Proposta de restauração florestal de uma nascente do afluente cascata na bacia hidrográfica do rio aguapeí/peixe - garça, sp ? relato de caso

Proposta de restauração florestal de uma nascente do afluente cascata na bacia...

PROPOSTA DE RESTAURAÇÃO FLORESTAL DE UMA

NASCENTE DO AFLUENTE CASCATA NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO AGUAPEÍ/PEIXE - GARÇA, SP – RELATO DE CASO

BARBOSA, Maurício de Castro Regiani.

NUNES, Raphael Layola.

GAION, Bruno José Freire.

Acadêmicos do curso de Engenharia Florestal da FAEF/ACEG – Garça – SP.

E-mail: mauricioflorestal07@hotmail.com

NEVES, Monica Bernardo.

MELO, Augusto Gabriel Claro de

Docentes do curso de Engenharia Florestal da FAEF/ACEG – Garça – SP.

RESUMO

O principal objetivo é transformar o ambiente perturbado no mais parecido possível com o natural, com atrativos para a fauna existente nos fragmentos da região, que auxiliam no fluxo gênico e garantem a dispersão de propágulos endêmicos na área. A implantação de espécies pioneiras nas bordas é realizada com o propósito de acelerar o processo de regeneração natural do local, por serem de rápido desenvolvimento servem de poleiros naturais, proporcionam sombreamento, mantendo as gramíneas sobre controle e criando condição para o desenvolvimento das espécies não pioneiras. A Fazenda Cascata localizada no município de Garça sob as coordenadas 22°10’15.24”S 49°38’01.90” O, e possui altitude média de 610m. O projeto de recuperação ocupou uma área de 1.38 hectares em torno das nascentes ao longo de 578,4 m nas duas margens do Córrego Cascata, pequeno tributário da Bacia do Rio Aguapeí e Rio do Peixe, sendo estabelecida dentro dos limites da faixa de preservação estabelecida por lei. A melhor definição para este local seria “Área Perturbada”, ou seja, área que após o distúrbio ainda mantêm meios de regeneração biótica, diferente de áreas degradadas, esta tem capacidade de regeneração natural (acrescida ou não de ações para acelerar o processo e mesmo garantir a recuperação). A recuperação de áreas ciliares com a utilização da técnica de “modelos sucessionais” é muito satisfatória, pois cria uma condição ideal para o desenvolvimento das espécies implantadas, registrando uma taxa de mortalidade inferior a 5%. O uso de poleiros artificiais é atrativo importante para a fauna (aves), promovendo a conectividade entre os fragmentos, depositando propágulos no solo, favorecendo a regeneração natural que é possível por ser uma área de grande resiliência.

Palavras-chave: área degradada, essências nativas, reflorestamento, restauração florestal, vegetação ripária.

Tema Central: Engenharia Florestal.

ABSTRACT

The main goal is to transform the troubled environment as similar as possible to the natural, with attractive for fauna existing in fragments of the region, that help ensure gene flow and dispersal of propagules in the endemic area. The establishment of pioneer species at the edges is performed in order to accelerate the natural regeneration of the site, because they serve the rapidly developing natural perches, provide shade, keeping the grass under control and creating conditions for the development of non-pioneer species . Farm Waterfall located in the city of Crane under the coordinates 22 ° 10'15 .24 "S 49 ° 38'01 .90" O, and has an average altitude of 610m. The reclamation project had occupied 1.38 acres surrounding the springs along 578,4 m on both sides of Cascade Creek, a small tributary of the River Basin Aguapeí and Rio do Peixe, being established in the range limits set by law protection. The best definition for this site would be "disturbed area", ie after the disturbance area that still maintain biotic regeneration media, unlike the degraded areas, it has capacity for natural regeneration (increased or not actions to accelerate the process and even ensure the recovery). The restoration of riparian areas using the technique of "successional models is very satisfactory, because it creates an ideal condition for the development of the species implanted, registering a death rate less than 5%. The use of artificial perches attractive is important for wildlife (birds), promoting connectivity between fragments, deposited propagules in the soil, encouraging the natural regeneration that is possible because an area of great resilience.

Keywords: degraded area, native species, reforestation, forest restoration, riparian vegetation. Theme: Forest Engineering.

