Bem estar de coelhos

Bem estar de coelhos

UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

CURSO DE ZOOTECNIA

CUNICULTURA VISANDO O BEM ESTAR ANIMAL

Eglerson Duarte

Taianna de Campos Paz

Diamantina

2008

ÍNDICE

  1. INTRODUÇÃO 3

  1. AMBIÊNCIA X INSTALAÇÕES 4

    1. Temperatura 5

    1. Umidade 5

    2. Ventilação 6

    3. Insolação 6

    4. Iluminação 6

    5. Poluição sonora 6

  1. INSTALAÇÕES 7

3.1 Gaiolas 7

    1. Ninhos 8

    2. Comedouros 8

    3. Bebedouros 8

  1. MANEJO 8

4.1 Manejo dos reprodutores 9

    1. Manejo das matrizes 9

    2. Manejo de láparos 10

    3. Alimentação 11

5 CONCLUSÃO 12

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 13

1 INTRODUÇÃO

Os conhecimentos acumulados sobre a origem do coelho são ainda insuficientes para determinar, com precisão, onde e como se iniciou o trabalho de sua domesticação. Qualquer que tenha sido sua origem e a maneira como os coelhos domésticos se difundiram em escala mundial, atualmente, só nos Estados Unidos, existem 38 raças e 89 variedades desse animal. Sabe-se também que o coelho doméstico criado com fins lucrativos é descendente do coelho silvestre europeu, Oryctolagus cunículus.

O aprimoramento das raças e variedades, que vem se processando através dos tempos, dotou o coelho doméstico de características físicas e comportamentais muito distintas dos animais silvestres europeus. A mansidão que resultou do contato diário do animal com o homem e que culminou com o coelho silvestre habituando-se a conviver pacificamente com os humanos. As mudanças no ritmo de reprodução, com o coelho doméstico podendo se reproduzir durante o ano todo, ao contrário do silvestre, que só se reproduz em determinada época do ano. Essas mudanças ocorreram devido uma melhor alimentação, condições ambientais favoráveis (temperatura, umidade, luminosidade, etc) e a seleção de animais superiores.

Características dos coelhos domésticos como tamanho superior ao dos animais silvestres, e pêlos de tamanhos e cores muito variados, também são manifestações do trabalho do homem em busca de animais geneticamente superiores, mais apropriados as diferentes funções produtivas e condições ambientais.

As diversas raças existentes, são classificadas de acordo com sua função econômica. Nos últimos anos, o interesse pela criação de coelhos tem crescido bastante principalmente por seu potencial de carne de elevado valor nutricional e pele de excelente qualidade com um mínimo de investimentos.

O sucesso da criação depende de vários fatores, principalmente do ser humano, que deve ser responsável, observador, cuidadoso, criativo, paciente, e ter senso administrativo.

2 AMBIÊNCIA X INSTALAÇÕES

Por existirem vários inimigos naturais a perseguir os coelhos, durante o dia, na natureza, eles desenvolveram hábitos noturnos. Assim, passam o período diurno em galerias subterrâneas onde protegem a si, e as crias, até atingirem condições de sobrevivência no ambiente exterior. Ao desenvolverem habilidades noturnas, apresentam-se com deficiência visual diurna, principalmente os animais albinos, e uma audição aguçada.

Com isso, os animais se assustam facilmente diante de ruídos acentuados e, ou, repentinos, entrando em pânico e se tornando sensivelmente estressados. Esse comportamento, em se tratando de criações domésticas confinadas, é muito prejudicial, por proporcionar elevada taxa de aborto, redução e, ou, suspensão da produção de leite, entrada brusca da matriz no ninho vindo a pisotear os filhotes, provocando traumatismo ou morte dos mesmos, ou saída repentina do ninho, podendo retirar os filhotes que, no momento, estejam mamando ou sobre suas patas, além de causar dificuldades no ato de acasalamento, por causa do estresse.

Pela baixa capacidade visual diurna, o coelho se orienta utilizando sua capacidade olfativa, por isso, faz-se necessário manter, no criatório, uma atmosfera saudável, em termos de odores, para melhor distinção e controle por parte dos animais. Às vezes, a matriz perde o interesse em freqüentar o ninho e amamentar suas crias, quando esse se apresenta com odores fortes, oriundo de higienização inadequada, presença de filhotes mortos em decomposição, odores forte de amônia proveniente da fermentação de urina e fezes oriundas de ração com excesso de proteína, etc.

