Manejo Integrado de Pragas Florestais - Pragas de Viveiros Florestais

Manejo Integrado de Pragas Florestais - Pragas de Viveiros Florestais

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Notas de Aula de ENT 115 – Manejo Integrado de Pragas Florestais

Prof. Ronald Zanetti - Depto de Entomologia/UFLA, CxP 3037, CEP 37200-0, Lavras, MG. zanetti@ufla.br

A fase de viveiro é a mais suscetível do desenvolvimento de uma floresta implantada e, quando mal planejada, poderá comprometer todas as operações seguintes, inviabilizando o projeto de reflorestamento. A tecnologia de produção de mudas florestais teve grande avanço nos últimos anos, deixando a produção de mudas por sementes em sacos plásticos depositados sobre o solo, para a produção por estaquia em tubetes colocados em viveiros suspensos, chegando até as casas de vegetação com a micro-propagação. Durante esse percurso a produção de mudas florestais teve que enfrentar diversos fatores que contribuíam para o insucesso do empreendimento, como as pragas e doenças. As principais pragas que podem danificar as mudas florestais são as lagartas-rosca, lagarta-elasmo, grilos, paquinhas, cupins, formigas cortadeiras, besouros desfolhadores e moscas minadoras.

Geralmente, o que determina a ocorrência dessas pragas é o tipo de sistema de produção de mudas (viveiros suspensos ou não) e o tipo de manejo das mudas. Viveiros suspensos têm menor probabilidade de ocorrência de pragas, pois a maioria delas está associada ao solo, como cupins, paquinhas, formigas e grilos. O manejo das mudas está relacionado aos cuidados dispensados na sua produção. Mudas mal nutridas ou viveiros mal cuidados favorecem a ocorrência de pragas de viveiros.

Embora a suspensão dos viveiros e a produção de mudas em casa de vegetação tenham reduzido em grande parte a ocorrência de pragas, existem, ainda, diversas essências florestais nativas e exóticas, que são produzidas pelo sistema antigo e que, por isso, sofrem o ataque de um grande número de pragas.

a) Principais espécies

As principais espécies de pragas que atacam viveiros florestais estão distribuídas em diferentes ordens e famílias, conforme descrito na Quadro 5.

QUADRO 5. Principais espécies de pragas em viveiros florestais. Nome Comum Nome Científico Família

Lagarta-rosca Agrotis ipsilon Noctuidae Lagarta-rosca Agrotis repleta Noctuidae

Lagarta-rosca Agrotis subterranea Noctuidae Lagarta-rosca Spodoptera frugiperda Noctuidae

Lagarta-rosca Spodoptera latifascia Noctuidae Lagarta-rosca Nomophila noctuella Pyralidae

Grilo Gryllus assimilis Gryllidae Paquinha Noecurtilla hexadactila Gryllotalpidae

Paquinha Scapteriscus didactyllus Gryllotalpidae Paquinha Tridactylus politus Tridactylidae

Formigas cortadeiras Acromyrmex spp. Formicidae Formigas cortadeiras Atta spp. Formicidae

Cupim Armitermes spp. Termitidae Cupim Cornitermes spp. Termitidae Cupim Heterotermes spp. Rhinotermitidae

Cupim Procornitermes spp. Termitidae Cupim Syntermes spp. Termitidae

Mosca minadora Bradisia spp. Liriomyzidae Mosca minadora Liriomyza spp. Liriomyzidae

Broca-do-cedro Hypsipylla grandella Pyralidae

Lagarta elasmo Elasmopalpus lignosellus Pyralidae Besouro-amarelo Costalimaita ferruginea Chrysomelidae b) Reconhecimento das principais espécies

Lagartas-rosca Espécies: Agrotis spp. e Spodoptera spp (Lepidoptera: Noctuidae)

Ocorrência: todo Brasil. Adulto: Agrotis spp. - mariposas com 35 m, com asas anteriores marrons com algumas manchas pretas triangulares no ápice, asas posteriores transparentes. Spodoptera spp - mariposas com 35 m, com asas anteriores pardo escuras, asas posteriores branco acinzentadas.

Lagarta: Agrotis spp - 40 a 50 m, marrom escuro, sem listras longitudinais. Spodoptera spp - 35 a 40 m, com três listras amarelas longitudinais na parte dorsal do corpo.

Injúria: lagartas e adultos têm habito noturno; lagartas abrigam-se em túneis ou galerias entre os recipientes ou entulhos, ficando enroladas. Elas secionam a muda no coleto e carregam-na para o abrigo. O ataque é em reboleira. Ocorre a presença de fezes e folhas entre os recipientes, denunciando a presença das lagartas. Os danos são maiores nos primeiros dias após a germinação.

