Monografia áurea régia

Monografia áurea régia

(Parte 1 de 6)

Monografia apresentada junto ao Curso de Geografia da Universidade Federal da Paraíba, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel.

Orientadora: Profª. Drª. Emilia de Rodat Fernandes Moreira

João Pessoa 2009

Catalogação na publicação

Universidade Federal da Paraíba Biblioteca Setorial do CCEN

S586pSilva, Áurea Régia Oliveira da.

A participação da juventude rural na construção de um

Território de Esperança / Áurea Régia Oliveira da Silva. – João Pessoa, 2009. 76 p. : il.

Monografia (Graduação em Geografia) – UFPB/CCEN. Orientadora: Professora Dra. Emília de Rodat Fernandes

Moreira. Inclui referências.

1. Assentamento - Paraíba. 2. Territórios de Esperança. 3. Assentamento – Zona da Mata Paraibana. I. Título.

Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba, UFPB, pela seguinte banca examinadora:

Prof. Dr. Anieres Barbosa da Silva

Universidade Federal da Paraíba

Prof. Dr. Belarmino Mariano Neto

Universidade Estadual da Paraíba

Profª. Drª. Emilia de Rodat Fernandes Moreira Universidade Federal da Paraíba (Orientadora)

João Pessoa, 28 de agosto de 2009

4 AGRADECIMENTOS

Começo agradecendo a alguns alunos e professores do Departamento de Geociências da UFPB, pois fizeram parte da minha formação durante esses quatro anos de curso. À turma de Geografia 2005.1 um agradecimento sincero, pois me proporcionou amizades para a vida inteira e longas discussões tanto em sala de aula, como pelos corredores, como em qualquer lugar em que nos reuníssemos. Dessa turma, um muito obrigada especial a alguns amigos: Franklin (Meota), Ibrahim, José Yure, Victor Hugo, Giovanne, Edmilson (Mentira), pelas longas conversas e boas risadas que fazíamos por onde quer que passássemos; agradeço também aos amigos que passaram apenas uma parte do curso conosco: Hermano, Diego Bruno, Diego Henrique e Bruna, que de uma forma ou de outra também marcaram a minha formação.

Um agradecimento a Tássio (Baiano), que admiro pela determinação e bravura que só o sertanejo tem, também pelos nossos devaneios de jovens estudantes sonhando com um mundo melhor e pelos momentos de protestos na universidade; a Elcivam (Heck), que me ensinou que quem tem amigos tem tudo na vida; a Mateus (menino criado em apartamento) que é responsável por momentos mais que agradáveis e enriquecedores intelectualmente, ele que se tornou um super amigo ao longo desses anos. E como não poderia deixar de ser, um agradecimento mais que especial à Luanna, que mais que uma amiga se tornou quase uma irmã em quem deposito total confiança e por quem nutro um amor fraternal e puro que só uma amizade leal pode proporcionar. Ela que esteve em todos os momentos realmente importantes ao meu lado, me apoiando ou me criticando de forma sempre construtiva, ela que sempre me acolheu em sua casa (principalmente na hora do almoço!) sempre que precisei, ela que sempre admirei por sua determinação e competência sempre me puxando as orelhas por ser tão desorientada. Muito obrigada por fazer parte dessa conquista Lua! Muito obrigada também à sua família por, praticamente, ter me adotado! Valeu papai Rui e mamãe Ivonete!

Aos amigos que não foram da turma do barulho (2005.1), mas que foram também muito importantes para a minha formação pessoal e acadêmica: Nirvana, Mara e Lairton, muito obrigada pelas ótimas discussões pelos corredores da Geografia!

