(LIVRO) Curso de Meditação

(LIVRO) Curso de Meditação

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DANIEL RUFFINI Curitiba – PR – Brasil – AGOSTO 2004 – XLIII Ano de Aquário © Direitos autorais desta edição: FUNDASAW-Brasil – http://www.gnose.org.br

Cópias desta obra são permitidas desde que se mantenha a totalidade deste texto [da primeira a última linha] e seja expressamente mencionada a fonte (FUNDASAWBRASIL) e nosso endereço na internet (http://w.gnose.org.br).

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Quando nos propusemos a fazer este Curso Básico de Meditação, e informamos tal resolução àqueles que dividem conosco a responsabilidade da instrução dentro da FUNDASAW, um dos “irmãos” que estava presente, disse, despreocupadamente, que nosso objetivo seria idêntico ao da pessoa que tenta fazer jorrar leite de pedras.

Achei deveras interessante aquela frase, pois pude, então, perceber que realmente havia tocado no ponto nevrálgico de um assunto que nunca, na história tradicional, havia sido tão profanado e deturpado como é hoje: o esoterismo ou o conhecimento oculto.

É certo que vivemos, atualmente, num contexto mundial onde a condição humana, apenas voltada para os interesses instintivos, já não é mais suficiente. Está mais do que claro para a maioria das pessoas, pelo menos em teoria, que somente obter posses, dinheiro, bens materiais e status, não nos fornece a paz e a serenidade tão almejadas por todos; mas sim, quase invariavelmente, acaba por nos proporcionar dor e sofrimento, provenientes da ambição e do apego. Chegando a essa conscientização geral, a partir desse ponto, as pessoas começaram a buscar algo que pudesse preencher o vazio existencial, criado pela falta de propósitos superiores na vida. Sem saber exatamente o que procurar, onde procurar e ainda como fazê-lo, era de se esperar o direcionamento da humanidade para as ciências ocultas ou esotéricas. Daí, para a banalização e profanação dos conhecimentos transcendentais, foi somente um pequeno passo, haja vista a superficialidade e curiosidade com que tais ensinamentos estão sendo explorados e divulgados. Hoje em dia, milhões de pessoas se intitulam magos, profetas, bruxos, espiritualistas, iluminados, mestres, mensageiros, seres de outros planetas, reencarnações de Buda, de Jesus, de Napoleão, de Cleópatra e por ai a fora.

Também milhões de livros sobre o assunto são publicados e lidos diariamente em todo o mundo. A indústria da Nova Era está faturando alto com a tão esperada “iluminação espiritual” da humanidade. Os profetas da Nova Era já há algum tempo têm profetizado um período de fraternidade global com a chegada da Era de Aquário, cujo início se deu em 4 de fevereiro de 1962.

Pois bem! Onde está a fraternidade mundial, o espírito humano, ecológico e a paz?

Certamente só podem ser encontradas nos livros não muito sérios sobre o assunto, nos finais das novelas, nos programas de televisão, nas pranchetas dos burocratas e políticos e ainda na mente dos sonhadores, que cheios de boas intenções, acabam por se esquecer de que o mundo não se muda com palavras e idéias brilhantes, mas sim com fatos reais e sacrifícios.

Mas, qual a relação de tudo isso com este curso sobre Meditação?

Não existe esoterismo verdadeiro sem mudanças profundas no comportamento humano. As mudanças não existirão sem o estudo profundo da psicologia revolucionária interior; para a prática da psicologia revolucionária é imprescindível o estudo da mente e o despertar do que há além dela. E nada disso é verdadeiramente possível sem a meditação.

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Estamos afirmando a impossibilidade de mudanças duradouras e reais, em termos de indivíduos e em termos de humanidade, sem a prática diária e ampliada da meditação. Pois justamente, o que é a humanidade senão a soma de coletividades! E o que é uma coletividade, seja ela política, social ou familiar, senão a soma de indivíduos! Absolutamente nada mudará, se o indivíduo não mudar. E o homem, como indivíduo, não mudará em essência, se não explorar, através da meditação constante, seu interior. Na verdade, mais de 97% das ações e palavras de cada pessoa foram geradas pelo subconsciente, quando não, pelo infraconsciente. Isso mostra o quanto nossas ações são frágeis e inconsistentes, desprovidas de realidade e pouco duradouras.

