Apostila - Silvicultura II

Apostila - Silvicultura II

(Parte 1 de 10)

Universidade Regional de Blumenau Centro de Ciências Tecnológicas

Departamento de Engenharia Florestal

Silvicultura I Produção de Mudas Florestais

Prof. Lauri Amândio Schorn, M.Sc. Acad. Silvio Formento, Monitor

Blumenau, Janeiro/2003

Introdução1
1 Sistema de produção de mudas em recipientes2
1.1 Semeadura em sementeiras2
1.1.1 Dimensões das sementeiras2
1.1.2 Produção do substrato3
1.1.3 Semeadura3
1.1.4 Retirada de mudas5
1.1.5 Cuidados na retirada das mudas6
1.2 Semeadura direta em recipientes6
1.2.1 Confecção dos canteiros6
1.2.2 Tipos de recipientes8
1.2.3 Tubetes ou tubos de plástico rígido (polipropileno)10
1.2.4 Saco plástico (polietileno)12
1.2.5 Torrão paulista14
1.2.6 Taquaras14
1.2.7 Laminados15
1.2.8 Fértil Pot15
1.2.9 PxCL16
1.2.10 Paper Pot16
1.2.1 Tubo de papelão16
1.2.12 Moldes de isopor (poliestireno)17
1.3 Substrato17
1.3.1 Características físicas18
1.3.2 Preparo do substrato19
1.3.3 Alguns exemplos de substrato2
1.4 Fertilização Mineral2
1.4.1 Indicações para Pinus e Eucalyptus23
1.4.2 Indicações para nativas25
1.5 Micorrização27
1.5.2 Métodos de inoculação29
1.6 Semeadura30
1.6.1 Época30
1.6.2 Quantidade de sementes31
1.6.3 Profundidade3
1.6.4 Cobertura dos canteiros34
1.6.5 Cuidados Especiais na Semeadura35
1.7 Sombreamento36
1.8 Irrigação37
1.9 Raleio37
1.10 Danças ou movimentação38
1.1 Podas39
1.1.1 Freqüência e Época de Execução39
1.1.2 Execução40
1.12 Rustificação40
1.13 Seleção41
2 Sistema de produção em raiz-nua42
2.1 Preparo da área42
2.2 Fertilização42
2.3 Confecção dos canteiros43
2.3.1 Dimensões dos canteiros43
2.3.2 Dimensões dos passeios43
2.4 Semeadura4
2.4.1 Semeadura manual45
2.5 Irrigação46
2.6 Aplicação de Fungicidas46
2.7 Aplicação de Inseticida47
2.8 Poda de Raízes47
2.9 Retirada das Mudas48
3 Qualidade de mudas49
4 Bibliografia Consultada51

A produção de mudas florestais, entre as atividades da silvicultura é uma das mais importantes, pois representa o inicio de uma cadeia de operações que visam o estabelecimento de florestas e povoamentos.

Desta forma, o sucesso da implantação e da produção florestal estão diretamente relacionados a qualidade das operações de viveiro e do seu produto, que são as mudas.

O planejamento, a instalação e a operação de viveiros tem propiciado cada vez mais a atuação de Engenheiros Florestais neste segmento. A necessidade de produzir mudas com melhor qualidade e menor custo é um desafio constante, e que tem exigido a capacitação e atualização dos profissionais que atuam nesta atividade.

A necessidade de produção de mudas em escala comercial, resultado da crescente demanda de produtos florestais, tem levado a multiplicação de viveiros no sul do Brasil, bem como a adoção de sistemas mecanizados de produção. Diversos equipamentos para uso em viveiro tem sido desenvolvidos nos últimos anos, destacando-se semeadeiras, pulverizadores, equipamentos de irrigação.

Esta apostila, embora seja um documento ainda parcial, foi elaborada com o objetivo de auxiliar os acadêmicos do curso de Engenharia Florestal da Universidade Regional de Blumenau, nas disciplinas de silvicultura, em assuntos relacionadas a instalação de viveiros e produção de mudas. São abordados, especialmente os sistemas de produção (em recipientes e raiz-nua), além dos principais insumos e materiais necessários.

