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1- HIPERÊMESE

A sintomatologia são vômitos contínuos e intensos que dificultam a alimentação da gestante, causando desde a desidratação e oligúria à perda de peso e transtornos metabólicos, com alcalose (pela perda maior de cloro – hipocloremia, perda de potássio e alterações no metabolismo das gorduras e dos carboidratos). Casos graves, podemos observar insuficiência hepática, renal e neurológica. Os Aspectos emocionais e adaptações hormonais são apontados como causadores desse transtorno. Pode, também, estar associada à gestação múltipla, mola hidatiforme, pré-eclâmpsia, diabetes e isoimunização Rh.

Outras intercorrências podem levar a vômitos com a mesma gravidade e que devem ser avaliadas, que são: úlcera gástrica, cisto torcido de ovário, gravidez ectópica, insuficiência renal, infecções intestinais. Os vômitos tardios da gravidez não devem ser confundidos com hiperêmese gravídica. O Apoio psicológico, ações educativas desde o início da gravidez, bem como reorientação alimentar, são as melhores maneiras de evitar os casos mais complicados. Nas situações de êmese persistente, o profissional de saúde capacitado deve prescrever terapia antieméticas, por via oral ou intravenosa, além de hidratação. Antieméticos orais: 1.Metoclopramida - 10mg de 4/4h; 2.Dimenidrato - 50 mg de 6/6h.

Antieméticos injetáveis: 1.Metoclopramida - 10mg (1amp. = 10ml) de 4/4h; 2.Dimenidrato - 50 mg (1amp. =1ml) de 6/6h. 1-Algumas Hiperêmeses Gravídicas, não respondem a terapia medicamentosa ambulatorial.

2- SÍNDROMES HEMORRÁGICAS

As mais corriqueiras situações hemorrágicas na gravidez são:

• Primeira metade: abortamento, descolamento cório-amniótico, gravidez ectópica, neoplasia trofoblástica gestacional benigna (mola hidatiforme);

1-Nos casos de hiperêmese gravídica que não responderam à terapêutica inicialmente instituída ou quando a unidade de saúde não tiver disponibilidade para estas medidas, a internação faz-se necessária e o profissional de saúde deve encaminhar a gestante imediatamente para um hospital.

• Segunda metade: placenta prévia (P), descolamento prematuro da placenta (DP).

3- ABORTAMENTO

É a morte ou expulsão ovular ocorrida antes de 2 semanas ou quando o concepto pesa menos de 500g. O abortamento é dito precoce quando ocorre até a 13ª semana e tardio quando ocorre entre a 13ª e 22ª semanas. O diagnóstico é clínico e ultra-sonográfico. O atraso menstrual, a perda sanguínea uterina e a presença de cólicas no hipogástrio são dados clínicos a serem considerados.

O exame genital é de suma importância. O exame especular permite a visualização do colo uterino, constatando-se a origem intra-uterina do sangramento .Eventualmente, são detectados fragmentos placentários no canal cervical e na vagina.

O exame do toque, vai possibilitar a avaliação da permeabilidade do colo. O exame ultra-sonográfico dá a definição ao diagnóstico de certeza entre um aborto evitável (presença de saco embrionário íntegro e/ou concepto vivo) e um aborto incompleto (presença de restos ovulares) ou aborto retido (presença de concepto morto ou ausência de saco embrionário).

4-AMEAÇA DE ABORTO OU ABORTAMENTO EVITÁVEL

É o sangramento vaginal discreto ou moderado, sem a ocorrência de modificação cervical, geralmente com sintomatologia discreta ou ausente (dor do tipo cólica ou peso na região do hipogástrio).

O exame especular vai mostrar o sangramento em quantidade diminuída proveniente do canal cervical ou apenas coletado no fundo de saco posterior.

Ao toque vaginal, o colo uterino mostra-se fechado e bem formado, o corpo uterino compatível com a idade gestacional e os anexos e fundos de saco normais e livres.

Na dúvida, solicitar ultra-sonografia.

Tratamento

O tratamento é discutível. A regra geral,é o repouso no leito é medida aconselhável para todas as situações. O repouso diminui a ansiedade, favorecendo o relaxamento e reduzindo os estímulos contráteis do útero. O tratamento deve ser domiciliar, de preferência.

A ministração por tempo limitado de antiespasmódicos (hioscina, 1 comprimido, VO, de 8 em 8 horas) tem sido utilizada. O uso de tocolíticos não é eficiente, uma vez que, nessa fase de gestação, os beta-receptores uterinos não estão adequadamente sensibilizados.

Tranquilizantes e/ou sedativos, sempre em doses pequenas, podem ser administrados. A ameaça de abortamento pode evoluir para gestação normal ou para abortamento inevitável.

Durante a admissão hospitalar devido a abortamento, evitável ou não, deve-se solicitar o

VDRL para afastar o diagnóstico de sífilis. Em caso de resultado reagente, iniciar o tratamento com antibioticoterapia, conforme esquema.

5-GRAVIDEZ ECTÓPICA OU PRENHEZ ECTÓPICA

É a nidação do ovo fora da cavidade uterina. A mulher, frequentemente, apresenta história de atraso menstrual, teste positivo para gravidez, perda sanguínea uterina e dores no baixo ventre.

