Introdução a Sociologia das Emocoes - Parte II

Introdução a Sociologia das Emocoes - Parte II

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MA/IRO GIII/.HEIiMli P1NHlii/lO Kounv

CAPiTULO 2 nascimento da sociologia enquanto disciplina cientifica, pelo reconhecirnento dos classicos, como Durkheim e Mauss, Marx, Simmel e Weber de urn conceito de emocao social cara it analise sociologica. Embora creditem como precursores da sociologia da emocao, especial mente, os estudiosos da chamada sociologia francesa, Durkheim e Mauss, estendem os estudo s precursores daquestao da intersubjetividade e do papel social desempenhado pelas ernocoes ao desenvolvimento da escola soc io logica americana, atraves do estrutural funcionalismo parsoniano, originado de uma leitura personalizada sobre a relacao entre individuo e sociedade atraves de uma reinterpretacao e fusao de autores dispares como Durkheim e Weber.

Na busca de identificar os contornos que cornpoem 0 campo da sociologia da emocao, para esta primeira leitura da tradicao .sociologica estruturadora de urn campo analitico proprio disciplinar, cabe perguntar como, para eles, a sociologia da ernocao beberia dessas fontes classicas e quais os elementos sinteses que a fariam herdeira do conjunto da trad icao sociologica.

A sociologia francesa, deste modo, para esta leitura anal itica, pensada em terrnos de conjunto, pode ser considerada herdeira da tradicao de Durkheim e Mauss. Apos Mauss, a analise sociol6gica desenvolvida em suas

TENDENCIAS CONTEMPORANEAS NA . SOCIOLOGIA DA EMO<;:Ao

Este capitulo discutira 0 campo disciplinar da sociologia da ernocao. 0 conceito de campo usado segue a definicao proposta por Bourdieu (1979).0 capitulo nao tem a pretensao de ser uma analise exaustiva mas, de servir como urn primeiro aporte para introducao Ii sociologia que tem a emocao como objeto de ami!ise, apresentando tres leituras analfticas sobre os pressupostos teoricometodologicos que dao suporte e configuracao it disciplina.

Primeira Leitura

Para alguns autores contemporaneos, como

(1998), entre outros, a sociologia da emocao tem seu campo potencialmente constituido deste 0 iNIR(}J)/I(AO A SO('/OWUJA /J~ EMO(Ao fronteiras, aprofundaria os significados da intersubjetividade que nortearia as geracoes seguintes. A escola francesa de sociologia deve um tributo a Marcel Mauss e suas preocupacoes com relacao ao conceito de reciprocidade, expresso na c iass ica analise sobre 0 dorn , no trabalho intitulado Ensaio sobre a dadiva (1974b). A construcao e a imaginacao sociol6gica francesa posterior a Mauss envereda pela analise do simb6lico e, aqui, pensando a ideia da troca sirnbolica no seu sentido rnenos ortodoxo de entendimento, pode-se relacionar como herdeiros da analise maussiana conceitos como 0 de inconsciente coletivo (Levi-StrausS', 1963), e 0 de

habitus (BoLlrdieu, 1970 e 1985). Todos correspondendo a ideia de urn imaginario que sedimentaria tradicoes e permitiria, de forma concomitante, etabor acces, proposiyoes, vivencias e acces individuais, indicativas dos processos tencionais entre individuos e sociedade. Processos estes j m pu ls ion ad or es de mudanc as, permanencias e or ientacoes comportamentais coletivas e pessoais de cada ator social. Arnargem de Iiberdade ou autonornia do ator social individual frente ao coletivo podendo alterar-se ou ser alterada segundo cada enfoque analitico dado. Para a sociologia francesa posterior a

Marcel Mauss e posterior a segunda guerra, em

AI/Al/flO GIIII.HI,'!IIvIl,· PINHFIIIO KOliN)' ultima instancia, a sociedade informaria e possibilitaria um patamar de acoes previsiveis quanta aos comportamentos diversos referentes as rnultiplas praticas socialmente instituidas. As trocas sociais trariam em si uma especie de etiqueta social, ou conjunto de regras e normas sociais que coadunariam os individuos nelas relacionados a acao. A etiqueta social desie modo orientaria e conduziria os atores em suas acoes,

