Revista BrOffice

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(Parte 7 de 12)

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Visite o site do projeto: http://code.google.com/p/speechoo

| Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 24Agosto | 2010

Arquivo pessoal

Que funcionalidades o SpeechOO já oferece? Ou seja, o que os usuários que desejam testar imediatamente podem esperar ou não dele?

Disponibilizamos recentemente uma versão com uma melhor taxa de reconhecimento. Atualmente, o que ele faz é simplesmente reconhecer a voz e colocar o texto na tela do BrOffice.org. Estamos trabalhando para que possamos incluir nele comandos para controlar o BrOffice.org. É importante que a comunidade use para nos reportar bugs e ideias. Porém, ao usar é importante entender que o projeto ainda está em fase de testes e muitos erros poderão ser encontrados.

Percebe-se que a ferramenta é de grande utilidade para várias pessoas, mas tem um potencial muito grande para portadores de necessidades especiais. Isso foi pensado na concepção do projeto?

Quando pensamos em desenvolver o SpechOO, era apenas uma ideia que parecia legal. Combinamos e então começamos a desenvolver. Quando o projeto foi amadurecendo, percebemos a sua importância principalmente para pessoas com deficiência motora. E então tivemos mais essa motivação.

Quantas pessoas colaboram?

Quando se fala em reconhecimento de voz o trabalho se deve ao Grupo FalaBrasil, que é o desenvolvedor do reconhecedor Coruja e este pode ser usado em inúmeras aplicações. Quando se fala de SpeechOO, apenas eu e o William, que usamos a tecnologia do Coruja no desenvolvimento. O LaPS (Laboratório de Processamento de Sinais da UFPA) recentemente se interessou pelo projeto e custeou a passagem para o fisl11. Pelo LaPS, também recentemente propomos um projeto para o CNPQ e estamos aguardando a resposta, para podermos contratar mais bolsistas e amadurecer o SpeechOO.

Quais são os principais desafios técnicos para o projeto?

A questão do reconhecimento de voz por si só já é um grande problema. Podemos observar isso quando ligamos para centrais de atendimento e não conseguimos fazer com que a máquina nos entenda. Aqui a situação é parecida, porém um pouco melhor, pois a qualidade do som é melhor. Porém, ainda não alcançamos a taxa de reconhecimento desejada e o Grupo FalaBrasil vem trabalhando para melhorar o Coruja, consequentemente nos ajudando com o SpeechOO. Outra questão é a integração com o BrOffice.org, já que o Coruja é nativamente um código em C++ e tivemos que integrar com o BrOffice.org usando Java, isso foi possível graças a JNI (Java Native Interface). Outra questão que estamos trabalhando é na modelagem dos comandos de controle do BrOffice.org.

E além das questões técnicas?

Estamos buscando desde financiamento, principalmente por parte do governo, para que possamos contar com mais pessoas no desenvolvimento, até divulgação para atrair desenvolvedores voluntários. Como sabemos, um software livre cresce com a ajuda da comunidade.

Ou seja, está aberto a colaboraçõesComo a comu-

nidade pode ajudar?

Quem tem algum conhecimento de programação pode ajudar no desenvolvimento. Uma questão importante é que, para possibilitar o reconhecimento de voz, precisamos de uma grande base de áudio com texto transcrito. Para conseguir isso, a ajuda da comunidade é essencial. Existe uma iniciativa livre que faz a coleta de voz e a distribui livremente, este pode ser encontrado em http://www.voxforge.org. Além disso, sugestões são bemvindas.

Reconhecimento de voz para BrOffice.org | Rochele Prass novas tecnologias | o projeto ainda está em fase de testes e muitos erros poderão ser encontrados“ http://www.youtube.com/watch?v=bcc9tvnHjr8

Pedro dos Santos Batista é estudante de Engenharia da Computação e membro do Grupo FalaBrasil, da Universidade Federal do Pará. Atua também no desenvolvimento do Coruja, um reconhecedor automático de voz para português brasileiro.