Ao Getec (Grupo de Estudos sobre Trabalho, Espaço e Campesinato), do qual faço parte e que me acrescentou muito em termos de pesquisa e de conhecimento. Não poderia deixar de agradecer às nossas reuniões de quase toda sexta-feira à tarde, quando fazíamos discussões de alguns textos. Obrigada a todos que dele fazem parte, em especial a Jossandra e Elton (que também fazem parte da turma do barulho!), Michell e Lidiane e, gostaria de destacar um agradecimento a Noemi, que se mostrou uma ótima amiga já na reta final dessa pesquisa, mas que deu grandes contribuições para o seu andamento, sempre ouvindo minhas intermináveis dúvidas e opinando de forma brilhante. Muito obrigada Noemi!

eu precisasse, que me ensinou que conhecimento é feito para ser compartilhado“nada de

Falando em Getec não poderia deixar de agradecer à coordenadora dele que também é minha orientadora, Emilia de Rodat Fernandes Moreira, por quem nutro grande admiração tanto pela pessoa simples e generosa que é, quanto pela grande intelectual que se mostra. Ela que me ensinou muito do pouco que sei, que sempre se mostrou pronta para me ajudar no que mesquinharia intelectual”! Muito obrigada Emilia por ter me permitido fazer parte desse grupo maravilhoso, construindo conhecimento junto com vocês! Muito obrigada por ter sido tão paciente (porque eu a perturbei demais!) e carinhosa comigo, sempre me atendendo quando eu a procurava, sempre me incentivando a continuar pesquisando, apesar das dificuldades que ela sabe que passei! Muito obrigada por me ensinar tanto!

Agradeço também a alguns outros professores que me serviram de exemplo intelectual e que me faziam, a cada momento, vibrar com novas descobertas e me apaixonar, cada vez mais pelo que eu havia escolhido estudar: Marco Mitidiero (foi com ele que nossa turma se tornou a turma do barulho!), depois dele não deixei mais a geografia agrária; Neide Miele, professora de Sociologia com quem muito aprendi; Fátima Rodrigues, que me ensinou que devemos sempre encontrar formas de colocar em prática aquilo que vemos em sala de aula; Doralice, que quase me seduziu para a geografia urbana; Anieres, que me deu a oportunidade de estudar geografia política mesmo que na época corrida dessa pesquisa, e que se prontificou a me ajudar no que fosse possível; Lima, que prova que professores universitários são realmente loucos; Maria Franco, que admiro demais por ser uma professora extremamente competente e que realmente luta por um ideal. Muito obrigada a todos vocês!

Fora da universidade também tenho muitos agradecimentos a fazer. Algumas pessoas tornaram menos difícil essa minha trajetória e não poderia deixar de citá-las aqui. A tia Helena e tio Albenides, que sempre me ensinaram sobre a importância da educação na vida de alguém e que sempre me auxiliaram no que precisei para que seguisse estudando. Se consegui entrar na universidade, devo isso também a vocês que são os meus pais de coração! Eles são meus tios queridos e sempre me deram todo o tipo de apoio que alguém poderia dar. São um exemplo de vida a ser seguido, e é neles em quem me espelho a fim de me tornar uma pessoa cada vez melhor.

Aos meus pais, Marizia e José, a quem devo a vida e a maior parte das coisas que nela aprendi. Apesar de todas as dificuldades, sempre priorizaram a minha educação e a de minha irmã, fazendo quase o impossível para que a tivéssemos com qualidade. Eles que sempre me apoiaram na minha decisão. Essa conquista também é mérito de vocês papai e mamãe!

A minha irmã, Ana Julita, que apesar de ser mais nova, me inspirou muitas vezes intelectualmente. Apesar de estudar Direito, é a minha “filosofinha” predileta, cheia de indagações realmente intrigantes que muitas vezes me fizeram parar para refletir e pesquisar mais um pouco. Apesar da distância que se colocou entre nós (uma no Sul e outra no Nordeste do Brasil!) ela sempre me veio com perguntas que na maioria das vezes eu não conseguia responder e é uma das grandes responsáveis por meu crescimento intelectual, na busca por respostas dessas indagações quase “irrespondíveis”. Muito obrigada a você também Ana!

Agradeço ainda a todo o pessoal do INCRA - PB que sempre me recebeu muito bem todas as vezes que precisei de algum material para a realização dessa pesquisa, inclusive a Frei Anastácio por ter nos recebido para entrevista apesar de tanto trabalho a fazer. Obrigada também ao pessoal da CPT, especialmente a irmã Edneusa, que me indicou o assentamento Padre Gino para trabalhar com os jovens e a Dorival que sempre se dispôs a me ajudar no que eu necessitasse.

