Lubrificação Volume 1

Lubrificação Volume 1

(Parte 3 de 4)

Estocagem e manipulação de lubrificantes em uso

Óleo: Os tambores de óleo em uso devem ser estocados deitados sobre estrados adequados, de forma que uma torneira especial instalada no bujão inferior possibilite a retirada do lubrificante. Estas torneiras devem ser instaladas com o tambor em pé. A utilização de um carrinho que pega o tambor em pé e coloca-o na posição horizontal facilita esta operação.

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Durante o período que não se retira óleo dos tambores, as torneiras ou os bujões devem permanecer perfeitamente fechados e limpos, sendo que os pingos acidentais devem ser captados por recipientes pendurados às torneiras ou por bandejas. Para dar maior segurança ao operador durante o manuseio e facilitar a limpeza, é conveniente instalar-se uma grade metálica sob as torneiras.

Este tipo de torneira de fechamento rápido evita respingos de óleo e permite trancá-la com cadeado.

No caso dos tambores na posição vertical, recomenda-se a utilização de uma bomba que pode ser manual, elétrica ou pneumática. Estas bombas, que são instaladas no bujão de enchimento do tambor, permitem um bom controle da qualidade de óleo retirado e reduzem ao mínimo o risco de contaminação. Entretanto deve-se tomar a precaução de ter-se uma bomba para cada tipo de produto pois, devido ser praticamente impossível limpá-las totalmente, a utilização de uma só bomba em diversos tipos de lubrificantes resultará em contaminação ou desperdício.

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Graxa: Devido à sua consistência, as graxas apresentam maiores dificuldades para manuseio, exigindo freqüentemente a remoção da tampa dos tambores, o que pode causar contaminação do produto com pó, água, cinza, etc.

A espátula é o método mais comum de retirar graxa de um tambor e é também a maior causa de contaminação da mesma. Condena-se o uso de pedaços de madeira ou outros objetos não apropriados, quando for necessário o uso de espátulas, deve-se usar as de metal, tomando-se cuidado de ter uma para cada tipo de graxa e de limpá-las e protegê-las do pó e da sujeira quando não estão em uso.

Assim, recomenda-se a instalação de bombas especiais para se retirar graxa, o que possibilita manter os recipientes fechados durante o uso. Existem bombas manuais e pneumáticas que podem ser instaladas diretamente no tambor. Acessórios especiais permitem transferir a graxa para enchedoras de pistolas, engraxadoras portáteis, pistolas manuais ou diretamente ao ponto a ser lubrificado.

Quando se faz necessário usar a espátula para encher pistolas, enchedoras de pistolas ou equipamento portátil de engraxar, deve-se tomar o cuidado de evitar a formação de bolsões de ar através da compactação da graxa, pois prejudica a lubrificação quando são pressurizados. Também, é indispensável manter-se os tambores fechados e limpos quando fora de uso, além de se conservar limpas as espátulas.

Os cuidados na movimentação de lubrificantes

A movimentação dos lubrificantes da sua embalagem original aos locais onde serão utilizados, é de grande importância. O controle das retiradas parciais e os cuidados na manipulação para se evitar contaminação e confusão entre produtos distintos, devem ser rigorosamente observados.

A identificação do lubrificante dentro do almoxarifado ou da sala de lubrificantes é de fundamental importância, pois se o nome do produto estiver ilegível pode causar sérios problemas quando da utilização nos maquinários, devido a uma troca do óleo indicado. Os recipientes originais e os recipientes e equipamentos de transferência e distribuição devem ter uma marcação que indique claramente o produto. Essa marcação deve ser de acordo com o seu nome ou outro código qualquer que o identifique perfeitamente. Estes recipientes e equipamentos devem conter sempre o mesmo tipo de lubrificante a que foram destinados e nunca se deve utilizá-los para outros fins.

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Para se recolher o óleo usado que é retirado das máquinas, deve-se reservar um recipiente específico, devidamente marcado. Na hora da necessidade, a maioria dos operários se utiliza de qualquer óleo ou recipiente que esteja à mão. Deve ser proibido o uso de vasilhames improvisados, tais como latas velhas de tintas, regadores, garrafas, panelas, etc.

Portanto, além do indispensável treinamento e conscientização do pessoal, é necessário criar-se meios e condições adequadas para se fazer funcionar um sistema de lubrificação eficiente.

Os recipientes e equipamentos utilizados na lubrificação devem sempre ser meticulosamente limpos após cada utilização, providos de tampas que impeçam a entrada de poeira e outros contaminantes e guardados em locais apropriados, de preferência trancados.

