Apostila - Plano de Ação para o Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraiba . PLANAP

Apostila - Plano de Ação para o Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraiba ....

(Parte 1 de 15)

Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São

Francisco e do Parnaíba

Governo do Estado do Piauí Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural

CURITIBA / BRASIL DEZEMBRO / 2009

Produto 8 Apostila do Curso Técnicas de Manejo Florestal

Coordenação do Projeto

SDR Rubem Nunes Martins

CODEVASF Guilherme Almeida Gonçalves de Oliveira

GOVERNO DO PIAUÍ Jorge Antônio Pereira Lopes de Araújo

Joésio Siqueira Ivan Tomaselli

Bernard Delespinasse

Rodrigo Rodrigues Dartagnan Gorniski

Curitiba, Brasil Dezembro de 2009

1. INTRODUÇÃO5
2. NOÇÕES BÁSICAS DE MANEJO FLORESTAL5
2.1. Classificação de Áreas6
2.2. Planejamento Florestal6
3. NOÇÕES BÁSICAS DE DENDROMETRIA7
3.1. Tipos de Medidas8
3.1.1. Medida Direta8
3.1.2. Medida Indireta8
3.1.3. Medida Estimada8
3.2. Tipos de Erros de Medição8
3.2.1. Erros Sistemáticos8
3.2.2. Erros Compensantes8
3.2.3. Erros de Estimativa8
3.2.4. Erros Acidentais8
3.3. Medição da Idade das Árvores8
3.3.1. Estimativa da Idade de Árvores9
3.3.2. Análise de Tronco10
3.4. Medição de Diâmetro e Área Basal1
3.4.1. Instrumentos para Medir Diâmetros12
3.4.2. Cálculo da Área Basal12
3.5. Medição de Altura13
3.6. Volumetria14
3.6.1. Cubagem15
3.6.1. Fator de Forma15
3.7. Biomassa16
4. NOÇÕES BÁSICAS DE INVENTÁRIO16
4.1. Conceitos Básicos Sobre Amostragem17
4.1.1. População17
4.1.2. Censo e Amostragem17
4.1.3. Amostra17
4.1.4. Unidade Amostral17
4.1.5. Precisão e Acuracidade17
4.2. Métodos de Amostragem18
4.2.1. Método de Área Fixa18
4.2.2. Método de Bitterlich21
4.3. Processos de Amostragem2
4.3.1. Amostragem Aleatória Simples2
4.3.2. Amostragem Sistemática23
4.3.3. Amostragem Estratificada23
4.3.4. Principais Estimativas do Inventário24
4.3.5. Cálculo das Estimativas do Inventário26
4.4. Modelos Utilizados em Inventários Florestais26
4.4.1. Modelos Hipsométricos27

4.4.2. Modelos Volumétricos......................................................................................................................27

4.4.3. Funções de Afilamento27
4.4.4. Modelos de Biomassa27
4.4.5. Critérios de Seleção dos Modelos Ajustados28
5. CRESCIMENTO E PRODUÇÃO FLORESTAL28
5.1. Formas de Expressar o Crescimento28
5.1.1. Incremento Corrente Anual28
5.1.2. Incremento Médio Anual29
5.1.3. Incremento Periódico29
5.1.4. Incremento Periódico Anual29
5.1.5. Análise do Crescimento e do Incremento30
5.2. Tipos de Crescimento31
5.2.1. Crescimento em Diâmetro31
5.2.2. Crescimento em Altura31
5.2.3. Crescimento em Área Basal e Volume31
5.3. Variáveis Fundamentais nos Modelos de Produção32
5.3.1. Idade do Povoamento32
5.3.2. Qualidade de Sítio32
5.3.3. Densidade32
5.3.4. Sobrevivência3
5.4. Modelos de Projeção3
5.4.1. Modelos de Produção Global3
5.4.2. Modelos de Produção por Classe Diamétrica34
5.4.3. Modelos de Crescimento para Árvores Individuais34
5.4.4. Equações de Crescimento e Produção35
6. SISTEMAS DE MANEJO35
6.1. Sistema de Manejo para Floresta Plantada36
6.1.1. Sistema de Manejo de Alto Fuste36
6.1.2. Sistema de Talhadia36
6.1.3. Desrama37
6.1.4. Desbaste38
6.2. Sistema de Manejo para Floresta Nativa38
6.2.1. Sistema de Corte Raso39
6.2.2. Sistema de Árvore Sementeira39
6.2.3. Sistema de Abrigo por Árvores Adultas40
6.2.4. Sistema de Rebrota41
6.2.5. Sistema de Corte de Talhões41
6.2.6. Sistema de Retenção42
6.2.7. Sistema de Seleção42
7. PLANO DE MANEJO FLORESTAL42
7.1. Coleta de Informações para a Elaboração do PMF43
7.2. Zoneamento da Propriedade43
7.2.1. Área de Preservação Permanente43
7.2.2. Áreas Inacessíveis a Exploração4
7.2.3. Áreas de Exploração4
7.3. Planejamento das Estradas4
7.4. Ordenamento da Exploração45
7.4.1. Divisão da Floresta em Talhões45
7.4.2. Definir a Ordem de Exploração45
7.5. Censo Florestal46
7.6. Corte de Cipós49
7.6.1. Problemas Associados à Presença de Cipós49
7.6.2. Benefícios do Corte de Cipós49
7.6.3. Onde e como Cortar os Cipós49
7.6.4. Técnicas para Cortar Cipós49
7.7. Planejamento da Exploração50
7.7.1. Localização dos Pátios50
7.7.2. Definição do Tamanho dos Pátios50