2 1 SISTEMA DE PRODUÇÃO DE MUDAS EM RECIPIENTES

1.1 SEMEADURA EM SEMENTEIRAS

Neste sistema as sementes são semeadas em canteiros para posteriormente serem repicadas em recipientes, onde completarão o seu desenvolvimento. O processo de semeadura em sementeiras já foi a prática mais utilizada para a produção de mudas florestais, devido a grande oferta de mão-de-obra, e dos projetos de reflorestamento que na sua maioria, não apresentavam grandes dimensões. Hoje este processo ainda é utilizado para espécies que levam muito tempo para germinar, espécies que apresentam germinação desuniforme ou que possuem sementes muito pequenas.

Dentre as vantagens das sementeiras podem ser citadas:

Ø Possibilitam alta densidade de mudas por m2; Ø Garantem o suprimento de mudas no caso de perdas;

Ø Propicia maior uniformidade nos canteiros após a repicagem.

Entre as desvantagens:

Ø A repicagem requer cuidados especiais no manuseio das mudas, evitando-se danos principalmente ao sistema radicular;

Ø Exigência de condições climáticas adequadas (dias úmidos e nublados) para o processo de repicagem;

Ø Utilização de um aparato de cobertura (sombrite ou ripado) para os canteiros de mudas recém repicadas; Ø O custo de produção final da muda se torna um pouco superior.

1.1.1 DIMENSÕES DAS SEMENTEIRAS

Possuem em média de 1,0 a 1,2 m de largura, 10,0 a 15,0 cm de altura e comprimento variável, dependendo da produção. Na Figura 01 é apresentado um modelo estrutural de uma sementeira.

Figura 01: Perfil transversal de uma sementeira

1.1.2 PRODUÇÃO DO SUBSTRATO

O substrato utilizado para formar o leito de semeadura deve ser constituído de uma mistura de terra arenosa, terra argilosa e esterco curtido na proporção de 2:1:1. A terra deve ser retirada do subsolo, a uma profundidade de + 20 cm, a fim de se evitar a ocorrência de propágulos de microrganismos e de sementes de ervas daninhas. Esta deve ser peneirada em peneirões com malha de 1,5 cm.

Deve-se dar preferência ao uso do esterco curtido, que devido ao processo da compostagem, já eliminou parte dos microrganismos patogênicos e disponibilizou parcialmente os nutrientes. Na ausência de esterco o mesmo pode ser substituído por 2 a 4 kg de NPK (6:15:6) por m3 de mistura.

1.1.3 SEMEADURA

Após o preparo da sementeira com o substrato, inicia-se a semeadura, que pode ser de duas formas:

a) A lanço: para sementes pequenas; b) Em sulcos: para sementes maiores.

É fundamental que se distribua as sementes na sementeira de forma uniforme, a fim de oferecer o mesmo espaço para cada planta, evitando-se assim grande número de mudas por unidade de área, o que propicia o aparecimento de fungos, além de aumentar os efeitos da competição.

TERRA PENEIRADASISTEMA DE DRENAGEM

5 cm

15 cm

20 cm

100 cm

SOLO ESTRUTURADO

A densidade ótima de semeadura varia de espécie para espécie ou mesmo entre sementes de procedências diferentes, região para região, ou até mesmo com estações do ano. De

Tabela 01: Semeadura, germinação e repicagem de algumas espécies ornamentais e florestais (CUNHA, 1986).

Semente/ fruto Semeadura Germinação Repicagem Espécie

Nº sementes/ kg Fruto/ semente g/ m2 Nº dias

Nº dias semeadura

Acácia-mimosa Acácia-negra Alfeneiro do Japão

Angico

Aroeira vermelha Canafístula

Canela imbuia Canjerana Cássia grande

Cássia imperial Cássia de Java Casuarina equisetifolia

Casuarina glauca Casuarina stricta Cedro rosa

Chapéu de sol Chuva de ouro Cinanmomo

Cipreste italiano Cipreste macrocarpa Cipreste português

Cryptomeria japonica Cunninghamia lanceolata Dedaleiro

Espatódea Eucalyptus alba Eucalyptus citriodora

Faveiro

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