Micologia médica

Micologia médica

(Parte 1 de 10)

Jeferson Carvalhaes

OLIVEIRA, Jeferson Carvalhaes de

Rio de Janeiro 1999

Capa: Carla Vieira da Costa

Diagramação e ilustração: Carla Vieira da Costa Revisão: Maria Tereza Mateus Raush

Apoio: Control-Lab

OLIVEIRA, Jeferson Carvalhaes de.

Micologia Médica / Jeferson Carvalhaes de Oliveira -

Rio de Janeiro : J. Carvalhaes de Oliveira; 1999. 255 págs.; il. col.

ISBN 85-900986-1-3 Inclui Bibliografia.

1. Micologia Médica I. Título

Muito honrado com o convite de nosso querido colega Prof. Jeferson Cavalhaes para que escrevesse algumas linhas sobre o Prof. Jaime de Azevedo Carneiro, um dos grandes expoentes da Micologia Médica, me chegaram recordações dos contatos diários que mantínhamos na antiga Faculdade Nacional de Medicina, na Praia Vermelha.

O nosso Prof. Jeferson Carvalhaes, hoje, doutorando do Instituto Oswaldo Cruz, era, então, na época, aluno monitor da disciplina de Parasitologia, quando escolheu, para sua atuação específica, o setor de Micologia chefiado pelo Prof. Jaime Carneiro, homem com características humanas especiais, do qual se tornou discípulo e amigo.

Jaime Carneiro culminou sua carreira universitária como Professor Titular na Universidade Federal

Fluminense, ocupando também a chefia do laboratório de Micologia do Hospital Pedro Ernesto da UERJ. Notabilizou-se, ainda, pela vasta colaboração científica em trabalhos referentes à patologia dos fungos.

O Prof. Jaime Carneiro, por sua simplicidade, espírito crítico e expressiva atividade participativa, atraía com habilidade própria, peculiar aos homens da ciência, jovens alunos, educando pelo exemplo de dignidade e seriedade científica um grande número de estudantes que, após um período de aprendizado, passavam a ser discípulos em convivência familiar.

Este exemplar Professor dedicou sua existência ao estudo dos fungos e lapidou seus sentimentos com esplêndido desenvolvimento espiritual pela busca de verdades e coroado de extrema sabedoria.

Prof. J. Ottílio Machado

Prof. Titular de Parasitologia – UFF Ex-Chefe de Departamento da UFRJ

Este trabalho é uma homenagem ao Prof. Jayme de Azevedo Carneiro que durante 35 anos ensinou a micologia na área biomédica e torna-se importante em virtude da carência de textos em português desta especialidade. O Prof. Carneiro exerceu suas atividades na Faculdade de Ciências Médicas, no Laboratório de Micologia do Hospital das Clínicas da UERJ (H. Pedro Ernesto), Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Instituto Biomédico da UFF, Clínica de Dermatologia do Hosp. Univ. Antônio Pedro, UFF, onde ensinou e orientou inúmeros alunos, despertando nestes jovens o interesse pelo estudo dos fungos. Atualmente aposentado, vive em Araruama.

Acompanhei o prof. durante minha vida acadêmica e hoje, também professor, tentando dar continuação aos seus ensinamentos, reuni, com sua permissão, uma parte do que ele produziu ao longo desses anos, transcrevendo para este livro.

O trabalho está dividido em duas partes, sendo a primeira de explanação e a segunda de figuras.

Procuramos, no texto, dar um desenvolvimento uniforme na descrição das micoses, a começar pela definição, etiologia, distribuição geográfica, seguindo-se o mecanismo de agressão, patogenia e clínica e, por fim, diagnóstico, prognóstico e tratamento, completando-se com bibliografia.

É precisamente destinado aos alunos de Ciências Médicas, aos estagiários de Laboratório de Micologia, técnicos e a todos que se interessarem pelo maravilhoso mundo dos fungos.

O estudo dos fungos é tão interessante que estimula até a parte artística das pessoas, como aconteceu com minha esposa e com a do professor, a quem chamava carinhosamente de “Olivinha”. Seus desenhos estão nas páginas seguintes.

Caso alguém tenha receio de adquirir alguma doença mexendo com os fungos, não se preocupe, é só visitar a Bahia. Lá existe uma “reza baiana” (Dr. Jolival Alves Soares - Inst. Análises e Pesquisas) que utiliza o ramo de uma planta para afastar e proteger contra os fungos patogênicos.

Aproveito para agradecer a todos os meus colegas e alunos que, pelo seu interesse, fizeram crescer cada vez mais essa especialidade.

