Infecções respiratórias em pediatria 2006

Infecções respiratórias em pediatria 2006

  • INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS

  • Importância:

  • Está entre as 5 1ªs causas de óbitos em crianças menores de 5 anos e principal causa de doença e consulta aos serviços de saúde em países em desenvolvimento.

  • Características:

  • São consideradas como infecções respiratórias aquelas que atingem:

  • V.A.S.: nariz, faringe e ouvidos

  • V.A.M.: epiglote e laringe (síndrome do crupe)

  • V.A.I.: traquéia, brônquios, bronquíolos

  • Pulmões: lobos pulmonares

  • Etiologia: penetração de agentes infecciosos:

  • Vírus (predominam, principalmente, nas V.A.S.)

  • Estreptococcos B – hemolíticos do grupo A

  • Estafilococcos

  • Haemophilus influenzae

  • Pneumococcos

  • Incidência e prevalência:

  • - 30 a 60% de consultas de saúde.

  • - 20 a 40% de hospitalizações

  • - cças têm de 4 a 6 consultas/ano

  • Principal causa de indicação de medicamentos:

  • algumas desnecessárias;

  • tem efeitos colaterais;

  • gera resistência e aumenta o custo.

  • Letalidade e mortalidade:

  • 100.000 mortes / Ano em cças < de 1 ano por pneumonia

  • 300 mortes diárias

  • 99% ocorrem em países em desenvolvimento

  • Fatores relacionados:

  • A gravidade varia:

  • Idade: < 5 anos e < 6 meses / mortalidade

  • Imaturidade imunológica

  • Baixo peso ao nascer (risco 7x > de mortalidade

  • por pneumonias < que 2.500g)

  • Prematuridade

  • Desmame precoce (lactentes não amamentados

  • Tiveram um risco de 1,5 a 4x mais de serem admitidas no hospital (Brasil, China, Canadá, Argentina)

  • INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS

  • Quanto maior a idade menor a gravidade da doença

  • Tamanho: Diâmetro maior das V.A., menor acúmulo de secreções

  • Estruturas + curtas facilitam o deslocamento dos microorganismos

  • Resistência: Diminuição devido à: desnutrição, anemia, fadiga, esfriamento do corpo, rinite alérgica, fumaça de cigarro (filhos de fumantes tem 1,5 a 2x mais Inf. Respiratórias),

  • Variações sazonais: exposição ao frio e umidade, a mortalidade > no inverno

  • Fatores sócioeconômicos: Renda familiar; educação dos pais; lugar da residência.

  • Atendimento À Criança Com Problemas Respiratórios

  •  Verificar se há sinais de perigo: não consegue beber ou mamar, vomita tudo o que ingere, convulsão, letárgica ou inconsciente

  • Obs.: Se apresentar esses sinais, encaminhar urgentemente para atendimento médico.

  • Levantar o histórico de enfermagem do sistema respiratório (exame físico de nariz, boca, faringe, tórax e pulmões)

  • Avaliar se há tosse, e dificuldade em respirar

  • Se houver tosse, verificar há quanto tempo e qual o horário que ela é mais intensa.

  • Obs.: Se houver tosse há mais de 30 dias, a causa pode ser tuberculose, asma, coqueluche, etc.

  • Avaliar respiração (freqüência e profundidade). Se apresentar:

  • freqüência rápida, retração subcostal e estridor (é doença pulmonar grave)

  • freqüência rápida e retração subcostal (pode ser pneumonia)

  • freqüência rápida e sibilância com ou sem retração intercostal (pode ser asma brônquica ou bronquiolite)

  • Obs.: um lactente tem respiração considerada rápida quando se pode contar mais do que 50 respirações por minuto. Para uma criança entre 1 e 5 anos, a respiração é considerada rápida quando se pode contar mais do que 40 respirações por minuto.

  • Avaliar sintomas associados, tais como febre, anorexia, vômito, diarréia, dor abdominal, obstrução nasal, secreção nasal, faringite, indisposição, calafrios, meningismo e intervir conforme indicado

  • Intervenção de enfermagem: umidificação, repouso, prevenção da disseminação, redução da temperatura, hidratação, nutrição adequada, orientação para a família e utilização do brinquedo terapêutico se necessário

  • Infecções Agudas das Vias Aéreas Superiores

  • NASOFARINGITE:

  • É parecida com o resfriado comum. É provocada por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), adenovírus e vírus influenza.

  • Manifestações clínicas:

  • Febre, espirros, calafrios, tosse e dores musculares e principalmente obstrução nasal

  • Prescrição de Enfermagem:

  • Posicionamento em decúbito dorsal com elevação da cabeceira

  • Instilação nasal de soro fisiológico

  • Desobstrução nasal mecânica

  • Ingestão hídrica constante com líquidos preferidos

  • Orientar utilização de lenços de papel

  • FARINGITE:

  • Infecção das vias aéreas por estreptococcos -hemofílicos do grupo A (GABHS).

