FILOGENESE DA MOTRICIDADE HUMANA Vitor da Fonseca - 1982

FILOGENESE DA MOTRICIDADE HUMANA Vitor da Fonseca - 1982

(Parte 1 de 6)

material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

INTRODUÇÃO5
1 ORIGEM DA VIDA9
2 ORIGEM DAS ESPÉCIES14
3 DOS INVERTEBRADOS AOS VERTEBRADOS21
4 PALEONTOLOGIA FUNCIONAL29
4.1 O Ictiomorfismo30
4.2 O Anfibiomorfismo31
4.3 O Sauromorfismo31
4.4 O Teromorfismo3
4.5 O Pitecomorfismo36
5 ANTROPOMORFISMO E ADAPTAÇÕES HOMINÍDEAS38
5.1O Desenvolvimento dos Membros como Órgãos de Preensão41
Exploração45
Consequente Estrutura Cranio-dental49
5.4 A Redução do Sentido OIfactivo54
5.5 O Desenvolvimento da Acuidade Visual5
5.6 Mudanças no Esqueleto Pós-Craniano57
Fabricação de Instrumentos61
Maternal e Organização Social75
6 CONCLUSÃO81

ÍNDICE 5.2O Desenvolvimento dos Membros Anteriores como Órgãos de 5.3O Desenvolvimento do Sistema Herbívoro e Omnívoro de Digestão e 5.7Desenvolvimento do Cérebro: Aprendizagem, Linguagem e 5.8Redução do Número de Descendentes por Nascimento, Dependência material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

O objetivo do trabalho que vou apresentar insere-se numa continuidade de pesquisas e de estudos, que situo por volta de 1969, ano em que iniciei o estágio pedagógico do curso do Instituto Superior de Educação Física (ex-lNEF). Aí, tive como metodólogo o professor Nelson Mendes, que me abriu várias perspectivas científico--pedagógicas e me proporcionou, mais tarde como diretor do mesmo Instituto, oportunidades ímpares e verdadeiramente facilitadoras, para concretizar a presente obra.

Na procura dos fundamentos interdisciplinares da Educação, como ação global dirigida a um ser Bioantropológico e Psicobiológico, isto é, à totalidade biopsicossocial do Ser Humano, parti para uma aventura episódica e preferencialmente orientada para os problemas da Motricidade. Tal esforço culminou na dissertação final, concluída já em 1971, cujo título: De Uma Filosofia (do conhecimento) à Minha Atitude (pedagógica), em pouco sugeria o que nela estava contido, ou seja, o tema referente ao seu subtítulo: Subsídios para a Ontogênese da Motricidade Humana.

E deste subtítulo que emerge parte do atual trabalho, agora enriquecido com outros dados, procurando apontar para uma Ciência do Homem, onde os aspectos biológicos e antropológicos, não se oponham aos aspectos sociológicos e culturais, ou melhor, onde a filogênese não se oponha à ontogênese, onde o organismo não se oponha ao meio, e onde a motricidade humana não se oponha a toda a criação da Civilização.

E óbvio que este objetivo é demasiado ambicioso, porém a minha experiência profissional tem-me proporcionado ocasiões e desafios que convergem nesse sentido. Primeiro, no Instituto Nacional de Educação Física como responsável pelo ensino das cadeiras de Antropologia (1972, 73, 74 e 75), de Educação Psicomotora (73 e 74) e Teoria do Movimento Humano (74 e 75); segundo, como bolsista do Instituto Nacional de Investigação Científica (ex-IAC) na Universidade de Northwestern (Evanston - Ilinóis), como pósgraduado (mestrado) em Ciências de Educação (74 e 75), onde obtive um crédito em Antropologia Biológica («Primate Evolution» — Evolução dos Primatas); terceiro, no Instituto António Aurélio da Costa Ferreira, como responsável «episódico e esporádico» das cadeiras de Neurobiologia (1977) e Dificuldades de Aprendizagem, especialmente orientadas para problemas de desenvolvimento e de aprendizagem na criança normal e na criança deficiente; e, por último, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, como responsável pela cadeira de Psicobiologia (4.° ano - área de Psicopedagogia), cujo programa, que temos orientado desde 1975, após convite do Dr. Bairrão Ruivo, se encontra neste livro mais ou menos sintetizado, na mira de proporcionar aos alunos de Psicobiologia um modesto livro de estudo (textbook).