A nocao de habitus de Bourdieu, para esta primeira leitura , seria esclarecedora. Para Bourdieu (200 1, p, 169) "os agentes sociais sac dotados de habitus, inscritos nos corpos pelas exper ienc ias passadas. Tais inscr icoe s se encontrariam presentes nas esferas da percepcao, da apreciacao e da acao, permitindo aos agentes tanto operar atos de conhecimento pratico, como tambern engendrar estrate gias adaptadas e renovadas dentro dos limites estruturais de que sac produtos e que definem, em ultima instancia, as estrategias de acao". o social dado, neste senti do, daria aos individuos a ele pertencentes uma especie de c6digo imaginario que os permitiria sentir, expressar e adrnin istrar senti mentes e com portarse em determinadas situacoes, mesmo quando nao diretamente envolvidos no ato onde uma ernocao especifica aflorasse. Deste modo, por exernplo, urn comportamento frente a UI11 sentimento vivenciado ou a -urna carga emotiva vivenciada

A ritualizacao da vida sendo assim urn pressuposto logico de ex istenc ia de urna sociabilidade. Quanto mais integrada mais ritualizada seria a esfera societaria vivenciada pelos individuos que dela fazern parte. Menor, por outro lado, seriam os escopos diferenciais de individualizacoes, e mais relacionais seriam os aportes interativos entre os individuos.

Sociedades relacionais seriam entao movimentadas por uma esfera ritual rna is compacta onde as inclividualidades seriarn menos perceptivas e aceitas pelo c6digo de acao, e a tradicao teria urn conteudo de maior abrangencia integrativa. Formariam, deste modo, urna especie

de ordem ritual organizada, basicarnente, em torno de linhas acomodativas informativas das acoes desejaveis aos sujeitos sociais em interacao, parecendo deixar ass im POllCOespaco para atuacoes de outros tipos de imagens que nao se adequarn a 16gica da tradicao a que esta imersa,

Nos anos cincoenta do seculo X, com a ernergencia e hegemonia do modele de analise estrutural funcional ista de Talcott Parsons os ensinamentos que serviram como pressupo~tos analiticos a soc io logia da emocao, para esta primeira leitura, tiveram continuidade com novas propostas te6ricas e criacao de ferramentas conceituais para 0 estudo das dirnensoes macro e rnicrosociais e os fenomenos que acontecem na interface entre individuo e sociedade. Para esta por urn outro, acessar ia no interior de Ul11 individuo qualquer Ul11conjunto de informacoes inconscientes nele inculcadas pela socializacao, fornecendo dados e argumentos de como agir frente a deterrninadas situacoes.

A acao orientada, deste modo, perrnitiria lima certa pratica cornurn esperada e ou desejada por cada mernbro do grupo social em interacao, seja no sentido da vivencia ou experiencia de urn processo, seja no sentido da expectacao do outro de sua acao frente ao mesmo processo. 0 como se comportar teria assirn urn leque informative, ou urn livro de etiquetas comuns ao conjunto societario e a disposicao dos individuos que nele se orientariam na conducao de suas acoes.

Nesta direcao, seguindo de perto Mauss e

Durkheim, os sentirnentos seriam constructos sociais, simbolicos, integrativos dos atores a uma dada sociabilidade ou modo de vida, e integrativos dos sujeitos para consigo pr6prio, mediatizados pela tradicao social. Quanto menor e men os complexa uma dada rede social, maiora capacidade social integrativa dos sujeitos nas expectacoes e cumprimentos das acoes desejaveis, social e individualrnente. Como pode ser visualizado nas analises desenvolvidas por Louis Dumont (1978 e 1985) sobre sociedades hierarquicas e individualistas para pensar os c6digos interpretativos da sociabilidade ocidental e oriental.

lNIROf)u("Ao A SOl :IOLOUIA VA EMO(:AU primeira tendencia explicativa Talcott Parsons teve urn papel importante como precursor da sociologia da emocao. Principalmente atraves do seu conceito de personalidade, como conceito estrutural e estruturante da relacao entre individuo e sociedade, atraves da nocao de papel social (PARSONS, 1970 e I970a), e por tel' colocado a emocao como um dos quatro componentes estruturais da sua teoria da acao (PARSONS, 1951 ).

iv/AUI/O CII/I,HUIMI': PINHh/llIJ Kom« ecologia urbana, ambos importantes mernbros da escola de Chicago, forarn alunos de Simmel em Berlim e buscararn aprofundar as relacoes entre individuo e sociedade nos estudos sobre a realidade em transforrnacao que 0 processo de urbanizacao causava nas principais cidades americanas, especialmente em Chicago, no final do seculo XIX e primeiras decadas do X.