Todos os equipamentos utilizados na lubrificação devem ser de materiais resistentes à corrosão e não devem ser pintados internamente, pois a tinta tende a descascar e contaminar o produto.

cor letra número símbolo ou nome

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Recebimento e armazenamento a granel de óleos lubrificantes

Recebimento a) Verificar se o produto que está sendo entregue é o mesmo do pedido e da nota fiscal.

b) Verificar se os lacres do caminhão estão intactos (não violados).

c) Verificar se os freios do auto-tanque estão aplicados e suas rodas calçadas.

d) Abrir a boca de visita (ou de carregamento) e a válvula de segurança da tubulação de saída.

lubrificanteNunca usar as mangueiras de óleos

e) Utilizar uma mangueira de descarga para cada tipo de óleo lubrificantes para descarga de outros tipos de produtos e vice-versa.

f) Colher uma amostra do óleo antes da descarga, em recipiente limpo e transparente.

g) Terminada a descarga, escorrer bem o óleo da mangueira.

h) Quando a mangueira não estiver sendo usada, proteger suas extremidades para evitar a entrada de sujeira e outros contaminantes.

i) Manter limpa toda a instalação.

j) Manter uma pessoa responsável durante todo o processo de descarga.

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Armazenamento a) Os tanques e instalações para armazenagem de óleos lubrificantes devem obedecer as Normas ABNT e CNP.

b) O tanque pode ser aéreo ou subterrâneo, porém a primeira alternativa é preferível.

c) Para cada tipo de óleo lubrificante deve haver uma linha de serviço.

d) O tanque deve ser drenado regularmente.

e) As linhas e os tanques devem ser identificados conforme cada tipo de produto.

f) Para óleos lubrificantes muito viscosos, é conveniente utilizar aquecimento no tanque e na linha, devido às variações de temperatura.

Descarte de óleos usados

Para as empresas que utilizam grande quantidade de óleos lubrificantes, a recuperação de determinados tipos de óleos para reutilização no mesmo ou outros fins constitue-se uma grande forma de economia. Através dos métodos de decantação, centrifugação e filtração, consegue-se recuperar ou aumentar a vida útil dos lubrificantes industriais.

Entretanto, sempre haverá uma parte que não poderá ser reaproveitada e que precisará ser descartada. Através de orientação estipulada pelo CNP - Conselho Nacional do Petróleo, é obrigado captar-se todas as sobras e envasá-las convenientemente em tanques ou embalagens limpas, para posterior revenda às empresas especializadas em recuperação e re-refinação de óleos lubrificantes, que posteriormente os revenderão para outros fins.

Órgãos criados especificamente para o controle da poluição ambiental, proíbem terminantemente o descarte de óleos lubrificantes em esgotos, afluentes, rios e mar.

A queima de óleos lubrificantes em caldeiras e fornos não é permitida e aconselhada, pois, além de prejudicar os equipamentos e poluir o meio ambiente, são divisas do País que se queimam e que poderiam ser aproveitadas.

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Monitoramento da condição do equipamento através da análise do lubrificante

A análise do lubrificante nos permite identificar, quantificar, traçar um perfil de desgaste do equipamento e componentes, além de avaliar a sua degradação natural. Do lubrificante que circula entre as partes do equipamento se obtém todas as informações necessárias sobre o seu estado. As partículas de contaminação e as partículas de desgaste estão nele presentes e, identifica-las através de análises específicas, nos permite traçar um perfil de desgaste dos seus componentes.

O controle de lubrificantes é vital para que o equipamento se mantenha em condições de plenitude operacional. Este controle nos permite identificar não somente o desgaste do equipamento mas a degradação natural e a sua troca ou intervenção no momento exato.

O monitoramento das partículas de desgaste baseia-se principalmente em dois fatos:

• Que a interface das peças móveis são continuamente "lavadas" pelo lubrificante e que as partículas de desgaste são arrastadas por este lubrificante

• Que a velocidade de geração destas partículas torna-se maior com o aumento do desgaste;

• Que o exame das partículas de desgaste arrastadas pelo lubrificante é um meio reconhecidamente eficaz de se conhecer a saúde dos equipamentos e quando exercido regularmente habilita a detecção de falhas incipientes e a implementação de um programa de monitoramento das condições dos mesmos no dia-a-dia de uso.

Técnicas tem sido aplicadas para conhecer a natureza das partículas de desgaste em termos qualitativos, quantitativos e atualmente a maioria destas técnicas são aplicadas em amostras do lubrificante em uso. Estas amostras são coletadas em intervalos regulares - pré-determinados - e a avaliação dos metais de desgaste é executada.

A adequada tabulação destes dados leva ao conhecimento do perfil normal de desgaste e a predição de ocorrência de falhas.

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As metodologias mais usadas atualmente para o monitoramento das partículas de desgaste são:

Técnica de detecção e identificação de partículas através da especificação da espectrofotometria de absorção atômica

Nesta metodologia de ensaio, a amostra é atomizada em uma chama sobre a qual incide uma determinada radiação - característica do elemento a ser analisado. Esta radiação tem como fontes "lâmpadas” específicas para cada elemento. Os átomos do elemento dispersos na chama absorvem parte da radiação incidente ocasionando a diminuição de intensidade da mesma que é medida por um detector. Quanto maior a concentração do elemento, maior será a absorção da radiação incidente.

