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Virgílio Vasconcelos Vilela Editor e Webmaster dos sites

Mapas Mentais – ferramentas da sua inteligência Possibilidades – percepções e estratégias para suas inteligências

Introdução2
Por que uma ferramenta2
Mapas mentais3
O primeiro mapa mental a gente nunca esquece3
Aplicação para todos: planejamento pessoal7
Aplicações para o professor8
Preparação de conteúdo dado8
Preparação de conteúdo novo1
Planejamento de disciplina13
Apresentações15
Estruturação de texto15
Mapas de possibilidades16
Registro de idéias16
Interdisciplinaridade17
Aplicações para os alunos17
Estudo e revisão17
Trabalhos e projetos17
Memorização17
Notas de aula18
Apoios18
Aplicações para outros profissionais20
A melhor parte20

SUMÁRIO Brasília, Novembro/2002

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Introdução

Como você faria para planejar 4, 6 ou até mais cursos relacionados simultaneamente, mantendo uma visão integrada de todos eles? Eu também não acreditava que fosse possível, mas eu mesmo me contradisse, ao conseguir planejar 4 cursos e ter a visão de mais alguns, mesmo sem ter habilidades excepcionais de memorização. O que tornou isso viável e controlável foi a utilização de uma ferramenta de apoio ao pensamento - os mapas mentais - um computador, um software e uma impressora.

Este artigo mostra o que e como são os mapas mentais e descreve várias de suas aplicações práticas no contexto da escola para os vários papéis: professor, aluno, coordenador, diretor, etc.

A propósito, foi também usando mapas mentais como apoio que este texto foi concebido, estruturado, redigido, reestruturado duas vezes e revisto em apenas 3 dias.

Por que uma ferramenta Por que precisaríamos de ferramentas? Como seres humanos, temos algumas capacidades que, se por um lado nos permitem fazer o que fazemos, por outro também implicam em limites para essas mesmas coisas que fazemos. É importante conhecermos algumas dessas características, que afetam nossa forma de perceber o mundo e compreendê-lo, o que por sua vez afeta as alternativas à nossa disposição e as escolhas que fazemos. Que capacidades são essas, e seus limites?

Temos a capacidade de prestar atenção e perceber, mas nem sempre direcionamos nossa atenção para o que mais importante ou relevante para um propósito. E por vezes, até queremos, mas não conseguimos.

Temos uma memória, mas nem sempre nos lembramos de tudo o que é preciso ou útil para uma situação ou aplicação. E quando deixamos de usar alguma informação por muito tempo, a probabilidade de não nos lembrarmos dela aumenta.

Temos a capacidade de pensar, mas nem sempre conseguimos pensar da melhor forma em uma situação. Temos muita facilidade para processar imagens, mas vivemos em um mundo em que grande parte da informação e do conhecimento é representada em forma lingüística, e nem sempre sabemos convertê-la em um formato aplicável. Pensando também definimos nossas crenças sobre nós mesmos, sobre a vida e as pessoas, que são uma parte dos nossos modelos mentais, mas nem sempre nossas crenças são fiéis à realidade em geral ou à realidade do momento. Também conhecemos muito pouco sobre o pensamento, e muitos não têm em seus modelos mentais possibilidades para aperfeiçoá-lo.

Temos a capacidade de definir objetivos e estratégias para atingi-los, mas nem sempre o fazemos com a precisão ou harmonia necessárias. E como a vida nunca é totalmente previsível, às vezes temos que nos adaptar, mas nem sempre temos a necessária flexibilidade ou sabemos como fazer.

Sentimos emoções, mas nem sempre nossas emoções nos impelem nas direções que queremos, e por vezes trazem conseqüências indesejadas.

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Temos a capacidade de desenvolver hábitos e habilidades, que nos permite fazer o que fazemos e aplicar nossos conhecimentos, mas nem sempre os hábitos contribuem para nossa qualidade de vida, e nossas habilidades nem sempre estão maduras e fluentes o bastante para obtermos melhores resultados. Também nem sempre sabemos como ou temos tempo de desenvolver novas habilidades.

