Noções Básicas sobre Manejo Florestal

Noções Básicas sobre Manejo Florestal

(Parte 1 de 9)

LabManejo Florestal

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LabManejo Florestal

Versão 2008

Apoio CNPq e Fapeam

Organizadores

Niro Higuchi

Joaquim dos Santos

Roseana Pereira da Silva

Adriano N. Lima

Liliane M. Teixeira

Vilany M.C. Carneiro

Cristina A. Felsemburgh Edgard S. Tribuzy

Índice Geral

Conteúdo pág. Parte I – O mínimo de ecologia para o manejo florestal (MF)4 Capítulo 1 – Conceitos básicos5 Capítulo 2 – A árvore7 2.1. A espécie vegetal no complexo ambiental 7 2.2. Fatores ambientais9 2.3. Interações17 Capítulo 3 – Comunidades florestais19 Capítulo 4 – Dinâmica florestal (introdução)2 Capítulo 5 – Dinâmica florestal (sucessão)26 Capítulo 6 – Análise de dimensão, NPP e ciclagem de nutrientes32 Capítulo 7 – Desenvolvimento e crescimento de plantas36 Parte I – O mínimo de estatística para o manejo florestal42 Capítulo 8 – Conceitos gerais42 8.1. Natureza da estatística42 8.2. Conceitos básicos45 Capítulo 9 – Organização dos dados49 Capítulo 10 – Medidas descritivas54 10.1. Medidas de tendência central54 10.2. Medidas de dispersão56 10.3. Medidas de relacionamento58 Fórmulas úteis61 Capítulo 1 – Distribuição amostral da média62 Teorema de limite central65 Capítulo 12 – Estimando a média da população70 Intervalos de confiança70 Capítulo 13 – Algumas variáveis aleatórias importantes para o manejo florestal79 13.1. Diâmetro à altura do peito (DAP)79 13.2. Área basal82 13.3. Volume83 13.4. Biomassa87 Anexo 4: Distribuição de Weibull90 Anexo 5: Artigo sobre biomassa95 Capítulo 14 – Cadeia de Markov108 Parte I – Manejo Florestal na Amazônia124 Capítulo 15 – Amazônia: visão geral125 Capítulo 16 – Principais tipos florestais143 Capítulo 17 – Desenvolvimento sustentável151 Capítulo 18 – Manejo florestal sustentável167 Capítulo 19 – Setor florestal brasileiro183 Capítulo 20 – Convenções, acordos internacionais e certificação florestal200 Capítulo 21 – Legislações florestais brasileiras227 Capítulo 2 – Lei Estadual de Mudanças Climáticas 256 Capítulo 23 – Exploração florestal na Amazônia259

A floresta é o conjunto de árvores. Algumas são bem conhecidas e são amplamente utilizadas na indústria florestal. A maioria, nem tanto. Da árvore, tudo poderia ser aproveitado (raiz, caule, casca, galhos, folhas e frutos). No entanto, a madeira do caule é o principal produto atualmente; tem escala de mercado e liquidez financeira.

Aproveitável ou não, a árvore para sobreviver e se desenvolver tem que interagir com os outros seres vivos, sem perder de vista a relação intrínseca com os fatores do ambiente e do solo. Tentar manejar uma floresta sem este conhecimento, é apostar no fracasso. A floresta que está sendo explorada na Amazônia tem, aproximadamente, 1500 anos de idade, que foi desenvolvida sobre solos pobres em nutrientes. A exuberância da floresta em contraste com a fertilidade dos solos pode ser explicada pela capacidade da floresta em conservar e reciclar nutrientes.

ambientaise isto é econômico.

Entender o que é apresentado na Parte I da apostila de manejo florestal não significa que você vai se transformar em ecólogo. No entanto, se você considerar este mínimo de conhecimento ecológico, antes e durante o manejo florestal, você poderá minimizar os impactos

etapastudo é uma questão de foco. Portanto, dos quatro pilares da sustentabilidade do manejo

A combinação de economia e minimização de impactos ambientais pode ser obtida utilizando-se das melhores técnicas de manejo florestal, da exploração florestal até a industrialização. A grade curricular dos cursos de engenharia florestal já contempla todas essas florestal (técnico, econômico, ecológico e social), fica faltando apenas o social. Infelizmente, este tema não será abordado nesta apostila. A recomendação é colocar como questão de fundo para o seu manejo florestal, o conceito de desenvolvimento sustentável, que é apresentado na Parte I. Assuma o compromisso em deixar para as futuras gerações, a mesma oportunidade que você está tendo, hoje, em aproveitar os recursos florestais.

Capítulo 1 - conceitos básicos

1. Ecologia: é o estudo dos organismos vivos e suas relações com o meio ambiente.

2. Meio ambiente: é a soma de todos os fatores bióticos (vivos) e abióticos que rodeiam e potencialmente influenciam um organismo.

3. Ecossistema: é a soma das comunidades de plantas e de animais e o meio ambiente, numa região particular ou habitat ou fatores bióticos + abióticos.

4. Fisiologia da planta: é o estudo dos processos da vida de várias partes da planta. 5. Citologia da planta: é a investigação dos eventos que ocorrem dentro das células. 6. Bioquímica: é a análise da estrutura química final dos seres vivos e os processos da vida.

