Revista BrOffice

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A divulgação cultural massiva pré-cibercultura, com raras exceções, fica nas mãos daqueles que controlam os meios de comunicação, fonte de poder político, de prestígio e de influência sobre o que é ou não dito às

massas“”

identidade essencialista, purista e imutável”. (LEMOS, 2004, p. 9).

Nossa luta pela mudança da Lei dos direitos autorais é em defesa do crescimento desse fluxo informativo nas redes informacionais. As riquezas culturais se multiplicam na medida em que encontram a necessária liberdade aos fluxos de conhecimento. Tornar o conhecimento posse de alguns poucos polos emissores, como deseja a indústria cultural, é empobrecer a humanidade naquilo que tem de mais rico, que é a capacidade sinérgica de produzir saber de forma coletiva.

A era das redes é também tempo da multiplicação do conhecimento, da remixagem pelas recombinações dos saberes e da arte. Por isso, é chegado o tempo da fluência e da influência das Comunidades cibernéticas. É tempo da co-autoria e do desenvolvimento entre pares.

O sujeito é convidado à participação e a ação em defesa da diversidade cultural na rede e em rede, onde as fontes são diversas e diversificadas. Com vários rostos, corpos e mentes, mas com um único sentimento chamado de generosidade.

Referências:

Levy, Pierre. As Tecnologias da Inteligência – O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo. Editora 34. 2004, 13a Edição.

Lemos, André. Cibercultura, cultura e identidade. Em direção a uma “Cultura Copyleft”? André Lemos Contemporânea, vol. 2, no 2 p 9-2 Dez 2004.Silveira, Sérgio Amadeu. et. al.

DIVERSIDADE DIGITAL E CULTURA. 2007. em http://www.cultura.gov.br/site/2007/06/20/diversidade-digital-e-cultura-por-sergio-amadeu-e-associados/. Acesso em 23 de agosto de 2010 .

| Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 14Agosto | 2010

Por Rochele Prass Arquivo pessoal reportagem | stabilidade no emprego, salários vantajosos e outros benefícios atraem milhões de brasileiros, que se preparam para concorrer a uma vaga em órgãos públicos. Conforme dados da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (ANPAC), anualmente são cerca de 12 milhões de inscrições, número que vem crescendo nos últimos cinco anos.

Tal aumento leva, evidentemente, à maior exigência por qualificação dos candidatos. Ainda de acordo com dados da ANPAC, entre 2003 e 2009, cresceu em 26% o número de servidores civis do Executivo Federal com curso superior, enquanto os funcionários somente com o fundamental caíram 14%. E diante de um quadro em que vários órgãos públicos estão adotando o BrOffice.org como suíte de escritórios padrão, a exigência por candidatos que conheçam o aplicativo não poderia ser diferente.

Professor de cursos preparatórios de candidatos a concursos desde 2004, Áriston Jorge Meireles, 40 anos, conta que está com salas lotadas nas duas instituições em que atua em Goiás. São cerca de 120 alunos em cada turma, em dois turnos diferentes, visando ao concurso do MPU. Segundo ele, o número de alunos que procuram apoio para estudar a suíte de escritórios BrOffice.org registra aumentos significativos: “A demanda vem crescendo bastante, pois muitos órgãos públicos vêm adotando BrOffice.org”. Ele ministra aulas preparatórias para concursos de esferas municipais a federais.

Graduado em Sistemas de Informação, Áriston também é Auxiliar Judiciário – Tecnologia da Informação no Tribunal de Justiça do estado, órgão que usa BrOffice.org. Em sua opinião, a inclusão de questões sobre o aplicativo em provas

Conhecer BrOffice.org é diferencial para conquistar uma vaga

Conforme o presidente da Associação Brasileira de Candidatos a Concurso Público, José Vânio Sena, a exigência de conhecimentos em software livre está crescendo. “É uma tendência a utilização de softwares livres. É natural exigir seu conhecimento, pois os candidatos terão que exercer o manuseio após serem nomeados”, afirma.