Jeferson Carvalhaes de Oliveira

Prefácio
Apresentação
Micologia
Histórico
Noções Fundamentais de Classificação, Morfologia e Biologia dos Fungos
Noções Fundamentais de Morfologia
Esporos
Noções Fundamentais de Biologia dos Fungos
Importância do Estudo da Micologia
Diagnóstico de Laboratório das Micoses
Cultura do Material Patológico

Introdução

Micoses Superficiais
Dermatofitoses ou Tinhas (Tinea)
Candidíase (Monilíase)
Pitiríase Versicolor
Tinea Nigra
Tricomicoses Nodulares
Cromático) ............................................................................................................
Eritrasma

Micoses Superficiais Miselânea (Ceratofitose) Tricomicose Palmelina (Tricomicose Nodular, Tricomicose Axilar, Tricomicose

Classificação das Micoses Profundas

Classificação das Micoses

Esporotricose
Cromomicose (Micose de Pedroso Lane)
Rinosporidiose (Micose de Seeber)
Blastomicose Queloidiana ou Micose de Jorge Lobo

Micoses Subcutâneas

Micetomas

Micetomas

Paracoccidioidomicose (Micose de Lutz ou Blastomicose Sul Americana)
Histoplasmose (Micose de Darling)
Histoplasmose Africana
Coccidioidomicose
Blastomicose (Blastomicose Norte Africana ou Micose de Gilchrist)

Micoses Profundas ou Sistêmicas

Criptococose
Hialo-Hifomicose
Aspergilose
Zigomicoses (Mucormicose)
Feo-Hifomicose (Cladosporiose)

Micoses Ocasionais

Adiaspiromicose (Haplomicose)
Pneumocistidose

Apêndice

Morfologia
Esporos
Dermatofitose
Candidíase
Pitiríase Versicolor
Tinea Nigra
Pedra Branca
Pedra Preta
Eritrasma
Tricomicose Palmelina

Ilustrações Ceratofitose (Miscelânea)

Esporotricose
Cromomicose
Rinosporidiose
Micose de Jorge Lobo
Micetoma
Criptococose

Micoses Subcutâneas

Paracoccidioidomicose
Histoplasmose
Coccidioidomicose
Feo-Hifomicose
Nocardiose Linfocutânea

Micoses Profundas

Adiaspiromicose
Botriomicose
Prototecose
Peniciliose
Histoplasmose Africana
Blastomicose Norte-Americana
Zigomicose
Zigomicose Subcutânea
Hialo-Hifomicose
Pediculose
Mosaico
Curiosidades

Micoses Raras

Feo-Hifomicose Cutânea
Hialo-Hifomicose
Tinea Nigra

Novas Lâminas

1 Autor: Regina V.C.O.

Autor: “Olivinha” Autor: “Olivinha”

13 Prof. Carneiro, num momento em família (1983).

A Micologia compreende um vasto campo de estudo, envolvendo microorganismos conhecidos por fungos, leveduras e actinomicetos, embora estes últimos estejam hoje classificados entre as bactérias. O estudo interessa a vários setores científicos e industriais. Após uma parte introdutória, em que se observarão aspectos gerais da Micologia, faremos uma análise sistemática das micoses.

No período pré-histórico, os fungos comestíveis, os venenosos e os alucinogênicos já eram conhecidos. No período histórico, gregos e romanos escreveram sobre o modo de separar os fungos comestíveis dos venenosos, interesse que chegava a ponto de perpetuá-los em pinturas (ruinas de Pompeia - Lactarius deliciosus) e gravação em monolitos (Tingad - Argélia).

Parece-nos que o primeiro trabalho da era microscópica é o de HOOK: HOOK'S OBSERVATIONS ON FUNGI - MICROGRAFIA, que foi apresentado à Real Sociedade de Londres em 1667. Sobressai, depois, Michelli, com Nova Plantarum, introduzindo a nomenclatura binária. De 1821 a 1832, na Suécia, Elias Fries publica os 3 volumes do System Mycologicum, considerado ponto de partida para muitos grupos de fungos. Um trabalho notável teve início em 1822, com Saccardo, e foi até 1931, constituindo os 25 volumes do Silloge Fungorum, descrevendo mais de 80 mil espécies. No campo estritamente técnico e de interesse industrial, a obra pioneira é "Technische Mycologie", publicada entre 1904 e 1907. De Barry, considerado pai da micologia moderna, publicou Morphologie and Physiologie Derpilze, Flechten, and Myxomyceten.

A Micologia Médica Humana começa a surgir com as observações de Schoenlein, Langenbeck, Gruby, sobre as micoses superficiais, a partir de 1839. Estudos sobre micetoma começam com Gill, 1842. Estudos de Aspergiloses, com Virchow, datam de 1856. No princípio do século, Sabouraud inaugura praticamente a Micologia Dermatológica. Este autor deixou um livro até hoje consultado com interesse: LES TEIGNES, de 1910.

A imunologia micológica desenvolveu-se após 1940 com os estudos da COCCIDIOIDOMICOSE e da HISTOPLASMOSE. Em virtude destes estudos, nasceu o conceito de micose doença e micose infecção. Um novo campo de interesse surgiu por volta de 1950, sob o título de Infecções Micóticas Ocasionais ( Micoses por Fungos Oportunistas), como conseqüência do progresso da terapêutica que nos deu antibióticos, corticosteróides e citostáticos, valiosos no combate às doenças a que se propõem, mas não isentos de perigo, em virtude do desequilíbrio imunológico que por vezes provocam, abrindo portas de entrada para numerosos microorganismos, normalmente saprófitos (sapróbios), mas agressivos ao defrontar um organismo desaparelhado para a defesa.

Como se já não bastasse a agressão parasitária dos fungos, eis que também, no campo da toxicologia, vemos dilatar-se o âmbito da micologia médica e veterinária, pelo conhecimento que se teve, no fim da década de 50, de que os fungos do gênero Aspergillus e outros, por ingestão alimentar, são capazes de produzir variadas alterações orgânicas, culminando com a produção de Hepatomas (câncer hepático), provocadas por toxinas fúngicas: aflatoxina e outras semelhantes.

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