Apostila Filme e Processamento Radiografico

Apostila Filme e Processamento Radiografico

(Parte 2 de 11)

Este é o elemento principal, pois é o que absorve a radiação e a converte em imagem, constituída dc uma gama de tons escuros e claros que contêm informação útil para diagnóstico. Os haletos de prata mais utilizado são os brometos. Eles são depositados em forma de microristais (da ordem de 1 m de diâmetro) sobre a base, misturados à gelatina que os mantém em suas posições relativas. Aos microcristais de brometo de prata é adicionada uma pequena quantidade de iodeto de prata (até 10%), o que serve para aumentar a sensibilidade em relação ao uso de qualquer uma das duas substâncias puras. A figura 3 ilustra a forma dos átomos dentro dos microcriscristais.

Os átomos de prata, bromo e iodo formam uma molécula a partir de ligações atômicas entre si. A prata possui um elétron na sua última camada

Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 9

(O). O bromo e o iodo possuem 7 elétrons nas suas últimas camadas (N e O, respectivamente). Porém, os átomos são mais estáveis se possuírem 8 elétrons na última camada. Então, a prata cede seu elétron para o bromo ou o iodo, que se completam. Assim surgem, na molécula do haleto, íons positivos (Ag+) e íons negativos (Br- ou I-). Como a estrutura cristalina dos haletos não é rígida, estes íons negativos têm uma tendência a se localizarem na periferia da molécula, forçando os íons de prata a se deslocarem para o centro. Por causa disto, a superfície dos microcristais torna-se ligeiramente negativa. Para que os fótons possam ser realmente capturados pelos haletos de prata, é misturada uma impureza durante a confecção dos microcristais. Esta impureza tem por função atrair os elétrons liberados do bromo e do iodo pela incidência do fóton, dando início à formação da imagem.

Existem algumas teorias sobre como o fóton é capturado e como a informação da radiação é transformada em imagem. A teoria de Gurney se baseia na retirada dos elétrons da estrutura atômica dos cristais pelos fotons incidentes e conseqüente absorção desses elétrons pelos íons livres de prata no cristal. Esta teoria será melhor descrita no próximo ítem.

Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 10

Capa protetora

Trata-se de uma película que cobre a gelatina a fim de protegê-la contra a abrasão ou o atrito causado pela manipulação do Técnico ou quando em contato com os rolos da processadora automática, além de evitar o grudamento entre as folhas dentro da caixa de filmes.

Corante anti-halo

Nos filmes de dupla camada de emulsão, é utilizado um corante especial na base do filme para evitar o efeito halo. O efeito halo ocorre quando um fóton de luz além de interagir com os haletos de prata na camada anterior do filme, também interage com a camada posterior. Ou seja, há uma duplicação da imagem. Com o corante misturado à base, após o fóton de luz interagir, ou não com uma camada de emulsão do filme, este não atingirá a camada oposta, pois o corante irá absorvê-lo.

Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 1

Processamento de Sensibilização

Como referido antes, o filme radiográfico possui microcristais que são sensíveis à radiação X e principalmente á luz produzida pelo ècran, os micro cristais desse elemento, colocados sobre a base do filme com ajuda da gelatina, irão reagir à passagem da luz e transformar a imagem aérea, definida anteriormente, em uma imagem gravada pontualmente em cada um dos próprios cristais.

Este processo de sensibilização começa quando um fóton de luz oriundo da tela intensificadora interage com a gelatina e com os microcristàis. Se fóton de luz perder totalmente sua energia, então ocorrerá uma interação fotoelétrica. Se apenas parte da energia do fóton for transferida para os átomos do filme, então ocorrerá uma interação por efeito Compton. Tanto na interação fotoelétrica quanto no efeito Compton, um elétron do átomo atingido é liberado, e com muita energia. Geralmente, o átomo de bromo ou iodo, por possuírem um elétron a mais, são os que ais facilmente liberam elétrons. Este elétron, agora livre, poderá circular pelas moléculas dos haletos e então se ligar a qualquer outro átomo. Porém, a inclusão da impureza tem justamente o objetivo de atrair este elétron livre. Em sua trajetória, o elétron livre poderá colidir com outros átomos e criar outros elétrons livres. Ao chegarem próximos da impureza, os elétrons livres acabam criando uma região negativa dentro do microcristal. O bromo ou iodo, que cedeu seu elétron extra, volta a ser um átomo neutro. Como a ligação iônica que existia entre a prata e o bromo, ou iodo, deixou de existir, este átomo, Br ou I, está livre para deixar a estrutura do haleto dc prata e se misturar com a gelatina.

Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 12

Com a formação de uma região eletricamente negativa, os íons de prata,

Ag+ que estão livres pois perderam a ligação iônica com os íons de Br e I, são atraídos para esta região. Ao chegarem nesta região, os tons Ag-+ se juntam com os elétrons livres e voltam a ser prata neutra (Ag°), ou prata metálica. Assim, há uma degradação do microcristal pela dissociação dos haletos de prata. Esta degradação é tão maior quanto forem os elétrons livres que o microcristal conseguir liberar, fruto dos fótons que interagiram. A intensidade da degradação, maior ou menor, é que cria os diferentes níveis de cinza da imagem, além de facilitar o processo de revelação.

Imagem Latente

Quando o feixe de radiação emerge do paciente e interage com os elementos sensíveis presentes no filme ocorre um fenômeno físico que faz com que a estrutura física dos microcristais de haletos de prata seja modificada,

Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 13 formando o que se conhece como IMACEM LATENTE. A visualização somente será possível pelo processo de revelação, que fará com que aqueles microcristais que foram sensibilizados sofram uma redução de maneira a se transformarem em prata metálica enegrecida. É importante lembrar que a imagem já está formada, porém não pode ser visualizada, por isso deve-se ter cuidado na sua manipulá-la.

Apenas quando a prata for enegrecida, suspensa na gelatina, é que será a imagem visível na radiografia e se supõe conter as informações acerca das estruturas irradiadas.

Os filmes são vendidos em caixas de papelão com 100 folhas. O custo varia de US$ 30,0 para os filmes de menor tamanho, até US 250,0 para os maiores. No entanto, por dificuldade de manipulação durante a fabricação (realizada totalmente no escuro), o fabricante pesa a caixa para ter certeza de que ela contém o número certo de folhas. Por isso, é comum entre os fabricantes, já que todos os filmes são igual, independente do tamanho, se referir ao custo de fabricação por peso de filme radiográfico, ou por valor de área, ao invés do valor unitário por folha ou por caixa.

Tamanhos de Filme

Por uma questão de facilidade de manuseio e confecção de telas intensificadoras, chassis, porta - chassi, etc, o tamanho dos filmes radiográficos foi padronizado. Atualmente, existem 10 tamanhos distintos de filmes, a saber:

13 cm x 18 cm25 cm x 30 cm
15 cm x 30 cm30 cm x 40 cm
15 cm x 40 cm35 cm x 35 cm
18 cm x 24 cm35 cm x 43 cm
Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 14

CLASSIFICALÇAO DOS FILMES RADIOGRAFICOS Quanto a sensibilidade aos Fótons

O filme radiográfico pode ser classificado quanto à sensibilidade a luz em não-cromatizados e cromatizados.

 Não cromatizados  filmes sensíveis ao azul.  Cromatizados  filmes ortocromatico = sensíveis ao verde;

Filmes pancromáticos = sua sensibilidade abrange todo o espectro de luz.

Quanto ao tamanho dos cristais fotossensíveis  Filmes rápidos ou de alta velocidade (FAV)

 Camada cristalina mais espessa ou maiores cristais;  Requer metade do tempo de exposição do FMV;

 Radiografias com aspecto granuloso;

 Ideal para aparelho de baixa potencia < 60 mA.

 Filmes de media velocidade (FMV)

 De uso mais geral  Excelentes resultados associados a écran de detalhe;

 Menor tempo de exposição do paciente.

 Filmes de baixa velocidade (de detalhe)

 Possuem camada cristalina muito fina, ou  Pequeníssimos cristais de haletos de prata;

 Uso especializado – estruturas finas –

 Requer o dobro do tempo de exposição que FMV

Devido a sensibilidade do filme radiográfico não exposto (virgem ) a fatores físicos, químicos e biológicos, alguns cuidados devem ser observados na armazenagem das caixas fechadas.

 As caixas devem ser armazenadas na vertical, em um local ―impermeável‖ ( blindado) a radiação;

 A umidade relativa do ar do local da armazenagem deve estar entre 30 e 50%;

 A temperatura do local de armazenagem não deve sofrer variações bruscas e deve estar entre 10 e 21°C;

 As caixas não podem ter contato com nenhum tipo de liquido (água ou substancias químicas).

Professor.: Ricardo Pereirae-mail.: rad_rick@hotmail.com

Processamento e Filmes Radiológicos 15

A RESPOSTA DO FILME Sensitometria

É o estudo e a medição da resposta do filme quanto as mudanças nas condições de exposição e revelação que afetam a aparência de uma radiografia. A sensitometria permite traçar a curva característica que representa as características sensitometricas ( velocidade) de um filme.

Densidade Fotográfica (óptica)

A densidade fotográfica é a medição do enegrecimento do filme. Em outras palavras, a área do filme de maior exposição á radiação ou luz terá um aspecto mais enegrecido ou de maior densidade, enquanto a área do filme de menor exposição a radiação ou luz apresentara um aspecto mais transparente ou acinzentado, ou ainda de menor densidade.

(Parte 2 de 11)

Comentários