i 7.7.3. Definição do Ramal de Arraste ........................................................................................................ 50

7.7.4. Definição da Direção de Queda das Árvores51
7.7.5. Definição dos Ramais Secundários de Arraste52
7.8. Abertura de Estradas e Pátio de Estocagem52
7.8.1. Etapas da Abertura de Estradas52
7.8.2. Etapas da Abertura de Pátios53
7.9. Corte das Árvores53
7.9.1. Pré-corte53
7.9.2. Técnica Padrão de Corte54
7.9.3. Pós-corte54
7.10. Arraste das Toras54
7.10.1. Maquinário e Acessórios Necessários54
7.10.2. Etapas do Arraste de Toras5
7.1. Práticas Silviculturais56
7.1.1. Plantio de Espécies de Valor Madeireiro56
7.1.2. Tratamentos para Aumentar o Crescimento das Árvores de Valor Comercial56
7.12. Legislação57
8. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: TÉCNICAS DE MANEJO FLORESTAL57
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS58
Figura 01. Sistema de Geoprocessamento7
Figura 02. Contagem de Verticilos9
Figura 03. Anéis de Crescimento em uma Fatia de Pinus sp10
Figura 04. Componentes do Trado de Incremento10
Figura 05. Amostras de Madeira Retiradas pelo Trado de Pressler10
Figura 06. Perfil Longitudinal de uma Árvore Hipotética10
Figura 07. Pontos de Medição de CAP1
Figura 08. Modelo de Suta12
Figura 09. Fita Métrica12
Figura 10. Tipos de Alturas13
Figura 1. Hipsômetro de Blume-Leiss13
Figura 12. Hipsômetro Suunto13
Figura 13. Procedimentos para Medição de Altura14
Figura 14. Posições da Cubagem15
Figura 15. Métodos de Cubagem15
Figura 16. Organização Estrutural de uma População17
Figura 17. Unidade Amostral de Área Fixa Circular18
Figura 18. Critério de Inclusão de Árvores19
Figura 19. Unidade Amostral de Área Fixa Quadrada19
Figura 20. Unidade Amostral de Área Fixa Retangular20
Figura 21. Unidade Amostral Empregada em Florestas Nativas20
Figura 2. Relascópio de Bitterlich21
Figura 23. Bandas Internas do Relascópio de Bitterlich21
Figura 24. Distribuição das Unidades Amostrais2
Figura 25. Distribuição das Unidades Amostrais23
Figura 26. Distribuição Aleatória das Unidades Amostrais23
Figura 27. Distribuição Sistemática das Unidades Amostrais23
Figura 28. Distribuição Normal de Dados25
Figura 29. Curvas de Crescimento e Incremento29
Figura 30. Forma do Crescimento de uma Árvore30
Figura 31. Comportamento das Curvas de Incremento31
Figura 32. Distribuição das Classes de Sítio32
Figura 3. Processo de Desrama37
Figura 34. Evolução da Regeneração após o Corte Raso39

LISTA DE FIGURAS Figura 35. Árvore Sementeira..................................................................................................................40

