Como citar bibliografia

Como citar bibliografia

Qualquer trabalho deve conter, geralmente no final, a lista de livros ou artigos que foram utilizados ou de outros livros que, apesar de não serem utilizados, sejam de interesse para o tema que foi trabalhado. Mas como se cita um livro? Como deve esse livro ser referido? Pois bem, quando citares um livro, há alguns itens que devem sempre ser referidos:

-Nome do autor (ou autores)

-Data de edição

-Nome do livro

-Local de edição

-Nome do editor -Número de edição (se for o caso de o livro utilizado ter mais de uma edição)

-Número do volume (no caso de a obra ter mais de um volume e só teres utilizado um volume)

Há regras precisas para cada um destes aspectos. Essas regras devem ser seguidas para a bibliografia ser bem citada. É também verdade que há mais de um sistema estabelecido para citar livros. Alguns não são como este que te ensinamos; este é um deles. Mas se optares por outro sistema de citação, deves respeitá-lo de forma coerente, e deves escolher um sistema reconhecido. Assim, vejamos:

Nome do autor

O autor é a primeira coisa que deve ser referida. O autor do livro deve surgir sempre com o apelido em primeiro lugar, seguido do nome próprio. Exemplos:

-MIRANDA, Luís -PEREIRA, Margarida Tavares

-ESCOBAR, Humberto

-CORREIA, Maria João

Há excepções. Os autores espanhóis ou latino-americanos, se tiverem dois apelidos, são citados usando primeiro o nome próprio e depois os dois apelidos. Exemplos:

-TORRES BALBAS, Gaspar -MENDEZ NUNEZ, Pilar

-HERÉDIA SANCHEZ, Juan

Outra excepção: se o autor (português ou estrangeiro) tiver um apelido composto (isto é, dois nomes separados por hífen), esse apelido composto não é separado Exemplos:

-LOPES-GRAÇA, Fernando -CORREIA-SIMÕES, Xavier

-SANTA-CRUZ, Ana -LINCOLN-GRAVES, Adam

Outra excepção: se o autor for muito conhecido pelo seu nome completo, evita-se separar nome próprio e apelido. Exemplo:

-William Shakespeare (e não Shakespeare, William)

-Eça de Queirós (e não Queirós, Eça) -Camilo Castelo Branco (e não Branco, Camilo Castelo)

Mas por vezes a tarefa complica-se. Como se faz se o livro tiver dois ou três autores? Bom, nesse caso escrevemos os nomes dos três autores seguindo a ordem por que eles surgem no livro e respeitando a regra geral (apelido, nome). Exemplos:

-MOTA, Assunção; SA, Artur, CUNHA, Teles -SILVA, Filomena; NEVES, Tomé

Se se der o caso de o livro ter três ou mais autores, torna-se desnecessário escrevê-los todos. Pode-se optar por, no lugar do nome dos autores, escrever apenas AV (isto é ' Autores Vários).

-Data

A seguir ao nome do(s) autor(es), vem a data de publicação do livro. Exemplo.

Se for necessário, numa nota do trabalho, referir mais de um livro do mesmo autor com a mesma data, então dever-se-á colocar uma letra minúscula logo a seguir ao ano. Exemplo.

Esta diferenciação irá revelar-se muito útil quando for necessário citar o autor e os seus livros com o mesmo ano de edição.

-Nome do livro

Segue-se o nome do livro. O nome do livro deve ser completo (não te esqueças de sub-títulos) e deve estar em itálico. Exemplos:

-PINTO, Veiga ( 2002). O contributo árabe para a matemática
principiantesI
-PERES, Cristina; CRUZ, Damião, (1988).. 1 Lições de Química

-CAETANO, Isabel, (1997).. Redes de computadores: uma abordagem para

-ESTEVES, Andrade (2004). A flora da Serra de Sintra (contributos para o seu estudo)...

-Local de edição

Geralmente segue-se o local onda o obra foi editada. Esse local é uma cidade ou uma vila (Lisboa, Porto, Coimbra, Almada, Sintra, Amadora, etc). A referência à localidade onde o livro foi editado pode ser encontrada na ficha técnica logo numa das primeiras páginas do livro. Exemplos

-NORONHA Anabela (2000).O pensamento filosófico de Espinoza. Coimbra

-MATOS, Gil de (1976). A lírica camoniana. Lisboa

Chama-se a atenção para o facto de que, por vezes, não é possível encontrar a referência ao local de publicação do livro. Nesse caso devemos colocar a indicação “s.l.”, isto é “sem local”. Exemplo:

-BERNARDES, Alice (1982 ). A arte manuelina. s.l.