  • Riscos de seqüelas como GNDA (surge em cerca de 10 dias) e febre reumática (surge em torno de 18 dias)

  • Manifestações clínicas:

  • Início repentino com cefaléia, febre e dor abdominal, linfonodos doloridos, dor a deglutição e infecção local

  • Prescrição de Enfermagem:

  • Controle da administração de antibióticos, que deve produzir resposta em 24 horas

  • Compressas frias ou quentes no pescoço produzem alívio

  • Gargarejos com soro fisiológico aquecido

Manifestações clínicas: Dificuldade de respiração e de deglutição devido à obstrução por edema e função das tonsilas palatinas na linha média Respiração bucal relativa ao bloqueio do espaço posterior das narinas devido ao aumento da tonsila faríngea no espaço posterior das narinas. Prescrição de Enfermagem: Administrar dieta branda e líquida Gargarejo com soro fisiológico quente Avaliar necessidade de analgésico Se necessário, preparar a criança para cirurgia

  • Pós-operatório:

  •  Decúbito lateral pós cirurgia para evitar aspiração de sangramento

  •  Não assoar o nariz e o choro

  •  Evitar analgésico por V.O.

  •  Oferecer dieta líquida fria sem derivado de leite, porque o leite causa pigarro e favorece o sangramento

  •  Monitorar sangramento, evitando o choque

  • (até no décimo dia pós operatório pode sangrar)

  • Suporte para a família

  • Encorajar os pais dizendo que essas crises freqüentes vão ser amenizadas após os 5 anos, quando as crianças adquirem imunidade para vários vírus

  • Adotar cuidados especiais nos meses de outono e inverno.

  • Instruir os pais quanto aos sinais de

  • Complicações respiratórias:

  • otalgia, taquipnéia, Tº 38,3ºC, tosse persistente por 2 ou mais dias, sibilos, recusa alimentar e vômitos constantes

  • Observação rigorosa de qualquer sangramento

  • .

  • OTITE MÉDIA (OM):

  • Infecção das V.A.S., acompanhada de

  • coriza e inflamação do ouvido médio

  • Incidência:

  • Crianças de 6 meses a 2 anos e 5 a 6 anos de idade. Raro em crianças com mais de 7 anos

  • Meses de inverno

  • Residência com muitos membros na

  • família, em especial fumantes

  • História de otite nos pais

  • Lactentes não amamentados

  • Agentes causadores: Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae

  • Fisiopatologia:

  • É a congestão com edema na tuba auditiva resultante do acúmulo de secreções e penetração de microorganismos, após alergia ou infecção nas V.A.S.

  • Pode ser aguda ou crônica

  • Manifestações clínicas:

  • Otite média aguda:

  • Otalgia após alguns dias de IVAS,

  • Tº de 38ºC

  • Irritabilidade, Letargia, anorexia, vômitos e diarréia

  • Secreção purulenta (às vezes)

  • Segurar, esfregar ou puxar o ouvido afetado

  • (Dura em torno de 3 semanas)

  • Otite média crônica:

  • Quando a secreção persiste por mais de 8 semanas.

  • É resultado de otite mal curada. Apresenta: secreção clara e viscosa, zumbido, vertigem, não há dor, mas há perda de audição que pode ser temporária ou não

  • Prescrição de Enfermagem:

  • Monitorar administração de antibiótico (ampicilina, amoxilina)

  • Preparar a criança para miringotomia (incisão cirúrgica do tímpano). Alivia a dor, pela liberação da secreção)

  • Monitorar perda de audição e mastoidite (tumefação dolorosa atrás da orelha)

  • Compressa quente no local, com criança deitada sobre o lado afetado (diminui dor e libera secreção)

  • Compressas de gaze esterilizadas para reter a drenagem das secreções

  • Orientar os pais a não parar a medicação mesmo após 24 a 48 horas que os sintomas diminuem

  • Prevenção: Posição semi ereta durante a amamentação com leite materno ou mamadeira

  • Não fumar próximo à criança

  • Infecção das Vias Aéreas Média

  • Epiglotite:

  • processo inflamatório com edema e obstrução grave da epiglote (supraglótica) que pode ocorrer em crianças desde a lactência até 5 anos, causado por Haemophilus influenzae

  • Infecção das Vias Aéreas Inferiores

  • Síndrome do crupe: infecção aguda da laringe com edema e obstrução caracterizado por rouquidão, tosse ressonante (“curtida ou metálica”), graus variados de estridor inspiratórios e de angústia respiratória.

