Superação de dormência por diversos tratamentos em Parkia pendula Dormancy break of several treatments in Parkia pendula

Bianca Hardman Alves I, Everton Carlos Dresch I , Michelli Sampaio Tunes I, Rildânia

Abadia Barcelos I

I Programa de Graduação em Agronomia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Resumo

A Parkia Pendula é uma árvore neotropical de importância econômica e ecológica pertencente a família Leguminosae- Mimosoideae (Fabaceae). Portanto existe a necessidade de estabelecer um tratamento de superação da dormência com a utilização de procedimentos simples, seguros e de baixo custo. Este trabalho teve como objetivo acelerar o processo de germinação de sementes de Parkia Pendula e avaliar a porcentagem de sementes germinadas. Estas sementes foram submetidas a três tratamentos distintos escarificação química, escarificação mecânica e embebição. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com 4 repetições com 15 sementes cada. Foram feitas 2 avaliações, uma com 7 dias e a outra depois com 12 dias. Após serem submetidas a esses tratamentos, os resultados que permitiram uma maior eficiência na quebra de dormência foram os tratamentos com ácido e com a escarificação.

Palavras-chaves: Quebra de dormência, germinação.

Introdução

Parkia pendula ex Walp. é uma árvore de grande porte com uma série de características que a torna de grande interesse econômico e ecológico. Sua distribuição é ampla, ocorre na América Central e norte da América do Sul (HOPKINS, 1986); possui crescimento rápido (LORENZI, 1998), e sua madeira, de baixa densidade, apresenta fácil processamento (NASCIMENTO et al., 1997). A espécie é fixadora de nitrogênio (MOREIRA e SILVA, 1992) e pode ser recomendada para o plantio em áreas degradadas.

Demonstrou também boa germinação e sobrevivência após um ano de semeadura direta em área aberta sem vegetação (CAMARGO et al., 2002). Além disso, é considerada espéciechave na restauração ambiental da Amazônia, devido à sua importância para a comunidade de pássaros e mamíferos que são atraídos pela regular e abundante produção de sementes e de resina exsudada pelas vagens (PERES, 2000). Os frutos agrupados e a retenção das sementes pela resina (OLIVEIRA e FERRAZ, 2003) facilita também a coleta para o produtor. Popularmente conhecida como angelim-saia, pertencente à família Fabaceae, tem ocorrência natural nos Estados do Pará, Amazonas, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão (SOUZA et al., 1997), sul da Bahia e norte do Espírito Santo, na floresta fluvial (LORENZI, 2000). Sua madeira tem características físicas e mecânicas favoráveis para uso comercial, promovendo alto índice de exploração da espécie, o que diminui consideravelmente os exemplares em sua área de ocorrência natural.

É amplamente usada na construção civil, embarcações, móveis, artigos domésticos e decorativos (SOUZA et al., 1997), taboados, caixotaria, lâminas para compensados e canoas (LOUREIRO et al., 2000). Segundo Lorenzi (2000), pode ser empregada com sucesso no paisagismo para arborização de praças públicas, parques e principalmente para plantio em áreas degradadas de preservação permanente, devido ao seu rápido crescimento em ambientes abertos. O único inconveniente na introdução dessa espécie para ornamentação é o odor que as flores exalam e a resina que exsuda dos frutos (LOUREIRO et al., 2000). As sementes possuem dormência, imposta pela impermeabilidade do tegumento, que pode ser superada pelos métodos convencionais, como escarificação química com ácido sulfúrico (BARBOSA et al., 1984), desponte ao lado oposto da emissão da radícula e perfuração do tegumento (OLIVEIRA e FERRAZ, 2003).

A dormência em sementes representa um grande problema, pois dificulta a produção uniforme de mudas tanto de regeneração natural, quanto em viveiro. A dormência é o estádio fisiológico, no qual as sementes, embora viável e sob condições ecofisiologicas ótimas, não germinam. Isso pode acontecer devido à impermeabilidade do tegumento, imaturidade do embrião, presença de substancias inibidoras da germinação (BEWLEY e BLACK, 1994; PESKE et al., 2006).

Os mecanismos de dormência são adaptações evolutivas necessárias à sobrevivência e perpetuações das espécies, pois impede que todas as sementes germinem na mesma época diminuindo o risco de extinção da espécie. (CARVALHO e NAKAGAWA, 2000). No entanto, acarreta problemas para viveiristas e analistas de sementes, portanto é necessário estudos pra solucionar os problemas físicos e fisiológicos relacionados com a dormência. (SILVA e MATOS, 1994).