Figura 36. Sistema de Rebrota41
Figura 37. Sistema de Corte de Talhões42
Figura 38. Sistema de Retenção42
Figura 39. Sistema de Seleção42
Figura 39. Definição das Áreas de Exploração4
Figura 40. Estrada Secundária Sentido leste-oeste4
Figura 41. Planejamento de Estradas em Áreas Planas45
Figura 42. Divisão da Floresta em Talhões45
Figura 43. Ordenamento dos Talhões46
Figura 4. Plaqueta de Alumínio46
Figura 45. Qualidade do Tronco47
Figura 46. Avaliação da Direção da Queda47
Figura 47. Avaliação da Tendência Natural de Queda das Árvores47
Figura 48. Classe de Qualidade da Copa48
Figura 49. Classe de Iluminação da Copa48
Figura 50. Técnicas para o Corte de Cipós49
Figura 51. Distribuição Sistemática dos Pátios50
Figura 52. Distribuição Dirigida dos Pátios50
Figura 53. Delimitação das Árvores51
Figura 54. Localização do Ramal Principal de Arraste51
Figura 5. Direcionamente de Queda51
Figura 56. Planejamento da Direção da Queda51
Figura 57. Planejamento dos Ramais Secundários52
Figura 58. Abertura da Estrada52
Figura 59. Abertura com Lâmina Suspensa52
Figura 60. Abertura com Lâmina Baixa52
Figura 61. Corte Manual dos Tocos53
Figura 62. Movimentação em Espiral do Trator53
Figura 63. Movimentação do Trator para Abertura do Pátio53
Figura 64. Técnica Padrão de Corte54
Figura 65. Tratores Usados no Arraste54
Figura 6. Torre Usada no Arraste54
Figura 67. Cabo Usado no Arraste5
Figura 68. Sequência do Arraste de Toras5
Figura 69. Desengate do Estropo56
Figura 70. Empilhamento das Toras56
Figura 71. Capina ao Redor das Plantas57

iv

Quadro 01. Dados de Crescimento e Incremento do Volume30

LISTA DE TABELAS Quadro 02. Comparação entre os Sistemas de Manejo Florestal.............................................................35

1. INTRODUÇÃO

Manejo Florestal é classicamente definido pela sociedade Americana de Engenheiros Florestais SAF (1958), como aplicação de métodos empresariais e princípios técnicos na operação de uma propriedade florestal. A silvicultura, parte integrada do manejo, é a parte da ciência florestal que trata do estabelecimento, condução e colheita de árvores.

É necessário salientar que o manejo florestal, além de ser uma técnica, é também uma estratégia política, administrativa, gerencial e comercial, que utiliza princípios e técnicas florestais no processo de intervenção do ecossistema, visando à disponibilização de seus produtos e benefícios para usos múltiplos, de forma a garantir os pressupostos do desenvolvimento sustentável (SILVA, 2006).

O manejo florestal tem sido considerado por muitos pesquisadores, como um processo de tomada de decisão. Neste contexto o profissional florestal necessita ter uma visão global de planejamento, utilizando-se para tal, modelos matemáticos que possibilitem a previsão da produção, assim como gerenciar informações através de planos de manejos em que a otimização seja a tônica do processo. O manejador florestal deve balizar suas decisões em informações biológicas, econômicas, sociais, ambientais e de mercado de modo a propiciar a sustentabilidade desta prática e a perpetuação da atividade florestal no empreendimento.

O sucesso da atividade florestal depende, em grande parte, da existência de um plano que defina, com clareza, seus objetivos e os meios para alcançálos. A falta de um planejamento sistemático favorece a definição de objetivos com base em critérios subjetivos, incorreta distribuição temporal das ações, com dificuldade de coordenação e aferição dos resultados. O planejamento é particularmente relevante no manejo florestal, em razão de longos períodos envolvidos, como também das dificuldades em se promover mudanças bruscas no processo de gestão de uma floresta (SILVA, 2006).

São consideradas florestas manejadas aquelas, com importância para a conservação de biodiversidade, para as quais há prescrições de cortes, tratamentos silviculturais e proteção com o objetivo de produção comercial e outros benefícios de forma sustentada.

O manejo florestal madeireiro há muito vem sendo considerado um dos instrumentos mais viáveis de gestão (decisões e ações negociadas entre atores sociais envolvidos) dos recursos florestais com vistas à produção sustentada de madeiras. Sob a influência dessa nova ótica de desenvolvimento, o manejo florestal passa a incorporar, também, a idéia de desenvolvimento sustentável (SILVA, 2006).