  • Epiglotite: processo inflamatório com edema e obstrução grave da epiglote (supraglótica) que pode ocorrer em crianças desde a lactência até 5 anos, causado por Haemophilus influenzae

  • Manifestações clínicas:

  • Após uma faringite, a criança vai dormir assintomática e acorda, mais tarde, apresentando tosse, salivação, dor a deglutição. Senta ereta com a cabeça inclinada para frente e apresenta-se agitada.

  • O quadro evolui rapidamente com febre 39ºC, rouquidão, estritor respiratório e angústia respiratória grave que pode ser fulminante, necessitando de entubação imediata.

  • Prescrição de Enfermagem:

  • Orientar os pais quanto à importância da vacinação aos 2 meses e de reconhecimento precoce dos sinais e sintomas

  • Atenção ao examinar a faringe

  •  precipitar obstrução adicional ou completa

  •  entubação ou traqueotomia

  • Monitorar a administração de antibiótico e de corticóide para diminuir o edema

  • Referir a criança imediatamente para avaliação médica quanto houver suspeita dos primeiros sintomas

  • Atuar de forma calma, porém rápida. Passando a gravidade a doença é autolimitada benigna

  • LARINGITE AGUDA:

  • é comum em crianças maiores e adolescentes que são atingidas por vírus (influenza, adenovírus, VSR, parainfluenza e rinovírus)

  • LARINGOTRAQUEOBRONQUITE AGUDA:

  • inflamação da laringe e da traquéia

  •  edema subglótico

  •  estreitamento da via aérea. Atinge principalmente crianças de 3 meses a 8 anos os principais microrganismos são parainfluenza, VSR, Haemophilus influenzae tipo B e o Mycoplasma pneumoniae

  • Manifestações clínicas:

  • IRA, estridor inspiratório, retrações supra-esternais, rouquidão, dispnéia e agitação

  •  acidose respiratória e insuf. resp.

  • Prescrição de enfermagem:

  • Monitorizarão rigorosa do padrão respiratório

  •  material de intubação preparado

  • Manter repouso

  • Promover umidade (capacetes

  • ou tendas)

  • Tranqüilizar a criança e os pais

  • LARINGITE ESPASMÓDICA AGUDA

  • Caracterizada por ataques paroxísticos súbitos de obstrução laríngea que ocorrem à noite.

  • Atinge crianças entre 1 a 3 anos de idade. Causas: virais, atribuídos à alergia e fatores psicogênicos.

  • Manifestações clínicas:

  • Tosse metálica e irritativa, rouquidão, inspirações ruidosas e agitação.

  • Não há febre, a crise diminui em algumas horas e pode persistir por uma ou duas noites seguidas

  • Prescrição de enfermagem

  • Promover umidade

  • Tranqüilizar a criança e os pais

  • Infecção das Vias Aéreas Inferiores

  • BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA: doença grave que acomete lactentes, principalmente no inverno e na primavera. É causada princ. pelo Vírus Sincicial Respiratório.

  • Transmissão: nariz-mão e mão-olho; geralmente na história existe um familiar com infecção de VAS, a criança esteve presente em aglomerações, ou profissionais de saúde com mãos contaminadas.

  • Fisiopatologia: obstrução bronquiolar  hiperinsuflação, enfisema obstrutivo  áreas de atelectasia.

  • Manifestações clínicas:

  • O início é com secreção nasal e febre branda.

  • Evolução com taquipnéia, tosse, batimentos de asa do nariz, sibilância, irritabilidade e estertores crepitantes, cianose, apnéia.

  • Pode haver aumento da PaCO2 (pressão arterial de dióxido de carbono), aumento de CO2, acidose respiratória e hipoxemia.

  • Prescrição de Enfermagem:

  • Colocar a criança isolada ou com crianças com o mesmo diagnóstico

  • Lavar muito bem as mãos

  • Reduzir o número de profissionais e visitantes

  • Manter alta umidade, ingesta hídrica adequada (IV ou VO) e repouso

  • Quando bem tratada a doença dura de 6 a 10 dias

  • PNEUMONIA: Inflamação do parênquima pulmonar com aumento de secreção mucosa.

  • Ocorrência: Atinge toda a infância, predomina no lactante.

  • Característica: Desencadeada por uma IRAS devido a diminuição da resistência e da atividade imunológica do pulmão. É disseminada por todo o pulmão.

  • Pneumonia lobar: Atinge partes ou todo o segmento de um ou mais lobos pulmonares.

  • Broncopneumonia ou pneumonia lobular: A secreção mucopurulenta afeta bronquíolos e lóbulos circunjacentes, formando placas.

  • Pneumonia intersticial: O processo inflamatório compromete as paredes alveolares (interstício) e os tecidos peribrônquicos.

  • PNEUMONITE:

  • Inflamação aguda menos comprometedora que a pneumonia lobar.