Os desenvolvedores do SpechOO

William Colen é mestrando em Ciência da Computação no IME – USP. É membro do Centro de Competência em Software Livre e responsável pelo desenvolvimento do Corretor Gramatical CoGrOO.

Quer ver o SpeechOO em ação? Acesse:

| Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 25Agosto | 2010 | Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 25Agosto | 2010

| Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 26Agosto | 2010

Por Rochele Prass Arquivo pessoal entrevista | o ar há menos de um mês, o site PASL - Páginas Amarelas do

Software Livre – chegou para unir duas pontas. Trata-se de um local de acesso público, em que tanto a busca, quanto a oferta de serviços em Software Livre são gratuitos. O projeto foi idealizado pelo técnico em eletrônica, Paulo Souza Lima, a partir de reportagem publicada na edição 9 da Revista BrOffice.org. “A reportagem sobre BrOffice.org nos municípios brasileiros deu a base de sustentação para o que eu já desconfiava, mas ainda não tinha muito claro na mente”, diz ao citar que a matéria levanta a discussão sobre a importância do suporte continuado nos projetos de migração.

“Não adianta apenas instalar o novo software, precisa dar treinamento. E depois do treinamento, suporte e acompanhamento”, lembra.

Paulo compartilhou a ideia com Carlos Alberto Vega Loyola Junior, administrador do fórum Tutolinux, que ofereceu um espaço em servidor para a iniciativa e trabalhou no desenvolvimento da interface. Recentemente, duas pessoas passaram a ajudar no desenvolvimento do site, Marco Aurélio Fonseca de Almeida (lelocrow), programador e suporte técnico em software, de São Paulo/SP e o professor Dyego Garcia, de Pernambuco.

Nos primeiros dias após as primeiras divulgações em algumas listas de discussão e redes sociais, o volume de acessos aumentou. O número de cadastros e de pessoas oferecendo serviços de suporte, gratuitos ou pagos, conta Paulo, chegou a 60, reunindo profissionais de todo o Brasil. Já foram registrados picos de 80 pessoas online. Em cada estado, o site registrou uma média de 200 acessos. Paulo e Carlos contam os detalhes do projeto em entrevista a seguir:

NNNão adianta apenas ins- talar o novo software, precisa dar treinamento.

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E depois do treinamento, suporte e acompanha- ““ do Software Livredo Software Livre As páginas amarelasAs páginas amarelas

| Revista BrOffice.org | w.broffice.org/revista 27Agosto | 2010

O que essa iniciativa pretende gerar em se tratando de difusão e uso pleno do software livre?

Muito se fala da tal sustentabilidade dos negócios com software livre. Iniciativas como o projeto Cauã de John “Maddog” Hall, visam oferecer qualificação para pessoas carentes de modo que possam gerar renda com o software livre, mas onde está a demanda? Onde estão as pessoas que precisam dos serviços desses novos técnicos? O software livre já possui uma base de sustentação nas empresas e no governo, mas não nos usuários domésticos. A demanda doméstica é tão importante quanto a demanda corporativa, se não mais. Recentemente houve uma discussão sobre o suporte. Chegamos à conclusão de que o suporte presencial é muito importante, porque as pessoas não têm tempo nem disposição para buscar ajuda em fóruns. A maioria das pessoas gosta e precisa de suporte presencial. Então nos ocorreu a questão: porque não juntar num só local, quem busca suporte presencial e quem o oferece?

Por que a demanda doméstica pode ser mais importante que a demanda corporativa?

Quando falamos de “inclusão digital” estamos necessariamente falando de pessoas e de computadores domésticos. O governo e as empresas já estão digitalmente incluídos. Quem necessita ser incluído, neste momento, são as pessoas que ainda não têm acesso a todos os serviços e informações disponíveis na grande rede.

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As páginas Amarelas do Software Livre | Por Rochele Prass entrevista |

novos técnicos?

Gerar renda com o software livre, mas onde está a demanda? Onde estão as pessoas que precisam dos serviços desses ““

””Paulo Souza Lima é técnico em eletrônica e administrador. Trabalha no Instituto de Tecnologia do Paraná como metrologista.