Nossas emoções e as condições gerais do corpo e da mente determinam que em um determinado momento estejamos em um estado predominante: ativos, animados ou desanimados, cansados, dormindo, entusiasmados e tantos outros. Mas o nosso estado nem sempre é o mais apropriado para o que estamos fazendo. Uma outra característica relacionada ao estado é que em geral não gostamos de ficar no mesmo estado durante muito tempo, precisamos de variação de vez em quando.

Temos a capacidade de sentir prazer, mas nem sempre sabemos como sentir prazer com o que fazemos ou nos permitimos desfrutar dos prazeres saudáveis que nos nutrem e dão força para agir.

Todas essas capacidades implicam que podemos fazer coisas e obter resultados, mas implicam também que temos limites ao aplicá-las. Portanto, pode ser considerado normal, e portanto esperável, que esqueçamos coisas quando sob excesso de informação ou que não nos lembremos de todas as possibilidades quando há muitas. É normal que fiquemos estressados quando trabalhando em excesso, com pressa e sem prazer. É normal que fiquemos confusos quando submetidos a uma grande quantidade de novos conhecimentos, às vezes desorganizados. Também é normal que de vez em quando não saibamos como fazer algo, já que não temos habilidades para tudo. Muitas coisas podem ser consideradas normais de acontecerem, devido aos limites da nossa capacidade.

O que temos que fazer para melhorar um quadro indesejado é de alguma maneira expandir nossas capacidades. Assim, o que justifica buscarmos ferramentas é o mesmo que justifica o aprendizado: a vontade de expandir os nossos limites, vencer limitações e de fazer algo melhor do que estamos fazendo. Já fazemos isso em alguns aspectos, como ao usar o computador e recursos audiovisuais. Existem outras possibilidades, uma das quais será apresentada aqui e que suporta a expansão das nossas capacidades, especificamente em vários aspectos importantes dos processos de ensino e aprendizagem: o planejamento e a expansão da capacidade dos envolvidos de organizar e tratar grandes volumes de informação e conhecimento.

Mapas mentais Mapas mentais, antes de tudo, são ferramentas de organização de pensamento, e têm muitas e variadas de aplicações pessoais e profissionais. Pela sua didática, vamos transcrever aqui a introdução disponível no site w.mapasmentais.com.br e na apostila de introdução também acessível no site.

O primeiro mapa mental a gente nunca esquece José Maria é um sujeito ocupado: é analista, professor, aluno, pai e tem um site. Ele costuma ter várias coisas para fazer, e gosta de registrá-las para não esquecer nada. Inicialmente, ele fazia uma lista simples, anotada em um papel qualquer:

- Lavar o carro - Levar o carro para revisão

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- Consertar vazamento da pia da cozinha - Pagar a conta telefônica

- Tirar dinheiro

- Trocar a lâmpada do quarto

Depois, José Maria descobriu que ficava melhor agrupando os itens:

Carro - Lavar

- Levar para revisão

Casa - Consertar vazamento da pia da cozinha

- Trocar lâmpada do quarto

Finanças - Pagar conta telefônica

- Tirar dinheiro Mas José Maria gostou mesmo quando achou um programa muito legal para fazer mapas mentais, e, depois de uma versão inicial e algumas mexidas, ele fez o seguinte para aquelas mesmas coisas a fazer:

Lavar Revisão

Tirar!

Cozinha Consertar

Contas

Quarto

Agora, José Maria, que tem dúzias de coisas para fazer, agora só usa esse tipo de mapas mentais para lembrar-se delas.

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E ele, que é analista, professor, aluno, pai e tem um site, usou os mapas de várias maneiras: para planejar aulas e apostilas, apresentar resumos para os alunos, elaborar relatórios e até para organizar melhor sua autocrítica, registrando os vários aspectos e enfoques possíveis. Convicto das vantagens, resolveu organizar as aplicações de mapas mentais também em um mapa, onde considerou cada uma de suas atividades e inseriu mais um tópico para a parte pessoal (veja próximo mapa mental).

