Valores econômicos para produção de ovinos de corte

Valores econômicos para produção de ovinos de corte

VI SIMPÓSIO DE CIÊNCIAS DA UNESP – DRACENA VII ENCONTRO DE ZOOTECNIA – UNESP DRACENA DRACENA, 06 A 08 DE OUTUBRO DE 2010

1Holzbach, I., 2Seno, L.O., 1Discente do Curso de Zootecnia UFGD, 2Docente da Faculdade de Ciência Agrárias da UFGD.

INTRODUÇÃO: O Brasil possui um rebanho ovino de aproximadamente 16 milhões de cabeças (IBGE, 2008). De acordo com a FAO (2010), esse número representa 1,6 % da população mundial. De acordo com Junior et al. (2003), a metade da carne ovina consumida no Brasil procede de países como Uruguai, Argentina e até mesmo Nova Zelândia. O Brasil possui uma demanda de mercado a ser explorada, mas para isso seria necessário o aumento no número de animais, bem como, a melhoria dos índices zootécnicos. Desta forma, o melhoramento genético tem condições de contribuir de forma substancial para o aumento da produtividade e qualidade na ovinocultura de corte. A definição de valores econômicos (VE) é um importante passo para orientação dos programas de melhoramento, além de determinar a relevância econômica das características de interesse zootécnico.

DESENVOLVIMENTO: O primeiro passo de um empreendimento de um programa de melhoramento genético seria a definição do objetivo seleção, que depende basicamente das circunstâncias de produção e mercado (ALENCAR, 2002). O melhoramento genético visa o aumento do lucro, que está diretamente relacionado aos custos e receitas do sistema de produção. Os custos podem ser divididos em custos variáveis, fixos e total. Segundo Viana & Silveira (2009), os custos que mais impactam a ovinocultura são os custos variáveis, em que se destacam os gastos com insumos (medicamentos, rações, combustíveis e etc.), mão de obra e o custo de oportunidade da terra. Na ovinocultura de corte, a principal fonte de receita seria a venda de animais para o abate, além do coro, esterco e animais de descarte e reprodutores. Ponzoni & Newman (1989) definiram o objetivo de seleção como a combinação das características de importância econômica em um sistema de produção. As características utilizadas para atingir o objetivo são definidas como critério de seleção, os quais devem considerar os seguintes aspectos: 1) eficiência biológica do rebanho; 2) custos de produção; e 3) mercado. Os critérios de seleção podem ser divididos em três categorias: Reprodutivos: a eficiência reprodutiva dos rebanhos é o fator mais importante na eficiência biológica e econômica dos sistemas de produção de carne (ALENCAR, 2002). Produção: são os pesos e ganhos de peso. Qualidade do produto: são rendimentos de carcaça, gordura de acabamento e outros. Groen et al. (1997) definiram o VE como a diferença marginal no lucro anual de uma propriedade resultante do aumento em uma unidade de uma característica, supondo que as outras sejam mantidas inalteradas. Os VEs podem ser utilizados na construção de índices de seleção (HAZEL, 1943), uma vez que, são necessários para o estabelecimento dos ponderadores do índice de seleção (VEERKAMP, 1998). O VE pode ser obtido através da modelagem que e feita a partir da avaliação de dados técnicos e econômicos observados.

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De acordo com Groen et al. (1997), a principal ferramenta usada para derivar VEs é a modelagem, usando-se equações de lucro (profit functions) ou modelos bio-econômicos. A equação de lucro é um modelo de equação única, em que os valores econômicos são obtidos pela derivação parcial. Os modelos bio-econômicos são compostos por equações múltiplas. Conington et al. (2004) estudaram VEs para as características produtivas e reprodutivas de ovinos da raça Scottish Blackface, mantidos em três sistemas de exploração (extensivos, semi-intensivo e intensivo), que por sua vez, foi definido com base na disponibilidade e qualidade da forragem, que variavam de acordo com o relevo da região. Os resultados mostraram maior benefício àquelas explorações com pequenas restrições, tal como acesso a pasto de melhor qualidade ou disponibilidade de pastagem melhorada. Para as áreas menos intensivas, o valor econômico para número de cordeiros foi positivo apenas dentro dos limites de produção (sem variações nos preços). O aumento no número de cordeiros conduziu a uma diminuição nos retornos marginais, uma vez que, os custos adicionais não compensaram os benefícios extras. Além disso, as melhorias nas características maternas se mostraram menos importantes economicamente que as melhorias na qualidade de carcaça dos cordeiros. Haghdoost et al. (2008) encontraram VEs para as características de produção em um sistema que envolvia a criação de ovinos naturalizados no Ira. Os VEs para todas as características estudadas, exceto para os pesos da lã e ao nascer, foram sensíveis as mudaram no preço da carne, indicando que o preço da carne apresenta elevada importância econômica. Kosgey et al. (2003) encontraram VEs para os rebanhos ovinos nativos do Quênia, que eram mantidos para a subsistência de pequenas propriedades familiares. Foram consideradas três situações de produção: a) base com número fixo de ovelhas; b) fonte alimentar fixada; e c) custo com a alimentação ajustado para zero. O tamanho da prole e o baixa freqüência de partos foram as características mais importantes no objetivo de seleção para a produção dos pequenos rebanhos. As análises de sensibilidade dos VEs para as mudanças nas circunstâncias de preço e de produção indicaram que para os VEs futuros podem mudar dependendo do nível de produção e preço.

CONCLUSÃO: A definição dos valores econômicos para o sistema de produção é de extrema importância para a definição dos critérios de seleção e a definição empiricamente desses critérios podem resultar em resultados insatisfatórios. Como verificamos, os valores econômicos são específicos para cada circunstância de produção e mercado e com a expansão da produção ovina no Brasil faz-se necessário o desenvolvimento de estudos que permitam direcionar o melhoramento da ovinocultura de corte na direção certa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALENCAR, M. M. Critérios de seleção e a moderna pecuária bovina de corte brasileira. IV Simpósio Nacional de Melhoramento Animal. In... Anais, 2002.

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Corte. AnaisJoão Pessoa, PB. 2003, p.83-93.

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