7. Auto-ecologia: lida com a adaptação e comportamento da espécie individual ou população em relação ao seu meio ambiente. Pode ser interpretado como sinônimo de ecologia fisiológica ou ecofisiologia.

8. Sinecologia: é o estudo das comunidades em relação ao meio ambiente. Sinônimos: ecologia de comunidade, fitossociologia, geobotânica ou ecologia da vegetação.

9. Vegetação: consiste de todas as espécies de plantas numa região (flora) e se refere ao padrão de como todas as espécies estão espacial e temporalmente distribuída.

10. Forma de vida: (i) o tamanho, a duração da vida, a presença de lenho de um táxon; (i) o grau de independência de um táxon; (i) a morfologia de um táxon; (iv) os traços das folhas do táxon; (v) a localização dos brotos perenes e (vi) fenologia

1. Fisionomia: é a combinação da aparência externa + estrutura vertical incluindo arquitetura de copas + forma de vida das taxa dominantes.

12. Formação: um tipo de vegetação que se estende sobre uma grande região. A formação pode ser subdividida em associações.

13. Associação: é a coleção de todas as populações de plantas co-existindo com um dado ambiente. A associação tem os seguintes atributos: (i) composição florística relativamente fixa; (i) exibe uma fisionomia relativamente uniforme e (ii) ocorre num tipo de habitat relativamente consistente.

14. População: é um grupo de indivíduos de mesma espécie ocupando um pequeno habitat capaz de permitir o cruzamento entre todos os membros do grupo.

15. Sociologia de plantas: a descrição e o mapeamento dos tipos de vegetação e comunidades.

16. Dinâmica de comunidades: uma outra fase de sinecologia que inclui processos como transferência de nutrientes e energia entre membros, relações antagônicas e simbióticas entre membros e os processos e causas da sucessão.

Capítulo 2 – A árvore

Para Hallé et al. (1978), a árvore não pode considerada meramente como um indivíduo num determinado ponto no tempo, mas como um indivíduo geneticamente diverso em processo de desenvolvimento e mudanças, que responde, de várias maneiras, às flutuações do clima e micro-clima, à incidência de insetos, fungos e outros parasitas, particularmente às mudanças ao redor dela mesma. A árvore é então vista como uma unidade ativa e adaptável e, a floresta, é feita de um vasto número de tais unidades interagindo entre si e com os fatores do solo e do clima.

A função de uma árvore em sua eco-unidade (unidade de regeneração) florestal deve ser considerada, pois a árvore participa na construção da eco-unidade e contribui com a sobrevivência da mesma, ou seja, a árvore reage a todos os inputs bióticos e abióticos vindos de seu biótipo natural (Oldeman, 1991). O ambiente da árvore não consiste apenas de fatores abióticos determinados pelos fatores climáticos e de solos (Oldeman, 1991). Esses fatores são filtrados pela vegetação circundante composta de um mosaico de fragmentos (manchas) de floresta jovem, em construção, madura e em decomposição. E, dentro de uma particular mancha, os nutrientes e a energia são filtrados novamente por vários organismos, antes de alcançar a árvore sob consideração.

2.1. A espécie vegetal no complexo ambiental:

(i) A Lei do Mínimo

A presença e o sucesso de um organismo ou de um grupo de organismo dependem de um complexo de condições. Diz-se que qualquer condição que se aproxime de ou exceda os limites de tolerância é uma condição limitante ou um fator limitante.

“O crescimento e/ou a distribuição da espécie é dependente de um fator ambiental mais criticamente em demanda”.

(i) A teoria da tolerância

“Toda espécie de planta é capaz de existir e reproduzir com sucesso somente dentro de um limite definido de condições ambientais.”

Os organismos podem apresentar uma larga faixa de tolerância para um fator e uma estreita para outro; os organismos que tenham faixas de tolerância longas para todos os fatores serão provavelmente os mais amplamente distribuídos; quando as condições não são ótimas para uma determinada espécie em relação a um fator ecológico, os limites de tolerância poderão ser reduzidos para outros fatores ecológicos. Os limites de tolerância não podem ser determinados a partir de um exame dos fatores morfológicos; em vez disso, eles são relacionados com os fatores fisiológicos que podem ser somente medidos experimentalmente.

A distribuição relativa da espécie com limites similares de tolerância aos fatores físicos é determinada finalmente pelo resultado da competição (ou outra interação biótica) entre as espécies. Ex: testes de estresse, realizados em laboratórios ou no campo, nos quais os organismos são submetidos a uma variedade experimental de condições.

(i) A espécie taxonômica:

Uma espécie consiste de grupos de indivíduos morfológica e ecologicamente similares que podem ou não ser cruzados, mas que são reprodutivamente isolados de outros grupos. O taxonomista tradicional enfatiza a morfologia (aparências externas), mas os biosistematas dão mais ênfase à isolação reprodutiva.

(iv) A espécie ecológica:

É o produto da resposta genética de uma população a um habitat – ecótipo ou tipo ecológico ou raça ecológica. São populações de uma mesma espécie que apresentam grande dispersão geográfica, mas que estão fisicamente separadas.

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