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Belém Setembro - 2006

1.Considerações iniciais
3.4.1.Fundamentos éticos e políticos
3.4.2.Fundamentos epistemológicos
3.4.3.Fundamentos didáticos-pedagógicos
6.4.1.Representação discente e centro acadêmico
6.4.2.Programa de Ensino Tutorial – PET

SUMÀRIO 2.Contexto de inserção do curso 3.Diretrizes do curso 3.1.Missão 3.2.Política 3.3.Valores 3.4.Fundamentos 4.Objetivos do curso 4.1.Objetivo geral 4.2.Objetivos permanentes do curso 5.Perfil do profissional a ser formado 5.1.Considerações iniciais 5.2.Habilidades e competências 6.Currículo do curso 6.1.Considerações iniciais 6.2.Trabalho de Conclusão de Curso - TCC 6.3.Estágio supervisionado 6.4.Atividades complementares 7.Política de ensino 7.1.Estratégias para alcançar a política de ensino 7.2.Procedimentos de avaliação dos alunos 8.Política de pesquisa 8.1.Estratégias para alcançar a política de pesquisa 8.2.Linhas de pesquisa e a articulação com o ensino e a extensão 8.3.Grupos de estudos de pesquisa 9..Política de extensão

9.1.Estratégias para alcançar a política de extensão
10.1.Coordenação e colegiado de curso
10.2.Matrícula
10.3.Relação com o aluno egresso
10.4.Salas de aulas, reuniões, estudos e auditório
10.5.Laboratórios
16.6.Bibliotecas
13.1.Avaliação do corpo discente
13.2.Avaliação do corpo docente
13.3.Avaliação do corpo técnico-administrativo
13.4.Avaliação interna do curso

3 10.Infra-estrutura 1.Recursos humanos 12.Política de Inclusão social 13.Avaliação do ensino da aprendizagem e do curso 14.Docentes e seu papel na organização didático-pedagógico 15.Referências bibliográficas consultadas

Anexos Anexo I I: Desenho curricular Anexo I: Contabilidade acadêmica Anexo I: Linhas de pesquisa do DEM Anexo IV: Distribuição das atividades curriculares e carga horária por núcleos de conteúdos Anexo V: Atividades curriculares por semestre Anexo VI: Ordenação das atividades curriculares por semestre Anexo VII: Demonstrativo das atividades curriculares por habilidades e por competências Anexo VIII: Corpo docente do DEM Anexo IX: Corpo técnico – administrativo Anexo X: Ementas das disciplinas

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS

As mudanças nas relações entre os povos e a globalização do mercado consumidor, a velocidade sempre crescente nas transformações tecnológicas, a busca pela melhoria da qualidade de vida, o embasamento científico necessário para o acompanhamento dessas mudanças, a utilização de recursos naturais e a sua proteção, a qualidade dos produtos e serviços visando a questão ambiental, a segurança e a saúde, são alguns dos fatores hoje presentes nas discussões sobre a formação do engenheiro que atuará no século XXI.

A busca pela melhoria da qualidade deve ser o objetivo permanente e sempre reafirmado pela instituição universitária, pois a contrapartida da universidade à sociedade que a sustenta deve ser, necessariamente, traduzida por uma produção de qualidade. Para que isso ocorra, é necessário que a universidade tenha autonomia na definição de seus programas de ensino, pesquisa e extensão. Todavia, a autonomia universitária não pode ser construída sem uma interlocução com o meio social no qual está inserida. Como retribuição por sua autonomia, a universidade deve devolver à comunidade um produto de qualidade e de relevância.