Um muito obrigada também a todos do Assentamento Padre Gino, por terem nos recebido tão bem todas as vezes que fomos perturbar mais um pouquinho por lá. Obrigada aos jovens desse assentamento pelo exemplo de luta e por nos ter concedido um pouco do seu tempo para que esse trabalho fosse realizado com êxito. Obrigada a Cleibson, Alane, Geusa, Josinaldo, Alexsandra e Evandro por nos ter ensinado tanto sobre a realidade dos jovens do campo.

7 ÁUREA RÉGIA OLIVEIRA DA SILVA

A todos os jovens que lutam por terra e pela construção de um Território de Esperança.

8 ÁUREA RÉGIA OLIVEIRA DA SILVA

“Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar” (Chico Science)

9 ÁUREA RÉGIA OLIVEIRA DA SILVA

Este trabalho é fruto de uma pesquisa maior denominada “Territórios de Esperança”, que tem como objetivo resgatar a história da luta por terra e pela vida na terra nos assentamentos do Estado da Paraíba. Ele busca recuperar o processo de luta pela terra num assentamento rural situado na Zona da Mata paraibana, o PA Padre Gino, analisa as formas de organização interna e externa do assentamento e focaliza de modo especial a participação dos jovens na construção dessa nova territorialidade. O estudo pauta-se na pesquisa bibliográfica e documental, na análise de dados secundários e na pesquisa de campo. O Assentamento Padre Gino, surgiu a partir da desapropriação da Fazenda Santa Cruz/Gameleira, em setembro de 1996. Com uma área de 560 ha, conta com 62 famílias que residem numa agrovila e cultivam e criam em lotes que variam de 5 a 6,5 ha. Parte das famílias assentadas integra um projeto de produção agroecológica articulado a um projeto de comercialização solidária que deu origem a Freira Agroecológica da UFPB. Porém a maioria dos assentados ainda depende de atravessadores. Nele existem dois grupos de jovens: um, mais antigo, voltado para a produção agrícola e o outro, mais recente, voltado para a realização de atividades culturais. Esses dois grupos têm se organizado participando do processo de construção/consolidação de um Território de Esperança, como também buscando uma formação capaz de permitir sua inserção cidadã na sociedade em que vivem.

Palavras-chave: Jovens rurais. Assentamento. Território. Território de esperança.

10 ÁUREA RÉGIA OLIVEIRA DA SILVA

Este trabajo es fruto de una investigación denominada “Territorios de Esperanza”, que tiene como objetivo rescatar la historia de la lucha por la tierra y por la vida en los asentamientos del Estado de Paraíba. Se pretende recuperar el proceso de lucha por la tierra en un asentamiento rural situado en la zona de la Mata Paraibana denominado PA Padre Gino, analiza las formas de organización interna y externa del asentamiento y focaliza de modo especial la participación de los jóvenes en la construcción de un Territorio de Esperanza. El estudio está basado en una revisión bibliográfica y documental, en el análisis de datos secundarios y en el trabajo de campo. El asentamiento Padre Gino surgió a partir de la desapropiación de la Hacienda Santa Cruz/Gameleira, en setiembre de 1996. Con un área de 560 ha, contando con 62 familias que residen en una agrovilla y cultivan y crían en lotes de entre 5 y 6,5 ha. Parte de las familias asentadas integran un proyecto de producción agroecológica de la UFPB. Sin embargo, la mayoría de los asentados aún depende de atravesadores. En él existen dos grupos de jóvenes: el más antiguo dedicado a la producción agrícola y el más reciente para las actividades culturales. Esos dos grupos se han consolidado en el proceso de construcción de una nueva territorialidad así como buscando una formación capaz de permitir su inserción ciudadana en la sociedad en la que viven.

