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permitir desenvolver uma experiência de reflexão educativa comum;

permitir a criação coletiva do conhecimento, de cuja elaboração todos nós participamos.

Por que Utilizar Dinâmicas Participativas?

A utilização de dinâmicas participativas busca tornar mais simples e até mesmo divertida a reflexão sobre um tema tão difícil como DST/aids.

Procuramos, através das técnicas, proporcionar aos alunos uma melhor compreensão e assimilação do tema.

Temos uma grande preocupação com a formação do multiplicador e do monitor, uma vez que eles são os responsáveis pelo processo educativo, muito importante na prevenção às DST/aids entre os adolescentes.

Quando falamos de processo educativo, estamos nos referindo a uma forma específica de trocar conhecimentos e refletir sobre mudanças de atitude. É um processo que implica uma concepção metodológica por meio da qual ele se desenvolve.

Manual do Multiplicador

Nesse processo de formação de multiplicadores, pensamos que o fundamental não está no uso isolado das dinâmicas participativas, mas na concepção metodológica, que orienta o processo educativo.

A técnica, por si só, não é formativa nem tem caráter pedagógico. Ela funciona como ferramenta educativa, devendo ser utilizada em função de um tema específico e com um objetivo concreto.

Como Utilizar as Dinâmicas

Como já foi referido anteriormente, as dinâmicas são uma ferramenta, por isso temos de saber para que servem, quando e como devem ser utilizadas e que precisam estar sempre relacionadas com o objetivo.

Quando escolhemos uma dinâmica, devemos ter claro qual objetivo queremos atingir com ela, por isso devemos relacionar a técnica com o objetivo e determinar a atividade a seguir para sua aplicação, de acordo com o número de participantes e o tempo disponível.

Quando utilizamos qualquer dinâmica, ela nos dá elementos que motivam a discussão, por isso temos que ter claro onde queremos e podemos chegar com essa técnica. Portanto, devemos conhecer bem a técnica, saber utilizá-la no momento certo e saber conduzi-la corretamente para evitar imprevistos dentro do grupo de trabalho.

Uma única dinâmica muitas vezes não é suficiente para trabalhar um assunto. Devemos ter conhecimento de outras dinâmicas de grupo que possam permitir um aprofundamento do tema em questão, bem como entender e conhecer as possibilidades e limites de cada uma delas.

As técnicas devem ser fáceis e estar ao alcance de todos para que sejam utilizadas com criatividade.

Adolescente

Sendo a via sexual uma das formas de transmissão do HIV, saber mais e corretamente a respeito da sexualidade tornou-se uma necessidade para o adolescente. Seu enfoque educativo vai além dos debates sobre práticas sexuais e comportamentos de risco, pois estimula o repensar sobre valores, atitudes internalizadas e ações que se exteriorizam no contexto sociocultural.

Adolescente

O crescente aumento dos casos de infecção pelo HIV entre os adolescentes e a inexistência ou pouca eficiência dos registros de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST), o pouco conhecimento dos jovens em assuntos relacionados com a sexualidade, a idéia de que a aids e as DST estão associadas apenas aos homossexuais masculinos, usuários de drogas injetáveis e prostitutas, e os programas educacionais insuficientes ou inadequados tornam a questão da prevenção às DST/aids entre a população jovem altamente preocupante. Some-se a isso o fato de o adolecente acreditar que tudo pode acontecer com os outros, menos com ele.

Abordar questões sobre sexualidade, antes de se iniciar uma discussão sobre as DST/aids, torna-se uma necessidade, uma vez que os adolescentes vêm demonstrando um apelo à sexualidade em idades mais precoces, adotando práticas e/ ou comportamentos que os deixam sob maior risco de infecção pelo HIV e outras DST sem se considerarem sujeitos á infecção.

Questões sobre papéis sociossexuais, desejos e pulsões, resposta sexual, mitos, tabus e crendices sexuais, inadequações e disfunções, comportamentos sexuais alternativos saíram da clandestinidade e estão desencadeando discussões acaloradas nos lares, nas escolas, nas ruas e na mídia em geral. Ora de forma direta, clara, ora com deformações, deixando os jovens freqüentemente desorientados com o excesso de informações recebidas.