Aplicações de mapas mentais

Analista

Pessoal Objetivos

Organização Priorização

Relatórios PlanejamentoProfessor

Planos de aula

Apostilas Resumos

Leituras rápidas

Auto-crítica aspectos enfoques

Coisas para fazer

Palestras Palestras

Aluno

Resumos de aula

Revisão Trabalhos

Site

Mapa

Elaborar matérias Planejamento

Ao mostrar esse e outros mapas para as pessoas e alunos, José Maria logo descobriu que muitas tentavam olhar o mapa todo de uma vez, e "arrepiavam". Mas ele ensinou-as a olhar no início apenas o título e um tópico de cada vez, e logo elas estavam gostando da coisa. Uma delas até comentou a vantagem de "quase não ter artigos e preposições nem blá-blá-blá, só idéias essenciais".

Não satisfeito, José Maria queria ter para si uma visão bem clara e organizada dos benefícios de usar os mapas mentais, e fez o mapa a seguir. No primeiro nível, o dos tópicos principais, ele colocou os vários aspectos da vida beneficiados: trabalho, aprendizado, memorização e outros, e nos tópicos filhos os benefícios que já percebera. Ele destacou no mapa o que para ele é o mais importante na cadeia de benefícios: os efeitos pessoais que decorrem destes. E pregou o mapa mental em um local bem visível.

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Benefícios de mapas mentais

Pensamento foco no relevante visual estimulante organizado

Aprendizado mais rápido

Trabalho maior produtividade maior qualidade

Comunicação mais objetiva mais organizada mais organizado mais aplicável

Memorização mais organizada mais confiável mais auto-confiança mais prazer mais satisfação mais auto-estima

José Maria também ensinou ao seu filho de 9 anos como fazer os mapas e deu-lhe uma versão “júnior" do software de mapas mentais. O esperto garoto também gostou da coisa e logo estava fazendo mapas das matérias da escola, estudando neles e ainda faturando vendendo-os para os colegas!

Nosso herói chegou a ver um livro com vários mapas, feitos à mão. Alguns ele achou muito poluídos visualmente, mas quase todos eram muito interessantes, e ele até elegeu dois que ele achou mais bonitos e “limpos”, embora não entendesse para que serviam:

(Fonte: The Mind Map Book - Tony Buzan)

Muito legais, sim, mas ele realmente não tinha tempo para toda essa arte, e achou que estava muito bem atendido pelo programa que usava. Era fácil para alterar o conteúdo e reorganizar os tópicos, o que ele fazia muito, fácil de aplicar destaques nas fontes e nas cores, fácil e barato gerar cópias coloridas, bom para apresentações e até para distribuir para o mundo inteiro, se fosse o caso.

José Maria estava realmente satisfeito. E começou a perceber algo muito interessante: à medida que praticava, aplicava e convivia com os mapas mentais, notou que ficava cada vez mais fácil construir os mapas em sua mente, e para alguns nem precisava mais de papel. Uma possibilidade muito interessante o espreitava do futuro...

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(Veja mais exemplos e modelos prontos para uso e estudo no site w.mapasmentais.com.br)

Aplicação para todos: planejamento pessoal

Qualquer pessoa que tenha família, emprego e outras atividades acaba tendo várias coisas para fazer, e eventualmente pode se esquecer de alguma. Um mapa mental pode ser usado para registrar essas coisas de maneira organizada. O exemplo dado considera o professor, em particular porque ele via de regra tem uma agenda cheia.

Uma forma de o professor se organizar e lembrar-se de tudo que tem para fazer é elaborar um mapa mental por dia da semana e eventualmente por período: manhã, tarde, noite, horário de almoço, conforme for mais conveniente para ele. Veja o mapa mental a seguir com várias possibilidades. Existem outras alternativas para se estruturar o mapa, esta é apenas uma delas.