Atacam eucalipto, acácia-negra, seringueira, pinus, araucária, entre outras.

Grilos Espécie: Gryllus assimilis Fabr.,1775 (Orthoptera: Gryllidae)

Ocorrência: todo Brasil. Adulto: 23 a 28 m, castanho escuro. Fêmeas com ovipositor longo. Hábito noturno, ficando escondidos em túneis entre os recipientes ou sob os entulhos durante o dia. Ninfas: semelhantes aos adultos.

Injúria: comem raízes, folhas e caules tenros. Cortam as mudas no coleto e carregam-na para o abrigo. O ataque é aleatório e não em reboleira como nas lagartas-rosca. Perfuram embalagens.

Atacam eucalipto, acácia-negra, seringueira, pinus, araucária, entre outras.

Paquinhas

Espécies: Neocurtilla hexadactyla e Scapteriscus didactylus (Orthoptera: Gryllotalpidae), Tridactylus politus (Orthoptera: Gryllotalpidae).

Ocorrência: todo Brasil. Adultos: 30 a 50 m, corpo aveludado, cinza ou marrom no dorso, amarelado no ventre, asa anterior cobre metade do corpo, primeiro par de pernas fossorial. Vivem de 3 a 5 anos sob o solo onde abrem galerias.

Ninfas: semelhante aos adultos. Injuria: comem as raízes das mudas, abrem galerias no solo provocando sua elevação, reduzindo a germinação das sementes e destruindo os recipientes. Dano é mais importante em sementeiras, principalmente de seringueira, mas atacam eucalipto, acácia-negra, entre outras.

Formigas cortadeiras

Espécies: Atta spp. e Acromyrmex spp. (Hymenoptera: Formicidae) Ocorrência: todo Brasil.

Adulto: formiga marrom avermelhada, 3 a 15 m, clípeo bem desenvolvido, sem ocelos, abdome peciolado, apresenta 2 segmentos entre o gáster e o tórax conhecidos como pecíolo e pós-pecíolo.

Vivem em colônias sob o solo, com milhões de indivíduos. Insetos sociais. Injúria: cortam e transportam grandes quantidades de mudas em pouco tempo, levando para o interior do formigueiro, principalmente durante a noite. Atacam eucalipto, acácia-negra, seringueira, pinus, araucária, entre outras.

Notas de Aula de ENT 115 – Manejo Integrado de Pragas Florestais

Prof. Ronald Zanetti - Depto de Entomologia/UFLA, CxP 3037, CEP 37200-0, Lavras, MG. zanetti@ufla.br

Cupins

Espécies: Armitermes spp., Cornitermes spp., Procornitermes spp., Syntermes spp. (Isoptera: Termitidae), Heterotermes spp. (Isoptera: Rhinotermitidae).

Ocorrência: todo Brasil. Adulto: cupim amarelo claro a escuro, indivíduos com cabeça marrom escura, 3 a 5 m, abdome séssil. Vivem em colônias sob o solo, com milhões de indivíduos. Insetos sociais. Injuria: corroem a casca das raízes das mudas abaixo do coleto, matando a planta por dessecação.

Perfuram os recipientes.

Moscas-minadoras Espécies: Bradisia spp. e Liriomyza spp. (Diptera: Liriomyzidae)

Ocorrência: todo Brasil. Adulto: mosca de 1 m de comprimento, cor preta.

Larvas: 1a 3 m, brancas. Injuria: larvas abrem galerias no mesófilo foliar e na casca das estacas na casa de vegetação, reduzindo a brotação.

Besouro-amarelo Espécie: Costalimaita ferruginea vulgata (Lefréve, 1885) (Coleoptera: Chrysomelidae)

Ocorrência: RN, PA, MA, BA, GO, SP, PR, MG. Adulto: 5 a 6 m, forma elíptica, cor amarelo-claro-brilhante. Caem ao serem tocados.

Larva: no solo. Injúria: Rendilham as folhas jovens, podendo destruir grande quantidade de mudas quando o ataque é intenso.

Broca-do-cedro Espécie: Hypsipyla grandella Zeller, 1848 (Lepidoptera: Pyralidae)

Ocorrência: todo Brasil Adulto: asas anteriores cinza e posteriores branco-hialinas. A envergadura da fêmea varia de 28 a 34 m e no macho de 2 a 26 m Lagarta: rósea a azulada no último ínstar. Abre galerias nos ramos, que ficam exudando seiva misturada à serragem. Pupa: marrons, dentro de um casulo de teia, na galeria.

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