A maioria dos métodos para a superação da dormência não são práticos, dificultando a sua utilização em escala comercial. Entre os métodos mais utilizados para a superação da dormência tegumentar ou exógena podem-se destacar a: Escarificação mecânica, que é recomendada para superar a dureza do tegumento. O tegumento deve ser escarificado tendo-se o cuidado de evitar danos no embrião e conseqüentemente na plântula. É recomendada que a escarificação seja feita na parte superior e oposta ao embrião; a escarificação química cujo tratamento é feita com ácido sulfúrico concentrado indicado para superar a dureza de algumas sementes de espécies como as leguminosas forrageiras. As sementes são colocadas no ácido até a escarificação do seu tegumento, o tempo de permanência dependerá da espécie. As sementes devem ser examinadas constantemente. Após o tratamento as sementes devem ser lavadas em água corrente até que todo ácido seja removido, para que possam ser semeadas; e a embebição de água, onde a sementes com tegumento duro podem germinar mais prontamente após serem embebidas em água por um período de 24 a 48 horas. Pode-se diminuir o tempo de embebição aumentando a temperatura da água. O teste de germinação é iniciado após o período de embebição.

O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito de diversos tratamentos na superação da dormência da semente Parkia pendula.

Material e Método

A superação da dormência de uma semente tem como objetivo acelerar o processo de germinação, a Parkia pendula foi submetida os seguintes tratamentos: escarificação mecânica, escarificação química e embebição em água.

Foram utilizados quatro tratamentos para superação de dormência. Em cada tratamento utilizou-se 15 sementes de Parkia pendula e quatro repetições. Escarificação química, onde as sementes serão submetidas ao ácido sulfúrico concentrado por 15 minutos, para posterior lavagem em água corrente e plantio. Escarificação mecânica, estas sementes terão seus tegumentos gastos com o auxílio de uma lixa 100, a lesão no tegumento deverá ser feita no lado oposto da emissão da radícula. Embebição em água, neste processo as sementes passarão por uma rápida imersão em água fervente. Testemunha é a semente que foi plantada em sua forma natural sem nenhum tipo de alteração química, mecânica, ou física.

As sementes foram colocadas para germinar em substrato Rolo de Papel (entre papel) na forma de rolo previamente umedecido com água destilada na quantidade de 2,5 vezes a massa do papel seco, e levadas à câmara de germinação sob temperatura de 27ºC e oito horas de luz por dia. A leitura da germinação foi feita com 7 dias e depois aos 12 dias, onde pode ser avaliar as sementes germinadas, mortas e duras. Foram feitos análises estatísticas das porcentagens de germinação (sementes com emissão de raiz), de plântulas normais e mortas. Para a analise dos dados foi utilizado o software estatístico e as medias foram comparadas pelo teste de Tukey á 5 % de probabilidade.

Resultados e Discussão

Grafico 1: Tratamento de superação da domênica em Parkia pendula. TABELA 1: Seleção do método de quebra de dormência das sementes de Parkia pendula

1 - Água quente 1.6A 81.6 B 6.6 A
2 - Com ácido 84.9B 0.0 A 14.9 A
3 - Com escarificação 86.6B 0.0 A 13.3 A
4 - Testemunha 0.0A 10.0 C 0.0 A

Tratamentos (%) Germinadas (%) Duras (%) Mortas

*Utilizou-se o teste Tukey (5%). Coeficiente de Variação: 20,59% para variável germinadas, 1,01% para a variável não germinadas, 86,83 % para variável mortas.

O tegumento da semente de Parkia pendula apresenta impermeabilidade à água, assim ao se utilizar os tratamentos com água quente, com acido ou a escarificação para a quebra de dormência, os tratamentos que permitiram uma maior eficiência na quebra de dormência foram os tratamentos com ácido e com escarificação, e que não diferiram entre si. A quebra de dormência utilizando estes tratamentos foram os melhores pois a escarificação ao resultar na ruptura do tegumento, facilita a embebição, o que dá inicio a germinação, e o ácido provoca um enfraquecimento do tegumento, o que também facilita a embebição.

Conclusão

Este trabalho nos demonstra a grande importância de se estudar mecanismos de superação de dormência, como uma forma de acelerar o processo de germinação das sementes, especialmente para aquelas sementes que apresentam dormência tegumentar ou exógena e não germinam mesmo sob condições favoráveis. Neste caso, os envoltórios funcionam como uma barreira à germinação que o embrião não consegue germinar.

Dessa forma a utilização de tratamentos pré germinativos para superação de dormência é importante quando se deseja acelerar e uniformizar a germinação das sementes, pois reduz os problemas relacionados à analise de sementes e produção de mudas.

Estes estudos sobre tratamentos pré-germinativos tem contribuído para tornar mais prático o trabalho dos viveiristas, pois as sementes duras apresentam consideráveis problemas quando utilizadas para produção de mudas, alongando o período de germinação e conseqüentemente o tempo de permanência nos viveiros.

Referências Bibliográficas

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Figura 1 – Semente submetida ao tratamento com ácido. Figura 2 – Semente submetida ao tratamento com escarificação mecânica.

Figura 3 – Semente submetida ao tratamento com embebição de água quente.

Figura 3 – Semente sem tratamento – testemunha. Figura 5 – Comparação entre os tratamentos e a testemunha.

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