Foi esta a idéia central e motivadora da longa e perturbada construção deste trabalho subdividido em dois volumes. Todas as 'flutuações adaptativas e conceptuais da minha vida e experiência no ensino superior têmme oferecido uma visão multidisciplinar e cientificamente integrada, visão material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html inconclusa que podemos agora apresentar com um mínimo de coerência conceptual e com um mínimo de unidade dialética.

Não pretendo avançar com generalizações abusivas nem com reducionismos encantatórios, desejo fundamentalmente, neste estudo, não vulgarizar o lugar do Homem na Natureza. Por isso, apresento humildemente uma abordagem filogenética e ontogenética, rodeada de constelações temáticas, muitas vezes preliminares e rudimentares, porém suficientemente justificadoras para oferecer duas abordagens do desenvolvimento humano.

A primeira abordagem, eminentemente bioantropológica é apresentada neste volume. A segunda abordagem, fundamentalmente psicobiológica, será apresentada, noutro volume, nesta mesma coleção. Em ambas, as abordagens estão contidas uma unidade indispensável e recíproca, unidade que esteve na base da minha pesquisa e na base da elaboração do manuscrito. Só dentro de uma leitura complementar, entre um volume e o outro, se pode alcançar o objetivo expresso da minha reflexão. Nos dois volumes procuro defender a idéia de que o Desenvolvimento da Criança (ontogénese) recapitula, acelerada e qualitativamente, o Desenvolvimento da Espécie Humana (filogénese).

Neste primeiro volume tento partir da Antropologia Biológica, na qual procuro, apenas, aflorar a Evolução pré-orgânica e orgânica, passando rapidamente pela origem das espécies e pela transição que decorre dos animais invertebrados aos vertebrados. No sentido de abordar a motricidade dos animais, como comportamento adaptativo por excelência, evoluo em seguida para um estudo paleontológico-¦funcional, afim de demonstrar o papel daquela, nas libertações anatômicas, e o papel destas, nas modificações cerebrais das diferentes espécies. Do protozoário ao metazoário, do peixe ao réptil, do mamífero ao primata, e deste ao Homo Sapiens, tento fornecer dados que permitam visualizar interações endógenas (genótipo) e exógenas (fenótipo), que ponham em jogo a relação dialética, invariável e teleonómica, dos organismos vivos com o seu meio envolvente.

Com base na Genética, procuro então dimensionar o papel da informação e transdução bioquímica que hierarquiza e controla os fatores inatos e adquiridos em todas as espécies, daí resultando uma seqüência evolutiva de transformações anátomo-funcionais, que culminam no primata e no Homem.

É no enfoque preferencial das Adaptações Hominídeas que me situo neste primeiro volume. Aqui, abordamos comparativamente as transformações anatômicas e as modificações cerebrais concomitantes, na tentativa de enunciar algumas relações inequívocas entre o Biológico e o Social.

No outro volume procurarei lançar subsídios sobre a ontogênese recapituladora da seqüência filogenética, que objetivamente resume a evolução do Zigoto ao Feto, isto é, todo o Desenvolvimento Intra-Uterino, que é estudado pela Embriologia Humana. Posteriormente, e com base em alguns processos material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html maturacionais, abordo a Neonatalogia e o Desenvolvimento Extra-Uterino, especialmente no que concerne às relações entre o psiquismo e a motricidade.

Nas duas abordagens procuro um certo equilíbrio lexico-visual entre o texto e a introdução de esquemas e desenhos, afim de facilitar a compreensão da minha mensagem. Desenhos e esquemas, ou melhor, esboços muito simples, uns originais meus, outros adaptados de obras que lemos e dissecamos.

