Manual de Conservação e Reúso de Água na Indústria

Manual de Conservação e Reúso de Água na Indústria

(Parte 5 de 6)

Tabela 4.1 - Quantidade de água necessária e volume de efluentes gerados nos processos

Decapagem Revestimentoa Laminadoresb

Total

1,0 N/D

ProcessoIndustrial Entrada (m³/h) Efluente (m³/h)

Dentre os vários processos analisados, o mais significativo com relação ao volume de água consumido e de efluente gerados é o processo de decapagem, detalhado na figura 4.1. No processo de decapagem, onde a chapa metálica é imersa em uma solução ácida e submetida a lavagens subseqüentes, foi sugerida a implantação de um dispositivo capaz de minimizar o arraste de ácido, que ocorre durante a saída da chapa, entre o banho decapante e a seção de lavagem.

Esta medida poderá possibilitar: a realização da operação de lavagem com um menor volume de água, pela redução da vazão da água; ou a geração de um efluente com menor carga de contaminantes.

No setor do revestimento, há possibilidade de alterar os sistemas de lavagem existentes pela implantação de aspersores que promovam a limpeza das chapas utilizando menor volume de água. Além disso, pode-se implementar lavagens em contra-corrente, por meio da introdução de tanque, antecedendo as lavagens existentes. Cabe ressaltar que, para esta opção, é necessária uma alteração da estrutura para a instalação de tanques adicionais.

Já no caso do reúso de água, foi sugerida a implantação de um sistema de Osmose Reversa para tratar o efluente da decapagem, juntamente com alguns efluentes da área do setor de revestimento. Isso possibilitaria o reúso na própria decapagem ou em outro setor conveniente, uma vez que a utilização de um sistema de Osmose Reversa permite obter água com elevado grau de qualidade.

PCRA - Exemplos Práticos

Figura 4.1: Esquema do processo de decapagem

ETE Decapagem: ÁCIDO ÁCIDO 8% ÁCIDO INTERLIGAÇÃO SPRAY 1 SPRAY 2 SPRAY 3 NEUTRALIZAÇÃO

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Como fonte alternativa ao suprimento de parte da demanda, foi apontada a possibilidade de aproveitamento de água pluvial, que deve ser submetida a um tratamento simples, composto por sedimentação, filtração e desinfecção, antes de ser utilizada nos diferentes processos.

Uma estimativa de custo referente à implantação e operação dos dois sistemas propostos foi realizada. Após análise dos resultados das simulações com diferentes dimensões dos sistemas propostos, concluiu-se que os mais viáveis são os apresentados na tabela 4.2, referentes ao suprimento de 1 0 m_/dia de água.

Tabela 4.2 - Estimativa de custos para suprimento de 80 m³/dia de água pluvial e 80 m³/dia de água de reúso

* Reservatório de 300 m³

4.2 Indústria automotiva e de equipamentos

Para esta indústria, foi avaliado o potencial de reúso da água. Também foi realizado o dimensionamento de uma estação de tratamento de efluentes. Na etapa preliminar dos trabalhos, foram determinados os pontos de consumo de água e a geração de efluentes. Os resultados são apresentados na tabela 4. .

Tabela 4.3 - Quantidade de água necessária e volume de efluentes gerados nos processos

Observando a tabela 4. , nota-se que o desbaste e o polimento são os processos que mais consomem água. Foram feitos acompanhamentos mais detalhados nestes setores onde a principal utilização da água é para remover os materiais desbastados ou polidos, em tambores basculantes (figura 8). Desta forma, as peças são lavadas com a introdução de água industrial nestes tambores e, quando a água começa a sair dos tambores, com baixa turbidez e cor; as peças são consideradas limpas.

Processo IndustrialDemanda de Água (m³/h)

Desbaste Polimento

Tratamento de Superfície

Total

Sistemas de Águas

Pluviais* +

Sistema de Osmose Reversa 1

Conjunto de SistemasCusto dos Sistemas (R$)Economia (R$/ano)Tempo de Amortização

(anos)

Com os dados de demanda de água e de concentrações de sólidos dissolvidos, contaminantes que limitam o potencial de reúso de água nos diferentes processos pro- dutivos, foi elaborado um fluxograma simplificado (figura 4. ), para o balanço de massa no sistema. A partir dele, foi possível determinar o potencial máximo de reúso de água aceitável para os processos envolvidos.

A análise dos resultados obtidos pela simulação, a partir da definição da máxima concentração de contaminantes na água de reúso, mostrou que a porcentagem de reúso mais adequada é de 0%. Assim, apenas uma parte da demanda total (40%) deve ser suprida pela fonte tradicional de abastecimento de água.

Para os processos de desbaste e polimento, foi sugerida uma otimização durante a lavagem das peças, com a instalação de condutivímetros na água de saída dos tambores, para automatizar o processo de limpeza.

PCRA - Exemplos Práticos efluentes mangueiora de água canaleta de drenagem reator polimento carga de sais

Estação de tratamento desbaste água tratamento de superfície

Efluente tratado Descarte

Figura 4.2: Sistema de lavagem das peças nos processos de desbaste e polimento

Figura 4.3: Esquema do balanço de massa para determinação do reúso de água.

5CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

1. A escassez de água é um tema cada vez mais real nos grandes centros urbanos e industrializados, uma condição que coloca em risco as metas de desenvolvimento regional e do país.

2. Fazer o melhor uso dos recursos naturais disponíveis, principalmente da água, é condição essencial para se atingir os níveis de desenvolvimento almejados.

3. No âmbito industrial e nos demais segmentos econômicos, os conceitos de conservação e reúso estão alinhados com o modelo de gestão ambiental vigente.

4. A elaboração e implementação de PCRAs na indústria pode resultar em benefícios significativos em termos econômicos, ambientais e de imagem da empresa.

5. Uma vez implantado o PCRA, deve ser estabelecido um comitê coordenador para acompanhar e fazer as adaptações necessárias.

6. Relatórios de gestão deverão ser emitidos periodicamente, estabelecendo uma comparação com o estado geral (inclusive econômico) da indústria antes da implantação do plano e durante a sua evolução.

7. O sucesso de programas de conservação e reúso de água depende da participação de equipes devidamente capacitadas. Para a obtenção dos melhores resultados, é recomendada a contratação de profissionais ou empresas habilitadas para desenvolvimento e implementação de PCRAs.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

_ Brasil (Legislação), Lei nº 9.4 , de 0 de janeiro de 199 . Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal e altera o art. 1º da Lei nº .001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 2 de dezembro de 19 9.

_ CNRH, Resolução nº 54, de 2 de novembro de 2005. Estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para a prática de reúso direto não potável de água.

_ Rio de Janeiro (Legislação), Lei nº 4.24 , de 1 de dezembro de 200 . Dispõe sobre a cobrança pela utilização dos recursos hídricos de domínio do Estado do Rio de Janeiro e dá outras providências.

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