A extrema complexidade da sociedade capitalista moderna e o ritmo frenético do avanço científico e tecnológico evidenciam a necessidade de a universidade formar um novo profissional. No desempenho desse futuro profissional, o “novo” e o “de qualidade” devem estar principalmente nas relações que for capaz de estabelecer com seu ambiente como cidadão e como profissional. No domínio do conhecimento; na sensibilidade e compromisso com a solução de problemas significativos; na competência técnico-científica para gerar soluções como um estudioso crítico, capaz de examinar com critérios de relevância, rigor e ética a produção científica na área e de produzir conhecimentos novos com independência e originalidade; na competência para interagir e produzir em perspectivas multidisciplinar e pluriprofissional; e também no compromisso ético com a melhoria das condições da vida humana. Com isso, reconhecemos o impacto da globalização e da revolução tecnológica que impõem novos padrões de conhecimento, no entanto queremos um outro tipo de Engenheiro Mecânico. Deveremos dirigir nossas atenções objetivando a discussão ampla e profunda desses impactos na perspectiva de garantir nossa soberania e identidade e de nos apropriarmos dessas inovações tecnológicas em favor da maioria da população, de modo que os nossos alunos, detentores desse conhecimento, socializem o saber e façam brotar relações de dignidade no seio da sociedade.

Pensar a formação do Engenheiro Mecânico para o século XXI é discutir as ações que estejam se desenvolvendo ou venham a se desenvolver pelas agências formadoras, no caso da educação inicial, e pelas instituições empregadoras, no caso da educação continuada. Outro aspecto a destacar, é que esta formação deve ocorrer no interior da Universidade, isto é, com a garantia da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

Dentro dessa ótica, o Curso de Engenharia Mecânica apresenta uma proposta fundamentada nos princípios de formar um profissional que tenha uma formação básica muito sólida, capaz de enfrentar o aumento acelerado, o grande leque de abertura e os desafios que a tecnologia deverá impor à sociedade.

2. CONTEXTO DE INSERÇÃO DO CURSO

A engenharia é hoje vista como a aplicação de princípios científicos para fins práticos. Entenda-se por princípios científicos o conhecimento acumulado a partir do desenvolvimento da ciência. Em um contexto mais amplo englobem-se, além das ciências exatas, as ciências da vida, humanas e sociais. A preocupação com as ciências humanas e sociais é uma das características da engenharia neste início do século XXI.

A palavra latina ingeneare, que significa criar, originou tanto a palavra engenho, que quer dizer máquina, como a palavra engenhoso, que quer dizer inventivo. A noção de algo prático como uma máquina que carrega em seu significado a realização de uma dada tarefa está intimamente ligada ao conceito de engenharia. Da mesma forma a palavra inventiva de conceber o que não está concebido deve também ser associada ao exercício da engenharia.

A forte ligação da engenharia com a ciência não deve impedir que as diferenças entre ambas sejam devidamente apontadas. A ciência é o estudo do que existe, e o cientista, a partir de sua observação do mundo, avança e sistematiza o conhecimento. Pode-se, de certa forma, dizer que a função do cientista é saber. Diferentemente, a engenharia é a criação do que virá a existir. Nesse sentido, a função do engenheiro é fazer. No exercício da engenharia a ciência é um meio e não um fim.

A necessidade de fazer, de criar, de resolver problemas, confere ao engenheiro sua identidade profissional. Ele é único nesta atividade e é ele, mais do que nenhum outro profissional, que tem moldado o mundo em que vivemos.

Desde as primeiras manifestações de racionalidade a engenharia – primeiro empírica e depois científica – tem mediado as ligações entre o homem e o seu ambiente. O homem sempre se preocupou com o alimento, o abrigo e o conforto, e é através da engenharia que ele tem avançado nestas áreas. Por meio de sua atividade inventiva, desde seus primórdios, o homem percebeu que a engenharia facilitava a realização de suas tarefas.

Todas as manifestações pioneiras da engenharia estiveram associadas a certa base de conhecimento. Quando esta base de conhecimento aumentava, aumentava também os artefatos e as obras de engenharia. O primeiro exemplo de notável obra de engenharia que pode ser incluído aqui são as pirâmides do Egito. Sem dúvida, as pirâmides só existem porque os egípcios estabeleceram os fundamentos da aritmética e da geometria, que foram cruciais para a construção dessas monumentais obras. Exemplos de outras grandes obras de engenharia é o farol de Alexandria, o templo do rei Salomão, o Coliseu romano, os sistemas viários da Pérsia e de Roma e os aquedutos franceses.