-Editora

A seguir à indicação do local de edição, devemos referir o nome da instituição que editou o livro. Geralmente os livros são editados por uma editora. Mas pode acontecer o livro ser editado por uma instituição (Câmara Municipal, Ministério, Fundação, etc.) ou até ser editado pelo próprio autor do livro (Edição de autor). Seja como for, devemos sempre referir a entidade editora, excepto se, (o que não é frequente), não for possível detectar essa entidade. Exemplos (as editoras/instituições abaixo referidas são reais):

-CARVALHO, Luís (2000). A vida quotidiana no tempo de Damião de Góis. Porto: Campo das Letras -PEREIRA, Pedro (2004). Histórias infantis. Sintra: Edições Impala

-DOMINGUES, Beatriz (1999). Física nuclear, Lisboa: Livros Horizonte

-TAVARES, Hélio (2002). O teatro em Sintra. Sintra: Edição Câmara Municipal de

Sintra -FERRO, Teresa (2001). História da saúde em Portugal. S.l.: Fundação Calouste Gulbenkian

-Volume e Edição

referência bibliográfica, o número total de volumes entre parêntesisi

Como decerto já reparaste, é comum um título ter mais de um volume. Um título pode ter dois ou mais volumes e, sobretudo em dicionários e enciclopédias, o número de volumes pode ser grande. Convém, por isso, indicar no final da

-CAETANO, Rita (2001). Manual de Educação Física. Sintra: Europa-América, 3 volumes.

servido dos restantes volumes)

...ou só o volume que foi por nós utilizado no estudo (caso não nos tenhamos

-CAETANO, Rita (2001).Manual de Educação Física, Sintra: Europa-América, 2º volume

Por vezes uma obra tem mais de uma edição. Ou seja porque o livro teve algum sucesso, o editor teve de fazer mais edições. As vezes há alterações de uma edição para outra, seja porque o autor introduziu coisas novas, seja porque o formato do livro é diferente o que altera o número de páginas. Por isso, quando citares um livro, podes (e deves) indicar a edição utilizada. Exemplo:

-CARDOSO Manuel (2005).Biologia marinha. Évora: Universidade de Évora, 2a edição

Como calculas a data que indicas tem de se referir à edição de que te serviste. Não fará sentido usares a 2ª edição e colocares a data da 1ª.

Artigos de enciclopédias ou dicionários

Mas, por vezes, a informação de que tu precisas não está num livro, mas num artigo de um dicionário, de uma enciclopédia, num artigo de jornal ou revista. Nesse caso, como devemos citar o artigo consultado?

Se se trata de um artigo num dicionário ou enciclopédia, mantemos as normas referentes aos livros. Começamos pelo nome do autor do artigo, a que se segue a data, o titulo do artigo entre aspas, o nome da enciclopédia ou dicionário, editora e volume em causa (não te esqueças que dicionários e enciclopédias costumam ter vários volumes). Exemplo:

-GOMES Aires (1982). art. “Fernão Lopes” in Dicionário de Escritores Portugueses. Lisboa: Âncora Editores, (vol. 2)

-FERNANDES, Rita (1999). art. “Madame Curie” in Enciclopédia da Física. Coimbra: Edições Almedina vol. 4

Exemplo

Mas por vezes o artigo não está assinado. Assim sendo não é possível referir o seu autor. Nesse caso devemos indicar como autor o coordenador ou director da enciclopédia ou do dicionário. O nome dessa pessoa responsável pela coordenação da obra (não te esqueças que uma obra destas tem vários autores e precisa geralmente de um coordenador) está sempre nas primeiras páginas de cada volume. Neste caso indicamos, a seguir ao nome, a sua função na obra: se foi coordenador indicamos (coord.); se foi director indicamos (dir.).

-BRITO, Xavier, (coord.) (1987). art. “Fermentação” in Enciclopédia de Agronomia. Lisboa: Edição Instituto Superior de Agronomia, (vol. 1) -CABRAL, Fátima (dir.) (1998). art. "Kepler" in Dicionário de Astronomia. Porto:

Edição Asa, (vol.6 Artigos de jornal ou revista

Torna-se necessário, muitas vezes, referir igualmente um artigo de um jornal ou de uma revista. Neste caso, a ordem é a seguinte: Nome do autor / Título do artigo (entre aspas ou em itálico) / Título da publicação (jornal ou revista) / Data / Número da publicação / Número da(s) página(s).

Vejamos um exemplo:

-DOMINGUES, Tiago (2002). "As relações diplomáticas luso-chinesas no século X” in Revista de Estudos Militares, 2-12-2002, n° 31,.

Se o nome do autor não for conhecido, omite-se e segue-se a ordem seguinte.

Sítios da Internet

Geralmente, a comunidade científica não é muito receptiva a que se busque informação na Internet sobre um determinado tema. A razão é simples: essa informação pode não ser fidedigna, isto é, de confiança. E porquê? Porque na grande maioria dos casos se desconhece o nome do autor da informação, qual a sua preparação, se está ou não de boa fé, etc. Nada impede que uma pessoa, só para se divertir, ponha na Internet um artigo sobre um tema que desconhece por completo e no qual invente tudo. Estranho? Nem por isso. A Internet é um instrumento poderoso, quer para o "bem" (para divulgar informações e dados correctos), quer para o "mal" (para espalhar dados errados com os mais variados fins, alguns deles pouco honestos). Num livro publicado e assinado por um autor tal é muito mais difícil. Os livros são sujeitos à crítica da editora que o publica, está sujeito ao juízo crítico de especialistas, sabemos quem é o autor que “dá a cara” e coloca o seu nome. Logo, se o livro contiver falsificações ou mentiras, o autor está identificado imediatamente. Por isso, numa obra publicada, os autores terão, necessariamente, mais cuidado. É lógico por isso que um autor de um livro tenha o cuidado no que escreve muito maior que quem escreve num sítio da Internet

serão úteis, conterão informações interessantes. Masquem nos impede de

Tomemos um exemplo. Actualmente há uma enciclopédia na Internet que está na moda: a Wikipédia. Trata-se de urna enciclopédia virtual onde qualquer pessoa pode escrever um artigo ou modificar um já existente. Não te parece que este sítio exige a nossa maior prudência? Decerto que muitos artigos aí citados colocar lá um artigo onde inventamos tudo, só para nos divertirmos?

interessam. Apenasé já é muito.