  • Pode ter como agente etiológico: vírus, bactérias, micoplasma e materiais estranhos.

  • PNEUMONIA VIRAL:

  • São mais freqüentes que as bacterianas e alcança crianças de todos os grupos etários.

  • Associadas às IRAS virais predominando o vírus sincicial respiratório.

  • Os sintomas se resumem em febre, tosse pouco produtiva e prostração.

  • O tratamento é sintomático e não requer hospitalização.

  • PNEUNMONIA BACTERIANA:

  • É conseqüente a uma IRA. Incide de forma repentina devido à grande proliferação de bactérias patogênicas.

  • Normalmente é provocada por pneumococo, estafilococos e estreptococos.

  • Pneumonia lipóide:

  • Pode acontecer quando se pinga

  • gotas nasais oleosas.

  • Manifestações cínicas:

  • Tosse com queixa de dor

  • Respiração superficial e rápida, sendo:

  • Menores de 2 meses: 60 rpm

  • 2 meses a 3 anos: 50 rpm

  • Acima de 3 anos: 40 rpm

  • Retração subcostal persistente

  • Estridor, sibilância, gemido

  • Dor torácica exacerbada na inspiração profunda.

  • Dor irradiada para o abdômen que se confunde com apendicite

  • Febre com calafrios, ou hipotermia

  • Pode surgir meningismo

  • Derrames pleurais podem estar presentes

  • Assistência de Enfermagem:

  • Oxigenoterapia: nebulizador, cateter nasal, tenda ou capacete. (Realizar o preparo antes do procedimento).

  • Hidratação e alimentação: A taquipnéia induz às perdas hídricas, mas a hidratação oral só é possível quando houver melhoria do quadro respiratório.

  • Antes disso a alimentação e hidratação devem ser EV devido ao risco de aspiração.

  • Realizar drenagem postural: proceder a ausculta para detectar acúmulo de secreção e agir da seguinte forma:

  • Lobos superiores: criança sentada com movimentos para trás e para frente.

  • Lobo médio e bases pulmonares: criança em decúbito lateral direito, esquerdo e ventral, e Trendlenburg.

  • Obs: não utilizar para crianças com bronco espasmo

  • Realizar tapotagem:

  • não proceder em RN’s desnutridos ou crianças com bronco espasmos graves

  • Instilar soro fisiológico;

  • Manter repouso

  • Manter a criança em decúbito elevado

  • Aspirar VAS se necessário

  • Estimular a tosse para ajudar na eliminação de secreções

  • Administrar medicamentos prescritos, não esquecendo da técnica e da abordagem específica para crianças

  • Monitorar horário de antibióticos e gotejamento rigoroso quando EV

  • Evoluir com rigor a temperatura.

  • Avaliar o tempo de administração de antitérmico para manter a temperatura da criança normal, e do antibiótico

  • Se ultrapassar três dias com febre, após o início da antibioticoterapia a medicação deve ser reavaliada.

  • Oferecer suporte para a família durante a internação e mesmo

  • quando não houver necessidade de internação.

  • Plano de cuidados de enfermagem para criança com infecção respiratória

  • Diagnóstico: padrão respiratório ineficaz relacionado ao acúmulo de secreções no nariz, laringe e faringe.

  • Prescrição:

  • Instilação de gotas nasais pra desobstruir as narinas

  • Aspirar secreções s/n, com espaço para repor o O2

  • Fluidificar secreções por meio de inalações

  • Oferecer líquido para auxiliar na diluição de secreção

  • Estimular a tosse

  • Realizar drenagem postural e tapotagem

  • Diagnóstico:

  • Déficit respiratório relacionado a edema e inflamação das V.A.

  • Prescrição:

  • Posicionar a criança com o pescoço ligeramente distendido.

  • Manter decúbito elevado

  • Favorecer ambiente úmido e O2 suplementar, por tenda ou capacete.

  • Manter saturação de O2 em 95%

  • Diagnóstico:

  • Risco de infecção secundária a presença de agente infeccioso

  • Prescrição:

  • Pesquisar novas sintomatologias que sugerem outro tipo de infecção

  • Esterelizar o material a ser utilizado no tratamento

  • Oferecer dieta nutritiva

  • Utilizar precauções universais

  • Diagnóstico:

  • medo relacionado a procedimentos invasivos

  • Prescrição: Utilizar o brinquedo terapêutico instrucional para preparar a criança para os procedimentos

  • Estabelecer relacionamento amigável e de confiança com a criança

  • Proporcionar recreação

  • Diagnóstico: dor relacionada à infecção ou à cirurgia

  • Prescrição: Aplicar calor ou frio ou ainda gargarejo na área afetada

  • Avaliar dor, utilizando a escala de faces e/ou numérica

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