Grandes avanços na engenharia foram motivados por fins bélicos, e os primeiros usos do termo engenharia estiveram associados a atividades militares. Os engenheiros ditos militares eram especialistas com grande criatividade, que projetavam engenhos tais como catapultas, pontes móveis e outros utensílios e dispositivos de grande utilidade na defesa e ataque de fortes, castelos, acampamentos, etc. Só a partir do século XVIII a engenharia civil passou a ser de fato reconhecida como tal e começaram a surgir as primeiras escolas de engenharia. Em 1747 foi fundada na França a Escola Nacional de Pontes e Estradas. Na seqüência foram fundadas escolas de engenharia em Berlim (1799), Praga (1806), Viena (1815) e Kalsruhe (1823). A crescente importância da engenharia e o reconhecimento do papel social exercido pelos engenheiros como artífices de grandes transformações motivaram o surgimento do Instituto de Engenheiros Civis na Inglaterra, em 1818, sendo esta a primeira sociedade de engenheiros.

A engenharia praticada nessa época já incorporava muito do conhecimento científico disponível, embora ainda não estivesse clara a importância da metodologia científica para o bom exercício da engenharia. Na verdade, a engenharia começou a abandonar seu caráter puramente empírico e intuitivo já no início do Renascimento, com Leonardo da Vinci, que entre outras criações idealizou o pára-quedas, o avião e o helicóptero. Leonardo da Vinci foi um dos precursores da metodologia científica no exercício da engenharia.

A invenção da máquina a vapor por James Watt no século XVIII e o advento da Revolução Industrial no século XIX levaram ao surgimento do engenheiro mecânico. Com a fundação na Inglaterra do Instituto de Engenheiros Mecânicos em 1847, os engenheiros mecânicos foram formalmente reconhecidos como uma classe de engenheiros diferente da dos engenheiros civis e militares. É o caso, por exemplo, da invenção da célula elétrica (Volta, 1800) e do motor elétrico (Faraday, 1872), que com outras descobertas e invenções e juntamente com o desenvolvimento da teoria eletromagnética (Maxwell, 1864), estabeleceram as bases para o surgimento da engenharia elétrica.

Ao final do século XIX, além dos engenheiros civis e militares, já eram reconhecidas como atividades distintas as engenharias mecânica, elétrica e química. Na seqüência, diversas outras formas de engenharia foram identificadas e hoje se fala em mais de 30 (trinta) modalidades de engenharia (aeronáutica, aeroespacial, de alimentos, agrícola, agronômica, ambiental, de automação, biomédica, cartográfica, civil, de computação, de controle, costeira, elétrica, eletrônica, ferroviária, florestal, industrial, de materiais, mecatrônica, mecânica, metalurgia, de minas, naval, nuclear, oceanográfica, de petróleo, pesqueira, de produção, química, sanitária, de sistemas, de telecomunicações, têxtil, de transportes, etc.).

É difícil estabelecer o início da atividade da engenharia no Brasil, mas podese afirmar que ela começou com as primeiras casas feitas pelos colonizadores que, naturalmente, hoje não seriam classificadas como obras de engenharia. Em seguida, ainda de forma muito rudimentar, vieram as primeiras obras de defesa, muros e fortins. Mas a engenharia, tal como na época era entendida, parece ter entrado no Brasil através das atividades dos oficiais-engenheiros e dos mestres construtores de edificações civis e religiosas.

A referência mais antiga com relação ao ensino de engenharia no Brasil parece ter sido a contratação do holandês Miguel Tinermans, em 1648, para aqui ensinar sua arte e sua vivência.

A primeira escola de engenharia propriamente dita a Academia Real Militar, foi criada em dezembro de 1810 pelo príncipe Regente (futuro Rei D. João VI), vindo a substituir a Real Academia de Artilharia, instalada em dezembro de 1792. Depois da Independência, a Academia Real Militar, teve seu nome mudado para Academia Imperial Militar da Corte. Em outubro de 1823, um decreto permitiu a matrícula de alunos civis. Em 1858, a Escola Militar da Corte, passou a denominar-se Escola Central, sendo então destinada ao ensino da matemática e da física e, também da Engenharia Civil. Com estas modificações, o ensino militar ficou a cargo da Escola de Aplicação do Exército, agora denominada Escola Militar e de Aplicação do Exército, e da Escola Militar do Rio Grande do Sul.