Palabras clave: Jóvenes rurales. Asentamiento. Território. Território de Esperanza

1 LISTA DE MAPAS

MAPA 1. Localização do município de Sapé3
TABELA 1. Estrutura fundiária de Sapé - 1995-9634
TABELA 2. PA Padre Gino - Idade e sexo da população assentada43
TABELA 3. Principal forma de diversão dos jovens rurais5
TABELA 4. Lugar de residência dos jovens56
TABELA 5. Condições de trabalho dos jovens do PA Padre Gino58
GRÁFICO 1. Escolaridade dos assentados do PA Padre Gino48
GRÁFICO 2. Área cultivada na safra 2008-200950
GRÁFICO 3. Área destinada à pastagem50

12 LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1. Momentos do acampamento na Fazenda Santa Luzia41
FIGURA 2. Bancas da feira agroecológica na UFPB4
FIGURA 3. Caixa d’água do Assentamento45
FIGURA 4. Coleta de lixo reciclável do PA46
FIGURA 5. Escola do Assentamento47
FIGURA 6. Grupo focal realizado com membros do JUC61

14 SUMÁRIO

INTRODUÇÃO15
AGRÁRIA20
1.1. Sobre a concepção de Território20
1.2. Reforma Agrária e Assentamentos Rurais25
1.3. O Assentamento como fração do território30

1. TERRITÓRIO, ASSENTAMENTOS RURAIS E REFORMA

2. DA ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO DO MUNICÍPIO DE SAPÉ À

GINO3
2.1. O espaço agrário do município de Sapé34
recentes36
2.3. A história da luta do Assentamento Padre Gino40
2.4. Organização interna do Assentamento Padre Gino43

2.2. As lutas camponesas em Sapé: das Ligas Camponesas as lutas

GINO52
3.1. A Juventude Rural em áreas de assentamento52
3.2. Jovens que fazem: o papel dos jovens do assentamento Padre Gino57
CONSIDERAÇÕES FINAIS68

15 INTRODUÇÃO

Este trabalho é fruto de uma pesquisa maior denominada “Territórios de Esperança”, coordenada pela profª. Drª. Emilia de Rodat Fernandes Moreira. Esta pesquisa procura fazer um resgate dos conflitos por terra que ocorreram na Paraíba a partir de 1996 e também recupera a luta pela sobrevivência na terra nos Assentamentos rurais do estado criados a partir daquela data. Na verdade ela dá continuidade ao estudo realizado pela mencionada professora na década de 1990, que deu origem a obra “Por um pedaço de Chão” e conta com o apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e com a participação da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Trabalhando nessa pesquisa eu pude aprender um pouco mais sobre a organização agrária do estado da Paraíba o que me instigou cada vez mais a enveredar por esse ramo da Geografia. Durante meu trabalho nessa pesquisa me ocorreram algumas inquietações com relação à juventude no processo de luta por terra e de organização produtiva, social e política nas áreas de assentamentos. A partir de então tive a idéia de fazer uma pesquisa que procurasse compreender de que forma se dá a participação dos jovens assentados nesse processo de construção do território.

Ao entrar em contato com uma pesquisa desenvolvida por alguns membros do Grupo de Estudos sobre Trabalho, Espaço e Campesinato (GETEC), do qual participo, sobre migração em áreas de assentamentos na Paraíba, pude perceber que a saída dos jovens constituía um problema na continuidade de reprodução do campesinato em alguns assentamentos. Dessa forma me veio a vontade de compreender esse suposto desinteresse dos jovens pela terra conquistada, que fazia com que estes viessem a procurar outros meios de vida fora do assentamento, como alguns casos que fiquei sabendo através de tal pesquisa, de jovens que estavam se assalariando no corte da cana em São Paulo. Mas que tipo de conseqüência essa atitude dos jovens causa no processo de construção desse novo território, desse território de esperança que constitui o assentamento rural? Afinal, como os jovens participam do processo de territorialização da luta pela terra? Será mesmo correta a idéia de que os jovens não se importam com o trabalho na terra? Que eles estão alheios ao processo de conquista e de construção do território? Essas foram apenas algumas das questões que me propus a responder. Com estas questões, me restava então saber qual o assentamento onde eu iria trabalhar.

Com essa meta já estabelecida, procurei me informar sobre algum assentamento onde existisse algum projeto direcionado aos jovens. Fiquei sabendo então, através da irmã

Edneusa, da CPT, que no assentamento Padre Gino a CPT realizava um trabalho interessante com os jovens. Como eu já havia visitado esse assentamento em uma outra ocasião, julguei que lá eu poderia desenvolver uma boa pesquisa. Também levei em consideração a localização do assentamento, que fica na Zona da Mata paraibana, próximo à capital, João Pessoa, o que facilitou meu acesso ao local. Dessa forma, estava escolhido o meu objeto de estudo.

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