A teoria de Mead, seguindo de perto a analise simmeliana, apresenta 0 conceito de intersubjetividade, atraves do estudo sobre 0 cornpartilhamento de estados subjetivos por dois ou mais individuos. Para Mead (1936) a questao da intersubjetividade vai alern das descricces de

comportamentos individual e institucional em suas atitudes e acoes. Ela discute, envolve e compreende a perspectiva de uma pessoa, de urn grupo de pessoas ou de uma instituicao reais ou irnaginados, e ados outros participantes em relacao it instituicao Oll ao comportamento individualizado Oll em grupo em acso interativa.

A intersubjetividade atraves de urna analise onde 0 microsocial e os aspectos macro' se interre lac io narn se autofazendo e aurocondicionando, proposta a partir da anal ise simmeliana, bem como 0 papel fundamental da inforrnacao e do processo cornunicacional que fundamenta as relacoes entre os homens e da configuracao e institucionalizacao as suas trocas (PARK, 1967) sac as bases teorico-metodologicas

Segunda Leitura

Uma segunda leitura importante para 0 desenvolvimento da sociologia da emocao, indica a influencia da escola sociol6gica americana do final do seculo XIX e as primeiras decadas do X. A escola sociologica americana, neste periodo, beberia de urna fonte diferente da escola francesa. A formacao e 0 intercarnb io dos primeiros sociologos americanos, principalmente os da Universidade de Chicago, se deu sobretudo com a Alemanha e, especialmente, com uma vinculacao estreita com Georg Simrnel.

Para a sociologia americana e importante, deste modo, mostrar a influencia de Simrnel, mais do que Weber, principalmente junto ao que se convencionou chamar de a escola de Chicago. George Mead, fundador da psicologia social americana, bem como Robert Park, fundador da

S2 S3 que movirnentarao as pesquisas americanas ate a decada de cincoenta do seculo passado, na escola de Chicago ou interacionista, antes do predominio do funcionalismo de Talcott Parsons e sua nova proposta para a sociologia americana, que dominou 0 cenario dos Estados Unidos e da America Latina ate a decada de setenta do seculo

A construcao da subjetividade no mundo moderno a partir da analise simmeliana, firmouse como referenc ia sociol6gica das mais importantes nos Estados Unidos. A escola de Chicago apoiou-se te6rica e metodologicamente

na analise de Simmel apropriando-se, sobretudo, no enfoque predominantemente microsociologico e na interpretacao da cultura que privilegiava 0 jogo dinarnico entre estruturas simb6licas identitarias e forcas de alteridade, alern de uma sensibilidade cosmopolita presente em toda a sua obra.S Immel faz do estrangeiro, de alguem que nao e da cidade, a figura pOI' exce lenc ia da condicao citadina e, com isso, abre uma via a todas as analises subsequentes da cidade modern a enquanto comunidade paradoxa!. o desenvolvimento de LIma segunda geracao de interacionistas, tambern chamada de interacionismo simbolico, no final dos an os quarenta e cincoenta do seculo passado, e 0 desenvolvimento de lima linha de pesquisa sobre sociologia do conhecimento, redobraria a atencao, segundo Macf.arthy (1989) a analise do individuo e suas interacoes mais imediatas, em contraponto a ernergenc ia e 0 dominio do estrutural funcional ismo nos Estados Un idos.

As analises microsociais propostas pelos interacionistas e interacionistas simb61icos e pela corrente que buscava aprofundar 0 campo da fenomenologia e a pesquisa sobre sociologia do conhecimento, e bem rn ai s tarde, pela etnometodologia (GARFINKEL, 1967), desta forma, ao partirern das relacoes irnediatas entre individuos em urn conjunto societario especifico, buscavam entender as ernocoes em jogo no processo interativo como elementos socia is. Neste sentido e interessante vel' a analise pro posta pela coletanea organizada por Harre (1986), bern Como os trabalhos de Kemper (J 990) e Planalp (1999), onde a construcao social da ernocao e vista dentro do campo interacionista e no interior da analise da microsociologia. Estes estudos dao pri.oridade as ccndicoes e processos sociais, mora is e culturais de onde as ernocoes ernergem, buscando entender 0jogo interrelacional entre as instancias subjetivas e objetivas dispostas em uma interacao socia!' o espaco analftico aberto pelas analises da microsociologia americana, segundo MacCarthy (1989) teve uma influen ia te6rica determinante para a ernergencia do campo de analise da sociologia da emocao. De acordo com este autor,

INIR()"lI(".4()) Sue '/UWUIA VA £MO('Ao MAUll(} GlIll.H1,'!IMI,· Ptnntcuu: Kouur atuaremjunto aos espacos nos quais se espera que estejam, cornportando-se confonne 0 esperado, como possibilidade de credibilizarem-se favoravelmente nas esferas de sociabilidade em que estao irnersas.

