DIATOMÁCEAS EPÍFITAS EM Padina vickersiae (KÜTZING) SONDER

DIATOMÁCEAS EPÍFITAS EM Padina vickersiae (KÜTZING) SONDER

I Congresso Brasileiro de Oceanografia –CBO’2008 I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia –I CIAO Fortaleza (CE), 20 a 24 de maio de 2008

AOCEANO –Associação Brasileira de Oceanografia

DIATOMÁCEAS EPÍFITAS EM Padina vickersiae(KÜTZING) SONDER (PHAEOPHYTA-DICTYOTALES) DAS PRAIAS DE PONTA VERDE E PARIPUEIRA, ALAGOAS, BRASIL

Galdino1, K. C. A.; Lima Junior1,R.L. S.; Villa Nova1, L. L. M; Oliveira, F, A. de .1; Melo1,B. L. B.; Silva1, M.J.F.; Costa2, M. M. S.; Guedes1, E. A. C.

[1] Universidade Federal de Alagoas, Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, Setor de Botânica, Laboratório de Ficologia. Praça Afrânio Jorge s/n Centro, Maceió, Alagoas. Cep.: 570-0. e-mail: eacg@fapeal.br [2] Programa de Pós-Graduação em Botânica da Universidade Federal Rural de Pernambuco. R. Dom Manoel de Medeiros, s/n -Dois Irmãos, Recife, Pernambuco. Cep. 52171-900. e-mail: manoelbiologo@ig.com.br

As diatomáceas epífitas representam especial papel no ambiente marinho costeiro, pois são responsáveis por cerca de 45% da produção primária oceânica. Exemplares de Padina vickersiae foram coletados em duas praias do litoral alagoano: Ponta Verde e Paripueira em novembro de 2007, durante as marés de sizígia.Para a remoção das diatomáceas epífitas, a macroalga foi submetida à oxidação direta em fervura com HCl à 50%, durante 10 minutos.Foram identificadas 53 espécies de diatomáceas, denotando-se uma dominância de indivíduos com simetria penada, os quais corresponderam a 96%,tendo ocorrido maior riqueza de espécies na praia de Paripueira (34 sp.) e menor riqueza na praia de Ponta Verde (31 sp.).Pinnularia borealis(26,7%) coletada na praia de Paripueira eLicmophora abbreviata(18%) na praia dePonta Verde, apresentaram percentuais significativos, mesmo não contribuindo para a variação da diversidade específica, a qual variou entre 3,0 bits.cel-1na praia de Paripueira e 3,09 bits.cel-1emPonta Verde. A densidade total variou entre 62.0 cel.L-1, em Ponta Verde e de 85.0 cel.L-1, na praia de Paripueira.

Palavras chave:Bacillariophyta, abundância relativa, densidade,epifita

As diatomáceas (Bacillariophyceae) são algas microscópicas essencialmente unicelulares, clorofiladas, que vivem em colônias ou isoladas, estimando-se em pelo menos 100.0 espécies entre atuais, extintas ou fossilizadas (VAN DEN HOEK et al., 1995). São especialmente importantes nos oceanos, onde se estima que contribuam em cerca de 45% da produção primária oceânica (MANN, 1999). As diatomáceas epífitas representam especial papel no ambiente marinho costeiro, pois são responsáveis por grande parte da produção primária, apresentando uma velocidade de produção muitas vezes maior que a das plantas as quais estão aderidas, tornando-se, assim, responsáveis pela transferência de energia sintetizada para os níveis tróficos seguintes (MOREIRA FILHO & TEIXEIRA, 1963). Deste modo, diversos trabalhos vêmsendo desenvolvidos com a finalidade de conhecer de forma mais precisa a composição das comunidades de diatomáceas epífitas em macroalgas marinhas (VALENTE-MOREIRA & MOREIRA FILHO, 1980; AZEVEDO & CUTRIM, 2000). Em Alagoas, raríssimos trabalhos enfocam o conhecimento da biodiversidade desta microvegetação, destacando-se o de SARDEIRO et al., (1988), que identificaram a flora epífita na macroalga marinha Sargassum cymosumC. Agardh.

