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1- REAÇÃO ADVERSA:

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) reação adversa a medicamentos (RAM), é definida como: "qualquer efeito prejudicial ou indesejável, não intencional, que aparece após a administração de um medicamento em doses normalmente utilizadas no homem para a profilaxia, o diagnóstico e o tratamento de uma enfermidade.

2-CLASSIFICAÇÃO E MECANISMOS DE PRODUÇÃO DE REAÇÕES ADVERSAS

Esta classificação abaixo auxilia no entendimento dos principais mecanismos de produção seria a que propõe seis diferentes tipos de reações indesejáveis:

Superdosagem relativa – é aquela que ocorre quando um fármaco é administrado em doses terapêuticas, porém suas concentrações são superiores às habituais, fala-se então em superdosagem relativa. O exemplo á seguir que ilustram bem essa definição : O índice de maior incidência de surdez em pacientes com insuficiência renal tratados com antibióticos aminoglicosídeos.

Efeitos colaterais – São os relativos à própria ação do medicamento, acontece quando surge o seu aparecimento indesejável, numa determinada aplicação. Na verdade são um prolongamento da ação farmacológica fundamental do medicamento e mostram um efeito farmacológico de menor intensidade em relação à ação principal da substância em questão. Exemplificando temos: A intensa sonolência causada pelos benzodiazepínicos.

Efeitos secundários – São aqueles relacionados não à ação farmacológica primordial do fármaco , mas em consequência do efeito que o medicamento deveria atingir. Temos por exemplo, a tetraciclina, um antimicrobiano de ação bacteriostática que é depositar em dentes e ossos, quando ao uso na pediatria, estas deposições descolorem o esmalte dentário decíduo e também os permanentes. A deposição óssea irá por conseguinte ocasionar redução do crescimento ósseo.

Idiossincrasia – São reações nocivas, e muitas vezes fatais, que podem ocorrer em um número reduzido de pacientes. É também conhecida como uma sensibilidade relativa a determinado produto, geralmente considera-se que as respostas idiossincrásicas se devem ao polimorfismo genético.(é a variação no número e no tipo de mutações estáveis do DNA, a este fenômeno damos estea denominação).

Hipersensibilidade alérgica – Para sua produção é necessária a sensibilização prévia do indivíduo e a mediação de algum mecanismo imunitário. Trata-se de reação de intensidade claramente não relacionada com a dose administrada. As principais características incluem erupções urticariformes, edema dos tecidos moles, broncoconstricção e hipotensão.

Tolerância – É o fenômeno no qual a administração de doses repetidas de forma, contínua ou crônica de um fármaco ou droga na mesma dose, diminui progressivamente a intensidade dos efeitos farmacológicos, sendo necessário aumentar gradualmente a dose para poder manter os efeitos na mesma intensidade. A tolerância é um fenômeno que leva dias ou semanas para acontecer. Exemplo: A tolerância produzida entre pacientes/clientes que usam barbitúricos, o uso contínuo e crônico reduz o seu efeito anticonvulsivante.

1.2-Fatores que predisponentes a Reações Adversas a Medicamentos(RAM)

Determinados tipos (grupos)de população são particularmente suscetíveis ao aparecimento de RAM. O uso de fármaco por pessoas que pertencem a esses grupos exige uma cuidadosa monitoração clínica e uma rigorosa avaliação da relação benefício/risco , isso pode variar com a gravidade do quadro clínico, com o efeito das

FARMACOLOGIA BÁSICA I reações adversas do medicamento, e com o grau de comprometimento do paciente.

Grupo I - Extremos de idade Neonatos e crianças:

As crianças podem sofrer com as variações farmacocinéticas e/ou farmacodinâmicas, além de outras alterações que são peculiares a essa faixa etária, modificando os padrões de crescimento e diferenciação que vão refletir no fator desenvolvimento. Exemplos destas alterações os transtornos do crescimento ósseo ocasionado por drogas como as tetraciclinas, corticoides, ácido nalidíxico, quinolonas e fluoroquinolonas.

Idosos

Os pacientes geriátricos estão predisponentes às reações adversas por diversas fatores, dentre estes temos : a dificuldade de obediência ao regime terapêutico, seja por esquecimento, ou por não compreenderem o esquema de tratamento , ou por dependência física, terapia com múltiplas drogas, aumento das reações de hipersensibilidade, assim como as alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas a esta faixa etária.

Gênero

As mulheres são mais suscetíveis às reações adversas, essa possibilidade, por uma associação de fatos tais como : as complicações obstétricas que podem ocorrem ao longo da vida fértil da mulher, episódios de dismenorréia que representam a probabilidade ao o uso de medicamentos, por vários anos, o uso de anticoncepcionais , e uma maior concentração de tecido adiposo. Existe ainda a possibilidade de que exista um determinante hormonal que afete o metabolismo, predispondo ao aparecimento de reações adversas.