Sendo a via sexual uma das formas de transmissão do HIV, saber mais e corretamente a respeito da sexualidade tornou-se uma necessidade geral. Seu enfoque educativo vai além dos debates sobre práticas sexuais e comportamentos de risco, pois estimula o repensar sobre valores, atitudes internalizadas e ações que se exteriorizam no contexto sociocultural.

As dinâmicas que se seguem têm por objetivo oferecer, de forma mais fácil e, com certeza, mais interessante, conceitos pertinentes à sexualidade responsável, pois temos por objetivo-alvo o sexo seguro, ou seja, a prevenção às DST, com enfoque principal para a aids. São dinâmicas que visam basicamente ao adolescente, embora muitas delas possam também ser praticadas com adultos, obtendo-se resultados bastante favoráveis.

Leituras complementares também são necessárias. A base teórica adquirida irá suprimir os pontos de interrogação surgidos durante a dinâmica utilizada.

PARA REFLEXÃO Do conhecimento, para se chegar à ação, passa-se pelo sentimento.

Adolescente

“Boneca, carinhos

Bonecos, aviões. Cabeça confusa,

Diversão, namoro
Indecisão, atração, enrolação

Responsabilidade, rebeldia, Som, música, sexo, transa, Confusão, amor, paixão, medo.

Muito criança, Muito adulto,

Muito futuro em jogo
Decisão certa, decisão errada

Muita responsabilidade, Futuro perdido...Vida perdida,

Vida ganha,

Vida jogada fora..., ou

Pensar demais, decidir demais Vida vivida”.

(Tatiana Britto da Silveira, 14 anos, Belém - Pará, 1994).

Adolescente

“Quero saber de tudo, mas sem afobamento”. (Camila Soares, 16 anos - O Estado de S. Paulo, A-28, 24.04.94)

Querer saber por parte dos adolescentes e dever saber por parte dos adultos podem originar desencontros nos programas educativo-preventivos. Motivos há para isso:

adultos que se omitem, argumentam que se sentem despreparados.

A questão do despreparo pode passar pela insuficiência de conhecimentos, como também pelo receio de defender valores conservadores e pela história de cada pessoa. É importante que os pais explicitem suas opiniões, que servem como referenciais para os jovens refletirem. Por isso, afirmamos que:

Ainformação pode ser a mesma para todos, mas a reflexão é individual, levando cada pessoa a formar posturas personalizadas:

os pais que trabalham, alegam falta de tempo, transferindo a responsabilidade para a escola; pais e educadores estão confusos com a liberalização dos costumes.

Falta de tempo é outro ponto discutível. Daí os pais descartarem o privilégio de serem os primeiros educadores sexuais.

Quando os pais transferem para os professores a responsabilidade pelo processo de educação da sexualidade, pressupõem que os mestres, em geral, estejam atualizados quanto ao tema e preparados metodologicamente. Esse é um processo longo de capacitação que está em curso.

Retornando à indagação inicial — “querer saber” e “dever saber” — pode-se correr o risco de impor aos jovens conteúdos com conatações moralistas, alertando-os para os perigos da sexualidade, para a contenção do prazer ou para o lado unicamente patológico, sem levar em conta os sentimentos, as emoções e posturas que o indivíduo tem frente a sua sexualidade.

“O problema é que todo mundo quer ensinar tudo ao mesmo tempo, mas não nos dão tempo nem para pensar”. (Gustavo Henrique da Costa, 16 anos - O Estado de S. Paulo, A - 28,24.04.94)

Tentando resolver tanta coisa em tão pouco tempo, estamos, freqüentemente, bombardeando nossos jovens com um excesso de informações que são, muitas vezes, desencontradas e até confusas. Eles acabam acumulando muitas informações "avulsas" e desconexas sobre sexualidade e sexo, mas não conseguem contextualizá-las adequadamente. Trabalhar com a sexualidade não é apenas jogar ou lançar informações. É, antes de tudo, aprender a aceitar as diferenças e semelhanças próprias de cada indivíduo.

Adolescente

Assim, é pertinente elaborar um planejamento de programa, levantando focos de interesse junto aos adolescentes, levando em consideração que esses focos estarão sendo permeados por diferenças culturais, de crenças religiosas e de fases do desenvolvimento.

Devemos lembrar que a sexualidade não se impõe, poi é um processo. E em todo processo existe um aprendizado constante do indivíduo como ser integrante do universo.

Manual do Multiplicador

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