Porém, estudos quantitativos com o objetivo de ampliar o conhecimento da função desta comunidade algal epífita presente em talos de macrofítas marinhas são inexistentes para o litoral alagoano. Considerando a carência e a necessidade de estudos deste importante grupo de produtores primários em praias do litoral alagoano, o presente trabalho foi proposto com o objetivo de introduzir dados quali-quantitativos da comunidade de diatomáceas que cresce aderida a talos da alga pardaPadina vickersiae(Kützing) Sonder, espécie muito freqüente em praias do referido litoral.

Exemplares de Padina vickersiaeforam coletados em duas praiasdo litoral alagoano: praia de Ponta Verde, localizado no litoral centro de Maceió (90 39’4,9” S e 35042’ 4,7” W) e praia de Paripueira, localizada no Parque Municipal Marinho de Paripueira (9022’ 5” S e 35036’ 14” W), litoral norte do estado. As coletas foram realizadas no mês de novembro de 2007, nas zonas

I Congresso Brasileiro de Oceanografia –CBO’2008 I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia –I CIAO Fortaleza (CE), 20 a 24 de maio de 2008

AOCEANO –Associação Brasileira de Oceanografia entre-marés, durante as marés de sizígia. As macroalgas foram coletadas com o auxílio de espátulas para remoção das plantas por inteiro. Após a coleta, o material foi acondicionado em sacos plásticos, mantidas sob refrigeração e transportadoao Laboratório de Ficologia do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Alagoas.Cada exemplar da alga foi lavado com água destilada para remoção do sedimento.Para a remoção das diatomáceas epífitas, a macroalga foi cortada em pedaços com aproximadamente 5 cm e submetidos à oxidação direta em fervura com solução de HCl à 50%, durante 10 minutos e em seguida lavados com água destilada (5 vezes) em centrifuga a 5.0 rpm. Do material oxidado foram retiradas alíquotas para contagem,seguindo o método de UTERMÖHL (1958)e para a identificação dos táxons utilizou-se bibliografias pertinentes na área.

Após a identificação, foram realizadas contagens das valvas presentes em cada lâmina e a partir daí, calculada a abundância relativa de cada táxon, sendo estabelecidos os seguintes critérios: dominante = > 50%; abundante = 50%• 30%; pouco abundante = 30%• 10% e rara = < 10%. Para o cálculo da diversidade específica e eqüitabilidade aplicou-se oíndice SHANNON (1948).

Na feófita Padina vickersiaeforam identificadas 53 espécies de diatomáceas, denotando- se uma dominância de indivíduos com simetria penada, os quais corresponderam a 96% (Tab. 1). De acordo com WETHERBEE et al., (1998), as diatomáceas penadas possuem estruturas próprias para a produção de substâncias mucilaginosas e por este motivo, podem melhor se aderir a seus hospedeiros, através de pedúnculos curtos ou longos, ou em camadas de uma matriz gelatinosa. A maior representatividade de indivíduos de simetria penada em outras macroalgas marinhas ocorrentes no litoral brasileiro também tem sido documentada (AZEVEDO & CUTRIM, 2000).