É o caso, por exemplo, do concurso para Analista e Técnico dos quadros do Ministério Público da União, que inclui nos objetos de avaliação em informática para níveis superior e médio conhecimentos em BrOffice.org. São 594 vagas, com rendimentos que variam de R$ 3.993,09 a R$ 6.551,52, dependendo do cargo escolhido. O concurso dos Correios, que recebeu 1.064.209 inscrições, também prevê conhecimentos no aplicativo, para quase todas as 6.565 vagas. Os salários variam entre R$ 706,48 e R$ 3.108,37.

l e o c u b ' s

| Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 15Agosto | 2010

Arquivo pessoal de concurso é muito importante para o andamento do trabalho de candidatos aprovados. “É perceptível o conhecimento que alguns concursados têm em relação aos mais antigos ou comissionados que não se interessam tanto por novas tecnologias”, diz.

Conforme relata, os alunos chegam aos cursos geralmente com pouca noção sobre a ferramenta, quando o foco é concurso público. As pessoas que já têm experiência no serviço público, explica, costumam estar mais familiarizadas à ferramenta. Evidentemente, um assunto a mais para conhecer nem sempre deixa feliz quem pretende superar os concorrentes. Mas o quesito BrOffice.org não é visto pelos alunos como um obstáculo, e sim um aliado: “No início, muitos alunos reclamavam por terem que estudar mais um pacote de aplicativos, porém hoje eles veem isso como um diferencial na preparação”, afirma Áriston.

O Diretor de Relações Trabalhistas da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio Grande do Sul (ABRH), Paulo Delfino, explica que o questionamento sobre custos é uma realidade de empresas privadas e órgãos públicos. Nesse contexto, o uso de software livre é uma tendência. “O domínio completo de software livre coloca o candidato na posição de competitividade, seja na prova objetiva, seja no teste prático”, afirma. Delfino lembra que muitos concursos realizam, além de testes objetivos, exames práticos para admitir o candidato. “Só isso já te coloca em posição de vantagem”, fala ao enfatizar que os profissionais devem se atualizar.

Arquivo pessoal

BrOffice.org em Concursos Públicos | Por Rochele Prass reportagem |

No início, muitos alunos reclamavam por terem que estudar mais um pacote de aplicativos, porém hoje eles veem isso como um diferencial na preparação“

Como se preparar atento a essas falhas. A dica que o professor deixa para quem está se preparando para prestar concurso público é estudar através da resolução de provas já aplicadas. Em caso de dúvidas, diz, consultar a ajuda do software e participar de grupos de discussão também são recomendáveis.

Para o Diretor da ABRH, Paulo Delfino, o processo de aprendizagem deve ser constante, e não apenas visando a um concurso específico. Para tornar-se competitivo no mercado de trabalho, é preciso transformar essa questão numa tarefa diária. O Diretor ressalta que os concursos são elaborados com o objetivo de selecionar os melhores inscritos. “Se estou concorrendo com melhores, tenho que treinar diariamente”, afirma. Outro ponto que salienta é que o nível dos concorrentes de concursos públicos costuma ser alto, reunindo pessoas com bom nível de instrução e bem preparadas.

A postura de alguém que almeja essa conquista deve passar por uma disciplina séria e de dedicação. Além disso, Delfino também aconselha os concurseiros a realizarem simulados, pesquisar provas de concursos anteriores e treinar, repetindo as condições do processo de seleção com o número de questões e tempo disponível para completar a prova. Apesar de as questões mudarem, abrangem os mesmos tipos de conhecimentos. “Não é possível decorar o caminho, mas é possível treinar para se submeter a uma situação semelhante”, explica.

O presidente da Associação Brasileira de Candidatos a Concurso Público, José Vânio Sena, também salienta a importância de o candidato conhecer a forma como as questões são elaboradas. Mas aconselha os estudantes a ficarem atentos à teoria. “O candidato pode perfeitamente dominar o manuseio prático, em um computador, e, na teoria, se enrolar com os termos técnicos de informática”, diz.