O resultado da minha investigação, sempre numa tentativa de renovação evolutiva, coloca este trabalho como um complemento a um outro já publicado noutra editora com o título Contributo para o Estudo da Génese de Psicomotricidade. Por motivos alheios à minha vontade, mas que lamento profundamente, este livro deveria ser editado em 1978 na mesma coleção. Sai agora, três anos depois, com riscos de desatualização em algumas áreas, numa coleção que se lhe ajusta mais criteriosamente e onde espero publicar outros temas.

Independentemente de novos ajustamentos conceptuais e de reforços bibliográficos mais atualizadas, o trabalho não se afasta do objetivo inicial, que aponta para o estudo da motricidade humana e da psicomotricidade, agora fundamentadas em duas perspectivas.

O meu estudo procura lançar, todavia consciente das suas limitações, algumas bases para a compreensão do primeiro processo humano de aprendizagem e apropriação do real, ou seja, a motricidade, meio através do qual a inteligência humana se desenvolveu e se materializou, se constrói e edifica.

A motricidade humana, grande arquiteta da Civilização, tem as suas raízes filogenéticas a partir da Antropologia, da Genética e da Embriologia. Por outro lado, a motricidade humana para além de ser a consciência precoce, reúne em si duas componentes ontogenéticas fundamentais: a diferenciação estrutural do sistema nervoso central e a aquisição progressiva de padrões comportamentais (skills), justificadoras da hierarquia da experiência humana que vai da sensação à conceptualização, passando pela percepção, pela retenção e pela simbolização.

E pela importância que a motricidade assume na estruturação, organização e regulação da linguagem humana, que ela nos permite compreender a razão de ser da evolução decorrente do gesto à palavra, do ato ao pensamento e do ato reflexo à atividade de reflexão.

Por ser uma área subestimada no estudo do Homem, por uma deficiente interpretação do seu comportamento psicobiológico (que raramente vemos ultrapassada em estudos sobre o desenvolvimento da criança, quer em termos antropológicos quer em termos ontogenéticos, para não dizer também educacionais), vimos, agora, lançar mais este novo contributo.

material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

Termino com «inconclusões», que pelo seu inacabamento, apenas nos abrem o desejo de continuar a valorizar os fundamentos de uma perspectiva científica do Desenvolvimento Humano.

Apresentamos este contributo a todos os que se interessam pelo

Desenvolvimento Humano, nomeadamente: pais, educadores de crianças deficientes e inadaptadas, educadores em geral, pediatras, pedo-psiquiatras, psicólogos, pedagogos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas, reeducadores, investigadores, antropólogos, etc.

Um agradecimento especial a todos os meus alunos do INEF (cursos desde 1972 a 1975), do IAACF (cursos de 1977 e 78) e especialmente do ISPA (cursos desde 1975), que nos «obrigaram» a preparar as aulas, que aqui surgem agora com uma certa unidade, nem sempre alcançada nas situações dialéticas de leccionação. Agradecimento extensivo também a colegas de trabalho, donde destaco: Nelson Mendes, Arquimedes da Silva Santos, José Marinho (já falecido), Vítor Soares e restantes companheiros do Gabinete de Estudos e Intervenção Psicopedagógica. Do convívio científico que conseguimos criar nasceram luzes e reflexões que permitiram a transformação da nossa informação no presente livro, englobando uma Perspectiva do Homem já apresentada no IV Congresso Internacional de Psicomotricidade (Madrid, Março de 1980) e no Congresso Internacional de Aprendizagem e Desenvolvimento organizado pelo Instituto Piaget (Lisboa, Outubro de 1980).

Por último, dedico este trabalho a todas as crianças portuguesas, deficientes ou não deficientes, que considero, em termos antropológicos e históricos, os verdadeiros pais dos adultos.

Nova Oeiras, Novembro de 1978. O Autor material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

1 ORIGEM DA VIDA

Não podendo aprofundar uma perspectiva bioantropológica, não queremos deixar de equacionar, embora superficialmente a origem da vida, o que põe de imediato em jogo a evolução pré-orgânica que antecedeu a evolução orgânica.