Uma e spec ie de equ ilibr io r itua l e expectado como prat icas obr igator ias e especificadas enquanto conjunto de regras que ordenam e coordenam a d istr ibu icao dos sentimentos e os tipos de acao empregados e valorados nos mod os de vida de uma rede de sociabilidade especifica. Os esforcos pessoais se situariam assirn no interior de uma estrutura ritual

soc ietar ia, onde cod igos informacionais institucionalizados organizariam e ponderariam em primeira instancia as pautas mentais e ernotivas dos sujeitos na acao, nela encontrando a forrnulacao e a formalizacao de ideias sobre si mesmas, sobre 0 outro e 0 mundo erngerai.

Urn tipo de pessoaliclade, ou instituc ionalizacao das relacoes, parece ser estabelecidacorno formadora e mantenedora do movimento interno da sociabi Iidade. Os individuos em suas acoes partiriam de urn universo comum soc ietario , onde regras ritualisticas restritas e restritivas tencionariarn com os seus projetos pessoais e as configuracoes opcionais aU de aliancas realizadas para 0 seu aparecimento no mundo social enquanto instancias individualizaclas. Os cornportamentos a sociologia das em ccoes constitui urna subdisciplina de criacao recente que busca 0 resgate da vida ernocional ou a situa no centro da ref'lexao sociol6gica, alern de fortalecer a perspectiva que visualiza os sentimentos e as emocoes como partes de 1lI11 processo construtivo na relacao entre os homens e sublinha a esfera emocional como um processo tencional cruzado permanentemente por uma racionalidade ativada pelo individuo como ator social, e pelos dispositivos ideologicos e institucionais em que descansa a ordem social. Nao uma em supremacia a outra, mas am bas em estreita interconexao.

Os sujeitos sociais em interacao nao estariam subsumidos a urna ordem ritual, mas interconectados a ela. Nela e atraves dela os, individuos se encontrariam e se fundamentariarn enquanto pessoas. De acordo com Goffman (1980) e Herbert BIurn e r (1986), esta interconexao perrnitiria lima agir comum entre as regras morais irnpressas em uma sociabilidade e as propensoes psiquicas individuais, criando uma especie de constructo que balizariam a vida sOI;ial de lima organ izacao societaria qualquer, como urn tipo de equilibrio virtual. Atraves dessas bal izas as pessoas parecem .

manter distancias voluntarias dos lugares, topicos e momentosnos quais nao sao desejadas e nos quais poderiam sofrer descredito por estarem presentes ou, ao contrario, aproximarern-se e

INI1IOJ)I(Ao A SOU()f.OGlA IJA EMO(Ao MAI.'1I0 GIIIIHliIlMI-: PINHUIIO Kousv individualizados.sao postos a todo 0 memento em cheque, tencionando a relacao entre as instancias individual e societaria, medrados que sao pela instanc ia societaria mais geral, atraves dos codigos informacionais ou de etiqueta que remetern 0 ator, a cad a instante, a um sentirnento de pertenca social dela oriundo. 0 que parece indicar,analiticamente, a formacao de um estilo de vida e uma organizacao das ernocoes, no sentido dado por Geertz (1978).

As acoes sociais dos individuos em troca, ass irn, ser iarn compreendidas, seguindo a conceituacao de Schutz (1970), atraves nao so da analise decondutas, ou codigos simbolicos de acao expectados como projetos culturais societar ios, mas tambem enquanto projetos individuals. Uma e outra nao sendo entendidas simplesmente de forma isolada, mas uma tencionando a outra na formacao projetiva de atores em uma cena social determinada. A individuacao aparecendo para 0 social como clesvio, ou como padrao desviante ao c6digo simb6lico de acao socialmente instituido

(BECKER, 1966), gerandosituacoes liminares (DOUGLAS, 1966; TURNER, 1969) mas, e de forma concomitante, permitindo os atores em individuacao se situarem mais uma vez como motor ou alvo de remontagem social, ernbora na pessoalidade das relacoes mais estreitas e restritas aos c6digos das tradicoes a que pertence. 0 individuo, para esta Seguncla leitura, enquanto interioridade ou como fonte central do self, como definiu Taylor (1969), ainda nao aparece nas sociedades marcadas per relacoes pessoais intensas, e urn produto posterior cia socieclade de rnercado que surgira no Ocidente a partir do seculo XIX. .