Gestantes

O uso de fármacos deve ser avaliado levando-se em consideração as variações farmacocinéticas que ocorrem durante a gravidez, as alterações fisiológicas das funções maternas e os efeitos que os mesmos possam ter sobre o feto.

Patologias Insuficiência Renal

O uso de medicamentos em pessoas portadoras de insuficiência renal é um problema complexo, em atenção principalmente quando se faz necessário o uso de doses múltiplas. Essa tal complexidade é fator determinante quando ocorrem alterações na função renal, principal órgão excretor, e devido a este fator as implicações metabólicas que revelam : a retenção de água e sódio, hiperpotassemia, acidose metabólica e uremia, entre outros.

Insuficiência Hepática

O fígado possui diversas funções metabólicas importantes para a manutenção do equilíbrio da homeostase corporal, desta forma essas funções podem ficar comprometidas quando este órgão é lesionado por compostos químicos ou patologias, e a insuficiência hepática pode levar a poderosas alterações na farmacocinética dos fármacos.

Hipersensibilidade Reação de hipersensibilidade é uma variante resultante da exposição a um alérgeno (fármaco intacto ou fragmento).

As reações alérgicas podem ser reveladas, observando algumas características: exposição anterior a droga sensibilizante;

independência da dose feita ao paciente;

recorrência;

reação que não tem qualquer associação a atividade farmacológica da droga; sintomas relativos a hipersensibilidade.

Variabilidade Genética

Respostas anormais a drogas incidentes em uma determinada população , decorrem de modificações farmacocinéticas ou farmacodinâmicas decorrentes do fenômeno do polimorfismo genético.

Polimedicação

As interações dos fármacos são problemas de grande seriedade da prática médica e farmacêutica. A ocorrência de reações adversas pode aumentar consideravelmente o número de drogas administradas e, isto é, devido às interações medicamentosas.

Partindo desse pressuposto podemos dizer que os pacientes hospitalizados estão particularmente sujeitos a terem uma maior probabilidade de interações medicamentosas, uma vez que, estes recebem grande número de medicamentos medicamentos durante a internação. Pacientes em estado crítico, doentes crônicos, portadores de disfunções renais e hepáticas e idosos, e imunodeprimidos em geral estão mais sujeitos a interações medicamentosas graves, não só pela utilização de muitos medicamentos, mas isso ocorrerá também pelas modificações funcionais e homeostáticas específicas de cada grupo.

A automedicação, o uso de produtos naturais e remédios caseiros são responsáveis por uma grande parte das interações medicamentosas. Muitas vezes, não são adequadamente identificadas e são confundidas com outras doenças.

1- 1MEDICAMENTOS: Sua composição farmacológica, nome comercial , ação do fármaco e cuidados de enfermagem.

Abacavir é um fármaco utilizado pela medicina como antiviral, usual no HIV.

Aprovado pelo FDA para uso em adultos e crianças. Nome comercial: Ziagenavir. Apresentações: Comprimidos revestidos de 300mg , frascos de 240ml(20mg/ml). Ação Farmacológica: Anti-retroviral . 2- CLASSE TERAPÊUTICA Antiviral inibidor da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo 3. INDICAÇÕES PRINCIPAIS Usos terapêuticos: Terapia anti-retroviral de HIV/AIDS. Tratamento de HIV/AIDS Dosagem:

Crianças:

< de 3 meses: Uso não aprovado.

> de 3 meses e adolescentes: 8 mg/kg/dose, VO, de 12/12 h, até o máximo de 300 mg, de 12/12 h.

Precauções: Insuficiência hepática ou renal. Não reiniciar o fármaco após ocorrência de hipersensibilidade pelo risco de reação potencialmente fatal. Risco de acidose láctica fatal, hepatomegalia

1-Fármaco deriva do termo grego phárn, que tanto pode significar veneno como remédio. Na terminologia farmacêutica fármaco designa uma substância química conhecida e de estrutura química definida dotada de propriedade farmacológica.

com esteatose nos pacientes com doenças hepáticas. Contra-indicações: Hipersensibilidade ao fármaco.

Efeitos adversos: Reações de hipersensibilidade, náusea, vômito, diarreia, anorexia, dores abdominais, letargia, fadiga, cefaleia, insônia, tosse, dispneia, pancreatite, acidose láctica, elevação de AST, ALT, amilase, bilirrubinas e CPK.

Interações: Não foram relatadas interações. O etanol reduz sua eliminação.

Gravidez: Categoria C.

Lactação: Mães com HIV/AIDS não devem amamentar.

Via de excreção principal: Fecal.

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