Não era de se esperar uma humanidade diferente da atual, já que o homem desconhece os motivos pelos quais toma suas decisões, mesmo que essas decisões, externamente, mostrem interesses fraternos ou humanitários. No entanto, sabemos o quanto são falsos os gestos do homem, já que por detrás deles, impulsionados pelos desejos desconhecidos para si mesmo, há quase sempre, interesses contrários aos aparentes.

Como dissemos no início da Introdução, a meditação é o ponto nevrálgico disso tudo, porque é aqui que podemos diferenciar a realidade da fantasia e da enganação. lnicialmente quando tratamos de esoterismo, todo caminho parece fácil, deslumbrante e cheio de promessas, somente incendiando a imaginação do público, sempre a procura de novas emoções. Mas, quando nos referimos à meditação, que exige esforço, tenacidade, autodomínio e paciência, são raras as pessoas que vencem suas debilidades e se submetem a uma autodisciplina essencial neste trabalho.

Mais uma vez diremos, e exaustivamente não nos cansaremos de afirmar: não existe esoterismo e transformação sem o auto-estudo sistemático e duradouro pela meditação. O homem nunca deixará de ser o que é hoje, enquanto não descobrir o que seu inconsciente lhe reserva, e isso só é feito pela meditação. A miséria continuará e o sofrimento e a dor não desaparecerão; o ódio, a cobiça e o egoísmo, disfarçados com a roupagem filantrópica, ainda dominarão nossos atos e palavras, pois não se elimina o que não se aceita ou desconhece em si mesmo. E para descobrirmos e eliminarmos esses males de nosso interior, necessariamente devemos usar a meditação. Enfim, ainda que Deus esteja presente em cada pessoa, nunca poderá se manifestar entre tanta desordem, e a desordem está em nosso estado mental caótico. Por isso, mais uma vez, a meditação poderá nos elevar acima da razão, a ponto de nos conectar com a própria divindade. Primeiramente com intervalos irregulares; depois, com mais constância, e, finalmente, se perseverarmos, como um canal perpétuo para Sua manifestação.

Para encerrarmos esta Introdução, sinceramente, chamamos a atenção do leitor sobre a seriedade do assunto e a disposição de ânimo necessária para esse trabalho. Se você, por si mesmo, ainda não compreendeu a importância da meditação para seu crescimento, e não tomou a decisão de iniciá-la, então nem dê sequência à sua leitura, pois estará perdendo um tempo melhor aplicável a outras atividades.

A disposição de ânimo necessária para iniciar esse trabalho, cujo fim é inexistente, não está fundamentada no simples desejo passageiro ou no estado mental ilusório, mas sim, num princípio superior, calcado na vontade. Esta palavra - Vontade - foi a mais próxima que encontramos para definir, como síntese, a angústia da alma em busca de libertação. É a mão de Deus a inflamar o ânimo do aspirante, cujo sacrifício consciente será a tônica fundamental desse processo chamado meditação, pelo menos em seu início.

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No entanto, chegará o dia em que a meditação não mais será um sacrifício, mas sim a água e o alimento sem os quais a essência divina, dentro de nós, não poderá sobreviver. Quando isso começar a ocorrer, o aspirante poderá sentir o sopro divino sobre seu corpo, e esse sopro será como o bálsamo que alivia todos as suas chagas, dando forças para continuar sua jornada, por mais árdua que possa ser.

Abençoado aquele que, de joelhos, atravessou a porta do santuário e prosternou-se diante do altar. Sua felicidade e seu amor serão fontes de vida para todos os que o rodeiam. Sua luz iluminará até mesmo as cavernas mais profundas, e suas radiações, empalidecerão os brilhos ilusórios dos metais.

Daniel Ruffini

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Antes de abordarmos os assuntos diretamente relacionados à meditação, necessariamente devemos estudar alguns aspectos ligados ao cérebro e à mente humana.