A origem da vida não pode ser estudada objetivamente. Só por analogia e inferência podemos compreender a vida na sua unidade e na sua diversidade, que engloba em si inúmeras transformações físico-químicas geradoras de mutações genéticas, as quais justificam os milhões de espécies de seres vivos, que compreendem uma dinâmica energético-material processada ao longo de milhões de anos.

O fenômeno vital (o misterioso fenômeno de Teilhard de Chardin) não é mais que uma série de processos que têm lugar dentro de certos níveis complexos de organização da matéria. Já Engels concebia a vida (independentemente de não ser um biólogo) como uma forma particular de movimento da matéria. E óbvio que a definição de vida é sinônimo de energia, energia essa libertada a partir do aniquilamento nuclear mútuo da matéria e da anti-matéria.

E evidente que a origem da vida se presta a explicações teleológicas, espiritualistas, animistas e vitalistas; no entanto, as investigações no domínio da física, da química e da biologia permitem uma explicação científica da origem da vida. O ponto de vista idealista considera a vida como um princípio espiritual e sobrenatural. Estão nesta linha as explicações que vão de Platão a Aristóteles, passando por Plotino, Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino, nos quais sobressai uma concepção de vida determinada por uma força vital, animada de um dom supremo, sublime e divino.

No entanto, outras aproximações antimísticas justificaram a «pluralidade dos universos habitados», começando em Anaximandro a noção de que os mundos nascem e morrem, e enriquecendo-se em Anaxágoras, que iniciou a concepção heliocêntrica. Posteriormente, Lucrécio, Copérnico, Bruno e Galileu, tendo sido em alguns dos casos considerados «hereges», foram dissecando o mistério da origem da vida.

material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

O rompimento do obscurantismo que envolve a origem da vida, bem como a descoberta dos «parâmetros ocultos», iniciaram-se com os trabalhos de Pasteur, Elsasser, Bohr, Einstein, Hinshelwood, Heisen-berg, Glass, Neumann e tantos outros. Em todos estes autores há uma convergência antireducionista da noção de vida. A vida, se quisermos unificar as suas concepções, não é um simples metabolismo químico; ela é um estado limitado de organização e duração que envolve dialeticamente processos de regularidade de repetição, mas também processos invariantes e processos teleonomicos (Jacques Monod).

A noção de vida contém o gérmen da morte. O que vive morre. No fim da vida está a morte. É óbvio que esta dimensão dialética e inacabada reúne a noção dinâmica da vida, que compreende um nascimento e uma desintegração final, estando entre os dois estados os fenômenos de metabolismo, de irritabilidade, de movimento, de crescimento, de reprodução de acomodação e de assimilação. Por outras palavras, a vida requer um conjunto de fenômenos físicos, químicos e biológicos que põem em destaque os fenômenos de assimilação, de acomodação e de reprodução e a observância de certas condições de radiação, temperatura, gravitação, etc.

A teoria panspérmica é uma das abordagens que nos permite reconhecer a noção de vida, ou melhor, a formação da matéria, resultante da combinação e da constelação de fenômenos físico-químicos que originaram o aparecimento da vida no planeta Terra. O aparecimento da vida no nosso planeta põe em relevo a importância da formação de uma atmosfera. Segundo Weizsãcker, a aglomeração de poeiras, de nuvens e de gases, juntamente com o choque e a explosão de fragmentos de matéria, permitiu um envolvimento gasoso, rico em hidrogênio do qual resultou a formação do Sol. A partir de fenômenos de gravitação e, de contração de gases (hidrogênio e hélio), surgem forças eletromagnéticas que explicam a atração recíproca entre estrelas e planetas, os quais se organizam, em termos cada vez mais complexos, em enxames, espirais, nebulosas, ou melhor, em galáxias.

Se aceitarmos este princípio, evocado por cientistas, podemos compreender que a Terra, apenas um fragmento de um planeta original, se constituiu em três elementos fundamentais: atmosfera, hidrosfera e litosfera.