As dificuldades que os alunos têm em relação ao BrOffice.org, explica o professor Áriston Jorge Meireles, são praticamente as mesmas em relação a suítes semelhantes. Os pontos que geram mais dúvidas são as fórmulas e funções do Calc. Para auxiliar os concurseiros, ele procura focar em questões que já caíram em outros concursos. Quando um edital aponta necessidade de conhecimentos em duas suítes, o professor adota a prática de comparar as duas ferramentas, mostrando as diferenças. “Os alunos que dedicam um tempo para a resolução de provas anteriores e, a partir delas aprendam novas funções, não acham difíceis as questões”, diz.

Segundo Áriston, o problema está, muitas vezes, em questões mal elaboradas pelos organizadores dos concursos. Para os concurseiros, a melhor saída é estar

Áriston Jorge Meireles, professor de cursos preparatórios para concursos.

Arquivo P e s s o a l

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Arquivo pessoal

A estabilidade e a garantia de uma aposentadoria estável atraíram a atenção do jornalista Luis Henrique Silveira. Ele é um dos inscritos para o concurso do MPU e conta que pretende se preparar para a prova por conta própria. Como estratégia, está montando um plano de estudos a partir de conteúdos listados no edital do concurso, além de analisar outras provas.

“Quando eu li o programa, achei muito interessante porque a parte de informática contempla software livre”, diz. Usuário de BrOffice.org, Luis conta que sua maior preocupação é com questões relativas à outra suíte de escritórios. Além disso, pretende dar maior atenção às planilhas, já que as usa esporadicamente no seu dia a dia. “Nestes casos terei que estudar ambos”, conta.

BrOffice.org em Concursos Públicos | Por Rochele Prass reportagem |

Em busca de uma vaga...

Na opinião de Luis Henrique, muitas das questões de concurso sobre informática são até fáceis para quem usa a ferramenta. “São perguntas do tipo, para você fazer tal coisa precisa fazer quais passos?”, analisa. Entretanto, pondera que muitas perguntas são do tipo verdadeiro ou falso, o que pode gerar confusão na hora da prova.

Um cargo no setor público é o sonho de muitos brasileiros. Isso porque o mercado de trabalho atual é mutante e flexível, conforme a análise de Delfino. Muitos trabalhadores de gerações passadas conseguiram fazer uma boa carreira em empresas privadas, “mas isso nem sempre é possível”, lembra Delfino.

A carreira no serviço público, entretanto, é também uma questão de perfil. “Tem pessoas que não se acostumam com o processo que deve ser seguido no setor, mas raramente fazem concurso”, diz. Porém, essa estabilidade no emprego não significa falta de espaço para realização pessoal e construção de uma carreira promissora. “É uma questão de personalidade. O jovem que entra em concurso está sendo desafiado e isso coloca uma pressão sobre os órgãos para que lidem com a necessidade de reconhecimento mais imediata dos jovens”, explica.

Conforme analisa o diretor, as gerações que estão se colocando no mercado de trabalho procuram concurso público também por reconhecer que os órgãos estão mais sérios e vêm se estruturando melhor. A partir da década de 60, as empresas privadas passaram a ser modelo de organização. “Existe a 'recuperação' da qualidade do serviço público que foi modelo nos anos 50”, explica. A busca pelos melhores profissionais, regras de crescimento e de desempenho também estão atraindo as melhores pessoas. “Se acomodam os que querem se acomodar”, diz. E, diante desse contexto, chegar a um ambiente de trabalho sabendo como lidar com tarefas da rotina é muito importante para a integração do novo profissional ao grupo.

O mercado de trabalho

O jovem que entra em concurso está sendo desafiado e isso coloca uma pressão sobre os órgãos para que lidem com a necessidade de reconhecimento mais imediata ”“

Paulo Delfino, Diretor de Relações Trabalhistas da ABRH - RS.

Foto: Daniel m m e s

Arquivo P e s s o a l

Luis Henrique Silveira dedica manhãs e tardes aos estudos, para o concurso do Ministério Público da União.

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