Apostila Colheita e Pos Colheita

Apostila Colheita e Pos Colheita

(Parte 1 de 9)

COLHEITA E PÓS-COLHEITA DA BANANA

 

 

 1.      Introdução

 

A banana é uma das frutas de maior consumo no mundo, sendo a base da economia de alguns países, graças as suas características alimentares que implicam num elevado consumo nas diversas camadas da sociedade.

No Brasil, segundo dados do IBGE, no ano de 2001, a cultura foi a segunda mais produzida, ficando atrás somente da laranja. Apresentou uma área colhida de 510.313 ha, com uma produção de 6.177.293 toneladas de frutos, o que correspondeu a um volume de negócios superior a 1 bilhão e oitocentos milhões de reais no ano de 2001. (www.boletimpecuário.com.br.).

A casca da banana constituiu-se numa embalagem individual, fácil de retirar, higiênica e, portanto, prática e adaptável aos costumes dos tempos atuais. Contribuem ainda para o seu alto consumo a ausência de suco na sua polpa, a ausência de sementes duras, o valor alimentício e a sua disponibilidade no mercado brasileiro e em diversos países do mundo, durante o ano todo. Por outro lado, a banana é uma fruta frágil, que exige grandes cuidados na colheita e no manejo pós-colheita. Em países onde não se adotam estes cuidados são comuns perdas de 40 a 60% da banana produzida, em razão de um manejo inadequado e conseqüentes podridões pós-colheita. Na lavoura, normalmente, os danos já estão cicatrizados no momento da colheita, sendo por este motivo considerados menos graves. Ao contrário dos que ocorrem a partir da colheita, ou seja, na própria colheita, no amontoamento dos cachos, nos translados e no transporte interno na propriedade, na embalagem do produto, no transporte para o mercado, no manuseio das frutas no mercado, na climatização e na própria residência do consumidor, são considerados mais graves porque nesta fase já não é mais possível a cicatrização dos tecidos. (Lichtemberg, 1999).

O Brasil, embora sendo um dos principais produtores mundiais, carece de uma melhor organização produtiva e comercial, e essa deficiência tem resultado na produção de bananas de qualidade apenas aceitável e num fraco volume de exportação. Além disso, o Brasil possui um aspecto negativo de elevadas perdas após a colheita, devido a falta de organização e tecnologias apropriadas de armazenamento, transporte e comercialização. Não se tem números exatos de quanto das cerca de 6 milhões de toneladas de bananas produzidas no Brasil são perdidas em pós-colheita, mas estima-se que 40 a 50% do total produzido deixa de ser comercializado ou consumido. A organização da produção de forma racional e moderna em toda cadeia produção-distribuição, além da melhoria na qualidade da fruta, podem proporcionar maiores ganhos ao produtor e conduzir o Brasil a tornar-se também um grande exportador de bananas.

A fase de pós-colheita, embora muitas vezes pouco considerada, é uma das fases mais crítica dentro do processo produção-comercialização, uma vez que ela define, desde o momento que se colhe até o consumo, a qualidade e a capacidade de conservação da fruta. A pós-colheita de uma fruta começa no momento da separação desta de sua fonte produtora (a planta) e se estende até que a mesma atinge o consumidor final e seja consumida. O processo produtivo é cumulativo e o produto colhido representa o resultado do tempo, terra, mão-de-obra, insumos e demais componentes necessários à produção. Caso a produção econômica não seja consumida, todos os esforços prestados durante o processo produtivo terão sido em vão. A obtenção de um produto de alta qualidade deve ser a meta de qualquer processo de produção, sendo ele para grandes ou pequenos produtores, e uma vez alcançada resulta numa melhor aceitação pelo mercado consumidor e maiores retornos financeiros à base produtiva.

A pós-colheita da banana apresenta certos inconvenientes:

a)    A fruta madura é bastante suscetível a danos físicos durante o transporte e comercialização, devido aos constantes manuseios de cacho antes do despencamento, e das frutas nas embalagens;

b)   As bananas maduras deterioram-se rapidamente, devido ao ataque de fungos que podem instalar-se nos frutos antes ou após a colheita;

c)    Em condições naturais, existe desuniformidade ao amadurecimento de bananas após a colheita.

Na bananicultura, para contornar ou minimizar estes problemas, é comum a colheita da frutas ainda verdes, porém fisiologicamente maduras, seguida pelo amadurecimento controlado (também chamado de climatização) em recintos apropriados. Mesmo sabendo-se que a fruta também pode sofrer o amadurecimento na própria planta, estudos antigos revelaram uma melhor qualidade de fruta quando amadurecida fora da planta, traduzida por um melhor aspecto quanto a coloração interna e externa e um melhor sabor.