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Por isso, a demanda doméstica tende a ser mais importante do que a empresarial e governamental. Além disso, mesmo na situação atual, a pirataria é muito mais disseminada no âmbito da computação doméstica do que na corporativa, o que pode ser um nicho interessante para o software livre. O software proprietário não é predominante apenas porque as empresas o utilizam. Ele é predominante porque conquistou o âmbito doméstico na forma do pirata. Redes sociais e sites de relacionamento foram criados para pessoas, não para empresas. Então por que insistimos em dizer que o sucesso está nas empresas e no governo, se ambos são feitos de pessoas? O sucesso está nas pessoas, onde quer que elas estejam. O SL já está bastante presente no governo e nas empresas. É hora de o colocarmos nas residências.

Quais são as maiores dificuldades que vocês identificam para que os usuários sigam usando software livre após terem o primeiro contato com ferramentas e sistemas operacionais open source?

Com o software livre, a maior dificuldade que enfrentamos é, justamente, a de manter as pessoas usando o SL depois da instalação. Todas as vezes que esse acompanhamento não foi feito, a pessoa abandonou o SL e voltou para o pirata. Em muitos casos, frustrada. Na maioria dos fóruns, blogs e listas de discussão, fala-se muito da "preguiça do usuário" em aprender coisas novas. Todo suporte gratuito para SL, passa necessariamente pelos fóruns e listas. Os suportes pagos são raros e caros. Nas listas de discussão, sempre falam para os iniciantes serem específicos e claros nas suas perguntas, mas esquecem que essas pessoas sequer têm ideia do que perguntar. Resumindo: a dificuldade do iniciante é muito maior do que apenas técnica. Para o usuário final vem a pergunta: porque vou utilizar Linux se o que as empresas precisam é de profissionais para sistemas proprietários, que são maioria nas empresas? Consequentemente, esses usuários não têm um estímulo para aprender o sistema Linux.

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Vocês podem citar exemplos dessas dificuldades e dar dicas aos iniciantes que buscam ajuda?

Paulo: Meu pai, por exemplo, é um senhor de 65 anos, que mora numa cidade no Norte do Paraná. Eu instalei uma versão do Ubuntu para ele há uns dois anos. Não durou um mês, porque ele precisava fazer certas coisas funcionarem e o único suporte disponível era o das listas de discussão. Nas listas, o mote é o seguinte: seja educado e faça perguntas objetivas. Acontece que quem sofre de Mal de Parkinson, tem 65 anos e pouquíssima intimidade com computadores, não sabe exatamente o que perguntar. Isso, somado ao fato de que a maioria dos voluntários das listas são de áreas técnicas, não contribui em nada para que as listas sejam mais, digamos, “humanas”. Temos aí conflitos entre visões, gerações etc. Claro, há exceções.

Segundo: Há cerca de dois meses, instalei o Ubuntu para uma amiga com a expressa condição de que eu estivesse por perto quando ela precisasse. Até agora, ela me chamou apenas duas vezes para resolver problemas simples. Mas está totalmente segura em usar o Ubuntu e BrOffice.org para suas atividades.

As pessoas gostam e se sentem mais seguras e atendidas com uma pessoa por perto. Não adianta nada para elas receber um email do outro lado do País, ou do mundo, dizendo “faça isso ou aquilo”. Elas não querem aprender a resolver os problemas, elas querem que a máquina funcione e que alguém as faça funcionar quando ela apresenta problemas.

Existem dois tipos de iniciantes: os que possuem o viés técnico e querem aprender os aspectos técnicos do SL, e os típicos usuários de computador, que não têm interesse em aprender os detalhes técnicos. É principalmente a esses últimos, a imensa maioria, que pretendemos oferecer o portal. A dica para quem está na segunda categoria, e quer iniciar o uso do SL, é: antes de se aventurar a migrar por sua conta, procurar alguém próximo, ou mesmo online, que possa ajudá-lo quando você precisar.

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