônico provoca o isolamento dos moradores locais, especialmente, em países menos desenvolvidos onde a população receptora não dispõe de recursos suficientes para ceder às facilidades turísticas.

Tratamento de lixo: em alguns “resorts” saturados de visitantes, surgem graves problemas com o tratamento do lixo, desde a coleta até o armazenamento, surgindo o aparecimento de depósitos de lixo incontroláveis.

Poluição: Congestionamento pelo grande número de automóveis, afeta a qualidade do entorno residencial e natural. A poluição sonora e a poluição do ar, serão maiores onde predominam as construções verticais com altos edifícios. Rivalidade na utilização dos recursos naturais: a competição que se estabelece entre turismo e outras atividades econômicas. Ex: agricultura – disputa pelo solo.

3. MATERIAL E MÉTODO

Foram feitos contatos com pessoas e instituições da região, coletando informações através de entrevista e aquisição de material. Visitados alguns roteiros, ida à campo, como exemplo “Caminhos da Seda: Turismo Rural de Nova Esperança, Floraí e Mandaguaçu”.

Entre os órgãos visitados estão: Emater, Prefeituras e a OSCIP – RETUR

(Rede de Turismo Rural) que é a gestora institucional na região que já possuí projeto que contempla alguns municípios da Amusep banhados pelo rio Ivaí (Corredor do Ivaí).

Foi feito levantamento bibliográfico para pesquisa nas bibliotecas da

Universidade Estadual de Maringá, Cesumar. Foram feitas leituras de textos extraídos da internet.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Caracterização da Região A região da AMUSEP ocupa cerca de 6.600 quilômetros quadrados, com 29 municípios, incluindo os 15 localizados na Microrregião Norte Novo de Maringá, bem como 12 à margem direita do Pirapó, na Microrregião Norte Novo de Londrina, e 2 da Microrregião Norte Novo de Paranavaí. Situa-se entre as Microrregiões Norte Novo de Londrina e Norte Novo de Apucarana, a leste e sudeste; a Microrregião Norte Novo de Paranavaí. Ao norte alcança as margens do Paranapanema, que faz divisa com São Paulo.

Sua população atual alcança mais de 700 mil habitantes, dos quais 90% vivem em cidades e, destes, mais da metade na conurbação Maringá-Sarandi (273 mil e 63 mil, respectivamente). A população concentra-se, desde o início da ocupação do território (década de 1940), no espigão formado pelo divisor de águas entre as bacias do Pirapó (Paranapanema) e do Ivaí, por onde passam os principais eixos de transporte rodoviário e ferroviário.

A principal base produtiva é o setor primário, com uma agricultura diversificada, com destaque para a produção de soja, milho, cana, além de uma recente expansão da fruticultura (principalmente uvas e laranja), e uma produção animal onde predominam a pecuária bovina e a avicultura.

Mapa 1 – Estado do Paraná e a região da Amusep Fonte: AMUSEP, 2008.

Mapa 2 – Cidades da Amusep Fonte: AMUSEP, 2008.

4.2 História do Desenvolvimento da Região

As profundas transformações na base produtiva do estado iniciaramse no transcorrer da década de 1970 com expressivas mudanças tanto no setor agrícola como no setor industrial. O setor agrícola até a década de 1970 tinha como sua principal fonte as grandes plantações de café o que fez por muito tempo o estado ganhar notoriedade entre os maiores produtores do país.

Por um grande período o cultivo dessa cultura permitiu, de acordo com

Trintin (2001), uma maior possibilidade de diversificação da estrutura produtiva agrícola e industrial, tendo em vista a instalação, no estado, de muitas indústrias de beneficiamento de café, como também a de torrefação e da produção de sacas, conforme a acumulação e prosperidade do setor cafeeiro.

No entanto, no limiar da década de 1970 o ciclo do café entra em crise em virtude de algumas políticas que desestimulava a produção do produto, e, sobretudo, em virtude das geadas, o que fez aprofundar a erradicação dos cafeeiros no solo paranaense. No decorrer da década de 70, a agricultura paranaense começa a se tornar mais diversificada com plantações de cultura que de certa forma possibilitasse a utilização de métodos mais tecnológicos na sua produção, além de aproveitar a conjuntura mais favorável para outras culturas, como a soja.

Nesse contexto, inicia-se no estado do Paraná o que se chamou de “modernização do campo”, ou seja, implantação de uma agricultura modernizada intensiva em capital, latifundiária, ao contrário, da produção cafeeira, e intensiva em mão-de-obra.

A tecnologia moderna inserida na economia paranaense dissemina-se a passos acelerados pelo Estado, conformando anos mais tarde como um dos maiores produtores de soja do país, o que tornou transitável às várias empresas transnacionais instalarem fábricas no sul do Brasil, sobretudo no estado do Paraná. Tal fato propiciou desenvolver a agroindústria e o setor industrial como um todo, iniciando-se a implantação da grande indústria moderna, intensiva em capital e com produção de gêneros mais avançados.

A grande indústria moderna que se instala no Paraná, na década de 1970 congrega gêneros mais dinâmicos, como mecânica, material elétrico, comunicação, química, material de transporte e fumo. Concomitantemente a esse processo, as indústrias que produziam produtos tradicionais também alteraram sua estrutura produtiva com uma maior modernização e sofisticação na produção.

Todas essas transformações e o crescimento da base produtiva do estado não atingiram, de forma homogênea, a grande fatia dos municípios paranaenses, ainda que as indústrias de grande porte também se instalaram no interior do Estado.