A climatização de bananas vem ultimamente se constituindo numa maneira de elevar a rentabilidade dos produtores, eliminando, em parte, a presença do atravessador. Porém, há necessidade de um intercâmbio mais consistente entre os segmentos produção/pós-colheita, buscando-se maximizar o uso de tecnologias apropriadas para a produção de bananas de alta qualidade, uma vez que o amadurecimento controlado não é capaz de elevar a qualidade de uma fruta afetada antes de sua colheita, ou por sua exposição a condições desfavoráveis ou pelo seu manejo inadequado. O manejo adequado da cultura, desde o seu plantio até a colheita, juntamente com uso de tecnologias apropriadas de amadurecimento controlado são, entre outros, caminhos a serem seguidos, não só para maior produtividade e rentabilidade, como também para a melhoria da qualidade das frutas. (Kluge, 2003).

Algumas regiões brasileiras como o litoral de Santa Catarina, o Vale do Ribeira e o Planalto Paulista (SP), o Norte de Minas Gerais, o Vale do Assú (RN) já apresentam uma evolução no manejo pós-colheita da banana, mas ainda há muito para ser melhorado. O principal diferencial entre a qualidade do produto de países tradicionalmente exportadores, como Equador, Costa Rica e Colômbia, e a banana produzida no Brasil deve-se aos cuidados em pós-colheita. (Lichtemberg, 1999).

Podemos notar que um bom produto não depende somente de sua condução durante a produção. Para que ele chegue às mãos do consumidor com elevada qualidade, os tratamentos e técnicas de pós-colheita são essenciais. E são estes tratamentos e técnicas de colheita e pós-colheita da banana que veremos à seguir.

 

 

2.      Mercado Mundial

 

A formação de grandes blocos (União Européia, Mercosul, etc.) coloca algumas questões sobre o desenvolvimento do comércio internacional. Contudo, ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas sobre se estes grandes blocos se constituirão em grandes mercados para a colocação de produtos de outras regiões, ou se transformarão em grandes “fortalezas”, aumentando suas barreiras alfandegárias e paratarifárias para produtos de outras origens que não sejam os próprios.

Em termos gerais, a demanda por produtos alimentícios de alta qualidade cresceu regularmente nos países desenvolvidos, o que provocou importantes aumentos do consumo, principalmente de frutas frescas e de outros produtos exóticos importantes para países do Hemisfério Sul.

Em nível mundial se manifestam certas mudanças no consumo de alimentos em função de aspectos sócio-econômicos. Por um lado constata-se uma baixa geral da natalidade, tendendo ao envelhecimento da pirâmide populacional, o qual somado ao aumento da esperança de vida gerará no futuro uma ampliação da população de 50 anos para cima, contribuindo para o incremento da demanda de alimentos frescos, saudáveis e nutritivos. Por outro lado, também se observa uma tendência à diminuição do tamanho dos núcleos familiares e a uma maior porcentagem de pessoas vivendo só. Paralelamente a esta tendência, se consolida a inserção da mulher no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos 76% das mulheres economicamente ativas trabalham ou estão procurando trabalho.

Todos esses fatores trazem modificações nos hábitos de consumo, com as seguintes conseqüências:

·      Sensibilidade crescente em relação a fatores ecológicos e dietéticos. Isto se traduz numa maior preocupação no que se refere à qualidade e origem dos produtos e sua relação com a saúde;

·      Crescente individualismo e dissolução da tradicional refeição no lar. A tendência atual é para a diminuição do tamanho das frutas e hortaliças, por exemplo: melões e melancias de menor tamanho;

·      O consumidor tende a desprender-se dos horários e dos costumes, o que aumenta a substituição das refeições por sanduíches, frutas frescas e “fast foods”, quer dizer, refeições rápidas, fáceis e que não sujem;

·      Surgimento de um consumidor hedonista aberto às novidades.

Existe uma atração pelos produtos novos e uma tendência à busca de novos sabores, constituindo uma força motora nas mudanças dos hábitos de consumo. Dadas as modificações dos hábitos de consumo, no que se refere ao consumo de frutas e hortaliças, se prevê a diminuição do consumo de hortaliças de cocção prolongada, o aumento do consumo de frutas e hortaliças frescas garantidas por uma marca e o aumento do consumo de frutas exóticas. (Carraro & Cunha, 1994).