A produção animal está condicionada aos efeitos do meio ambiente, como temperatura, umidade relativa do ar, ventilação, insolação, iluminação, poluição sonora e odorífera. (FERREIRA, R.A, 2005)

Para que os animais possam manifestar sua capacidade reprodutiva, em função do seu potencial genético, faz-se necessário o controle desses fatores de maneira que se desencadeie um equilíbrio entre eles, dentro de uma amplitude que proporcione conforto e bem estar adequado aos animais, ajustado ao longo do ano, de acordo com as variações climáticas sazonais.

Os fatores ambientais atuam sobre os animais de forma agregada, e assim podem potencializar seu efeito danoso sobre eles.

2.1 Temperatura

Apresenta efeitos altamente danosos aos animais, quando se encontra fora da faixa de conforto térmico, visto que os coelhos se originaram de regiões de clima temperado e frio.

Os coelhos têm demonstrado um bom desempenho quando submetidos a uma amplitude térmica de 15 à 25ºC envolvendo todas as faixas etárias, levando em consideração a cor da pelagem, o estágio fisiológico e o padrão físico das raças.

As orelhas do coelho funcionam como seu principal órgão termosensível, apresentando em épocas quentes com os pêlos acentados e elevada vasodilatação, e quando frio se apresentam com os pêlos eriçados e forte vasoconstrição.

2.2 Umidade

É um fator do meio ambiente que precisa ser bem controlado, pois está associado às enfermidades respiratórias e oculares, tem efeito na oxigenação do ar e pode afetar o processo de troca de calor do animal com o meio ambiente. O nível de umidade ideal para os coelhos, oscila entre 60 e 70%.

2.3 Ventilação

O nível de ventilação no interior das instalações depende do clima regional, do tipo de gaiolas utilizadas, da concentração de animais e época do ano. Locais abafados permitem a proliferação de microrganismos indesejáveis, menor concentração de oxigênio, manifestação de odores ruins e condensação de umidade.

2.4 Insolação

Radiação solar nas proximidades das instalações é benéfico, pois o calor é um fator esterilizante, que reduz a umidade aos redores da mesma, assim evita a proliferação de insetos e microrganismos indesejáveis. Porém, quando mal planejada dificulta a troca de calor do animal com o meio ambiente, causando sensível desconforto.

2.5 Iluminação

Os coelhos são animais que necessitam de fotoperíodo longo, para manifestarem, com eficiência, o processo reprodutivo, pois as matrizes exigem um período luminoso entre 12 a 16 h, enquanto para os reprodutores de 8 a 12 h de luminosidade é suficiente. (MELO, H.V & SILVA, J.F, 2003)

Em situações em que o período luminoso não seja adequado, pode-se complementá-lo com luz artificial.

2.6 Poluição sonora

Os coelhos são animais dosséis e tranqüilos, por isso precisam de um ambiente sossegado para terem desempenho satisfatório.

3 INSTALAÇÕES

A criação de coelhos para a produção comercial, é realizada em galpões. A escolha da melhor instalação depende principalmente das condições ambientais da região e da quantidade de animais que se pretende produzir.

Deve ser levado em consideração o tipo de material utilizado na construção dessas instalações. Pelo fato do coelho ter seus dentes incisivos crescendo constantemente, ele necessita estar sempre gastando-os. Portanto deve-se evitar instalações feitas de materiais que podem ser roídos.

3.1 Gaiolas

Possui funções importantes como abrigo e proteção dos animais, facilitando o manejo, o controle sanitário e a alimentação racional dos animais. Favorece a alimentação dos animais, pois estes recebem ração em quantidades diferenciadas, de acordo com seu estágio fisiológico, possibilitando um eficiente controle sanitário do rebanho pois mantém isolado os animais doentes, não permitindo seu acesso junto aos demais, impedindo o contato com fezes e urina.

O material mais recomendado na construção de gaiolas, é o arame galvanizado, pois apresenta maior durabilidade, é de fácil limpeza e não absorve os dejetos, mantendo-se sempre secas.