Para atender aos princípios do desenvolvimento sustentável, o manejo florestal precisa contemplar, em seus objetivos, a busca da sustentabilidade em relação às dimensões social, política, ecológica e econômica. Compatibilizar e articular essas quatro dimensões constitui o principal desafio para o manejo florestal sustentável.

Historicamente, a concepção de manejo florestal passou de uma noção economicista, onde a ênfase maior era dada à maximização da produção de madeireira, para uma noção de manejo florestal sustentável, na qual a ênfase passou a ser dada ao ecossistema florestal como um todo e aos múltiplos bens e serviços que ele é capaz de fornecer a toda a sociedade.

Essa mudança implica uma nova concepção, uma nova postura em relação à floresta e aos múltiplos recursos florestais. Isso não significa que esses aspectos eram anteriormente desconsiderados pela ciência florestal, ao contrário, as preocupações com a ecologia, o meio ambiente e o uso múltiplo das florestas em relação aos benefícios sociais a serem gerados sempre estiveram presentes, embora desarticuladas das preocupações principais da economia florestal (SILVA, 2006).

Esta apostila foi elaborada com o objetivo de prover mão-de-obra capacitada na área de manejo de florestas de espécies nativas e exóticas (Eucalyptus) e que possam se constituir em monitores para a replicação das técnicas no campo (prestar assistência técnica a pequenos e médios produtores rurais). São abordados especialmente os conceitos básicos de manejo florestal, as noções básicas de dendrometria e inventário, aspectos sobre crescimento e produção florestal, os sistemas de manejo para florestas nativas e plantadas, noções sobre sistemas agroflorestais e como é operacionalizado o manejo florestal em florestas nativas.

2. NOÇÕES BÁSICAS DE MANEJO FLORESTAL

Manejar ou gerir recursos florestais? De acordo com o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira os termos gestão e manejo poderiam ser considerados sinônimos se aplicados no caso florestal. Entretanto, já se consagrou no Brasil o uso do termo manejo florestal para descrever um conjunto de intervenções que alteram o estado inicial de uma determinada floresta. Desta forma, o manejo de um povoamento florestal se refere mais especificamente a uma prescrição, ou regime, que define intervenções e atividades às quais são submetidos os povoamentos florestais. Por outro lado, o termo gestão se identifica mais com o processo de escolha dessas prescrições ou regimes (RODRIGUEZ, 2005).

produção contínua e eficiente de madeirarealizada

Schneider (1993) se refere ao objetivo primordial do manejo florestal como sendo “a de maneira simultânea com um maior incremento possível de água de boa qualidade, da fauna, da flora dos locais recreativos e da estética da paisagem, sem promover a degradação ambiental”. Nota-se neste caso, que diversos princípios científicos, econômicos e sociais balizam a busca de resultados e as alterações que eventualmente venham a ser implementadas nos sistemas produtivos. É o processo de gestão, entretanto, que deverá levar em consideração todos esses princípios e objetivos quando da seleção de um manejo florestal que efetivamente possa ser colocado em prática.

2.1. CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS

A classificação das áreas florestais é o primeiro elemento de prescrição que o manejador florestal dispõe, uma vez que ela fornece o estado e o contexto das atividades e das projeções de produção. É neste ponto que o manejador decide o que é homogêneo e o que é heterogêneo, o que é similar e o que não é.

O manejo florestal historicamente não tem prestado muita atenção à classificação detalhada das áreas florestais, reduzindo o escopo à identificação e classificação dos índices de sítio. Porem, com o crescente interesse em avaliar o impacto dos tratamentos silviculturais em parâmetros diferentes da produção de madeira, é obvio que a simples classificação por índices de sítio não é suficiente (ARCE, 1999).

Em todo projeto de manejo florestal devem ser diferenciadas áreas com características econômicas e administrativas comuns (Unidade de Manejo – UM), e áreas com semelhança a nível de vegetação, solo, declividade, dentre outros fatores diversos (povoamentos florestais).

Os povoamentos ou grupos de povoamento organizam a área em classes homogêneas a partir de características inerentes a produção de madeira e outras respostas dos tratamentos silviculturais, visando aumentar a acuracidade das predições. Em contraste, as unidades de manejo organizam a área em unidades espaciais lógicas para fins de implantação de plano de manejo, resultando em unidade tipicamente heterogênea (ARCE, 1999).

A definição de unidade de manejo é extremamente útil para levar em considerações as condições de acesso, necessidade de construção de estradas e caminhos, efeitos da drenagem e erosão do solo, dentre outros. Desta maneira todos os povoamentos possuem características próprias que lhes outorgam homogeneidade e ao mesmo tempo os diferenciam dos povoamentos vizinhos.