As espécies de diatomáceas identificadas apresentaram uma distribuição uniforme ao longo do talo da alga, tendo sido registrada maior riqueza de espécies na praia de Paripueira (34 espécies) e menor riqueza na praia de Ponta Verde com 31 espécies (Tab. 1). Espécies como Pinnularia borealis(26,7%) em exemplares coletados na praia de Paripueira eLicmophora abbreviata(18%) coletados na praia de Ponta Verde, apresentaram percentuais significativos emora não tenha contribuido para a variação da diversidade específica, a qual variou entre 3,0 bits.cel-1na praia de Paripueira e 3,09 bits.cel-1emPonta Verde (Tab. 1).A densidade total das diatomáceas epífitas apresentou variações significativas entre os locais de coleta, com o valor mínimo de 62.0 cel.L-1, na praia de Ponta Verde, e o máximo de 85.0 cel.L-1, na praia de Paripueira. Segundo NAVARRO (1983), as diferenças na estrutura das comunidades de diatomáceas epífitas podem ocorrer quando os hospedeiros crescem em diferentes locais de exposição à luz, como também por estarem sujeitas às diferenças de direção e velocidade das correntes marinhas, pois o tipo de movimentação da água pode selecionar a flora associada de acordo com seus meios de fixação.

Tabela 1:Distribuição das espécies de diatomáceas epífitas, no talo da feofíceaPadina vickersiae

(Kützing) Sonder, coletadas nas praias de Paripueira e Ponta Verde, Estado de Alagoas, no mês de novembro de 2007. A.R –Abundância relativa (%); DENS. –Densidade (cel.L-1)

Paripueira Ponta Verde Paripueira Ponta Verde Espécies

A.RDENS. A.R DENS. Espécies A.R DENS. A.R DENS.

I Congresso Brasileiro de Oceanografia –CBO’2008 I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia –I CIAO Fortaleza (CE), 20 a 24 de maio de 2008

AOCEANO –Associação Brasileira de Oceanografia

Os resultados apresentados no presente estudo,confirmaram que a feofícea Padina vickersiaemostrou-se um bom hospedeiro para a fixação de epífitas, tendo sido observado a ocorrência de diatomáceas em todo o talo dos exemplares coletados, demosntrando a importância dessas microalgas como produtores primários nas diversas praias do litoral de Alagoas.

AZEVEDO, A. C. G.; CUTRIM, M. V. J.2000. Diatomáceas (Bacillariophyta) epífitas em Bostrychia

Montagne (Rhodophyta) do manguezal da ilha de São Luís, Estado do Maranhão, Brasil: excluído Naviculales e Bacillariales. Boletim do Laboratório de Hidrobiologia, São Luís, v.13, p.1-17.

MANN, D.G. 1999. The species concept in diatoms. Phycologia, v.38, p.437-495.

MOREIRA FILHO, H.; TEIXEIRA, C. 1963. Noções gerais sobre as diatomáceas (Chrysophyta – Bacillariophyceae). Boletim Botânico da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, v.1, p.1-

NAVARRO, J. N. 1983. A survey of the marine diatoms of Puerto Rico. Botanica Marina, v.26, p.119-136.

SARDEIRO, M. S.; GUEDES, É. A. C.; BARROS, W. E. 1988. Diatomáceas epífitas em Sargassum cymosumC. Agardh em algas arribadas da praia de Ponta Verde (Maceió –Alagoas). XII Reunião Nordestina de Botânica, 21 a 24 de setembro de 1988, Maceió –Alagoas.

SHANNON, C. E. 1948. A mathematical theory of communication. Bulletin of System Tecnology Journal, v.27, p.379-423.

UTERMÖHL, H. 1958. Zur vervollkommung der quantitativen phytoplankton-Methodik. Mitt int Verein theor angew Limnology, v.9, p.1-38.

VALENTE-MOREIRA, I. M.; MOREIRA FILHO, H. 1980. Diatomáceas epífitas em Padina vickersiaeHovt ex Howe. Tribuna Farmacêutica, Curitiba, v.48, n.1-2, p.114-122.

VANDEN HOEK, C.; MANN, D. G.; JAHNS, H. M. 1995. Algae an Introduction to Phycology. Cambridge University Press, Cambridge. 627pp.

WETHERBEE, R.; LIND, L. J.; BURKE, J.; QUATRANO, S. R. 1998. The first kiss: establishment and control of initial adhesion by raphid diatoms. Journal Phycology, v.34, p.9-15.

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