Hoje em dia a comunicação entre os neurônios (células nervosas), através de impulsos elétricos, já é um fato amplamente divulgado. A criação de um aparelho conhecido como eletroencefalograma veio a comprovar a existência de diversos estados mentais, variando conforme a quantidade de impulsos elétricos a percorrer os neurônios. Foram 4 os estados mentais descobertos:

Beta

Nesse estado existem de 18 a 21 impulsos elétricos por segundo. Esse estado é o de vigília, no qual vivemos a maior parte do dia.

Alfa

Nesse estado percorrem pelo cérebro de 7 a 14 impulsos elétricos por segundo. Normalmente, entramos em alfa durante o sono comum. A respiração é lenta, e o consumo de energia diminui consideravelmente; por isso, podemos nos recuperar do desgaste diário ocorrido no estado de vigília.

Theta

Aqui há a diminuição para, aproximadamente, 4 impulsos elétricos por segundo. Nesse estado entramos em meditação profunda. A mente pára, e tem acesso ao que os ocultistas chamam “a verdade”. Enquanto em Beta há, segundo a segundo, perda de energias, em Theta, o processo é invertido, há a concentração de energias. Por isso, apenas alguns minutos em Theta correspondem a horas ou dias em Alfa, estágio intermediário entre esses dois estados.

Delta

O quarto estado não pôde ainda ser pesquisado cientificamente, e corresponde a um impulso elétrico por segundo. Todavia, os místicos mais evoluídos afirmam ter vivido o “vazio iluminador”, a “experiência daquilo que está além da verdade”.

A meditação é o meio pelo qual podemos atingir os estados Theta e Delta. Obviamente, há níveis e níveis de meditação. Uma coisa somos nós, aspirantes à meditação. Outra, é o estado alcançado por um mestre ou iluminado que, em poucos segundos, independente de local ou hora, coloca-se em profundo estado de meditação.

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Inicialmente, é importante diferenciar a mente do cérebro. Aqui temos duas coisas distintas, que trabalham em conjunto, pelo menos enquanto a consciência do homem está somente vinculada aos sentidos correspondentes ao mundo tridimensional.

O cérebro não é a mente e tampouco a mente está no cérebro. Ambos podem ser separados sem nenhum prejuízo para os dois, e isso é perfeitamente possível de se comprovar nas experiências extracorporais conscientes. (O cérebro é apenas um instrumento, o mais sensível e complexo do organismo, para a veiculação ou expressão da matéria mental - Manas).

Em diferentes experiências relacionadas ao esoterismo, uma pessoa pode pensar e sentir, livre do cérebro físico, e experimentar uma sensação de total liberdade e expansão. Seus pensamentos ficam mais claros, sua compreensão às vezes é instantânea, e seus sentimentos, mais puros e elevados. Isso prova, aliás, as ilimitadas possibilidades inimagináveis ao homem comum, pois suas emoções também continuam existindo, junto com seu pensamentos, fora do corpo físico.

Apesar disso tudo, isto é, apesar de todas essas potencialidades latentes, estamos ainda longe de alcançar o objetivo da meditação, cujo tema será abordado mais a frente nesse pequeno curso. E o objetivo final, só estará ao nosso alcance quando vencermos a maior de todas as nossas dificuldades: nossa própria mente.

Sem dúvida, é graças à mente humana que o homem conseguiu chegar ao atual estágio tecnológico. Avanços gigantescos foram realizados pela ciência e muitos desses avanços foram direcionados para benefícios em prol da humanidade em geral. Entretanto, foi essa mesma mente a responsável pela destruição, pela morte, pela fome, pela miséria e desgraça de tantas pessoas.

Como é possível existirem tantos paradoxos em torno disso? A resposta é simples: a mente, quando dominada e purificada, torna-se o maior meio pelo qual a divindade pode se fazer presente entre os homens. Por outro lado, a mente escrava das paixões, dos desejos e vícios, é a natureza em si mesma do mal, só que com o poder de afetar, com maior ou menor raio de ação, até mesmo os destinos desse planeta.

A mente é uma máquina desconhecida e completamente descontrolada; logo, é muita perigosa.