Esta determinação quantitativa é feita através de comparação com padrões conhecidos dos elementos, produzidos pela diluição de compostos organo-metálicos de pureza analítica.

Os elementos de interesse ao estudo das partículas de desgaste geralmente são:

• alumínio, cromo, cobre, ferro, manganês, magnésio, sódio, níquel, chumbo, silício, estanho, zinco, titânio, cálcio, bario e vanádio.

A técnica da Espectrofotometria nos permite identificar qualitativa e quantitativamente o tipo de material de desgaste ou seja, o tipo e a quantidade de elementos dispersos no óleo. É também de grande utilidade na quantificação de aditivos metálicos incorporados aos lubrificantes novos.

Em virtude da limitação da capacidade de detecção, por via direta, de partículas de até no máximo 2 microns e por ser muito trabalhoso e demorado a execução do teste por via indireta, fica inviável, na maioria das vezes, a utilização desta técnica para identificar desgaste em equipamentos industriais onde as partículas se apresentam na faixa de > 1 < 50 microns. Entretanto para se detectar partículas em óleos lubrificantes de motores de combustão interna e fluidos de sistemas hidráulicos ela se apresenta ideal pois as partículas se apresentam < 2 microns.

A técnica de identificação de partículas através da ferrografia

A Ferrografia consiste na contagem e na observação visual das partículas existentes em uma amostra de lubrificante. Baseia-se nos seguintes princípios:

• A maior parte dos sistemas mecânicos desgasta-se antes de falhar;

• O desgaste gera partículas;

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• A natureza e a quantidade de partículas dependem da causa e da severidade do desgaste;

• Analisar partículas é o mesmo que analisar as superfícies que se desgastam. Existem dois níveis de Análise Ferrográfica.

A primeira, quantitativa fornece uma indicação da severidade do desgaste;

A segunda, analítica, leva ao conhecimento das causas do desgaste.

Descobriu-se que durante o funcionamento normal de um elemento de máquina corretamente lubrificado, são produzidas partículas metálicas, principalmente ferrosas, de tamanho inferior a 15 microns e que, em condições de sobrecarga e má lubrificação cresce a quantidade e o tamanho das mesmas. Criou-se. então. um método eficaz de coletar. separar. contar e identificar as partículas suspensas no lubrificante.

Fazendo-se fluir o óleo, ou graxa, através de um tubo capilar ou lamina de vidro, cercada por forte campo magnético, as partículas ferrosas de maior tamanho precipitam-se primeiro na entrada do substrato, aglomerando-se em local bem definido. É a posição em que são encontradas as partículas maiores consideradas de desgaste severo. Cinco a seis milímetros adiante, precipitam-se as partículas menores, resultantes do desgaste considerado normal. Às partículas não ferrosas precipitam-se em qualquer local, pela ação da gravidade e do fraco magnetismo adquirido no contato com as partículas ferrosas. Após a lavagem do depósito obtido, utilizando-se um solvente especial que elimina todo o óleo, permanecem apenas as partículas retidas pelas forças eletromagnéticas, prontas para a contagem e observação visual.

Para a contagem são utilizadas fontes de luz e detectores apropriados, ligados a um dispositivo eletrônico que mede as intensidades da luz transmitida através de duas áreas, entrada e seis milímetros adiante, da amostra. A relação entre elas, correspondente à relação entre as partículas grandes e pequenas, indica a severidade do desgaste. Este é o princípio da Ferrografia Quantitativa, que pode ser efetuada periódica ou continuamente e possibilita o traçado de um gráfico de tendências e o estabelecimento de um nível de alarme.

A Ferrografia Analítica requer a utilização de um microscópio de pesquisa, além de outros instrumentos auxiliares para observação visual da amostra. A natureza das partículas fornece uma indicação precisa das causas do desgaste.

A amostra levada ao microscópio em laminas de vidro, é análoga a um espectro, pois decompõe o "sinal",

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Departamento Regional do Espírito Santo 51 ordenadamente, segundo suas características, que tem relação com as causas.

A análise da forma, tamanho e cor das partículas permite inferir as causas tais como, sobrecarga, má lubrificação, fadiga, abrasão e outras. A identificação da composição química dos elementos que compõe as partículas é viabilizada pela distribuição das mesmas no Ferrograma (lamina de vidro), pela cor, aquecimento e ataques químicos. Raramente é necessário a utilização de outros métodos de identificação da composição química dos elementos.

Com a Ferrografia pode-se efetuar o monitoramento periódico, monitoramento de start-up, análise de falhas e desenvolvimento de lubrificantes apropriados para condições específicas.

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