Bioenergia no estado de São Paulo

Bioenergia no estado de São Paulo

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Rússia 487 Arábia Saudita 358 Estados Unidos 587 Arábia Saudita 483 Rússia 248 Japão 203 Estados Unidos 310 Iran 130 China 145 Iran 218 Nigéria 119 Coréia 120 China 188 Noruega 109 Índia 1 México173Emirados Árabes106Alemanha 110 Canadá157México 99Itália 94 Venezuela138Canadá 93França 82 Kuwait136Venezuela 89Espanha 61 Emirados Árabes131Kuwait 88Reino Unido 59 Resto do Mundo1.516Resto do Mundo764Resto do Mundo713 Mundo 3.937 Mundo 2.203 2285

Fonte: International Energy Agency, 2008

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Conseqüentemente, entende-se que as condições econômicas estão definidas, de forma estrutural, para a viabilização da agroenergia como elemento relevante ao dinamismo do agronegócio. As pressões sociais (emprego, renda, fluxos migratórios) e ambientais (mudanças climáticas, poluição) apenas reforçam e consolidam essa tendência.

O Brasil é o país do mundo que reúne mais vantagens comparativas para liderar a agricultura de energia. A primeira vantagem comparativa que se destaca é a perspectiva de incorporação de novas áreas à agricultura de energia, sem ocorrer competição com a agricultura de alimentos, problema este que vem sendo enfrentado por alguns países, a exemplo dos Estados Unidos. No Brasil, existe grande disponibilidade de terras com pastagens degradadas, nas quais a inserção da cana-de-açúcar e de algumas culturas necessárias à rotação, tais como soja e amendoim, contribui para a ampliação não só da produção de álcool, como também da produção de açúcar e de proteína vegetal. A expansão da cana sobre pastagens é capaz de beneficiar também o pecuarista, que pode verificar um aumento na rentabilidade de sua propriedade rural e, ainda, melhorar a condição de fertilidade do solo, em relação ao que existia originalmente. O segundo aspecto observado no Brasil, a ser considerado é a possibilidade de múltiplos cultivos dentro do ano agrícola.

Além disso, ocorre no Estado de São Paulo o cultivo de oleaginosas como soja, girassol e amendoim para produção de biodiesel, bem como a utilização de gordura animal.

Fonte: BP Statistical Review – 2007

Figura 1. Preço anual médio do petróleo

Barril

Ano

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Introdução Geral17

No nosso Estado, além de suas características socioeconômicas e edafoclimáticas favoráveis, o aperfeiçoamento genético, a introdução de novas tecno- logias e a crescente mecanização, dentre outros, contribuíram para conduzi-lo à condição de grande produtor agrícola e com grande potencial de ser um pólo nacional na produção de biocombustíveis.

O Estado de São Paulo é líder na produção de bioenergia no País. Do ponto de vista tecnológico, a maior parte da pesquisa e desenvolvimento de conhecimento se dá nas instituições públicas e privadas existentes no Estado. São Paulo também detém a quase totalidade das indústrias de bens de capital para a produção de bioenergia.

Do ponto de vista de capital humano, São Paulo é o líder na formação de profissionais nas áreas de ciências agrárias, biológicas e de alimentos, e a agricultura paulista se caracteriza por contar com cadeias completas e diversificadas.

Dessa forma, o elemento interessante do agronegócio paulista é que o Estado tem a maior base industrial do País. A integração entre o produtor rural, o processador de alimentos, os distribuidores, o atacado, o varejo e os exportadores é especialmente forte. A ligação entre os elos da cadeia confere o poder de rápida assimilação do progresso tecnológico que permeia todos os agentes envolvidos no processo. Além disso, São Paulo tem a maior estrutura de pesquisa sobre produção e aplicação de bioenergia no Brasil.

Esse conjunto de estruturas produtivas confere ao Estado um forte dinamismo agrícola que, desse ponto de vista ainda há muito que avançar. Em especial, merece destaque a integração do sistema de produção de grãos à pastagem e ao setor de cana-de-açúcar. A fim de desenvolver melhor esse conceito de integração lavoura-pecuária, torna-se relevante avaliar a estrutura produtiva do Estado, considerando a produção de alimentos e de agroenergia.