No mercado frutícola internacional, que movimentou cerca de 32,7 milhões de toneladas em 1998, o que representa um total de US$ 12,5 bilhões, verifica-se distinção flagrante entre os segmentos de frutas tropicais e temperadas (Figura 1), uma vez que possuem características, padrões de distribuição e marketing diferenciados. As frutas de clima temperado são produzidas em grande escala e a maior parte de sua comercialização, inicialmente, era realizada entre países vizinhos no Hemisfério Norte, muitas vezes membros de um mesmo bloco econômico. Entretanto, com a sofisticação da demanda, em que o consumidor passou a exigir a disponibilidade de frutas frescas durante todo o ano, ampliaram-se as exportações de longo curso, que visam garantir o abastecimento no período de entressafra dos países produtores daquela região. Nesse momento surgiu a possibilidade de uma maior inserção, nesses mercados, das nações do Hemisfério Sul, que passaram não somente a atender essa demanda crescente, como também a ofertar frutas de clima tropical, muitas delas considerada exóticas. (www.sebraenet.com.br).

 

Figura 1 – Participação percentual de frutas tropicais, temperadas e banana no mercado internacional frutícola (em valor)

Fonte: FAO, 1998.

A banana é a fruta com maior volume transacionado no mercado mundial, pois é consumida tanto em países tropicais quanto em temperados.

O Brasil é o terceiro produtor mundial de banana, sendo superado pela Índia e pelo Equador. Embora seja grande produtor mundial da fruta, sua participação no mercado internacional ainda é marginal. Nos últimos anos, o País tem exportado menos de 1% do que consegue produzir. As exportações são destinadas basicamente a dois países: Argentina e Uruguai (Tabela 1). Os Estados de São Paulo e de Santa Catarina são os maiores exportadores da fruta no Brasil. Apesar disso, a maior parte da produção desses Estados é destinada ao mercado doméstico.

O maior concorrente do Brasil no mercado de banana dos países da América do Sul é o principal exportador mundial, o Equador. Enquanto esse país vem aumentando suas exportações para os países do Cone Sul, as exportações brasileiras vêm diminuindo. Uma explicação para esse fato é que o Equador consegue comercializar uma banana de melhor qualidade e com menor custo que o Brasil. O Pacto Andino, que estabelece taxação zero na comercialização entre os países participantes (Argentina, Uruguai e Equador), é outro componente de competitividade equatoriana que não deve ser ignorado. (Almeida et. al., 2001)

 

 

Tabela 1 – Destino das capacitações brasileiras de banana em 1998.

 

País

Volume

(Kg)

Valor

(US$)

Valor unit.

(US$/Kg)

Valor unit.

(US$/Kg)

Volume

(%)

Alemanha

1.104

4.313

3.91

3.906,70

0,00

Espanha

359.712

157.711

0,44

438,44

0,52

Itália

51.960

16.887

0,33

325,00

0,08

Países Baixos

11.424

43.506

3,81

3.808,30

0,02

Argentina

43.700.124

7.074.722

0,16

161,89

63,74

Uruguai

24.426.880

4.315.498

0,18

176,67

35,63

Cabo Verde

150

225

1,50

1.500,00

0,00

Chile

4.000

16.000

4,00

4.000,00

0,01

Total

68.555.354

628.862

0,17

169,63

100,00

Bloco Econômico

Volume

(Kg)

Valor

(US$)

Valor unit.

(US$/Kg)

Valor unit.

(US$/Kg)

Volume

(%)

União Européia

424.200

222.417

0,52

524,32

0,62

Mercosul

68.127.004

11.390.220

0,17

167,19

99,38

Outros

4.150

16.225

3,91

3.909,64

0,01

Total

68.555.354

11.628.862

0,17

169,63

100,00

Fonte: Ibraf (1999).

 

Na tabela 02, pode-se observar que o Equador lidera as exportações mundiais de bananas, respondendo por 30% do volume transacionado. Nota-se, também que os cinco principais importadores são Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Japão. É importante destacar que a Bélgica e Luxemburgo, apesar de não serem produtores, uma vez que não possuem clima adequado, ocupam a segunda posição no ranking de exportações e as distribuem para as demais regiões da União Européia. Por outro lado, a importância dos Estados Unidos como país exportador de bananas deve-se à consolidação de fortes estruturas de produção e comercialização, em importantes regiões produtoras da América Central e América do Sul. Também pode-se observar na tabela 02, que o Brasil é o primeiro consumidor mundial de bananas. Obviamente, além do elevado consumo interno, existem outros fatores que dificultam o aumento das exportações brasileiras. (Barros & Pizzol, 2003).