Muitas vezes, uma frase como essa chega a ferir a susceptibilidade das pessoas, pois ninguém admite possuir uma mente sem controle. Admitir essa realidade, é admitir que não se tem controle sobre si mesmo, que não se conhece a si próprio e que se é um perigo, pois, no nosso estado atual, é bastante difícil diferenciar nossos pensamentos daquilo que somos em essência.

Não importando a maneira pela qual nossa mente atua, seremos sempre a extensão de nossos pensamentos, uma consequência de nossos processos mentais; por isso, não poderíamos ser diferentes do que somos hoje. Mas, se ainda assim alguma pessoa discorda dessas colocações, e acha desnecessário ou perda de tempo insistirmos na importância da meditação ou na exploração e desenvolvimento da mente, podemos, então, questionar:

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• se alguém é capaz de prever com qual tipo de pensamento sua mente estará entretida nos próximos segundos ou minutos;

• se alguém pode, segundo sua vontade pessoal, colocar em sua mente esse ou aquele tipo de pensamento durante horas, afastando todos os outros pensamentos inoportunos;

• se alguém pode esvaziar completamente sua mente durante horas, dando lugar a uma nova realidade, situada além dos processos mentais.

Pois bem! Essa pessoa estará absolutamente certa ao afirmar que, para ela, já não é mais necessário tanta dissertação, pois isso pertence ao passado. Nós não temos controle sobre nossa mente, somos joguetes, folhas a balançar ao sabor do vendaval das emoções, ou ao sabor das tempestades de ira, luxúria, cobiça, etc.

Controlar uma máquina é ter domínio sobre ela; desligá-la e ligá-la quando necessário; modificar sua velocidade, otimizá-la e direcioná-la para objetivos determinados. É isso o que precisamos aprender a fazer com nossa mente. É possível? Obviamente! Não foi por acaso a vinda de tantos iluminados verdadeiros ao nosso planeta. De Zoroastro, passando por Jesus, até, mais recentemente, Krishnamurti e Samael Aun Weor. Todos afirmaram sempre o mesmo: homem, conheça-te, domina-te a ti mesmo. Todos o fizeram, em maior ou menor grau. E quanto maior foi o grau de autoconhecimento e autodomínio desses seres de luz, mais abrangente foi a mensagem e maior a luz projetada sobre a humanidade.

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Meditar é manter um incessante fluir da Consciência de Deus. É o fluxo continuado do pensamento em um objeto, em Deus ou no Atman.

Um sábio, certa vez, disse que quem não se concentra nem medita é assassino do Atman, o Ser Interior. Existem diversas formas de meditar, e os assuntos para a meditação são tão vastos quanto os próprios pensamentos.

O objeto da meditação pode ser uma música, uma determinada ação, um problema, uma flor, a figura de um santo, um sentimento sublime, Deus ou, simplesmente, o nada ou o vazio. Somente a meditação leva ao conhecimento de Deus e de suas leis, pois com a meditação o homem transcende os limites do pensamento.

Deus não está nos pensamentos humanos; se estivesse, o homem já O teria encontrado. Mas, mesmo assim, é através do fluir incessante do pensamento concentrado que se chega ao não-pensamento, a forma mais elevada de pensar.

Não há pergunta sem resposta na meditação e dogmas que não sejam dilacerados através dela. Meditar sobre um determinado tema é concentrar-se nele; abstrair-se inteiramente na ação de pensar; impregnar todas as células do corpo - físico, astral e mental - do elemento sob o foco da meditação. É contemplar, ver a forma incorpórea de tudo que gerou o objeto da meditação. Enfim, é fundir-se inteiramente na sua essência e ser aquilo que se medita.

A mente é como um filtro que foi se cristalizando através de várias gerações, tendo como endurecimento final o tempo de nosso nascimento, nesta vida, até o presente momento. Esse filtro nos impede de ver a realidade tal como ela é. O homem não pode conhecer nenhum objeto, ação ou imagem devido aos filtros que, no todo, embotam a realidade. Através dos filtros somente podemos ver aquilo que se passa, isto é, as imagens externas produzidas no veículo mental. Aqui podemos distinguir a lei das causas e efeitos em atividade. Logo, em nossa mente se faz presente apenas o efeito, já que a causa não pode ser detectada devido aos filtros que nos impedem de compreendê-la.

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