A dimensão da gaiola é calculada conforme o porte do coelho. Devem ficar suspensas, em linha, à uma altura ideal de 80 cm do piso, facilitando o manejo. Embaixo das gaiolas, existem valas coletoras de aproximadamente 80 cm de profundidade preenchidas com camadas de cascalho, carvão e areia, servindo como sistemas de drenagem, mantendo o ambiente seco e sem odores desagradáveis, dificultando o aparecimento de doenças, principalmente respiratórias, além de facilitar a higienização dos galpões.

3.2 Ninhos

Deve apresentar dimensões suficientes, para que ocorram os trabalhos de parto, e posteriormente a amamentação dos filhotes de maneira confortável. O ninho é composto de uma caixa (preferencialmente feita de chapa galvanizada) dentro da qual se coloca cepilha de madeira, ou material similar.

3.3 Comedouros

Deve conservar o alimento livre de contaminação e poluição, mantendo sua qualidade e odor. O modelo mais recomendado é o semi-automático, que armazena e disponibiliza o alimento por determinado tempo, sendo abastecido pelo lado externo da gaiola, demandando menor mão de obra.

3.4 Bebedouros

O modelo mais adequado é o tipo automático, por ser mais prático e funcional permitindo o acesso à água em quantidades e qualidades adequadas, evitando desperdícios. Sua altura, em relação ao piso da gaiola, é em torno de 20 cm para todas as categorias.

4 MANEJO

A chave para o sucesso de uma criação de coelhos é um bom manejo. Os coelhos são animais muito sensíveis, respondendo rápido e satisfatoriamente se criados em condições adequadas.

Na lida diária com os animais, constantemente é necessário contê-los e, ou, pegá-los, como na época do desmame, na época da monta, diagnósticos de gestação, etc. Os reprodutores e as matrizes gestantes ou lactantes, são contidas pela pele da região da escápula com uma das mãos, de maneira que o animal fique pendurado na vertical e a outra mão apóie a garupa, mantendo-o confortável e tranqüilo. Os filhotes são contidos pela pele da região da escápula, ou são segurados pelo flanco, sem pressionar. Na monta forçada, com uma das mãos, contém-se a matriz segurando-a pelas orelhas e pele do pescoço simultaneamente, e com a outra mão segura-se a extremidade da cauda e a coloca na posição vertical, mantendo-se o braço paralelo e próximo do corpo da matriz.

4.1 Manejo dos reprodutores

Após 3 meses de idade, os machos devem ser alojados em gaiolas individuais, pois além de brigarem entre si, se mantidos com as fêmeas, as cobrições precoces poderão afetar o desenvolvimento da futura matriz. A partir dos 4 meses de idade, os machos já poderão ser utilizados para a reprodução, limitando à 2 ou 3 coberturas por semana, sendo efetivamente utilizados a partir dos 5 meses de idade.

Na escolha dos reprodutores, deve ser evitado animais apáticos que em geral, apresentam tendência à frigidez ou apatia sexual, os nervosos e agressivos que dificultam o manejo, dando preferência aos que apresentam vivacidade, vigor e mansidão.

4.2 Manejo das matrizes

Aos 4 meses de idade, a fêmea já está apta à reprodução. A ovulação da coelha é desencadeada pelo estímulo sexual e apresenta sempre óvulos maduros, estando ou não em cio. Essa condição permite que se faça a cobrição forçada nas coelhas em qualquer época, desde que não esteja em gestação (duração de 30 dias) ou falsa gestação.

As cobrições deverão ser feitas no dia do desmame, tomando-se o cuidado de levar a fêmea na gaiola do macho. Em condições normais uma só cobrição é necessária, devendo ser repetida somente se a fêmea urinar logo após a cobrição ou o macho ejacular fora da vagina. Os acasalamentos são rápidos, devendo ocorrer de manhã bem cedo ou no final da tarde. Durante a cobrição é importante que o ambiente seja bastante tranqüilo para que o animal não fique nervoso, dificultando a monta.

A fêmea, próximo ao parto, costuma retirar pêlos da região abdominal para montar seu ninho, portanto o produtor deve estar atento para colocar o ninho na gaiola alguns dias antes. Assim, a gestante têm a possibilidade de se habituar e adequá-lo às suas necessidades.

O período de monta deve ser curto, de até 3 dias, para que se possa agrupar os partos e facilitar a transferência de láparos de uma fêmea para outra (uniformizar as ninhadas). Além de estar produzindo colostro, a fêmea ainda não se habituou com o porte da sua ninhada, é interessante que cada matriz seja mantida com no máximo 10 láparos.