 

Tabela 2 – Principais Países Produtores, Importadores, Exportadores e Consumidores da Banana.

 

País Produtor

Produção (ME)

País Importador

Qtd Importada U$(1000)

País Exportador

Qtd. Exportada (U$1000)

País Consumidor

Consumo Aparente (Mt)

Índia

11.000.000

EUA

1.387.194

Equador

1.058.729

Brasil

5.437.561

Brasil

5.506.080

Alemanha

686.452

Bélgica

747.078

China

4.200.017

Equador

4.563.442

Reino Unido

577.674

Costa Rica

568.029

EUA

3.506.324

China

3.733.814

Bélgica

574.648

Colômbia

476.402

Indonésia

3.099.332

Filipinas

3.560.800

Japão

469.913

Filipinas

217.040

Filipinas

2.411.289

Indonésia

3.176.749

Itália

376.793

Guatemala

191.372

México

1.280.868

Costa Rica

2.098.333

França

223.259

EUA

177.013

Honduras

819.313

Tailândia

1.720.000

China

163.151

França

174.377

Egito

667.167

México

1.525.636

Canadá

161.246

Itália

139.351

Malásia

505.160

Colômbia

1.516.640

Suécia

159.079

Panamá

138.748

Espanha

421.811

Fonte: FAO, 1998.

 

As precárias estruturas de produção e comercialização da banana, o manejo do produto a partir da colheita e a falta de cuidados no manejo pós-colheita, são responsáveis pela desvalorização da banana no mercado interno e pela perda de oportunidades de exportação da fruta brasileira. Além disso, as normas de qualidade são defasadas, dispersas e não-compatíveis com os padrões básicos vigentes nos mercados compradores de fruta in natura.

Segundo estudos desenvolvidos por Souza et. al., apud Almeida et. al. (2001), sugerem que as vantagens oferecidas pelo Equador, tais como preços estáveis e competitivos, oferta regular, boa apresentação do produto, transporte marítimo em temperatura constante, são fatores que justificam a superação do produto equatoriano em relação ao brasileiro. Os mesmos autores informam também que as condições climáticas do Equador e de outros concorrentes do Brasil, como a Venezuela, a Colômbia e os países da América Central, favorecem a obtenção de produção contínua, o que é um parâmetro importante de acesso ao mercado internacional, pois a produção contínua pode assegurar regularidade de oferta. Os referidos países estão localizados próximos à linha do equador, onde predomina um clima quente, que é altamente favorável à produção de banana de alto padrão de qualidade. O alto índice de precipitação também é um dos fatores de competitividade dos países localizados próximos à linha do equador.

A Costa Rica, além de apresentar altos índices de precipitação – em torno de 4.300 mm ao ano - , nas principais regiões produtoras de banana, dispensa o uso de irrigação. O ambiente desses países, entretanto, é altamente propício à incidência de doenças foliares como a sigatoka, exigindo, assim, elevados investimentos para o seu controle. O Brasil pode tirar proveito desse importante fator de adversidade, cada vez mais limitante às transações no comércio internacionais de produtos agrícolas. Uma das opções seria explorar o grande potencial da Região Nordeste do País, que oferece excelentes condições climáticas e de recursos hídricos. A possibilidade de desenvolver uma bananicultura com baixa incidência de doenças, alta produtividade, oferta regular e menores distâncias portuárias entre a região e os principais mercados importadores de banana credenciam-na a constituir uma subzona de comércio com os Estados Unidos e a União Européia.

A exemplo da manga e da uva, frutas que o Nordeste consegue exportar com qualidade e um certo grau de competitividade, a banana, fruta mais consumida no mundo, também poderia representar uma excelente possibilidade de expansão das exportações agrícolas nordestinas. Entretanto, para que isso aconteça, é necessário superar uma fase de baixa eficiência da produção da fruta, cultivar as variedades mais demandadas no mercado internacional e tornar a qualidade da banana compatível com as exigências dos mercados.

Enquanto a banana tipo Cavendish é a mais aceita e transacionada no mercado internacional, a banana tipo Prata foi a escolhida para cultivo no Nordeste. A região necessita reorientar sua produção para ter uma inserção ativa e competitiva, em curto e médio prazos, no mercado internacional de banana. Essa foi uma das estratégias utilizadas nos plantios empresariais do Vale do Açu, localizados no Rio Grande do Norte, para alcançar o mercado externo: o Estado exporta banana para a Argentina e também já alcançou o cobiçado mercado europeu.