Em abril de 1874 foi criada a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, sucessora direta da antiga Escola Central.

Também no segundo Império, foi criada a Escola de Minas de Ouro Preto, em outubro de 1876 e, ainda no século XIX, mais cinco escolas de engenharia foram implantadas: em 1893 a Politécnica de São Paulo; em 1896 a Politécnica do Mackenzie College e a Escola de Engenharia de Recife; em 1897 a Politécnica da Bahia e a Escola de Engenharia de Porto Alegre.

No dia 07 de abril de 1931, no Instituto Histórico e Geográfico do Pará, era comemorado o primeiro centenário da abdicação do Imperador D. Pedro I. Naquele dia foram lançados os fundamentos da criação de uma Escola de Engenharia em Belém. No dia 10 de abril de 1931, estava criada a Escola de Engenharia do Pará. Finalmente, no dia 02 de julho de 1957, foi promulgada a Lei Federal no 3.191 que, entre seus dispositivos, enquadrou a Escola de Engenharia do Pará como unidade da Universidade Federal do Pará.

O Curso de Engenharia Mecânica - CEM do Centro Tecnológico - CT da

Universidade Federal do Pará - UFPA foi implantado em 1963 e o currículo nesta primeira fase (1963-1970) foi o regime seriado anual, dividido em cinco (5) anos letivos. De 1971 a 1992 o currículo foi estruturado em regime de créditos sofrendo três reformas (1971-1975); (1976-1990) e (1991-1992), com matrícula por disciplinas semestrais (dez semestres letivos). Em 1993 foi implantado o regime seriado semestral e em 2002 foi implantado o regime seriado semestral por blocos de disciplinas. As reformas acima mencionadas foram efetuadas na forma da Resolução 48/76 do antigo Conselho Federal de Educação - CFE. Embora tenha iniciado efetivamente em 1963, seu Parecer de criação data de 2 de março de 1965, tendo sido publicado no Diário Oficial da União em 1 de abril de 1965. O Curso de Engenharia Mecânica foi Reconhecido pela Portaria no 723/86 – CFE de 16 de setembro de 1986. O número de vagas em Belém é de 80 vagas anuais em dois turnos, manhã (40 vagas) e vespertino (a partir das 16:50 horas)-noturno (40 vagas e o regime de matrícula é o seriado semestral. Está se propondo 30 vagas para o Núcleo de Tucuruí (primeiro semestre de 2007), turno vespertino, regime de matrícula seriado semestral. A integralização proposta para o curso (Belém e Núcleo de Tucuruí) é o mínimo de 9,5 semestres letivos e máximo de 15 semestres letivos. Em relação à oferta do curso para o Núcleo de Tucuruí, será regular, na forma modular e será ministrado pelo quadro docente de Belém, os quais serão alocados de acordo com a previsão da Faculdade de Engenharia Mecânica, a fim de não causar prejuízoz na oferta de atividades em Belém.

A Engenharia Mecânica está intimamente associada à concepção, projeto, fabricação de máquinas e equipamentos e a manutenção das mesmas, bem como à produção e utilização da energia em suas diversas formas. É esta especialidade de engenharia que materializa da melhor forma a ligação entre o homem e o engenho. A associação da Engenharia Mecânica com as ciências ocorre predominantemente através da física clássica e, quanto mais envolvido o engenheiro estiver com a atividade de criação tecnológica, maior deve ser o seu envolvimento com a ciência. A pesquisa, o desenvolvimento, o projeto, a fabricação, a produção, a operação e o gerenciamento são diferentes atividades possíveis de serem exercidas por um Engenheiro Mecânico e o correspondente envolvimento com a ciência.

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