Ao exame físico, avaliam-se condições gerais, sinais de irritação peritoneal e outros. O exame especular, pode mostrar a presença do sangramento. O toque vaginal, observa-se amolecimento do colo e presença ou não de aumento uterino e a palpação das zonas anexiais pode provocar dor e demonstrar presença de tumor.

Na suspeição diagnóstica, encaminhar a mulher para hospital de referência para exame ultrasonográfico, definição e tratamento.

6-MOLA HIDATIFORME

Esta patologia é diagnosticada pela presença de sangramento vaginal intermitente, geralmente de pequena intensidade, indolor e, muitas vezes acompanhado da eliminação de vesículas (sinal patognomônico). A altura uterina ou o volume uterino, em geral, são incompatíveis com o esperado para a idade gestacional, sendo maiores previamente a um episódio de sangramento e menores após (útero em sanfona).

A hiperêmese é mais acentuada, podendo levar a mulher a estados de desidratação e distúrbios hidroetrolíticos.

Observar a presença de hipertensão arterial precoce, pois esta é a única condição de préeclâmpsia previamente à 20ª semana de gestação.

O diagnóstico é ultra-sonográfico e, na suspeita clínica de mola hidatiforme, os casos devem ser encaminhados ao hospital de referência.

7-DESCOLAMENTO CÓRIO-AMNIÓTICO

É caracterizada por sangramento genital de pequena intensidade. O diagnostico é feito por exame ultra-sonográfico.

Em geral, a evolução é boa, não representando quadro de risco materno e/ou ovular. A conduta é conservadora e, basicamente, consiste no esclarecimento à gestante.

8- PLACENTA PRÉVIA

Corresponde a um processo patológico da segunda metade da gravidez, em que a implantação da placenta, inteira ou parcialmente, ocorre no segmento inferior do útero. As mulheres multíparas e com antecedentes de cesáreas são consideradas de maior risco.

Na anamnese, é relatada perda sanguínea por via vaginal, súbita, de cor vermelho-viva, de quantidade variável, não acompanhada de dor. É episódica, recorrente e progressiva. O exame obstétrico revela volume e tono uterinos normais, frequentemente apresentação fetal anômala. Habitualmente, os batimentos cardíacos fetais estão mantidos. O exame especular revela presença de sangramento proveniente da cavidade uterina e, na suspeita clínica, deve-se evitar a realização de toque vaginal.

O diagnóstico de certeza é dado pelo exame ultra-sonográfico. O profissional de saúde deve referenciar a gestante para continuar o pré-natal em centro de referência para gestação de alto risco.

9-DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA

É a separação de maneira abrupta da placenta antes do nascimento do feto. Ocorre em cerca de 0,5 a 1% de todas as gestações, sendo responsável por altos índices de mortalidade perinatal e materna.

O diagnóstico é, na maioria das vezes, clínico. Realizado pelo aparecimento de dor abdominal súbita, de intensidade variável, perda de sangue de coloração vermelho-escura e em quantidade às vezes pequena, que pode ser incompatível com quadro materno de hipotensão ou de choque. Determinados casos, o sangramento pode ser oculto.

Ao exame obstétrico, o útero, em geral, encontra-se hipertônico, doloroso, sensível às manobras palpatórias; os batimentos cardíacos fetais podem estar alterados ou ausentes. Há comprometimento variável das condições gerais maternas, desde palidez de pele e mucosas, até choque e distúrbios da coagulação sanguínea. Na suspeita diagnóstica, encaminhar, como emergência, ao hospital de referência. Deve-se lembrar de que, apesar de epidemiologicamente associados à hipertensão arterial, atualmente os casos de descolamento prematuro de placenta, sobretudo aqueles ocorridos entre mulheres vivendo na periferia dos grandes conglomerados humanos, estão frequentemente associados ao uso de drogas ilícitas, notadamente a cocaína e o crack.

10- ANEMIA

A anemia na gravidez, ocorre quando os valores de hemoglobina são iguais ou menores que 1,0g/dl (OMS,1974). No entanto, os valores de hemoglobina, assim como os do hematócrito e do número total de glóbulos vermelhos, ficam na dependência do aumento da massa eritrocitária, ambos variáveis nas gestantes. Sendo assim, até mesmo as mulheres saudáveis podem apresentar diminuição das concentrações de hemoglobina durante a gravidez não complicada. Essa redução manifesta-se em torno da oitava semana, progride lentamente até a 34ª semana e, então, permanece estabilizada até o momento do parto. Não é passível de danos à mãe ou ao feto, pois, embora a concentração da hemoglobina esteja diminuída, a hipervolemia possibilita a perfusão e a oxigenação adequadas dos tecidos.

A anemia ferropriva, evidenciada por alterações dos níveis de hemoglobina, deve ser tratada de acordo com esquema terapêutico descrito.

Além da anemia fisiológica da gravidez, é muito comum a aparição de anemias secundárias a outras causas, principalmente aquelas devidas às carências de vitaminas e minerais. As anemias carenciais são muito frequentes em nosso meio, principalmente a ferropriva e megaloblástica. Além delas, são também relativamente comuns no País a anemia falciforme, a talassemia e a anemia microangiopática.

1-HIPOVITAMINOSE A

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