Pode-se inferir que, enquanto as unidades de manejo podem ser diferenciadas a partir de mapas, os povoamentos somente podem ser identificados com precisão a partir de inventários em uma base de dados georeferenciada, isto é, com limites claramente definidos no terreno e levantados nas cartas e mapas temáticos de vegetação, declividade, solos, etc.

O manejo florestal deve identificar tanto áreas homogêneas para predição de respostas por hectare, quanto às áreas contiguas, mas não homogêneas para analisar a implantação do plano de manejo. Uma prescrição completa deve possuir instruções especificas e completas para cada tipo de grupos de povoamentos, como assim também instruções únicas para cada unidade (ARCE, 1999).

Por prescrição entende-se o conjunto de atividades a serem desenvolvidas com a finalidade de atender os objetivos impostos pelo manejo para um determinado povoamento florestal, ou seja, uma prescrição é essencialmente, um conjunto de métodos silviculturais que visa, simultaneamente, satisfazer os desejos do proprietário e garantir a perpetuidade do recurso.

É claro que para cada povoamento existirá sempre uma prescrição ótima que garanta o máximo retorno em termos econômicos e/ou socais, mas a finalidade do manejo é tratar simultaneamente com todos os povoamentos florestais, tentando minimizar, para cada um deles, as divergências entre as prescrições utilizadas e as ótimas (ARCE, 1999).

2.2. PLANEJAMENTO FLORESTAL

A tomada de decisões na cadeia produtiva florestal é um desafio cada vez mais complexo (ARCE, 2008). Sem ferramentas ágeis e ao mesmo tempo robustas para o processamento e a análise das informações, a tomada de decisões pode-se tornar simplesmente um labirinto sem saída. Engenheiros, coordenadores, gerentes, e até mesmo diretores de empresas e organizações florestais estão retornando, de forma sistemática, às salas de aula de cursos de pós-graduação buscando ampliar a base do seu conhecimento. E é nesta conjuntura que as universidades brasileiras têm o dever de brindar tudo o que estiver ao seu alcance para auxiliar no planejamento da cadeia produtiva florestal.

Segundo Arce (2008) a definição do horizonte de planejamento (HP) é o primeiro passo em planejamento. Não se pode planejar até o “fim dos tempos”. Por exemplo, em planejamento envolvendo florestas plantadas, normalmente o HP é de pelo menos 1,5 a 3,0 vezes a rotação. Em florestas de Pinus com rotação de 20 anos, o HP costuma ser de 30 anos (HP = 1,5 x Rotação). Já em florestas de Eucaliptos com rotação de 7 anos, o HP costuma ser de 21 anos (HP = 3,0 x Rotação).

Indo agora ao Planejamento Florestal

Otimizado estratégico ou de longo prazo, são cada vez mais as empresas no Brasil que incorporam este conceito por meio do uso de software específico na tomada de decisões. Aos poucos, soluções semiartesanais de planejamento cedem seu lugar a software baseado em ferramentas como a Programação Linear, Programação Dinâmica, Algoritmos Genéticos, dentre outros.

Os modelos de planejamento florestal permitem a programação de colheitas de curto prazo e, simultaneamente, a consideração das demais questões silviculturais e econômicas de longo prazo: produtividade, custos de produção e transporte, idade ótima de colheita, decisão sobre reforma, desbaste e condução da brotação (no caso de eucaliptais). Colocado de forma simples, a modelagem matemática permite não apenas a obtenção de planos de curto prazo, ótimos quanto aos objetivos econômicos e de produção estabelecidos pelo gestor, mas, sobretudo, são capazes de sinalizar o grau de sustentabilidade e os efeitos sobre a disponibilidade futura de madeira (EISFELD et al., 2009).

• Geoprocessamento

Segundo Silva et al. (1998), geoprocessamento é um conjunto de procedimentos computacionais que, operando sobre bases de dados geo-codificados, executam análises, reformulações e síntese sobre os dados ambientais, tornando-se utilizáveis em um sistema de processamento automático (figura 1). Novo (1992) definiu sensoriamento remoto como sendo a tecnologia da utilização conjunta de sensores remotos, equipamentos de processamento e transmissão de dados, com o objetivo de estudar o ambiente terrestre através de registro e análise das interações eletromagnéticas com elementos componentes do planeta Terra, em suas mais diferentes manifestações.

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