Para Schutz (1970), cleste modo, 0 projeto individual, enquanto busca independente do self para autorealizacao, so aparece em sociedades que possuern urn sistema desenvolvido de individualizacao, caso contrario, onde 0 social ainda e predominantemente relacional, 0 projeto ainda e majoritariamente societar io, quase predeterminanclo a acao dos individuos. No tipo de sociabiliclade com urn sistema desenvolvido de individualizacao, e a conduta dos individuos que parece se sobrepor ao movimento das acoes interativas coadunadas pelo projeto societal rnais geral ao qual se encontra engajada.

A leitura feita por esta tendenc ia da sociologia da ernocao sobre a que stao do individuo e sociedade, ao advogar est a tradicao analitica como caminho de pesquisa, a discute nao como polaridade OLI clualidade explicativa de lima sociabilidade. Para os sociologos da ernocao que assumern a anal ise fenornenologica de Schutz Oll do interacionalismo simb6lico, ate aqui d iscutidas, entender estes dois tipos de sociabilidade, - de lima individualizacao ou de iN))WIJII('A() A S()(,I()U)(iIA IJA EivIO( instancias relacionais mais desenvolvidas, - como memento significativo de cornpreensao dos formatos mais gerais assumidos pelos grupamentos humanos, nao significa afirrna-los como p610s ou esferas completas para entendimento das forrnas societais.

Este caminho compreensivo indicaria, deste modo, apenas urn esforco metodologico de classificacao para uma melhor apreensao de sociabilidades, mesmo sabendo que nao existem como tipos puros mas sim como mescla, tendendo ora para um forrnato, ora para outro, ora para urn outro diferencial, produto tendencial, inesperado e original dos dois em inter-relacao profunda. Sac as tendencies que assumem as relacoes entre indivfduos e sociedade e as formas de criacao e

desenvolvimento de sociabilidades nelas dispostas que interessarn aos socio lcgos da ernocao que advogam este caminho te6ricometodol6gico compreender.

Ao seguirem de perto as anal ises desenvolvidas por estudos realizados atraves do interacionismo simbolico e da fenomenologia, ou mesmo da etnometodologia, os sociologos da sociologia da emocao atentarn que sao as regras gerais que cada formacao societal assume como c6digo de conduta para 0 social e para os individuos que nele se movimentam, a chave que permite apreender os significados intrinsecos dos rituais humanos societarios, onde a emocao e 0

MA 1I1I() GII/U-I/illMli PINNlc'l/l(} Kot IRI' arcabouco prirnevo de sua constituicao. Como, por exernplo, linguagens do prazer ou da dor, ambas mescladas pelo conjunto de etiquetas da ernocao intrinseco a um social e a urn individuo q ua lquer, que as institui como quase naturalizacao, e sua importancia para a vida de urn ator social e de urn povo, e para um modo de vida singular.

Para este caminho analitico da sociologia da ernocao, que tern a releitura interacionista e fenomenol6gica como campo compreensivo, sac as mesclagens possibilitadas pe la infinita articulacao de individuos e sociedades que devem ser exploradas para 0 entendimento de sociabilidades e c6digos emotivos social mente satisfeitos e ori undos da relacao entre atores. Sao estas infinitas configuracoes que conformarn l1 estilo de vida especifico e, ao mesmo tempo, historicamente estruturado a forrnas societais mais abstratas, - como a sociedade ocidental por exemplo. Esta preocupacao analitica, segundo estes soci6iogos, pe rrn it ira uma melhor cornpree nsao dos c6digos de conduta que movimentam a moral e a cultura de urna sociedade, bern como a etiqueta ernotiva que fundamenta os interesses e jogos relacionais entre indivfduos.

De como individuos e socieclade fundam e fundarn-se simu ltanearnente em urna razao discursiva especifica, que organiza u m a

INti/()/JI IcAo A SOl 'IOU )(jIA IJA £,IoI/o('Ao cosmologia e LIma cosmogonia orientadoras de suas visoes de mundo, instauradoras de olhares singulares sobre si, enquanto cad a urn individuo, e sobre 0 outro, estabelecedor de trocas complementares e equivalentes, que articulam 0 socius enquanto argumento cultural cornum a um modo de vida e as narrativas dai inerentes.

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