Segundo Gualda (2003), isso pode ser explicado pelo fato das indústrias se instalarem em sítios que apresentassem maiores vantagens locacionais, quer associadas à economia de aglomeração, a vocações naturais ou através de intervenção governamental com políticas de incentivos, o que teve como conseqüência, no estado, um processo de crescimento polarizado.

Esse modelo de crescimento centrado na concentração de atividades e recursos produtivos, em poucos municípios, acarretou no estado do Paraná uma tendência ao esvaziamento das cidades de menor dinâmica devido ao fluxo migratório para as grandes aglomerações, além de deixá-las sem atrativos de atração e retenção de investimentos produtivos. Grande parte da região da Amusep que recebe influência do pólo não consegue se beneficiar das economias externas e da concentração das atividades econômicas em Maringá. No período de (1996- 2004) o que ocorreu, na realidade, foi uma maior concentração de atividade e desenvolvimento econômico, em poucos municípios. Este quadro ratifica que o crescimento polarizado, aumentou as desigualdades regionais dos municípios integrantes da Amusep. Esses resultados confirmam o intenso processo de concentração das atividades industriais e fatores produtivos no município de Maringá, em detrimento de grande parte dos municípios da Amusep, o que em parte pode ser considerado como o fator mais definido do processo de crescimento polarizado na região. Os 19 municípios circunvizinhos de Maringá, permanecem praticamente excluídos do processo de crescimento baseado na polarização, sendo que na maior parte das vezes são impossibilitados de atrair indústrias dinâmicas e de grande porte, capazes de acrescer sua participação relativa no valor adicionado, geração de emprego e tributos tão necessários para se desenvolver com maior dinamicidade, conforme ALMEIDA (2007).

Esse processo de polarização, possivelmente poderá conduzir com maior intensificação, no processo de esvaziamento dos municípios sem dinâmicas, em direção ao pólo de desenvolvimento, assinalado pela forte mobilização dos fatores nos próximos anos o que corroboraria ainda mais para aumentar as desigualdades regionais.

4.3 Potencial Turístico

Conforme Amusep (1999), nesta região, Maringá desempenha papel de pólo comercial, cultural e de turismo de eventos. A cidade é servida por uma boa estrutura hoteleira, restaurantes com cozinhas nacionais e internacionais. Na realidade, nem todas as localidades congregam atrativos turísticos em quantidade suficiente para se desenvolverem como centros de recepção, dependendo por vezes, de se trabalhar com os existentes no seu entorno.

Na região é possível encontrar mais de 20 pesque-pagues, que são áreas com equipamentos de lazer muito procurado pelos moradores da região.

Nos municípios de Itaguajé e Santo Inácio existem reduções jesuíticas que atualmente não são exploradas turisticamente.

O potencial hídrico da região é formado pelo rio Ivaí ao sul e Paranapanema ao norte. A beleza do lago produzido pela represa de Taquaruçu já está sendo explorado através de vários condomínios de lazer instalados nos municípios de Itaguajé e Santa Inês pertencendo ao Roteiro Costa Rica. No rio Ivaí existem chácaras de lazer, áreas com lagos, parques, áreas verdes e alojamento para veraneio e reuniões religiosas.

Como turismo de eventos pode-se destacar alguns municípios que possuem

Parques de Rodeio como em Colorado e Santo Inácio.

Alguns municípios já estão transformando áreas em Reserva Particular de

Proteção Natural, como em Lobato e Santa Fé. Em Sarandi, Itambé, Floraí e Colorado há áreas de interesse para se transformar em Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Como potencial turístico natural pode-se destacar no município de Atalaia, a cachoeira do ribeirão do Jacupiranga. Em Floresta, nas margens do rio Ivaí, há o Salto das Bananeiras. No município de Itambé, o Salto do Keller. O Salto do Pirapó, fica ao oeste no município de Lobato.

Pode-se observar um eixo de interesse turístico que sai de Maringá ao norte em direção ao rio Paranapanema e ao sul em direção ao rio Ivaí. Ao longo desse eixo concentram-se os principais pontos turísticos, pesque-pagues, e áreas de parques ou remanescentes da mata nativa.

Existem já corredores turísticos sendo trabalhados como, por exemplo:

Corredor do Ivaí cujo objetivo principal é explorar de forma consciente e sustentável todo o potencial do Rio Ivaí. Existe também o Caminhos da Seda envolvendo Nova Esperança e Mandaguaçu e Floraí, onde seis propriedades oferecem espaços para as pessoas vivenciarem a cultura do campo, visitas a sítios, estâncias e centro de lazer e pesca, como também a criação de bicho da seda integram este roteiro, que se complementa com instituições de fiação em Maringá.

Nestes projetos, Corredor do Ivaí e Caminhos da Seda, não possuem integração entre eles, e são projetos isolados, que não foram desenvolvidos pela mesma instituição. No caso do Corredor do Ivaí a Retur está sendo responsável pelo andamento do projeto.

A Retur é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público responsável em aproximar municípios com interesse no turismo, formando uma rede de comunicação e desenvolvimento, aproximando e integrando os municípios e seus potenciais turísticos. No caso da Macro-Região Noroeste, a RETUR responde pelos territórios com interesse turístico representado pelas micro-regiões de Maringá, Paranavaí, Umuarama e Campo Mourão, possuindo as seguintes finalidades: a) Integrar as ações intermunicipais, intra-regionais e interinstitucionais; b) Promover a mobilização, o diálogo, a discussão e a tomada de decisão participativa entre os atores envolvidos com o desenvolvimento do turismo regional. c) Fazer a gestão do processo de construção e implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo Regional: promover articulações e integração dos atores locais/regionais, controlar e monitorar as ações.

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