Ainda que os países produtores de banana tipo Prata venham a conquistar espaço no mercado internacional, dificilmente eles conseguiriam concorrer com os países cuja produção é orientada para a banana tipo Cavendish, a exemplo da Grand Naine. Em condições irrigadas, a produtividade média da banana tipo Cavendish alcança 50 t/ha, enquanto a do tipo Prata dificilmente ultrapassa a média de 35 t/ha.

A banana, por ser uma fruta perecível, sensível a choque físico e com rápida maturação, conferiu ao mercado internacional a característica de “comércio de vizinhança”, onde os maiores centros importadores mantêm relações geopolíticas especiais com os países exportadores. Como exemplo, os Estados Unidos absorvem a maior parte da banana produzida na América Central, na Colômbia e no Equador, em função tanto de sua proximidade como dos vínculos existentes entre este país e as grandes transnacionais que atuam tradicionalmente no comércio da fruta. Na Ásia, o Japão também busca parceiros mais próximos, garantindo a compra da produção filipina. Da mesma maneira, o mercado platino é abastecido pela produção brasileira. No caso da União Européia, a parceira comercial pautou-se por razões histórico-econômicas, beneficiando preferencialmente suas ex-colônias na África, Caribe e Pacífico (ACPs), ou países signatários do Acordo de Lomé, com tarifas preferenciais e cotas de mercado. (Barros & Pizzol, 2003).

A banana tipo Cavendish também é a mais comercializada da União Européia, que é também o maior mercado mundial da fruta, movimentando cerca de US$ 5 bilhões por ano no varejo.

No regime de importação de banana da União Européia em vigor até 1998, os países da América Latina tiveram as cotas de exportação reduzidas. Como efeito dessa política, parte da oferta equatoriana e costarriquenha de banana, que antes era destinada aos mercados europeus, passou a ser destinada à Argentina e ao Uruguai. As cotas de exportação são estabelecidas com base no desempenho exportador do país, sendo reservadas para os países que têm tradição no mercado. O Brasil não é contemplado porque não é um exportador tradicional de banana.

Em 1998, o Brasil reivindicou uma cota de 200 mil toneladas. Após forte pressão dos Estados Unidos e dos principais países exportadores de banana da América Latina, a União Européia revisou o regime de importação de banana em outubro de 1998, que passou a vigorar a partir de janeiro de 1999. No novo regime, os países latino-americanos tiveram suas cotas aumentadas, e o Brasil, finalmente, foi contemplado com 9,43% da cota de exportação cedida aos países da América Latina. O primeiro grande desafio já foi vencido – o Brasil conseguiu a cota; o segundo, talvez o maior, será mantê-la. (Almeida et. al., 2001).

O cenário comercial completa-se pela presença das tranding companies, que constituem eficientes estruturas de produção, pós-colheita, armazenagem e distribuição nos principais países exportadores. Destacam-se entre elas as norte-americanas Chiquita, a marca de banana mais conhecida nos Estados Unidos, e Dole, a equatoriana Noboa e a Del Monte. Elas associam-se a produtores independentes por contratos de produção e dominam toda a estrutura de comercialização, sendo então fortes concorrentes, já estabelecidas nos principais mercados importadores e exportadores de banana.

Apesar das oportunidades geradas pelo aumento da demanda no período de entressafra dos países do Hemisfério Norte, e mesmo pelo surgimento de nichos de mercado para a fruticultura tropical e de espécies exóticas, a participação do Brasil no comércio internacional é extremamente reduzido. Vale lembrar que além de grande parte da produção de banana não alcançar os padrões de qualidade exigidos para exportação, também a estrutura produtiva brasileira de frutas, muitas vezes alicerçada em propriedades de pequeno e médio porte, não consegue atingir uma escala de produção compatível com a adoção das tecnologias exigidas pelos compradores internacionais.

Nesse sentido, justifica-se a formação de associações, organizações cooperativas e consórcio de produtores com empresas âncoras, capazes de organizar a oferta regional e garantir o acesso às packing houses. E com vistas a incrementar ainda mais a participação do Brasil no comércio internacional, um grande esforço de promoção tem sido realizado pelo governo e pelos produtores no sentido de divulgar a fruticultura tropical nos países de clima predominantemente temperado. A principal estratégia utilizada foi a criação de uma marca, a “Brasilian Fruit”, com o objetivo de estabelecer uma referência mundial para o produto brasileiro, fortalecendo as características positivas da fruta nacional nos principais mercados consumidores. (www.sebraenet.com.br).

 

 

1.      Manejo Pré-Colheita

 

Para se obter uma fruta de qualidade, diversas medidas devem ser tomadas desde a implantação da cultura.

(Parte 1 de 9)

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