Desaparecendo as nuvens e os envolvimentos gasosos, a luz solar pôde atingir a Terra. As estruturas resultantes da aglomeração e da contração de gases, ao reagirem entre si, geraram minerais primitivos e a desintegração de materiais radioativos. É fácil, a partir daqui, prever que as partículas subatômicas (nêutrons, prótons e elétrons) se reuniram, por bombardeamentos meteoríticos, num só prótons, mais complexo e organizado, o que, em si, explica a formação de estrelas e poeiras cósmicas, da qual surgiram agregações que se deslocam e se fixam no Cosmos. Depois desta estabilização cósmica instável, bastou que se dessem libertações de gases, como as do bióxido de carbono, de metano, dos gases sulfurosos e das combinações de azoto, para se originarem as atividades vulcânicas e os fenômenos de vaporização que permitiram o aparecimento dos mares primitivos.

material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

O «puzzle vital» está quase concluído. Dos oceanos resultam sais minerais e fenômenos de condensação que geram chuvas. Este ecossistema, que tem tanto de invariante como de teleonómjciL, permite a decomposição do vapor de água, dando origem à libertação de oxigênio, condição indispensável à vida dos seres vivos. Fácil se torna agora compreender o aparecimento da vida através de elementos químicos e de fenômenos físicos integrando um processo evolutivo que tem a sua origem no Sol.

O Sol, como núcleo energético gigantesco e superaquecido, passou por períodos de alteração, num dos quais, por arrefecimento, se deu o deslocamento de elementos que formaram os planetas, um dos quais a Terra.

material exclussivo do site http://gagaufera2005.no.sapo.pt/index.html

A Terra, composta, como já vimos, por litosfera, hidrosfera e atmosfera, que não existem em Marte nem em Vênus, tem hoje uma história calculada em quatro mil e quatrocentos milhões de anos. Tendo sido primeiro uma nuvem de poeiras cósmicas, passou posteriormente a modificar a sua forma esférica e sólida através de uma complexa actividade vulcânica que lhe conferiu uma estrutura dependente da solidificação dos metais (litosfera) e, concomitantemente, um invólucro gasoso (atmosfera).

A Terra, sofrendo pressões atmosféricas e forças electromagnéticas e radioactivas, alterou os seus elementos químicos, os quais, por sua vez, se combinaram adquirindo novas propriedades.

A mais importante destas propriedades gerou a proteína, composto a partir do qual se justifica o aparecimento da própria vida. A proteína encontra-se no mundo vegetal e no mundo animal. Trata-se de uma substância plástica e protectora essencial aos seres vivos, podendo conter mais de quinhentas moléculas de aminoácidos.

O número de aminoácidos, segundo Bronowski, é uma medida de distância, em termos de evolução, entre o ser humano e qualquer mamífero. Vinte aminoácidos (espécies químicas) encontram-se em todos os seres vivos, da bactéria ao Homem.

Podemos perceber, efectivamente, que a vida não surgiu de repente, antes resulta de uma progressiva estrutura e de uma organização evolutiva de elementos químicos que permitiram uma constante recriação de novos atributos que explicam a impossibilidade de separar radicalmente o mundo inorgânico do mundo orgânico.

A complexidade crescente que vai das substâncias simples (as quais, como o metano, os hidrocarbonetos, a água e o azoto, pairam no seio da hidrosfera e da atmosfera) às substâncias proteicas, encontra necessariamente a sua explicação na biologia molecular, problema este de significação genética, de onde ressaltam os ácidos nucleicos, que, propriamente, definem a vida no seu todo.

A vida exige naturalmente um determinado tipo de composição química da atmosfera e da hidrosfera. Só assim se verificam fenómenos diversos, que se dão em limites aceitáveis de temperatura, gravitação e radiação. Stanley Miller, em 1950, com amónia, metano, hidrogénio e por vapor de água obteve aminoácidos em condições laboratoriais, por meio de descargas eléctricas e por condensações, provando assim que é possível, experimentalmente, a síntese não biológica de moléculas orgânicas. Um passo crucial se deu em termos de evolução, dado que os aminoácidos são considerados como os tijolos do grande edifício da vida. Deles se fazem as proteínas, e estas são, nem mais nem menos, os constituintes de todos os seres vivos.

(Parte 1 de 6)

Comentários