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Professor:

Planejamento semanal (possibilidades)

Segunda Terça

Quarta

Sexta

Manhã Tarde Noite

Manhã e tarde

Manhã Tarde

Noite

Escola 1

Colégio 1 Noite Livre!

Levar filho dentista

Preparar apresentação Atualidades Genética

Colégio 2

Escola 2 Escola 3

Revisar M Projeto Genoma

Domingo Sábado9:00Reunião com pais Colégio 2

Quinta Corrigir provas

Tem que fechar notas p/ segunda

Tarde Colégio 1

Noite Pegar filme vídeo

Churrasco da equipe

Os programas de mapas mentais costumam ter um recurso muito útil para planejamento pessoal, em uma outra dimensão: a criação de links para outros mapas mentais, para arquivos e até páginas Web. Você pode ter um mapa base ou master e ali manter apontadores para outros arquivos. Se você está fazendo algo que envolve arquivos do Word, do PowerPoint e figuras, pode ter um tópico no mapa para cada um. Se você descobrir um site interessante mas não puder explorá-lo no momento, basta salvar o link no mapa mental. Eu uso esse recurso, entre outros, para controle do site Mapas Mentais: a partir de um só mapa eu navego por modelos de mapas mentais e artigos em elaboração (dezenas), artigos a ler, mapas mentais de treinamento, idéias e vários outros.

Aplicações para o professor

Preparação de conteúdo dado É típico na escola que o professor tenha que seguir um conteúdo previamente estabelecido, interna ou

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Original do site w.mapasmentais.com.br - © Virgílio Vasconcelos Vilela externamente e o qual ele enriquece ou não. Esse conteúdo nem sempre está em uma forma apropriada; pode estar em formato muito textual, e como nossa mente opera muito mais facilmente com imagens organizadas, deve ser convertido para uma forma de compreensão do professor e também adequado ao seus conhecimentos. A organização do conteúdo pode estar diferente da adotada nos livros didáticos disponíveis. E, pior, pode ter até inconsistências, como vamos mostrar. Nesse aspecto, os mapas mentais fazem uma excepcional diferença, porque organizam o conteúdo em tópicos com uma idéia somente, em níveis decrescentes de generalização, e porque servem como base segura para o seqüenciamento do conteúdo que virá depois.

Como exemplo, fizemos um mapa mental parcial do conteúdo de Biologia do PAS da UnB, baseado no documento PAS: Objetos de Avaliação – Subprograma 2001, editado pelo CESPE. Inicialmente, adotamos a estrutura original, que no primeiro nível tem as etapas, no segundo os temas e por último o conteúdo em si. Dê uma olhada inicial na mapa antes de ver nossas considerações.

Esse conteúdo tem algumas mal-formações. Por exemplo, veja na primeira etapa, em amarelo, que um tópico está repetido, “Importância ecológica”. Também há uma repetição de um tópico da primeira etapa na segunda, “Associar características à dificuldade de classificar os vírus” (em verde). Um terceiro problema no conteúdo é que há dois tópicos sobre seres vivos que estão em ramos diferentes (em azul). Na prática, pode ser mais conveniente ministrar os dois conteúdos em conjunto, evitando a fragmentação do aprendizado.

Veja que isso foi observado por um completo leigo na área e no conteúdo em questão (eu mesmo), e só foi possível porque o mapa mental nos conduz a buscar as corretas relações e dependências entre temas e tópicos, além de reduzir a quantidade de símbolos com que temos que lidar e ainda por nos permitir ter uma visão geral em um único campo visual.

Uma vantagem extra de usar mapas mentais é podermos segmentar o que estamos considerando em cada momento, mas preservando as relações com o todo. Quando vai planejar uma aula específica, você se concentra em um tema ou ramo do mapa, mas pode avaliar rapidamente a conexão da parte com os níveis superiores ou laterais. Pelo menos para mim, essa característica tem valor inestimável.

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