Contudo, também é certo que há situações em que temos mesmo de consultar um sítio na Internet E verdade se diga que há, actualmente, sítios da Internet de muita qualidade, sobretudo os ligados a instituições sérias e credíveis (universidades, centros de investigação, bibliotecas, centros de estudo, etc.). Se, no decurso de um trabalho, optares por incluir a referência a sítios da Internet consultados, deves incluir a referência completa do sítio e a webpage de onde retiraste a informação. Em caso algum deves incluir motores de busca como sítios de referência. Os motores de busca (Altavista, Google, Yahoo, Sapo, etc.) são instrumentos de busca de outros sítios relevantes. Estes é que devem ser citados. Por isso, os motores de busca são instrumentos para aceder aos sítios que nos

Como se organiza a bibliografia

Como é lógico, a lista de livros consultados não é apresentada "ao calhas", isto é, os livros não devem ser apresentados sem ordem. A bibliografia é a lista de livros que nos foram úteis ao longo do nosso trabalho, por isso essa lista deve ser apresentada com uma organização determinada. A lista bibliográfica é também a prova de que, para fazer o nosso trabalho, nos servimos de livros úteis, importantes e reconhecidos nos quais nos apoiámos e onde recolhemos a nossa informação. Por isso, a bibliografia legitima as opiniões que referimos ao longo do nosso trabalho.

Ora é fácil de supor que, para o nosso trabalho, nos servimos de vários tipos de livros diferentes. Uns são estudos de autores sobre o tema que tratámos; outros são artigos de jornais ej ou revistas; outros são livros antigos, muitas vezes escritos na própria época que estudámos; alguns são livros muito específicos e que só falam do nosso tema; outros são livros mais gerais. Estes tipos de livros não devem ser misturados. Assim poderemos organizar a lista bibliográfica da forma seguinte:

Podemos designar esta secção da bibliografia como "Bibliografia Geral"

-Primeiro colocamos os livros de carácter geral - São aqueles que não dizem só respeito ao tema que estudámos. São muitas vezes livros genéricos, que falem da época em que se situa o fenómeno que estudámos, ou que falam de assuntos que, embora se relacionem com o nosso tema, relacionam-se apenas indirectamente. Por assim dizer, são obras que enquadram o nosso tema, que dão informações complementares. Estão neste caso, por exemplo, as Histórias de Portugal, as Histórias da Literatura ou da Cultura, as Histórias das disciplinas específicas (Matemática, Biologia, Medicina, Química, Física, etc.).

Depois colocamos as fontes escritas - São obras antigas que foram escritas na própria época que estamos a estudar. Não são estudos sobre o assunto do nosso trabalho, mas através deles sabemos o que pensavam ou escreviam no período histórico estudado. Estão neste caso os artigos de jornal e revista mais antigos (desde que sejam do tempo que nós estudámos no trabalho), as obras de um autor que foi o objecto do nosso estudo, as obras de autores que escreveram no período que trabalhámos, etc. Podemos designar esta secção como “Fontes Escritas”.

Podemos designar esta secção da bibliografia como “Bibliografia Especifica”
Acreditamos que, para quem não está habituadoaté são. Mas é verdade que

-Depois colocamos os livros de carácter mais específico - Trata-se de livros, artigos ou estudos que dizem especificamente respeito ao tema que tratámos. De um modo geral foi nestes livros ou obras que recolhemos a maior parte de informação para o nosso trabalho. Com este conjunto de informações estás agora mais apto a desenvolver e a redigir um bom trabalho de pesquisa. Podem parecer informações extensas e complexas. estas informações e regras te permitirão fazer um melhor trabalho e, quando te habituares a estas regras, a tua pesquisa e o teu trabalho decorrerão muito mais facilmente.

conta, seja agora na escola secundária, seja depois na universidade

Por assim dizer, o tempo "perdido" a aprender estas normas será depois compensado com o tempo poupado quando o redigires e o organizares. E serás também recompensado, se for esse o caso, com urna melhor nota. O que também Então, bom trabalho.

Já agora, se quiseres saber mais sobre este assunto, aconselho-te os livros seguintes:

-Eco, Umberto (1984). Como se faz uma tese em ciências humanas. Lisboa: Editorial Presença. -Frada, João (2005). Novo guia prático (para pesquisa, elaboração e apresentação de trabalhos científicos e organização de currículos). Lisboa: Edições Sete Caminhos.

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