Manual de Rede de Frio (2001)

Manual de Rede de Frio (2001)

(Parte 3 de 14)

2.3. Freezers ou congeladores

São equipamentos destinados, preferencialmente, para estocagem de vacinas a -20ºC. Estes equipamentos devem ser do tipo horizontal, com isolamento de suas paredes em poliuretano, evaporadores nas paredes (contato interno) e condensador/compressor em áreas projetadas no corpo, abaixo do gabinete. É o equipamento mais eficiente e confiável para conservação em temperaturas negativas, principalmente aquele dotado de várias portas pequenas na parte superior (figura 3).

Os freezers também são usados para congelar as bobinas de gelo reciclável, tendo o cuidado de não usar o mesmo equipamento em que estão armazenados os imunobiológicos, para não comprometer a conservação destes.

Sua instalação deve ser em local bem arejado, sem incidência da luz solar direta e longe de equipamentos que desprendam calor, uma vez que o condensador necessita dissipar calor para o ambiente.

Atenção:O equipamento deve ficar sobre suporte (pés com rodinhas – ver figura 3) para evitar a oxidação das chapas da caixa em contato direto com o piso úmido e facilitar sua movimentação.

Figura 3 - Freezers ou congeladores

Organizaçªo interna

Como os freezers são dotados somente de um compartimento, deve-se ter o cuidado de armazenar os imunobiológicos, de forma a permitir a circulação de ar entre os produtos ou as caixas.

Os imunobiológicos devem ser armazenados da seguinte forma: •nome do imunobiológico, separar por:

- laboratório produtor; -nº de lote;

-prazo de validade;

-enfrascagem (uma dose, 10 doses, 20 doses, etc.).

Deve-se observar também a validade dos lotes. Aqueles com menor prazo de validade deverão ter prioridade na distribuição, para possibilitar menor perda dos imunobiológicos por vencimento do prazo.

Atenção:Cada freezer deverá ter afixado na parte externa frontal uma placa de identificação contendo os dados dos itens acima citados.

Cuidados bÆsicos

•fazer a leitura da temperatura diariamente no início da jornada de trabalho da manhã, da tarde e no final do dia, registrando-as no formulário próprio;

•não deixar a porta aberta sem necessidade, somente para acondicionamento e retirada de imunobiológicos e gelo reciclável;

•certificar-se de que a porta está vedando adequadamente, usando-se uma tira de papel com 3cm de largura, aproximadamente. Coloca-se a tira de papel entre a borracha da porta e a geladeira. Se ao puxar o papel a

Bobinas de Gelo ReciclÆvel a congelar

Bobinas de Gelo ReciclÆvel congelada

FUNASA - junho/2001 - pÆg. 16 borracha apresentar resistência, a vedação está adequada, porém, se o papel sair com facilidade, deverá ser trocada a borracha. Este teste deverá ser feito em vários pontos da porta, especialmente nos quatro ângulos;

•fazer o degelo a cada 30 dias ou sempre que for necessário; não deixar acumular gelo nas paredes, em espessura maior que 0,5cm, porque isto compromete a conservação das vacinas, vez que o gelo é um material isolante e não deixa passar o frio;

•usar tomada exclusiva para cada equipamento;

Observação: Este equipamento deverá ser submetido à manutenção preventiva conforme formulário anexo, e corretiva quando necessário.

2.4. Refrigeradores ou geladeiras

São equipamentos de uso doméstico que na Rede de Frio são destinados à estocagem de imunobiológicos em temperaturas positivas a +2ºC, devendo para isto estar regulados para funcionar nesta faixa de temperatura. A vacina pode, em algum momento, estar em uma temperatura entre +2o e +8oC sem sofrer perda de potência (em armazenamento).

2.4.1 Geladeira domØstica

As geladeiras, com capacidade a partir de 280 litros, utilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações, devem ser organizadas de acordo com as seguintes recomendações (figura 4):

•no evaporador (congelador) colocar gelo reciclável (gelox ou bobinas com água) na posição vertical. Esta norma contribui para a elevação lenta da temperatura, oferecendo proteção aos imunobiológicos na falta de energia elétrica ou defeito do equipamento;

•na primeira prateleira devem ser colocadas as vacinas que podem ser submetidas à temperatura negativa (contra poliomielite, sarampo, febre amarela, rubéola, tríplice viral) dispostas em bandejas perfuradas para permitir a circulação de ar (figura 4);

•na segunda prateleira devem ser colocadas as vacinas que não podem ser submetidas à temperatura negativa (dT, DTP, Hepatite B, Hib, influenza, T e BCG), também em bandejas perfuradas ou nas próprias embalagens do laboratório produtor (figura 4);

•na segunda prateleira, no centro, colocar termômetro de máxima e mínima na posição vertical, em pé (figura 4);

•na terceira prateleira pode-se colocar os diluentes, soros ou caixas com as vacinas conservadas entre +2 e +8ºC, tendo o cuidado de permitir a circulação do ar entre as mesmas, e entre as paredes da geladeira (figura 4);

•retirar todas as gavetas plásticas e suportes que existam na parte interna da porta, e no lugar da gaveta grande preencher toda parte inferior exclusivamente com 12 garrafas de água com corante, que contribuem para a lenta elevação da temperatura interna da geladeira (figura 4). Essa providência é de vital importância para manter a temperatura da geladeira entre +2°C e +8°C quando ocorrer falta de energia ou defeito no equipamento. A porta do evaporador (congelador) e a bandeja coletora sob este deverão ser mantidas (figura 4). Não devem ser usadas bobinas de gelo reciclável como substitutas das garrafas.

•A geladeira que não possuir o quantitativo de 12 garrafas de água deverá ser abastecida com o número necessário, colocando-se duas unidades por dia até atingir o número recomendado (12), evitando-se, dessa forma, modificação abrupta de temperatura no interior da geladeira, levando as vacinas a choque térmico. As unidades de saúde que dispuserem de geladeira para outro fim poderão utilizá-la para refrigerar a água que será usada para abastecer as 12 garrafas e em seguida colocá-las na geladeira da vacina de uma só vez. Essas garrafas devem ser tampadas para que a água não evapore, pois a evaporação acelera a formação de gelo no evaporador.

FUNASA - junho/2001 - pÆg. 17

Observação:Não devem ser usadas geladeiras duplex (evaporadores separados do restante) e/ou frigobar. O evaporador desse tipo de geladeira não é elemento de segurança contra as bruscas elevações de temperatura em caso de defeito ou falta de energia elétrica, vez que não se localiza no compartimento destinado ao armazenamento.

O congelador do frigobar não produz gelo na quantidade necessária, bem como não possui espaço físico suficiente para armazenamento de bobinas de gelo reciclável. Desta forma, não dá segurança contra as bruscas elevações de temperatura em caso de defeito ou falta de energia elétrica. E ainda a espessura do isolamento das paredes do frigobar facilita a troca de calor com o ambiente externo.

Figura 4 - Organizaçªo interna da geladeira

- Na porta: - não colocar imunobiológicos. - não colocar qualquer outro produto ou objeto.

- No congelador (evaporador): • gelo reciclável (*)

- Na primeira prateleira: • vacinas que podem ser submetidas à temperatura negativa(**)

- Na segunda prateleira:

• termômetro de máxima e mínima • vacinas que não podem ser submetidas a temperaturas negativas (***)

- Na terceira prateleira: • estoque de vacinas

• soros

• diluentes

- Na prateleira inferior:

• garrafas com água e um corante (*)

(*)O gelo reciclável e as garrafas com água servem para manter a

temperatura baixa em caso de defeito ou falta de energia.

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