A Figura 2, reproduzida do “Estudo sobre o Desenvolvimento da Cadeia

Produtiva Agrícola para Biocombustíveis no Estado de São Paulo” (TR 2, 2007), ilustra a estrutura de produção do Estado. O primeiro ponto a ser notado é que existe ampla possibilidade de integração entre as áreas de pecuária (com base em pasto) e a área agrícola. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do IEA (Instituto de Economia Agrícola), São Paulo tem 10 milhões de hectares de pastos nativos (cerca de 1,5 milhão) e plantados (cerca de 8,5 milhões). Essa área de pastagem convive com uma área agrícola que envolve a produção de grãos (arroz, feijão, milho, soja e trigo com 1,7 milhão de hectares), cana-de-açúcar (4,2 milhões de hectares), laranja (800 mil hectares), madeira (1 milhão de hectares) e café (220 mil hectares), dentre outras. Ocorre que as áreas de pastagem têm baixa produtividade e, estão sendo substituídas por cana-de-açúcar. Esse processo de avanço da área agrícola leva à elevação da produtividade do pasto e permite, ainda, a expansão da área de grãos do Estado.

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O Estado apresenta ainda grande mercado consumidor e excelente lo- gística, se comparado ao restante do país. Do ponto de vista climático as principais características são uma boa precipitação média e a presença de veranicos (com risco para culturas anuais).

Em suas diversas formas, a bioenergia respondeu por 28,6% da oferta total de energia em São Paulo em 2006 (SSE, 2007), distribuindo-se principalmente entre produtos da cana-de-açúcar (8%) e lenha, como uso direto (5%) ou como lixívia celulósica (4%), um subproduto da indústria de papel e celulose. O segmento outros resíduos de biomassa correspondeu à parcela restante (3%) e compreende os aproveitamentos de pó de serra, briquetes de madeira e cavacos não utilizados no setor de papel e celulose, além de resíduos agrícolas e industriais como a palha de arroz e a borra de café.

A incerteza quanto às reservas petrolíferas e o aumento das cotações de petróleo, como mencionado, associados às questões ambientais e sociais, impõem a premência de se alterar as bases do desenvolvimento econômico e de modificar a matriz energética mundial. A produção de biocombustíveis surge, portanto, como importante opção estratégica, quer para emprego como pro- duto complementar, quer como substituto aos derivados do petróleo.

Figura 2. Fluxograma da estrutura produtiva da agricultura paulista Pastagem agricultura

Grãos Cana outros

Carnes, leite alimento Bioenergia Petróleo

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Introdução Geral19

Neste contexto, foi criada a Comissão Especial de Bioenergia do Estado de São Paulo, pelo Decreto 51.736, de 4 de abril de 2007, pelo governador José Serra, com os seguintes objetivos:

I – elaborar o Plano de Bioenergia do Estado de São Paulo; I – definir as ações de governo necessárias ao pleno desenvolvimento das atividades de geração de energias renováveis;

I – avaliar a contribuição das formas renováveis de energia para o desenvolvimento sustentável;

IV – avaliar e indicar as ações necessárias ao desenvolvimento do conjunto das cadeias produtivas de biodiesel e etanol no Estado de São Paulo;

V – avaliar e propor ações de estudo e pesquisa científica e tecnológica necessárias ao pleno desenvolvimento das atividades de bioenergia no Estado de São Paulo;

VI – subsidiar o governador do Estado e as secretarias estaduais nas ações relativas ao desenvolvimento da bioenergia.

Os integrantes da Comissão são os seguintes: • José Goldemberg, coordenador;

• Alberto Goldman, Secretário de Desenvolvimento;

• Francisco Vidal Luna, Secretário de Economia e Planejamento;

• Francisco Graziano Neto, Secretário de Meio Ambiente;

• Carlos Henrique de Brito Cruz, representante da FAPESP;

• José Roberto Mendonça de Barros, representante da USP;

• Roberto Rodrigues, representante da Unesp. A fim de embasar suas recomendações a Comissão decidiu que seriam elaborados 14 Termos de Referência (TRs), cada um sobre uma área fundamental da produção e utilização da bioenergia, nos quais foram analisadas as barreiras existentes em cada área e apresentadas propostas de políticas públicas para o Estado de São Paulo suplantá-las. As principais questões analisadas nos TR’s e as visões de seus coordenadores foram amplamente discutidas em reuniões realizadas na Fiesp, IPT, FAPESP, Secretaria da Agricultura e Secretaria de Meio Ambiente.

Os Termos de Referência em questão, bem como seus respectivos coordenadores, são os seguintes:

I – Mercados interno e internacional para biocombustíveis – Airton Ghiberti;

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I – Desenvolvimento da cadeia produtiva agrícola – Roberto Rodrigues; I – Cadeia industrial e de serviços – etanol e bioenergia – João Furtado; IV – Impactos ambientais na cadeia de biocombustíveis – Oswaldo dos

Santos Lucon;

V – Tecnologia e ciência para o desenvolvimento sustentável da bioenergia em São Paulo – Isaías de Carvalho Macedo e Luiz Augusto Horta Nogueira;

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