1. INTRODUÇÃO

Barbosa (2004) define restauração como o processo intencional para restabelecer um ecossistema, com o objetivo de imitar sua estrutura, função, diversidade e dinâmica originais. Segundo esse autor, emprega-se o termo restauração “para designar o conjunto de ações voltadas ao retorno para o estado original dos ecossistemas, o que é utópico ou obtido apenas em condições excepcionais. A restauração requer conhecimento detalhado de ecossistemas naturais e, em grande parte por isto, é a atividade que tem poucos exemplos no nosso país”.

É possível identificar um gradiente entre os falsos sinônimos dos conceitos de recuperação. Assim, partindo dos conceitos mais restritivos e mais próximos da condição original, “restauração” significa retorno à condição original, o que é quase impossível de se obter, “recuperação” significa reparação das principais funções e, por fim, “reabilitação” significa reparação das principais características (HAHN et al., 2006). Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC, 2002), institui a Lei Federal 9.985/2000, define recuperação como “restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada, que pode ser diferente de sua condição original”.

Inúmeras são as iniciativas de reflorestamentos com diferentes métodos, todos fundamentais nos princípios da sucessão ecológica que ocorre por meios naturais quando surgem clareiras na floresta tropical por queda ou morte de árvores. Nesses processos verificam-se mudanças progressivas na composição florística da floresta, tanto mais pronunciadas quanto maior a clareira. Tal mecanismo é responsável pela auto-renovação das florestas tropicais com a cicatrização de locais perturbados ou clareiras que surgem a cada instante em diversos pontos da mata (KAJEYAMA e GANDARA, 2000).

O conceito de grupo ecológico ou grupo sucessional foi criado de acordo com o comportamento das espécies florestais nos processos de sucessão. A separação das espécies arbóreas em grupos ecológicos possibilita o manuseio de grande numero de espécies da floresta tropical, mediante seu agrupamento por funções e exigências semelhantes. Diferentes critérios tem sido utilizado para a classificação das espécies com base principalmente na resposta a luz das clareiras ou a sombra do dossel da floresta (MARTINS, 2009)

O objetivo do presente trabalho foi apresentar o relato de caso da proposta de recuperação.

2. RELATO DE CASO

2.1 Diagnóstico da área

A melhor definição para este local seria “Área Perturbada”, ou seja, área que após o distúrbio ainda mantêm meios de regeneração biótica, diferente de áreas degradadas, esta tem capacidade de regeneração natural (acrescida ou não de ações para acelerar o processo e mesmo garantir a recuperação).

O terreno possui declividade média com início de erosão (contida pelas curvas de nível), o solo é arenoso tornando-se argiloso nas áreas alagadas (com baixa drenagem) e protegido por gramíneas (Urochloa maximum). Utilizado durante mais de 20 anos para criação de gado, é uma área com grande potencial de resiliência, pois é cercada por fragmentos florestais onde a fauna é abundante.

Fonte: Adaptado de Google Earth, 2009.

Figura 1. Vista aérea da mata ciliar em uma das nascentes do afluente

cascata na Bacia Hidrográfica do rio Aguapeí/Peixe - Garça, SP.

2.2 Técnicas de recuperação

A partir de estudos voltados a Recuperação de Áreas Ciliares foi definido como melhor alternativa de restauração, técnicas de “Modelos Sucessionais”, que normalmente geram os melhores resultados em termos de sobrevivência e de crescimento das mudas, conseqüentemente auxiliando na proteção dos recursos hídricos e edáficos. Esse modelo parte do principio de que espécies de inicio de sucessão, intolerantes a sombra e de crescimento rápido, devem fornecer condições ecológicas (principalmente sombreamento) favorável ao desenvolvimento de espécies finais de sucessão, ou seja, aquelas que necessitam de sombra, pelo menos na fase inicial da vida.

O plantio foi feito em linha, alternando a posição das covas entre as linhas adjacentes de espécies pioneiras e não pioneiras, garantindo assim maior sombreamento, maior cobertura do solo, protegendo contra erosão e assoreamento do curso d’água.

O espaçamento utilizado foi de 3,0 x 2,0 m que totaliza 1667 árvores/ha, como a área tem 1.38 hectares para ser recuperado, será utilizado 2300 mudas. O mais adequado é efetuar a implantação de 80 espécies diferentes, 40% pioneiras e 60% não pioneiras, sendo 20% zoocoricas e 5% ameaçadas de extinção, proporcionando maior diversidade e tornando o plantio o mais semelhante possível a uma mata nativa.