Uma fêmea deve ser utilizada no máximo até 12 partos, sendo considerada uma boa matriz produzindo acima de 8 láparos por ninhada.

4.3 Manejo de láparos

Os ninhos deverão ser retirados da gaiola quando os láparos completarem de 15 a 20 dias. Os próprios láparos indicarão a época certa de retirada, pois começam a abandoná-lo.

Deve-se estar atento ao comportamento dos láparos. Quando passam fome, ficam inquietos e emitem guinchos constantemente. Os láparos se alimentam somente de leite materno até o vigésimo dia no máximo, passando a ingerir além do leite, parte do alimento fornecido para a matriz.

A partir dos 30 dias de idade, todos os láparos são separados da mãe, no mesmo dia e são agrupados em gaiolas coletivas, sendo sexados, pesados e identificados. Quando atingirem 2 meses de idade, deve-se selecionar aqueles que irão ficar no plantel para reprodução.

4.4 Alimentação

Não é recomendado o uso de ração farelada porque o coelho é um animal herbívoro, dotado de dentes incisivos cortantes, utilizados para cortar forragens e, pré molares e molares, adaptados à trituração (RAQUEL, M.P, 2002). Assim, os coelhos têm dificuldade em apreender as pequenas partículas que caracterizam a ração farelada, obrigando-os a selecionar apenas as partículas maiores. Como conseqüência, o animal além de desbalancear a alimentação, fica nervoso e pode apresentar problemas de coriza, quando o pó mais fino da ração penetra em suas narinas. (RAQUEL, M.P, 2002)

A ração peletizada é a mais adequada, desde que, se observe a resistência dos pellets e seu diâmetro, dando preferência aos mais duros, que não se esfarelam facilmente.

As forragens podem ser fornecidas aos animais na forma natural ou fenada. Na forma natural, deve-se ter o cuidado de fornecê-la com baixo nível de umidade, o que evita diarréias e timpanismo nos animais, sendo a mais utilizada, o Rami (Boehmeria nívea). O ideal é o uso na forma de feno, pois mantém a qualidade e uniformidade do alimento ao longo do ano.

Uma particularidade no processo digestivo do coelho, é a prática de cecotrofagia, ou seja, a ingestão dos cecotrofos (digesta elaborada no ceco), que é uma atividade vital para os coelhos. O animal pratica a cecotrofagia independente do tipo de piso da gaiola, pois o coelho apreende os cecotrofos no nível do ânus, por sucção oral (MELO, H.V & SILVA, J.F, 2003). A cecotrofagia propicia melhor aproveitamento dos alimentos ingeridos, por permitir a absorção dos nutrientes produzidos pela digestão microbiana no ceco. Depende do hábito alimentar e do estágio fisiológico do animal, ocorre praticamente à noite, de maneira regular, iniciando-se 4 h após a ingestão de alimentos e em condições de tranqüilidade. O animal em estado de estresse, suspende a cecotrofagia.

5 CONCLUSÃO

A cunicultura é pouco difundida no Brasil se comparada a outras atividades produtivas com animais, mas está em constante crescimento devido a excelente qualidade da carne, facilidades de manejo e alimentação, alta prolificidade dentre outras. O coelho é um animal que sofre muito frente aos estímulos externos. Deve-se procurar sempre locais calmos, sua zona de conforto está entre 16 a 22ºC. A partir de 30ºC os prejuízos são observados.O Nordeste brasileiro merece maior destaque visto as altas temperaturas observadas no verão desta região. É importante que se tenha uma umidade adequada, dentro de 60 a 70% o que é importante para facilitar as trocas de calor do animal com o ambiente via aumento da freqüência respiratória.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Rony, Antonio. Maior produção com melhor ambiente. Viçosa: A. Fácil, 2005

MELLO, Hélcio, Vaz de; SILVA, José, Francisco da. Criação de coelhos. Viçosa: A. Fácil, 2003

RAQUEL, Márcia, Pimenta. Coelhos: Técnicas da moderna criação. 2.ed. Viçosa: CPT, 2002

VIEIRA, Márcio, Infant. Produção de coelhos: caseira - comercial – industrial. 9.ed. São Paulo: Ampliada, 1981

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