As mudas a serem utilizadas serão fornecidas pelos viveiros da região em busca da maior variedade de espécies, tendo em vista o Viveiro da APAE, Tropical Flora, Viveiro da Secretaria da Agricultura de Marília e o Viveiro Vale das Árvores que é dos estudantes de Eng. Florestal da FAEF, que dispõem de uma estrutura bem planejada, grande variedade de espécies e mudas de boa qualidade, sendo fornecidas por um preço justo.

2.3 Operações de implantação

Após devidamente cercada e isolada, a área de plantio foi preparada 30 dias antes da implantação, através de roçada mecanizada onde atualmente é dominado por pastagens, combate a formigas cortadeiras (utilizando iscas granuladas conforme necessidade), coleta de amostra de solo e o dimensionamento da implantação, definindo os locais das linhas onde serão abertos os berços.

Na execução da implantação estavam disponíveis oito funcionários, pensando em ter um melhor aproveitamento da mão-de-obra foi elaborado um esquema de plantio, enquanto dois faziam a limpeza do mato nas duas primeiras linhas outros dois vinham abrindo os berços, simultaneamente dois auxiliavam na distribuição das mudas (pioneiras nas linhas impares e não pioneiras em linhas pares, sempre alternando as espécies, tornando o plantio o mais heterogêneo possível) e por fim outros dois vinham plantando. Com este cronograma de implantação foi possível atingir um alto nível de produtividade e rendimento, alcançando uma média de 1000 mudas plantadas a cada 8 horas trabalhadas, sendo possível finalizar o plantio em 2 dias e meio.

Para manter a área protegida contra possíveis incêndios clandestinos e contra invasão de animais de criação (gado de corte) foi feito aceiro ao redor do plantio, também foi elaborada outra forma de proteção, através da implantação intencional de espécies pioneiras nas bordas (exigentes por energia solar e de desenvolvimento rápido) formando barreiras contra o vento e criando condição favorável para o desenvolvimento das espécies não pioneiras (exigentes por sombra no inicio de sua vida).

A partir do terceiro mês de implantação foi realizado o replantio das mudas mortas, roçada mecanizada nas entre linhas, cobertura morta e controle de formigas, sendo essas atividades programadas para serem realizadas a cada três meses.

3. CONCLUSÕES

A recuperação de áreas ciliares com a utilização da técnica de “modelos sucessionais” é muito satisfatória, pois cria uma condição ideal para o desenvolvimento das espécies implantadas, registrando uma taxa de mortalidade inferior a 5%. O uso de poleiros artificiais é atrativo importante para a fauna (aves), promovendo a conectividade entre os fragmentos, depositando propágulos no solo, favorecendo a regeneração natural que é possível por ser uma área de grande resiliência.

4. REFERÊNCIAS

BARBOSA, L. M. Considerações gerais e modelos de recuperação de formações ciliares. In: Rodrigues, R. R.; Leitão Filho, H. F. Matas ciliares: conservação e recuperação. São Paulo: Edusp-Fapesp, 2004. p.289-312.

HAHN, C. M.; OLIVEIRA, C.; AMARAL, E. M.; RODRIGUES, M. S.; SOARES, P. V. Recuperação florestal: da semente à muda. São Paulo, SP: Secretaria do Meio Ambiente para a Conservação e Produção Florestal do Estado de São Paulo, 2006. 144p.

KANGEYAMA, P. Y.; GANDARA, F. B. Recuperação de áreas degradadas. In: Rodrigues, R. R., Leitão Filho, H. F. Matas ciliares: conservação e recuperação. São Paulo: Edusp-Fapesp, 2004. P.249-269.

MARTINS, S. V. Recuperação de áreas degradadas:ações em Áreas de Preservação Permanente, Voçorocas, Taludes Rodoviários e de Mineração. Viçosa, MG: Aprenda Fácil, 1ª Ed. 2009, 270 p.

SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC: lei nº 9.985, de 18 julho de 2000: decreto nº4340, de 22 de agosto de 2002. 2ª ed. Aum. Brasília: MMA/SBF, 52 p. 2002.

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